Je suis desolée!
Os arquivos sumiram.
Espero que voltem para casa.
As artes e as manhas de uma atriz. Na blogosfera desde março de 2001. Os arquivos esperam a sua visita.
16.12.06
14.12.04
Este é o gatinho mais famoso da blogosfera: o Mosca. Um destacado membro
da Familia Gato. Não resistí e copiei do InternETC, blog da Cora Rónai. Este gatinho é muito lindinho e esta foto parece uma pintura.
3.12.04
A Casa Discos convida para o lançamento do CD "Boismortier - 6 Sonates en Trio", do grupo americano "Le Triomphe de L'Amour", com participação especial da flautista Laura Rónai. Lançamento: dia 04 de dezembro, 19h Museu da República Rua do Catete, 153 Rio de Janeiro - Tel. 2558-6350 Entrada Franca.
Maiores detalhes deste post aqui no blog da irmã da Laura Rónai
28.11.04
Continuação do blog Teatro Etc & Tal
16o. Festival Internacional de Teatro Experimental do Cairo
TEATRO, SADDAN E O DOUTOR DAS FLORES
Os países participantes foram Rússia, Ucrânia, România, Holanda, Coreia
do Sul, Sérvia- Montenegro, Armênia, Bósnia-Herzegovina, França, Áustria,
Eslováquia e os árabes Líbia, Argélia, Jordânia, Líbano, Palestina,
Iraque, Sudão, Turquia, Síria, Arábia Saudita e Egito.
O júri foi formado por diretores, autores e atores/atrizes de: França,
China, Egito, Japão, Estados Unidos, Holanda, Índia, Argélia, Itália,
Canadá e Brasil.
O Festival promove um Simpósio e uma mostra paralela, além dos 24 espetáculos em competição, a Mostra Paralela contou neste ano, com 50 peças.
OS CINCO MOMENTOS DE FASCÍNIO E PRAZER
Este ano houve uma visível ausência de critério, por parte da Comissão
Selecionadora, sobre o que deveria ser considerado como "teatro
experimental". É evidente que esta é uma definição nada matemática e cada
um tem na sua cabeça o significado de "experimental", mas uma Comissão
deve ter em mente um conjunto de critérios básicos comuns. A platéia foi
surpreendida com alguns espetáculos que se valiam de uma linguagem
claramente tradicional o que não quer dizer necessariamente velha e
nem ultrapassada -- junto a outras encenações onde se reconhecia
claramente uma preocupação com a pesquisa cênica.
Dos 24 espetáculos, cinco traziam um excepcional nível de qualidade:
Holanda (dois), Líbano, Bósnia-Herzegovina e Coréia do Sul. Ao mesmo
tempo, foram selecionadas algumas encenações que eram tão primárias que
chegamos a comentar que só eram "experimentais" na medida em que, como os
grupos pareciam não saber nada de teatro, só lhes restava mesmo
experimentar o que desse e viesse.(as apresentações do Sudão,
Sérvia-Montenegro, Rússia, Armênia, Jordânia, Palestina e Arábia Saudita
foram os momentos mais desconcertantes).
Gostaria de comentar rapidamente as cinco montagens mais significativas.
1) Bambie 8 (Holanda) , de Jochem Stavenuiter e Paul van der Laan
Excepcional! Coisa rara de ser vista! Prêmio de Melhor Espetáculo
(dividido com They all are here, do Líbano) e Prêmio de Melhor Direção,
além da Indicação para Melhor Cenografia e com excelentes trabalhos de
interpretação. O espetáculo é uma surpreendente sequência de ações não
verbais, absolutamente delirante, com três atores de extremado domínio
corporal realizando com magnífica precisão e humor trajetórias do mais
completo non-sense. (Um Jacques Tati agressivo?).
O release fala que o roteiro é inspirado na explosiva relação existente entre Werner Herzog e
Klaus Kinski , "investigando a quantidade de emoções que alguém pode
suportar", mas isso , na realidade, não tem a menor importância. Eles
reproduzem (delirantemente, é claro) cenas de alguns filmes realizados
por Herzog-Klinski mas, se você nunca tiver ouvido falar desses dois , o
seu deslumbramento com a performance será o mesmo. Alguém (alô, Grassi)
deveria levar ao Brasil esta cascata de criatividade, talento
histriônico, competência técnica e extremado rigor na realização. E que
nos presenteia, ainda, com o surgimento constante do inesperado. Na
definição que fazem do espetáculo, os criadores afirmam realizar o
"physical movement theatre", com uma performance de estilo tragicômico.
Este foi o momento de glória do CIFET, deixando a platéia absolutamente
fascinada.
2) Se dice de mi (Holanda, novamente), concepção, direção, texto e
interpretação de Kris Niklison. Eis aí um espetáculo cuja melhor
definição talvez fosse essa: inteligente. São três telões e uma atriz.
Música brasileira. Os telões têm velcro e Kris Niklison (cuja roupa
também tem velcro) atira-se aos telões e fica presa neles, como uma
aranha. Ela contracena com as imagens projetadas pelo vídeo e, em um
determinado momento, a atriz é "comida" pelas bocas que surgem projetadas
nos telões. Encenação multimedia, com uso de microfone, vídeo, imagens
projetadas fixas e em movimento , música, dança, acrobacias aéreas. Kris
Niklison é uma atriz de forte comunicabilidade. Não chega a ser brilhante
mas tem inteligência e empatia, Uma "multimedia one-woman-show" ela
canta, dança, faz acrobacias, contracena com as imagens projetadas,
conversa com o público, lembrando às vezes o estilo de Dario Fo (com quem
trabalhou durante um tempo). O texto fala das relações humanas : às
vezes cínico, às vezes sofrido, às vezes ácido, quase sempre com humor.
Kris Niklison , apesar de representar a Holanda, pois vive e trabalha lá
há anos, é argentina, e já esteve no Brasil participando do Festival
Circunferência. Nos créditos projetados no final do espetáculo, uma frase
que talvez traduza bem a noção da ironia do texto: "Obrigada a todos os
amigos que me ajudaram a fazer este espetáculo; e obrigado a todos os
inimigos que me inspiraram."
3) They all are here (Líbano) , roteiro do grupo Al Muhtaraf, a partir de
Beckett. O texto mistura diálogos de algumas peças de Beckett sem
preocupação de "encenar pequenos excertos". A idéia é , com as frases
beckttianas, criar um universo de vazio e solidão, com uma linguagem
baseada nas ações e na criação de imagens significativas. Direção ágil e
criativa. "They all are here" estabeleceu uma relação profunda com a
platéia e trouxe, num festival de teatro árabe, pela primeira vez, a
presença de Saddan Hussein, através de uma foto. Sobre Saddan, que
surgiria outras vezes, e as reações do público, falarei mais abaixo.
4) The train (Coréia do Sul) , de Chungeuy Park mágico, poético,
musical. A montagem sul-coreana , também sem palavras, utiliza dança,
acrobacias, mágicas, mímica. Os atores , extremamente comunicativos,
apresentam invejável precisão de movimentos, impecável domínio técnico
e, segundo o release , trabalham as " emoções através da força poética e
da energia Ki (um conceito oriental que expressa uma espécie de energia
espiritual)". A idéia é de extrema simplicidade: dois mágicos tentam
embarcar num trem ( perderam os tickets) e se relacionam com dois irmãos
(nossos meninos de rua) e a partir daí são criados diversos jogos
cênicos. Algumas cenas desnecessariamente longas fazem com que o roteiro
nem sempre consiga manter o interesse. Entretanto, The train presenteou
o festival com alguns dos seus momentos mais mágicos e poéticos.
5) The Helver's Night (Bósnia-Herzegovina) , de Ingmar Vilkvist. Foi uma
sorte a Comissão Selecionadora ter escolhido este modelo perfeito de um
espetáculo realista que, penso, encantaria até os mais ferrenhos
anti-stanislavskianos. Não me perguntem o que esta encenação com texto,
cenários, figurinos, luz, som , interpretação e, evidentemente, direção
realistas fazia dentro de um festival de teatro experimental. Mas que bom
que foi assim. Um erro crasso da Comissão Selecionadora nos deu a
oportunidade de assistir a um texto fortíssimo, ao mesmo tempo terno e
cruel, simples e terrível. Peça para dois atores, The Helver's Night
(Helver é o nome do personagem principal) possibilita expressivas
performances .
Encenado com perfeito domínio rítmico, The Helver's Night
nos envolve a partir do primeiro momento e nos leva a acompanhar com
interesse crescente , entre o terror e o encantamento, a relação entre
mãe e filho, tendo, presente e pesando sobre nossas cabeças, os tempos
sombrios em que vivemos. É sempre bom termos em mente que esta companhia
viu, viveu e participou dos acontecimentos que estraçalharam o país na
guerra de 1992-1995. Ermin Bravo (Helver) recebeu o Prêmio de Melhor Ator
do Festival e Mirjana Karanovié foi uma das três indicadas para o Prêmio
de Melhor Atriz (votei nela mas fui voto vencido).
O TEATRO DO EGITO?
Quando vou a um festival de teatro em cidades que não são consideradas
como grandes centros de produção teatral, tenho sempre a curiosidade de
perguntar aos promotores se existe, como consequência, um desenvolvimento
qualitativo da produção local. Porque, caso contrário, o festival
significará apenas um evento turístico-teatral, muito mais turismo que teatro.
Fiz essa pergunta no Cairo e a resposta foi sim. E, pelo que pude
assistir, o teatro do Egito tem evoluído nos últimos anos (o festival tem
16 anos): as duas produções que concorreram eram muito bem dirigidas, com
estimulantes linguagens cênicas e com grande capacidade de comunicação
com a platéia. Ao mesmo tempo, na Mostra Paralela, havia 25 encenações
egípcias, num total de 50. Como o CIFET se caracteriza por ser um
festival que privilegia as pesquisas de linguagem isso talvez esteja
permitindo ao teatro egípcio assimilar conteúdos do teatro ocidental e
conciliá-los com tendências de investigação cênica que se realizam
atualmente não só no Ocidente mas, também, na África e na Ásia.
Palmas para a foto de Saddan no espetáculo do Libano
Quando surgiu a foto de Saddan no espetáculo do Líbano (They all are
here) o público bateu palmas vibrantes. Ao final , em conversa com meu
tradutor árabe, ele me perguntou: ?E Saddan Hussein? O senhor o considera
um herói ou um bandido?
O Iraque esteve presente com a peça Sorry Sir, I didnt mean it ,
de Mohtaref Seham Nasser, que discute a presença americana e suas
influências na mudança do estilo de vida no Iraque, O personagem negativo
da peça é o jovem antagonista que carrega os conceitos de vida ocidental
(através de clichês como calça jeans, blusão de couro, cabelo moderninho
com gel, música pop, ginga de rock) . Ele tenta convencer os seus colegas
de geração que o melhor é o modo de vida, as roupas e a música
ocidentais, principalmente os oriundos dos Estados Unidos. E quando
Saddan Hussein foi citado (direta ou indiretamente) a platéia se
manifestou calorosamente ao lado do iraquiano.
Após o espetáculo perguntei a um árabe qual era a imagem de Saddan
Hussein no Egito . Resposta : Agora a atitude correta é bater palmas
para o Saddan para deixar claro que nós, os árabes, estamos unidos e
somos todos contra os americanos.
O Egito , com Emergency Landing, de Khaled Galal, mostrou a já
clássica imagem de Saddan Hussein com a boca aberta, sendo examinado com
a lanterninha . A imediata e espontânea reação da platéia, ao mesmo tempo
aplaudindo (Saddan) e vaiando ( Estados Unidos) refletiu com absoluta
clareza o ódio do povo árabe aos norte-americanos.
Politizando o resultado do festival
Um dado interessante: nas reuniões do júri, uma parte dos meus colegas
supervalorizava visivelmente o espetáculo do Iraque , achando que "Sorry
Sir, I didn't mean it" merecia estar indicado em todas as categorias (e
vencer) . Tentavam argumentos teatrais que se mostraram inconsistentes,
mas ficou claro que buscavam politizar o resultado do festival para
deixar patente o repúdio à agressão norte-americana. O anti-americanismo
fora de lugar destes incansáveis combatentes acabou obtendo para o
Iraque o Prêmio de Melhor Conjunto. Foi um prêmio bem dado mas, se o
Iraque não tivesse sido invadido, talvez a estátua de Thot, a Deusa da
Sabedoria, tivesse ido parar nas mãos de um dos dois espetáculos
egípcios, mais merecedores, e que se caracterizaram por uma garra
coletiva e uma indiscutível alegria por estar em cena.
Bush transformou Saddan no herói da união árabe
Herói ou bandido? Não me parecia uma pergunta que ele (Levi refere-se à pergunta do seu tradutor árabe) me dirigia procurando saber minha resposta. A questão colocada parecia refletir uma certa encruzilhada em que se encontra hoje o sentimento árabe. Todos
sabem que Saddan era um ditador e um criminoso, e os egípcios estão bem
informados a respeito do que é uma ditadura, já que Mubarak está no poder
há 24 anos. Por isso, bandido. Mas todos sabem também que a imagem
humilhada de Saddan sendo examinado pelo médico americano, hoje se
transforma num símbolo da união árabe contra o inimigo maior, os Estados
Unidos. Por isso, vítima. Por isso, herói.
A política equivocada de Bush , que nunca previu que seria fácil
derrubar Saddan mas quase impossível permanecer no Iraque, conseguiu
transformar o ditador iraquiano no herói da união árabe.
Percebe-se, com nitidez, que o ódio aos americanos é infinitamente mais
forte que a admiração por Saddan, mas Saddan, preso e humilhado, virou
a possibilidade de unir emocionalmente todos os árabes contra Bush e sua
política. Num festival internacional, com artistas vindos dos mais
diferentes países, era visível que os americanos estão cada vez mais
detestados e que esse ódio se espalha cada vez mais rapidamente pelo
mundo. (Ironicamente, o Presidente da Comissão Julgadora era um encenador
americano. Entretanto, ele sempre foi muito bem tratado, como todos nós,
aliás).
UM POUCO DE CAIRO
O Cairo não tem sinais de trânsito! São vinte milhões de habitantes num
país sem indústria automobilística e sem dinheiro para importar
automóveis. Os carros são velhíssimos, todos com pequenos e médios
amassados e ninguém se preocupa em fazer lanternagem. Dirigem na
contra-mão na frente dos guardas, fazem contornos absolutamente proibidos
por qualquer engenharia de trânsito, os cruzamentos são algo inconcebível
e, no meio do caos, vislumbra-se o tranquilo trote dos cavalos, puxando
inacreditáveis charretes. Como não há sinais (há, mas pouquíssimos, e
nem sempre os motoristas os respeitam) para que não batam uns nos outros
e para que não atropelem as pessoas que atravessam as ruas pelo meio dos
automóveis, é o local do mundo onde mais se buzina.
Buzina para que te quero
Todos buzinam. Para tudo : para não bater noutro carro, para não atropelar a moça toda de negro e que só mostra os olhos no meio do véu, buzinam para
cumprimentar um amigo num outro carro e que, por ser bem educado, devolve
o cumprimento buzinando de volta. É o trânsito mais caótico e mais
barulhento do planeta (imaginem: vinte milhões de habitantes!). No centro
da cidade, a hora do rush vai das sete da manhã às três da madrugada. E
tome de buzina! Da minha janela do hotel eu ficava olhando o tráfego,
fascinado. Fosse pela manhã ou durante a madrugada o movimento (e as
buzinadas) eram absolutamente iguais!
De todas as cidades que conheci é a mais suja. Imunda. É considerada como
uma das cidades de maior poluição do mundo. No Mercado Árabe a comida é
feita ao ar livre e ao lado do container de lixo. A higiene não é o forte.
"No, no money" -- o jôgo de sedução dos comerciantes do Cairo
E os árabes, que vendem tudo a todo mundo? As táticas estão ficando cada
vez mais sofisticadas. Eles sempre te abordam quando você passa pela calçada isso é o normal.
Mas o mais interessante é encontrar"casualmente" com você, bem no meio da rua, tentando atravessar para o outro lado . Eles dizem: " cuidado que o trânsito aqui é muito perigoso",
e vão te ajudando, fazendo sinal para os carros pararem para que possamos
atravessar e entabulam um papo "whérduiúcamifrom" e você diz que é do
Brasil, "Oh, Brasília! (não sei porque chamam Brasil de Brasília!),
Ronaldinho, I love Brasília", e ao perceber que você já está achando que
vem jogo de sedução vão logo dizendo "No No money, no money" ( o que
significa ? não quero tirar dinheiro de você) e não te largam mais até
você entrar no loja deles ou dar um basta.
No início é interessante fazer o jogo dos comerciantes-que-fazem-ponto-na-rua para ver como é. Depois, cansa, e a melhor estratégia é você já nem dar mais resposta
quando recebe o assédio. E a ajuda para passar ao outro lado da rua é
desnecessária para quem já atravessou a Presidente Vargas fora do sinal!
Entretanto, não há perigo nas ruas (fora morrer atropelado) , não há
assaltos, anda-se de noite pelo centro com tranquilidade. E as lojas
estão abertas até meia-noite, pelo menos.
Todos prometem descontos , "Mas só hoje, porque amanhã vou fechar a loja
por três dias porque minha irmã vai se casar!", mentem descaradamente e
quando você diz que está com pressa, mas volta amanhã, dizem que a loja
fica aberta o dia todo, esquecendo-se de que a irmã vai (ia)se casar. E o
folclore do mercado árabe permanece até hoje: quando vêem que você está
interessado num produto mas está achando caro, acabam baixando o preço em
até 80 por cento!!!
Doutor das Flores
Quando estávamos passando em frente ao Museu do Cairo apareceu um senhor
bem vestido, também nos ajudando a atravessar a rua e que se apresentou
como "Doutor das Flores" , "no money, no money", e disse que cuidava dos
jardins do Museu . Perguntou de onde éramos e "Ó, Brasília! Futebol,
Ronaldinho!! Mas eu adorava o Zizinho!" (Zizinho?! Onde este homem ouviu
falar de Zizinho?!). O Doutor das Flores despediu-se, deu dois passos e
"Ah, posso dar uma sugestão?" Ao entrar no Museu, sigam direto para o
segundo andar onde estão os fantásticos tesouros encontrados no túmulo
do Tutankamon. Pode ser que vocês não tenham tempo de ver tudo e é melhor
garantir logo o filé-mignon do Museu. Outro até logo, mais dois passos
e "Ah, e eu tenho uma lojinha que vende ...."
O melhor teatro egípcio é o que se faz nas ruas do Cairo...
16o. Festival Internacional de Teatro Experimental do Cairo
TEATRO, SADDAN E O DOUTOR DAS FLORES
Os países participantes foram Rússia, Ucrânia, România, Holanda, Coreia
do Sul, Sérvia- Montenegro, Armênia, Bósnia-Herzegovina, França, Áustria,
Eslováquia e os árabes Líbia, Argélia, Jordânia, Líbano, Palestina,
Iraque, Sudão, Turquia, Síria, Arábia Saudita e Egito.
O júri foi formado por diretores, autores e atores/atrizes de: França,
China, Egito, Japão, Estados Unidos, Holanda, Índia, Argélia, Itália,
Canadá e Brasil.
O Festival promove um Simpósio e uma mostra paralela, além dos 24 espetáculos em competição, a Mostra Paralela contou neste ano, com 50 peças.
OS CINCO MOMENTOS DE FASCÍNIO E PRAZER
Este ano houve uma visível ausência de critério, por parte da Comissão
Selecionadora, sobre o que deveria ser considerado como "teatro
experimental". É evidente que esta é uma definição nada matemática e cada
um tem na sua cabeça o significado de "experimental", mas uma Comissão
deve ter em mente um conjunto de critérios básicos comuns. A platéia foi
surpreendida com alguns espetáculos que se valiam de uma linguagem
claramente tradicional o que não quer dizer necessariamente velha e
nem ultrapassada -- junto a outras encenações onde se reconhecia
claramente uma preocupação com a pesquisa cênica.
Dos 24 espetáculos, cinco traziam um excepcional nível de qualidade:
Holanda (dois), Líbano, Bósnia-Herzegovina e Coréia do Sul. Ao mesmo
tempo, foram selecionadas algumas encenações que eram tão primárias que
chegamos a comentar que só eram "experimentais" na medida em que, como os
grupos pareciam não saber nada de teatro, só lhes restava mesmo
experimentar o que desse e viesse.(as apresentações do Sudão,
Sérvia-Montenegro, Rússia, Armênia, Jordânia, Palestina e Arábia Saudita
foram os momentos mais desconcertantes).
Gostaria de comentar rapidamente as cinco montagens mais significativas.
1) Bambie 8 (Holanda) , de Jochem Stavenuiter e Paul van der Laan
Excepcional! Coisa rara de ser vista! Prêmio de Melhor Espetáculo
(dividido com They all are here, do Líbano) e Prêmio de Melhor Direção,
além da Indicação para Melhor Cenografia e com excelentes trabalhos de
interpretação. O espetáculo é uma surpreendente sequência de ações não
verbais, absolutamente delirante, com três atores de extremado domínio
corporal realizando com magnífica precisão e humor trajetórias do mais
completo non-sense. (Um Jacques Tati agressivo?).
O release fala que o roteiro é inspirado na explosiva relação existente entre Werner Herzog e
Klaus Kinski , "investigando a quantidade de emoções que alguém pode
suportar", mas isso , na realidade, não tem a menor importância. Eles
reproduzem (delirantemente, é claro) cenas de alguns filmes realizados
por Herzog-Klinski mas, se você nunca tiver ouvido falar desses dois , o
seu deslumbramento com a performance será o mesmo. Alguém (alô, Grassi)
deveria levar ao Brasil esta cascata de criatividade, talento
histriônico, competência técnica e extremado rigor na realização. E que
nos presenteia, ainda, com o surgimento constante do inesperado. Na
definição que fazem do espetáculo, os criadores afirmam realizar o
"physical movement theatre", com uma performance de estilo tragicômico.
Este foi o momento de glória do CIFET, deixando a platéia absolutamente
fascinada.
2) Se dice de mi (Holanda, novamente), concepção, direção, texto e
interpretação de Kris Niklison. Eis aí um espetáculo cuja melhor
definição talvez fosse essa: inteligente. São três telões e uma atriz.
Música brasileira. Os telões têm velcro e Kris Niklison (cuja roupa
também tem velcro) atira-se aos telões e fica presa neles, como uma
aranha. Ela contracena com as imagens projetadas pelo vídeo e, em um
determinado momento, a atriz é "comida" pelas bocas que surgem projetadas
nos telões. Encenação multimedia, com uso de microfone, vídeo, imagens
projetadas fixas e em movimento , música, dança, acrobacias aéreas. Kris
Niklison é uma atriz de forte comunicabilidade. Não chega a ser brilhante
mas tem inteligência e empatia, Uma "multimedia one-woman-show" ela
canta, dança, faz acrobacias, contracena com as imagens projetadas,
conversa com o público, lembrando às vezes o estilo de Dario Fo (com quem
trabalhou durante um tempo). O texto fala das relações humanas : às
vezes cínico, às vezes sofrido, às vezes ácido, quase sempre com humor.
Kris Niklison , apesar de representar a Holanda, pois vive e trabalha lá
há anos, é argentina, e já esteve no Brasil participando do Festival
Circunferência. Nos créditos projetados no final do espetáculo, uma frase
que talvez traduza bem a noção da ironia do texto: "Obrigada a todos os
amigos que me ajudaram a fazer este espetáculo; e obrigado a todos os
inimigos que me inspiraram."
3) They all are here (Líbano) , roteiro do grupo Al Muhtaraf, a partir de
Beckett. O texto mistura diálogos de algumas peças de Beckett sem
preocupação de "encenar pequenos excertos". A idéia é , com as frases
beckttianas, criar um universo de vazio e solidão, com uma linguagem
baseada nas ações e na criação de imagens significativas. Direção ágil e
criativa. "They all are here" estabeleceu uma relação profunda com a
platéia e trouxe, num festival de teatro árabe, pela primeira vez, a
presença de Saddan Hussein, através de uma foto. Sobre Saddan, que
surgiria outras vezes, e as reações do público, falarei mais abaixo.
4) The train (Coréia do Sul) , de Chungeuy Park mágico, poético,
musical. A montagem sul-coreana , também sem palavras, utiliza dança,
acrobacias, mágicas, mímica. Os atores , extremamente comunicativos,
apresentam invejável precisão de movimentos, impecável domínio técnico
e, segundo o release , trabalham as " emoções através da força poética e
da energia Ki (um conceito oriental que expressa uma espécie de energia
espiritual)". A idéia é de extrema simplicidade: dois mágicos tentam
embarcar num trem ( perderam os tickets) e se relacionam com dois irmãos
(nossos meninos de rua) e a partir daí são criados diversos jogos
cênicos. Algumas cenas desnecessariamente longas fazem com que o roteiro
nem sempre consiga manter o interesse. Entretanto, The train presenteou
o festival com alguns dos seus momentos mais mágicos e poéticos.
5) The Helver's Night (Bósnia-Herzegovina) , de Ingmar Vilkvist. Foi uma
sorte a Comissão Selecionadora ter escolhido este modelo perfeito de um
espetáculo realista que, penso, encantaria até os mais ferrenhos
anti-stanislavskianos. Não me perguntem o que esta encenação com texto,
cenários, figurinos, luz, som , interpretação e, evidentemente, direção
realistas fazia dentro de um festival de teatro experimental. Mas que bom
que foi assim. Um erro crasso da Comissão Selecionadora nos deu a
oportunidade de assistir a um texto fortíssimo, ao mesmo tempo terno e
cruel, simples e terrível. Peça para dois atores, The Helver's Night
(Helver é o nome do personagem principal) possibilita expressivas
performances .
Encenado com perfeito domínio rítmico, The Helver's Night
nos envolve a partir do primeiro momento e nos leva a acompanhar com
interesse crescente , entre o terror e o encantamento, a relação entre
mãe e filho, tendo, presente e pesando sobre nossas cabeças, os tempos
sombrios em que vivemos. É sempre bom termos em mente que esta companhia
viu, viveu e participou dos acontecimentos que estraçalharam o país na
guerra de 1992-1995. Ermin Bravo (Helver) recebeu o Prêmio de Melhor Ator
do Festival e Mirjana Karanovié foi uma das três indicadas para o Prêmio
de Melhor Atriz (votei nela mas fui voto vencido).
O TEATRO DO EGITO?
Quando vou a um festival de teatro em cidades que não são consideradas
como grandes centros de produção teatral, tenho sempre a curiosidade de
perguntar aos promotores se existe, como consequência, um desenvolvimento
qualitativo da produção local. Porque, caso contrário, o festival
significará apenas um evento turístico-teatral, muito mais turismo que teatro.
Fiz essa pergunta no Cairo e a resposta foi sim. E, pelo que pude
assistir, o teatro do Egito tem evoluído nos últimos anos (o festival tem
16 anos): as duas produções que concorreram eram muito bem dirigidas, com
estimulantes linguagens cênicas e com grande capacidade de comunicação
com a platéia. Ao mesmo tempo, na Mostra Paralela, havia 25 encenações
egípcias, num total de 50. Como o CIFET se caracteriza por ser um
festival que privilegia as pesquisas de linguagem isso talvez esteja
permitindo ao teatro egípcio assimilar conteúdos do teatro ocidental e
conciliá-los com tendências de investigação cênica que se realizam
atualmente não só no Ocidente mas, também, na África e na Ásia.
Palmas para a foto de Saddan no espetáculo do Libano
Quando surgiu a foto de Saddan no espetáculo do Líbano (They all are
here) o público bateu palmas vibrantes. Ao final , em conversa com meu
tradutor árabe, ele me perguntou: ?E Saddan Hussein? O senhor o considera
um herói ou um bandido?
O Iraque esteve presente com a peça Sorry Sir, I didnt mean it ,
de Mohtaref Seham Nasser, que discute a presença americana e suas
influências na mudança do estilo de vida no Iraque, O personagem negativo
da peça é o jovem antagonista que carrega os conceitos de vida ocidental
(através de clichês como calça jeans, blusão de couro, cabelo moderninho
com gel, música pop, ginga de rock) . Ele tenta convencer os seus colegas
de geração que o melhor é o modo de vida, as roupas e a música
ocidentais, principalmente os oriundos dos Estados Unidos. E quando
Saddan Hussein foi citado (direta ou indiretamente) a platéia se
manifestou calorosamente ao lado do iraquiano.
Após o espetáculo perguntei a um árabe qual era a imagem de Saddan
Hussein no Egito . Resposta : Agora a atitude correta é bater palmas
para o Saddan para deixar claro que nós, os árabes, estamos unidos e
somos todos contra os americanos.
O Egito , com Emergency Landing, de Khaled Galal, mostrou a já
clássica imagem de Saddan Hussein com a boca aberta, sendo examinado com
a lanterninha . A imediata e espontânea reação da platéia, ao mesmo tempo
aplaudindo (Saddan) e vaiando ( Estados Unidos) refletiu com absoluta
clareza o ódio do povo árabe aos norte-americanos.
Politizando o resultado do festival
Um dado interessante: nas reuniões do júri, uma parte dos meus colegas
supervalorizava visivelmente o espetáculo do Iraque , achando que "Sorry
Sir, I didn't mean it" merecia estar indicado em todas as categorias (e
vencer) . Tentavam argumentos teatrais que se mostraram inconsistentes,
mas ficou claro que buscavam politizar o resultado do festival para
deixar patente o repúdio à agressão norte-americana. O anti-americanismo
fora de lugar destes incansáveis combatentes acabou obtendo para o
Iraque o Prêmio de Melhor Conjunto. Foi um prêmio bem dado mas, se o
Iraque não tivesse sido invadido, talvez a estátua de Thot, a Deusa da
Sabedoria, tivesse ido parar nas mãos de um dos dois espetáculos
egípcios, mais merecedores, e que se caracterizaram por uma garra
coletiva e uma indiscutível alegria por estar em cena.
Bush transformou Saddan no herói da união árabe
Herói ou bandido? Não me parecia uma pergunta que ele (Levi refere-se à pergunta do seu tradutor árabe) me dirigia procurando saber minha resposta. A questão colocada parecia refletir uma certa encruzilhada em que se encontra hoje o sentimento árabe. Todos
sabem que Saddan era um ditador e um criminoso, e os egípcios estão bem
informados a respeito do que é uma ditadura, já que Mubarak está no poder
há 24 anos. Por isso, bandido. Mas todos sabem também que a imagem
humilhada de Saddan sendo examinado pelo médico americano, hoje se
transforma num símbolo da união árabe contra o inimigo maior, os Estados
Unidos. Por isso, vítima. Por isso, herói.
A política equivocada de Bush , que nunca previu que seria fácil
derrubar Saddan mas quase impossível permanecer no Iraque, conseguiu
transformar o ditador iraquiano no herói da união árabe.
Percebe-se, com nitidez, que o ódio aos americanos é infinitamente mais
forte que a admiração por Saddan, mas Saddan, preso e humilhado, virou
a possibilidade de unir emocionalmente todos os árabes contra Bush e sua
política. Num festival internacional, com artistas vindos dos mais
diferentes países, era visível que os americanos estão cada vez mais
detestados e que esse ódio se espalha cada vez mais rapidamente pelo
mundo. (Ironicamente, o Presidente da Comissão Julgadora era um encenador
americano. Entretanto, ele sempre foi muito bem tratado, como todos nós,
aliás).
UM POUCO DE CAIRO
O Cairo não tem sinais de trânsito! São vinte milhões de habitantes num
país sem indústria automobilística e sem dinheiro para importar
automóveis. Os carros são velhíssimos, todos com pequenos e médios
amassados e ninguém se preocupa em fazer lanternagem. Dirigem na
contra-mão na frente dos guardas, fazem contornos absolutamente proibidos
por qualquer engenharia de trânsito, os cruzamentos são algo inconcebível
e, no meio do caos, vislumbra-se o tranquilo trote dos cavalos, puxando
inacreditáveis charretes. Como não há sinais (há, mas pouquíssimos, e
nem sempre os motoristas os respeitam) para que não batam uns nos outros
e para que não atropelem as pessoas que atravessam as ruas pelo meio dos
automóveis, é o local do mundo onde mais se buzina.
Buzina para que te quero
Todos buzinam. Para tudo : para não bater noutro carro, para não atropelar a moça toda de negro e que só mostra os olhos no meio do véu, buzinam para
cumprimentar um amigo num outro carro e que, por ser bem educado, devolve
o cumprimento buzinando de volta. É o trânsito mais caótico e mais
barulhento do planeta (imaginem: vinte milhões de habitantes!). No centro
da cidade, a hora do rush vai das sete da manhã às três da madrugada. E
tome de buzina! Da minha janela do hotel eu ficava olhando o tráfego,
fascinado. Fosse pela manhã ou durante a madrugada o movimento (e as
buzinadas) eram absolutamente iguais!
De todas as cidades que conheci é a mais suja. Imunda. É considerada como
uma das cidades de maior poluição do mundo. No Mercado Árabe a comida é
feita ao ar livre e ao lado do container de lixo. A higiene não é o forte.
"No, no money" -- o jôgo de sedução dos comerciantes do Cairo
E os árabes, que vendem tudo a todo mundo? As táticas estão ficando cada
vez mais sofisticadas. Eles sempre te abordam quando você passa pela calçada isso é o normal.
Mas o mais interessante é encontrar"casualmente" com você, bem no meio da rua, tentando atravessar para o outro lado . Eles dizem: " cuidado que o trânsito aqui é muito perigoso",
e vão te ajudando, fazendo sinal para os carros pararem para que possamos
atravessar e entabulam um papo "whérduiúcamifrom" e você diz que é do
Brasil, "Oh, Brasília! (não sei porque chamam Brasil de Brasília!),
Ronaldinho, I love Brasília", e ao perceber que você já está achando que
vem jogo de sedução vão logo dizendo "No No money, no money" ( o que
significa ? não quero tirar dinheiro de você) e não te largam mais até
você entrar no loja deles ou dar um basta.
No início é interessante fazer o jogo dos comerciantes-que-fazem-ponto-na-rua para ver como é. Depois, cansa, e a melhor estratégia é você já nem dar mais resposta
quando recebe o assédio. E a ajuda para passar ao outro lado da rua é
desnecessária para quem já atravessou a Presidente Vargas fora do sinal!
Entretanto, não há perigo nas ruas (fora morrer atropelado) , não há
assaltos, anda-se de noite pelo centro com tranquilidade. E as lojas
estão abertas até meia-noite, pelo menos.
Todos prometem descontos , "Mas só hoje, porque amanhã vou fechar a loja
por três dias porque minha irmã vai se casar!", mentem descaradamente e
quando você diz que está com pressa, mas volta amanhã, dizem que a loja
fica aberta o dia todo, esquecendo-se de que a irmã vai (ia)se casar. E o
folclore do mercado árabe permanece até hoje: quando vêem que você está
interessado num produto mas está achando caro, acabam baixando o preço em
até 80 por cento!!!
Doutor das Flores
Quando estávamos passando em frente ao Museu do Cairo apareceu um senhor
bem vestido, também nos ajudando a atravessar a rua e que se apresentou
como "Doutor das Flores" , "no money, no money", e disse que cuidava dos
jardins do Museu . Perguntou de onde éramos e "Ó, Brasília! Futebol,
Ronaldinho!! Mas eu adorava o Zizinho!" (Zizinho?! Onde este homem ouviu
falar de Zizinho?!). O Doutor das Flores despediu-se, deu dois passos e
"Ah, posso dar uma sugestão?" Ao entrar no Museu, sigam direto para o
segundo andar onde estão os fantásticos tesouros encontrados no túmulo
do Tutankamon. Pode ser que vocês não tenham tempo de ver tudo e é melhor
garantir logo o filé-mignon do Museu. Outro até logo, mais dois passos
e "Ah, e eu tenho uma lojinha que vende ...."
O melhor teatro egípcio é o que se faz nas ruas do Cairo...
27.11.04
A blogueira e escritora Claudia Letti ao vivo e a cores na noite de
autógrafos do seu livro Onde não se responde, primeira publicação da Coleção Literatura Brasileira e Internet. Linda e elegante com um vestido
justo de cetim azul perolado, realçando o corpo malhado (acho que
ela malha) e sandalias de salto alto da mesma cor.
Fotografando na fila de autógrafos -- péssima fotografa. Sorry.
Foto para o meu album: Ernesto, Flavia -- a mãe do Ernesto, e a
menina mais linda da festa, a Marina.
23.11.04
Parangolé de uma blogueira enbrolada com a virtual e a real
Os meus amigos e leitores desse blog desculpem as pausas e interrupções dos posts aqui. Prometo que a partir de agora terá pelo menos uma postagem semanal. Certo?
E aproveito para comunicar que agora estou um pouco menos acelerada porque um dos meus projetos profissionais para este ano, o Parangolé da Vila, estreiou esta semana na mostra de dança Dialogando com a diferença, no Teatro Cacilda Becker -- uma promoção da Faculdade Escola Angel Vianna.
Up date: esse post foi copiado do Teatro ETC & Tal mas tá valendo agora também para este blog . Estou voltando a postar aqui no Artimanhas. Ah, e a primeira apresentação do Nosso Parangolé da Vila foi em agosto do ano passado e os posts a seguir também são desse mês.
Alguns posts do outro blog vou postar aqui também porque por estranho que possa parecer, quem vem aqui, difícilmente vai ao outro blog. Nunca entendí o porquê disso.
PARANGOLÉ DA VILA
é o título de uma performance de dança com os meninos e meninas do PETI (Comunidade do Morro dos Macacos, meus alunos de expressão corporal na FUNLAR de Vila Isabel , com a concepção, direção, e coreografia desta escriba. Este trabalho faz parte do projeto anual das minhas aulas -- um work-in-progress baseado nos famosos "parangolés" criados pelo artista plástico Helio Oiticica.
É uma homenagem ao Helio pela comemoração dos quarenta anos de criação dos "parangolés", em julho de 1964. E não por acaso, o nosso planejamento de trabalho no ano em curso, dentro do Projeto Angel Vianna na FUNLAR, teve como referência os objetos relacionais criados pela artista plástica Lygia Clark.
O que é o Parangolé
agitação súbita ou alegria inesperada, era o significado de parangolé na gíria dos morros cariocas nos anos 60. Era tanto o burburinho de uma roda de samba quanto o susto de uma batida policial.
Mas para Oiticica, parangolés eram capas de seda, algodão ou náilon, criadas por ele, e apresentadas pela primeira vez em 1965, no MAM do Rio de Janeiro, com a participação especial dos passistas e sambistas da Mangueira. Essa apresentação foi um ato de protesto do artista, quando à época, foi proibido de expor suas obras nesse espaço.
Aproveitando o parangolé, uma homenagem a dois grandes artistas da nossa MPB : ADRIANA CALCANHOTO e MARTINHO DA VILA. A performance corporal de Parangolé da Vila é realizada ao som deParangolé Pamplona do disco Maritimo da minha conterranea Adriana -- agora ADRIANA PARTIMPIM, com o sucesso desse seu último disco. E no final o samba no pé e no coração, com Canta, canta minha gente do da Vila.
Os meus amigos e leitores desse blog desculpem as pausas e interrupções dos posts aqui. Prometo que a partir de agora terá pelo menos uma postagem semanal. Certo?
E aproveito para comunicar que agora estou um pouco menos acelerada porque um dos meus projetos profissionais para este ano, o Parangolé da Vila, estreiou esta semana na mostra de dança Dialogando com a diferença, no Teatro Cacilda Becker -- uma promoção da Faculdade Escola Angel Vianna.
Up date: esse post foi copiado do Teatro ETC & Tal mas tá valendo agora também para este blog . Estou voltando a postar aqui no Artimanhas. Ah, e a primeira apresentação do Nosso Parangolé da Vila foi em agosto do ano passado e os posts a seguir também são desse mês.
Alguns posts do outro blog vou postar aqui também porque por estranho que possa parecer, quem vem aqui, difícilmente vai ao outro blog. Nunca entendí o porquê disso.
PARANGOLÉ DA VILA
é o título de uma performance de dança com os meninos e meninas do PETI (Comunidade do Morro dos Macacos, meus alunos de expressão corporal na FUNLAR de Vila Isabel , com a concepção, direção, e coreografia desta escriba. Este trabalho faz parte do projeto anual das minhas aulas -- um work-in-progress baseado nos famosos "parangolés" criados pelo artista plástico Helio Oiticica.
É uma homenagem ao Helio pela comemoração dos quarenta anos de criação dos "parangolés", em julho de 1964. E não por acaso, o nosso planejamento de trabalho no ano em curso, dentro do Projeto Angel Vianna na FUNLAR, teve como referência os objetos relacionais criados pela artista plástica Lygia Clark.
O que é o Parangolé
agitação súbita ou alegria inesperada, era o significado de parangolé na gíria dos morros cariocas nos anos 60. Era tanto o burburinho de uma roda de samba quanto o susto de uma batida policial.
Mas para Oiticica, parangolés eram capas de seda, algodão ou náilon, criadas por ele, e apresentadas pela primeira vez em 1965, no MAM do Rio de Janeiro, com a participação especial dos passistas e sambistas da Mangueira. Essa apresentação foi um ato de protesto do artista, quando à época, foi proibido de expor suas obras nesse espaço.
Aproveitando o parangolé, uma homenagem a dois grandes artistas da nossa MPB : ADRIANA CALCANHOTO e MARTINHO DA VILA. A performance corporal de Parangolé da Vila é realizada ao som deParangolé Pamplona do disco Maritimo da minha conterranea Adriana -- agora ADRIANA PARTIMPIM, com o sucesso desse seu último disco. E no final o samba no pé e no coração, com Canta, canta minha gente do da Vila.
22.11.04
Fotos da performance PARANGOLÉ DA VILA" com roteiro e coreografia desta escriba, com os meninos e meninas do PETI, apresentada no Teatro Experimental Cacilda Becker, em agosto deste ano. Fizemos outra apresentação agora na Semana da Cultura e eu ainda não conseguí umas fotos melhores. Mas estas é apenas para dar uma idéia do espetáculo.
13.11.04
23.10.04
Manifesto Antropofágico
Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.
O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.
Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.
Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos
o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.
Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.
Queremos a Revolução Caraíba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.
A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.
Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos.
Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.
Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.
O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.
Só podemos atender ao mundo orecular.
Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vítima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.
O instinto Caraíba.
Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.
Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.
Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipeju*
A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.
Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?
Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.
A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.
Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.
Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: - É mentira muitas vezes repetida.
Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.
Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.
Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.
As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.
De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.
O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.
É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.
O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.
Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.
A alegria é a prova dos nove.
No matriarcado de Pindorama.
Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.
Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.
Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.
A alegria é a prova dos nove.
A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura - ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo - a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.
Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, - o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: - Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud - a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.
OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga
Ano 374 da Deglutição do Bispo
Sardinha." (Revista de Antropofagia,
Ano 1, No. 1, maio de 1928.)
* "Lua Nova, ó Lua Nova, assopra em
Fulano lembranças de mim", in
O Selvagem, de Couto Magalhães
Oswald de Andrade alude ironicamente a um episódio da história do Brasil: o naufrágio do navio em que viajava um bispo português, seguido da morte do mesmo bispo, devorado por índios antropófagos.
Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.
O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.
Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.
Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos
o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.
Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.
Queremos a Revolução Caraíba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.
A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.
Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos.
Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.
Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.
O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.
Só podemos atender ao mundo orecular.
Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vítima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.
O instinto Caraíba.
Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.
Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.
Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipeju*
A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comia.
Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?
Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.
A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.
Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.
Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: - É mentira muitas vezes repetida.
Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.
Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.
Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.
As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.
De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.
O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.
É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.
O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.
Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.
A alegria é a prova dos nove.
No matriarcado de Pindorama.
Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.
Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.
Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.
A alegria é a prova dos nove.
A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura - ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo - a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.
Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, - o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: - Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud - a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.
OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga
Ano 374 da Deglutição do Bispo
Sardinha." (Revista de Antropofagia,
Ano 1, No. 1, maio de 1928.)
* "Lua Nova, ó Lua Nova, assopra em
Fulano lembranças de mim", in
O Selvagem, de Couto Magalhães
Oswald de Andrade alude ironicamente a um episódio da história do Brasil: o naufrágio do navio em que viajava um bispo português, seguido da morte do mesmo bispo, devorado por índios antropófagos.
Ainda se discute rinhas!
Memória do JB
Carlos Drummond de Andrade (1983)
Como se não bastasse tanta gente brigando feio no Oriente e na América Central, ainda há quem se lembre de promover briga de galo, e até de justificá-la econômica e socialmente, argumentando que o fechamento das granjas especializadas na criação de aves de combate importaria em aumento da taxa nacional de desemprego! Esta é forte. O que os defensores da rinha esquecem é que os empregos correspondentes poderiam muito bem ser conservados e até multiplicados se essas granjas de tipo perverso passassem dedicar-se à criação de aves comuns, em bases empresariais que garantissem o aumento de produção e o relativo barateamento de custo. Quanto brasileiro que há por aí que não pode permitir-se o luxo de comer frango e fica estatelado de horror ao saber que os galos são dispensados de sua missão de reprodutores para se estraçalharem mutuamente, em espetáculos pagos a bom preço e assistidos por espectadores sádicos!
O desemprego que os defensores da briga de galos querem evitar é o de pessoas que exercem atividade ilegal de trabalho, e portanto não são socialmente defensáveis. A aceitar-se o critério de que eles merecem apoio porque ganham assim o pão de cada dia, temos de admitir igualmente que os traficantes de tóxicos não podem ser impedidos de exercer sua atividade sinistra porque vivem dela. (...) Que tal institucionalizar a guerra como veículo supremo de emprego nas retaguardas, e também de lucro nas linhas de frente, onde se fariam apostas sobre a sorte dos combates, o número e gravidade de ferimentos, a duração de agonias? Será altíssima contribuição para o desenvolvimento das nações, mediante o pleno emprego dos sobreviventes.
(...) A confusão de valores é tamanha que se chama a essa luta de esporte. Esporte seriam então os entreveros a faca ou punhal, os enfrentamentos a pistola, e qualquer tipo de ferocidade a que nos aplicássemos. Seria altamente esportivo todo conflito de rua, as mais fascinantes se tornariam ainda os assaltos organizados a bancos e joalherias, com os seguranças treinados para rechaçá-los. As mortes subseqüentes valeriam como pontos negativos para cada uma das partes, e os espectadores, se tivessem folga para isso, fariam apostas em cruzeiros ou dólares sobre o final da partida. Afinal, seguranças e assaltantes precisam viver, mesmo à custa de sangue derramado. (...). Fora com os torturadores de animais!
Artigo publicado em 8 de novembro de 1983 no Caderno B do Jornal do Brasil
[23/OUT/2004]
Memória do JB
Carlos Drummond de Andrade (1983)
Como se não bastasse tanta gente brigando feio no Oriente e na América Central, ainda há quem se lembre de promover briga de galo, e até de justificá-la econômica e socialmente, argumentando que o fechamento das granjas especializadas na criação de aves de combate importaria em aumento da taxa nacional de desemprego! Esta é forte. O que os defensores da rinha esquecem é que os empregos correspondentes poderiam muito bem ser conservados e até multiplicados se essas granjas de tipo perverso passassem dedicar-se à criação de aves comuns, em bases empresariais que garantissem o aumento de produção e o relativo barateamento de custo. Quanto brasileiro que há por aí que não pode permitir-se o luxo de comer frango e fica estatelado de horror ao saber que os galos são dispensados de sua missão de reprodutores para se estraçalharem mutuamente, em espetáculos pagos a bom preço e assistidos por espectadores sádicos!
O desemprego que os defensores da briga de galos querem evitar é o de pessoas que exercem atividade ilegal de trabalho, e portanto não são socialmente defensáveis. A aceitar-se o critério de que eles merecem apoio porque ganham assim o pão de cada dia, temos de admitir igualmente que os traficantes de tóxicos não podem ser impedidos de exercer sua atividade sinistra porque vivem dela. (...) Que tal institucionalizar a guerra como veículo supremo de emprego nas retaguardas, e também de lucro nas linhas de frente, onde se fariam apostas sobre a sorte dos combates, o número e gravidade de ferimentos, a duração de agonias? Será altíssima contribuição para o desenvolvimento das nações, mediante o pleno emprego dos sobreviventes.
(...) A confusão de valores é tamanha que se chama a essa luta de esporte. Esporte seriam então os entreveros a faca ou punhal, os enfrentamentos a pistola, e qualquer tipo de ferocidade a que nos aplicássemos. Seria altamente esportivo todo conflito de rua, as mais fascinantes se tornariam ainda os assaltos organizados a bancos e joalherias, com os seguranças treinados para rechaçá-los. As mortes subseqüentes valeriam como pontos negativos para cada uma das partes, e os espectadores, se tivessem folga para isso, fariam apostas em cruzeiros ou dólares sobre o final da partida. Afinal, seguranças e assaltantes precisam viver, mesmo à custa de sangue derramado. (...). Fora com os torturadores de animais!
Artigo publicado em 8 de novembro de 1983 no Caderno B do Jornal do Brasil
[23/OUT/2004]
20.10.04
Esta fofinha é Lua Negra, a gatinha do Ernesto. Tem um post aqui do dia 18/novbro/2003 que ainda não foi para o arquivo contando uma fantástica história dessa quadrupinha.
17.10.04
Fábula da convivência
Há milhões de anos atrás, durante uma era glacial, quando parte de nosso planeta esteve coberto por grandes camadas de gelo. Muitos animais, não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições.
Foi, então, que uma grande manada de porco-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começaram a se unir, juntar-se mais e mais.
Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, se agasalhavam uns aos outros, aqueciam-se mutuamente, enfrentando por mais tempo aquele frio rigoroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte.
E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito...
Mas essa não foi a melhor solução! Afastados, separados, logo começaram a morrer de frio, congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com cuidado, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem magoar, sem causar danos e dores uns nos outros.
Assim, suportaram-se, resistindo à longa era glacial.
Sobreviveram.
Há milhões de anos atrás, durante uma era glacial, quando parte de nosso planeta esteve coberto por grandes camadas de gelo. Muitos animais, não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições.
Foi, então, que uma grande manada de porco-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começaram a se unir, juntar-se mais e mais.
Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, se agasalhavam uns aos outros, aqueciam-se mutuamente, enfrentando por mais tempo aquele frio rigoroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte.
E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito...
Mas essa não foi a melhor solução! Afastados, separados, logo começaram a morrer de frio, congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com cuidado, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem magoar, sem causar danos e dores uns nos outros.
Assim, suportaram-se, resistindo à longa era glacial.
Sobreviveram.
13.10.04
12.10.04
Oia nóis aqui traveiz.
Tava com saudades desse bloguinho abandonado.
Artimanhas foi o meu primeiro blog. Tive uns dez...
Passado o entusiasmo blogueiro só tô com o de artes cênicas, e olhe lá ...
Blog dá muito trabalho e eu tô sem tempo. Tô escrevendo um livro com as minhas colegas professoras de Recuperação Motora - terapia através da dança, sobre o nosso trabalho com portadores de dificuldades especiais na FUNLAR.
Este blog era um diario ou tinha pretensões a tal.
Agora vou voltar a postar fotos e alguns textos...
Isso aqui já foi quasi um divã de analista.
Blog serve pra isso também.
Gosto de reler o que escrevo e ver como era o
meu estado àquela época.
Posto aqui antes de tudo pra mim mesma.
E por hoje é só.
Vou baixar umas fotos aqui.
Ernesto e a Nina, sua namorada. Lindos !
Tava com saudades desse bloguinho abandonado.
Artimanhas foi o meu primeiro blog. Tive uns dez...
Passado o entusiasmo blogueiro só tô com o de artes cênicas, e olhe lá ...
Blog dá muito trabalho e eu tô sem tempo. Tô escrevendo um livro com as minhas colegas professoras de Recuperação Motora - terapia através da dança, sobre o nosso trabalho com portadores de dificuldades especiais na FUNLAR.
Este blog era um diario ou tinha pretensões a tal.
Agora vou voltar a postar fotos e alguns textos...
Isso aqui já foi quasi um divã de analista.
Blog serve pra isso também.
Gosto de reler o que escrevo e ver como era o
meu estado àquela época.
Posto aqui antes de tudo pra mim mesma.
E por hoje é só.
Vou baixar umas fotos aqui.
Ernesto e a Nina, sua namorada. Lindos !
8.3.04
Às minhas amigas uma homenagem
8 de março 2004
Dia Internacional da Mulher
Já me desacreditaram em 3 línguas
Já me dominaram em 3 gerações
Já me denegriram em diversos países
Em toda a terra
Já me julgaram, difamaram, humilharam,
segregaram em tantos lugares
Hoje acordei para dizer bem vindas!
Em todas as línguas, raças, credos além
das fronteiras, marcas e cicatrizes.
Um novo tempo se descortina para ti, para ustedes,
para vós, for you, für dich, pour vous, pour toi,
Pour nous, toutes les femmes de la terre
(Por nós, todas as mulheres da terra)
LETÍCIA DAMASCENO
Esse belo poema eu recebí hoje por e-mail e aproveito a inspiração da querida amiga Letícia Damasceno para homenagear as amigas que visitam o meu blog.
Letícia é professora de expressão corporal, bailarina e atriz. Esse poema acompanhado de uma rosa será oferecido às mulheres que serão entrevistadas por ela e o seu grupo de dança, hoje, a partir das seis horas da tarde no Largo do Machado. Esse trabalho faz parte de uma pesquisa de campo para o próximo espetáculo do grupo, com estréia prevista para junho próximo.
8 de março 2004
Dia Internacional da Mulher
Já me desacreditaram em 3 línguas
Já me dominaram em 3 gerações
Já me denegriram em diversos países
Em toda a terra
Já me julgaram, difamaram, humilharam,
segregaram em tantos lugares
Hoje acordei para dizer bem vindas!
Em todas as línguas, raças, credos além
das fronteiras, marcas e cicatrizes.
Um novo tempo se descortina para ti, para ustedes,
para vós, for you, für dich, pour vous, pour toi,
Pour nous, toutes les femmes de la terre
(Por nós, todas as mulheres da terra)
LETÍCIA DAMASCENO
Esse belo poema eu recebí hoje por e-mail e aproveito a inspiração da querida amiga Letícia Damasceno para homenagear as amigas que visitam o meu blog.
Letícia é professora de expressão corporal, bailarina e atriz. Esse poema acompanhado de uma rosa será oferecido às mulheres que serão entrevistadas por ela e o seu grupo de dança, hoje, a partir das seis horas da tarde no Largo do Machado. Esse trabalho faz parte de uma pesquisa de campo para o próximo espetáculo do grupo, com estréia prevista para junho próximo.
6.3.04
Dicas de teatro neste findi: "Apitos e lá lá lá" no Teatro de Guignol do Jardim de Alah, domingo, às l6hs e no Teatro Carlos Werneck do Aterro do Flamengo, às 11hs.
Assistir no Teatro SESC de Copa, o ótimo ator Ricardo Blat e Regina Gutman em "Queridinha", texto de Tchecov dirigido pelo Gilberto Gawronski, e "Ricardo III" de Shakespeare, vivido pelo soberbo ator Anselmo Vasconcellos, com dire??o do Antonio Pedro, em temporada popular no Teatro João Caetano - Praça Tiradentes.
Esse povo feliz seguiu a dica do Teatro ETC & Tal, e foi à Quinta da Boa Vista, no domingo passado assistir "Apitos e lá lá lá""
Assistir no Teatro SESC de Copa, o ótimo ator Ricardo Blat e Regina Gutman em "Queridinha", texto de Tchecov dirigido pelo Gilberto Gawronski, e "Ricardo III" de Shakespeare, vivido pelo soberbo ator Anselmo Vasconcellos, com dire??o do Antonio Pedro, em temporada popular no Teatro João Caetano - Praça Tiradentes.
Esse povo feliz seguiu a dica do Teatro ETC & Tal, e foi à Quinta da Boa Vista, no domingo passado assistir "Apitos e lá lá lá""
Este blog anda um tanto letárgico. Não tenho a menor idéia de quando será curado dessa estranha letargia. Enquanto isso o outro blog, o Teatro ETC & Tal quasi foi acometido do mesmo torpor. Foi salvo a tempo e voltou lépido e fagueiro. Vai lá conferir.
14.1.04
Adivinhem quem é a ferinha aí de cima? Fácil. É a fofinha da foto aí de baixo -- a gatinha Tutu, dormindo candidamente ao lado do Mosca. E essa foto eu larapiei hoje do blog da principal serviçal e fotógrafa oficial da Familia Gato: Cora Rónai.
15.12.03
Falando em fotolog, aqui o endereço do que pretende ser um, algum dia, talvez quem sabe eu aprenda a ser uma fotografa não tão boa quanto ela.
mezeck's fotolog
sassah's fotolog
album de fotos
mezeck's fotolog
sassah's fotolog
album de fotos
2.12.03
18.11.03
Lua Negra
Falando no gato Mosca, aproveito a deixa para falar de uma gatinha, e um fato acontecido em agosto do ano passado, tendo como personagens principais o meu sobrinho Ernesto e a Lua Negra -- uma gatinha de rua quasi recém nascida, quando foi encontrada por ele num findi lá em Friburgo, assustada e machucada se escondendo debaixo das rodas de um caminhão. Desde então ele é o feliz funcionário da gatinha Lua Negra.
Eu tinha ido com ele e seus amigos, todos adolescentes, assistir um show no Canecão, e na volta ao deixá-lo em casa, ele não conseguiu abrir a porta, estranhamente trancada por dentro. Fato no mínimo estranho, já que não tinha ninguém em casa e seus pais estavam viajando. No dia seguinte, o chaveiro teve que abrir um buraco na porta para abrir o ferrolho. O Ernesto logo desconfiou da Lua Negra, mas ninguém acreditou nessa possibilidade.
Três ou quatro dias depois estava desfeito o mistério. A Lua Negra que é chegada a umas performances acrobáticas, saltitava alegre e feliz pela casa toda, e de repente, num salto preciso no corredor, está diante da porta de entrada com a patinha levantada certeiramente para alcançar nem preciso dizer o quê. Até hoje o ferrolho é envolto em fita isolante bem grossa para não girar nessas divertidas performances da safadinha.
Falando no gato Mosca, aproveito a deixa para falar de uma gatinha, e um fato acontecido em agosto do ano passado, tendo como personagens principais o meu sobrinho Ernesto e a Lua Negra -- uma gatinha de rua quasi recém nascida, quando foi encontrada por ele num findi lá em Friburgo, assustada e machucada se escondendo debaixo das rodas de um caminhão. Desde então ele é o feliz funcionário da gatinha Lua Negra.
Eu tinha ido com ele e seus amigos, todos adolescentes, assistir um show no Canecão, e na volta ao deixá-lo em casa, ele não conseguiu abrir a porta, estranhamente trancada por dentro. Fato no mínimo estranho, já que não tinha ninguém em casa e seus pais estavam viajando. No dia seguinte, o chaveiro teve que abrir um buraco na porta para abrir o ferrolho. O Ernesto logo desconfiou da Lua Negra, mas ninguém acreditou nessa possibilidade.
Três ou quatro dias depois estava desfeito o mistério. A Lua Negra que é chegada a umas performances acrobáticas, saltitava alegre e feliz pela casa toda, e de repente, num salto preciso no corredor, está diante da porta de entrada com a patinha levantada certeiramente para alcançar nem preciso dizer o quê. Até hoje o ferrolho é envolto em fita isolante bem grossa para não girar nessas divertidas performances da safadinha.
17.11.03
16.11.03
O gatinho mais lindo da blogosfera, o MOSCA, mais conhecido pelo codinome de Canalha Amarelo -- membro da ilustre Familia Gato.
Aviso aos navegantes
Tô voltando para postar aqui nesse meu bloguinho de estimação. Esse foi o meu primeiro blog.
Uma novidade: desde ontem estou de banda larga. Uma semana confusa e tumultuada por conta da instalação do bicho. Nem acredito que eu posso navegar e blogar á vontade sem me preocupar com a conta do telefone.
E, nessa faina toda, além de outras providências inerentes, eu tive que mandar reformatar o computer. E cada vez que isso acontece, os técnicos instalam um monte de penduricalhos e somem com os meus arquivos mais importantes. Desta vez foi a minha pasta de arquivos pessoais com os e-mails todos que eu recebí e enviei e os não enviados que estavam separados para responder. Peço desculpas aos amigos que me mandaram e-mails e estão ainda sem resposta. Estou tentando recuperar essas pastas. Voilà.
Tenho muita coisa para postar aqui e no outro blog, mas não tá dando. Tô aqui enroladíssima.
E haja hoje para tanto ontem, como versejou o poeta Leminski. E eu ùltimamente não estou cabendo em mim de tanto ontem que ficou para hoje.
C'est tout par aujourd'hui. À demain, mes enfants.
Tô voltando para postar aqui nesse meu bloguinho de estimação. Esse foi o meu primeiro blog.
Uma novidade: desde ontem estou de banda larga. Uma semana confusa e tumultuada por conta da instalação do bicho. Nem acredito que eu posso navegar e blogar á vontade sem me preocupar com a conta do telefone.
E, nessa faina toda, além de outras providências inerentes, eu tive que mandar reformatar o computer. E cada vez que isso acontece, os técnicos instalam um monte de penduricalhos e somem com os meus arquivos mais importantes. Desta vez foi a minha pasta de arquivos pessoais com os e-mails todos que eu recebí e enviei e os não enviados que estavam separados para responder. Peço desculpas aos amigos que me mandaram e-mails e estão ainda sem resposta. Estou tentando recuperar essas pastas. Voilà.
Tenho muita coisa para postar aqui e no outro blog, mas não tá dando. Tô aqui enroladíssima.
E haja hoje para tanto ontem, como versejou o poeta Leminski. E eu ùltimamente não estou cabendo em mim de tanto ontem que ficou para hoje.
C'est tout par aujourd'hui. À demain, mes enfants.
11.10.03
Trenzinho bão esse... assim é se lhe parece ...
Sabe onde rola essa festa ? Eu conto aqui no
Teatro ETC & Tal.
5.10.03
Peer Gynt de Ibsen -- estudo para montagem, já está em cartaz
Detalhes da estréia aqui no Teatro ETC. & Tal.Se não for lá não saberá do acontecimento dessa minha vida de atriz -- bissexta, é verdade. Mas com uma peça e um filme em cartaz. Nada mau.
28.9.03
Padilha do Cena Paulistana & Cia. não reclamem queridos! Vou continuar postando nos dois, nos três ou quatro blogs, aqueles posts importantes -- para mim.Quem vem aqui no @rtimanhas difícilmente vai no Teatro ETC & Tal.
Até hoje eu não consigo entender muito bem o porquê dessas preferências.
Até hoje eu não consigo entender muito bem o porquê dessas preferências.
Adivinha quem não vem para o jantar, aos sabados e domingos de outubro?
O link direto no post não funcionou. Rala e rola um pouquinho até chegar onde diz:
"Estudo para montagem, Peer Gynt de Ibsen". E lê até o final, e depois não venha me dizer que não sabia!...
O link direto no post não funcionou. Rala e rola um pouquinho até chegar onde diz:
"Estudo para montagem, Peer Gynt de Ibsen". E lê até o final, e depois não venha me dizer que não sabia!...
27.9.03
Óia eu aqui nas telas: O SIGNO DO CAOS
O SIGNO DO CAOS:O ANTIFILME DE ROGÉRIO SGANZERLA está sendo apresentado no Festival BR.
Eu participei como atriz desse filme em maio de 1997. Eu caprichei no visual anos 50. Se a minha participação não foi muito cortada vai ser bem legal. O Rogério levou mais de sete anos para terminar esse filme. Nunca vi nem em copião. Cinema não é a minha praia, mas resistir a um convite do Rogério Sganzerla, quem há de.
Passa na segunda feira às 19 hs. no Cine Odeon BR na Cinelandia.
O SIGNO DO CAOS:O ANTIFILME DE ROGÉRIO SGANZERLA está sendo apresentado no Festival BR.
Eu participei como atriz desse filme em maio de 1997. Eu caprichei no visual anos 50. Se a minha participação não foi muito cortada vai ser bem legal. O Rogério levou mais de sete anos para terminar esse filme. Nunca vi nem em copião. Cinema não é a minha praia, mas resistir a um convite do Rogério Sganzerla, quem há de.
Passa na segunda feira às 19 hs. no Cine Odeon BR na Cinelandia.
22.9.03
Papo na Redação do Comunique-se, adivinhem com quem
Famosa jornalista e blogueira, além de premiada autora teatral vai estar na próxima quarta-feira, dia 24, às 15 hs, no Comunique-se o maior portal de jornalistas do País, para um bate-papo informal com
os leitores.
Para quem ainda não sabe, foi ganhadora do Prêmio Mambembe Infantil 1986, pela autoria da peça Um, dois, três e já... No ano anterior, quatro indicações para o mesmo Mambembe, pela montagem da peça Sapomorfose com cenários do Millôr Fernandes. Detalhes do histórico dessas premiações aqui nos arquivos implacáveis do Artimanhas.
Acertou quem pensou nela, a nossa queridíssima Cora Rónai.Nesse horário estou dando aula no trampo, mas gostaria de poder estar lá para fazer algumas pergunas óbvias, mas necessárias à autora de reconhecido talento e competência, que depois de uma breve e promissora carreira abandonou o teatro.
Famosa jornalista e blogueira, além de premiada autora teatral vai estar na próxima quarta-feira, dia 24, às 15 hs, no Comunique-se o maior portal de jornalistas do País, para um bate-papo informal com
os leitores.
Para quem ainda não sabe, foi ganhadora do Prêmio Mambembe Infantil 1986, pela autoria da peça Um, dois, três e já... No ano anterior, quatro indicações para o mesmo Mambembe, pela montagem da peça Sapomorfose com cenários do Millôr Fernandes. Detalhes do histórico dessas premiações aqui nos arquivos implacáveis do Artimanhas.
Acertou quem pensou nela, a nossa queridíssima Cora Rónai.Nesse horário estou dando aula no trampo, mas gostaria de poder estar lá para fazer algumas pergunas óbvias, mas necessárias à autora de reconhecido talento e competência, que depois de uma breve e promissora carreira abandonou o teatro.
17.9.03
Pelo Gerald, não pela bunda
A cultura brasileira faz votos para que a justiça não se impressione com a parte de trás caída e sem graça do Gerald Thomas, mas com a divertida bunda dos versos de Drummond. A bunda de Grald não deve ser exibida em público. Aliás, nem em privado. Zuenir Ventura
Este artigo do Mestre Zu na íntegra, está aqui no Teatro ETC. & Tal.
Linha do Equador, esquina com o Rio Amazonas, numero zero, marco zero
Vocês sabem onde fica esses confins do Brasil? Eu não sabia. Estou aprendendo muita coisa desse nosso Brazilzão, de sua realidade artistico-socio-cultural nos relatos do Márcio Libar que está excursionando desde o início de agosto com o espetáculo "O Pregoeiro" e ministrando oficinas. O relato completo aqui no Teatro ETC. & Tal.
A cultura brasileira faz votos para que a justiça não se impressione com a parte de trás caída e sem graça do Gerald Thomas, mas com a divertida bunda dos versos de Drummond. A bunda de Grald não deve ser exibida em público. Aliás, nem em privado. Zuenir Ventura
Este artigo do Mestre Zu na íntegra, está aqui no Teatro ETC. & Tal.
Linha do Equador, esquina com o Rio Amazonas, numero zero, marco zero
Vocês sabem onde fica esses confins do Brasil? Eu não sabia. Estou aprendendo muita coisa desse nosso Brazilzão, de sua realidade artistico-socio-cultural nos relatos do Márcio Libar que está excursionando desde o início de agosto com o espetáculo "O Pregoeiro" e ministrando oficinas. O relato completo aqui no Teatro ETC. & Tal.
14.9.03
O expediente agora é no outro blog, o Teatro ETC. & Tal.
Nem vem que não tem, quem aqui vem, vai lá também...
Nem vem que não tem, quem aqui vem, vai lá também...
7.9.03
Foto de Evgen Bavcar.
Vai sòmente até sexta feira dia 12, a exposição do fotógrafo cego que fez essa belíssima foto aí de cima. Vale ir até à cidade para ver essa exposição. Detalhes aqui no Teatro ETC & Tal.
Cultura se faz na rua, hoje tem os palhaços do Anonimo apresentando um espetáculo de graça no cirquinho em frente ao numero 45 da Rua do Mercado - Praça Quinze - atrás do CCBB. Confere a programação aqui e vai á luta.
Biscoito finíssimo e de graça, quem não quer?.
Ah, e tem o Grupo Galpão na city, em cartaz no Teatro Villa Lobos, e com direção do meu conterrâneo de guerra, o Paulo José. Esse menino ainda vai longe...
Por uma sociedade inclusiva é o título do post (dia 03 deste) aqui no outro blog sobre Síndrome de Down. É o que tem o link para BBC-Brasil com uma matéria das mais completas já publicadas sobre o assunto. Pronto. Agora não tem a desculpa que não achou.
E além disso, já tem fotos. Pesquisei no site da APAE-SP.
E além disso, já tem fotos. Pesquisei no site da APAE-SP.
6.9.03
Mumia subversiva
E o Matusalém Matusca, aquele subversor da ordem vigente que inventou o FLASH BLOG, está tão besta que não está mais se cabendo nas ataduras. O quarto FLASH BLOG promete repetir o sucesso dos anteriores, e vai acontecer a partir da meia noite de sexta dia 12 até sábado o dia inteiro no blog da nossa querida e prestimosa Suely - A Blogueira dos Enta.
E o Matusalém Matusca, aquele subversor da ordem vigente que inventou o FLASH BLOG, está tão besta que não está mais se cabendo nas ataduras. O quarto FLASH BLOG promete repetir o sucesso dos anteriores, e vai acontecer a partir da meia noite de sexta dia 12 até sábado o dia inteiro no blog da nossa querida e prestimosa Suely - A Blogueira dos Enta.
Sem inclusão não há solução
Educação inclusiva e uma historinha esperta de uma mãe e professoras.
Afetos & perceptos nos portadores de Síndrome de Down e outros PPNE -- Pessoa Portadora de Necessidades Especiais.
Esses eletrizantes (palavra da moda entre os blogueiros) assuntos estão aqui no meu blog de artes cênicas o Teatro ETC & Tal.
Educação inclusiva e uma historinha esperta de uma mãe e professoras.
Afetos & perceptos nos portadores de Síndrome de Down e outros PPNE -- Pessoa Portadora de Necessidades Especiais.
Esses eletrizantes (palavra da moda entre os blogueiros) assuntos estão aqui no meu blog de artes cênicas o Teatro ETC & Tal.
31.8.03
Passando aqui rapidinho para avisar que o segundo Flash Blog tá rolando na Funny até a meia noite de hoje. Passa lá. Usa e agita.
Ah, e eu já conseguí baixar o banner do evento, graças aos super poderes do nosso Faraó Mor Matuskamon, o inventor do primeiro Flash Blog Mundial.
24.8.03
Primeiro Flash Blog Mundial. Invenção do absurdo do Matusca.
Concurso de Contos Breves Haroldo Maranhão. Invenção da querida MEG.Detalhes aqui no Teatro ETC & Tal.Post Scriptum Post: Estou vindo aqui para avisar porque quem vem nesse blog, não vai no outro. Não consigo entender direito o porquê disso. Voilà.
Concurso de Contos Breves Haroldo Maranhão. Invenção da querida MEG.Detalhes aqui no Teatro ETC & Tal.Post Scriptum Post: Estou vindo aqui para avisar porque quem vem nesse blog, não vai no outro. Não consigo entender direito o porquê disso. Voilà.
23.8.03
Flash Mob carioca na Central do Brasil dirigido pelo Gerald Thomaz? Veja lá no Teatro ETC & Tal, o meu blog de artes cenicas, esta e outras eletrizantes notícias.
Atenção gALLera, Muita atenção !
Blogueira compulsiva, acabei de criar outro blog, o @rteirices, lá entre os coleguinhas jornalistas, no portal do Comunique-se.
A minha vida tá uma loucura, vida virtual e vida real brigando por seus espaços.
A vida real ganha fácil nessa parada. Portanto, a partir de agora, o meu blog de artes cenicas, o Teatro ETC & Tal vai merecer mais atenção e terá postagens diárias, ou quasi, porque o meu momento pede atenção para esse blog e o outro, o @rteirices.
Alors mes enfants não estranhem se eu passar alguns dias ausente daqui do @rtimanhas, e só aparecer esporadicamente. Quem quiser saber de mim vá aos
outros dois blogs. Certo? A bientôt!
Blogueira compulsiva, acabei de criar outro blog, o @rteirices, lá entre os coleguinhas jornalistas, no portal do Comunique-se.
A minha vida tá uma loucura, vida virtual e vida real brigando por seus espaços.
A vida real ganha fácil nessa parada. Portanto, a partir de agora, o meu blog de artes cenicas, o Teatro ETC & Tal vai merecer mais atenção e terá postagens diárias, ou quasi, porque o meu momento pede atenção para esse blog e o outro, o @rteirices.
Alors mes enfants não estranhem se eu passar alguns dias ausente daqui do @rtimanhas, e só aparecer esporadicamente. Quem quiser saber de mim vá aos
outros dois blogs. Certo? A bientôt!
17.8.03
Flash Mob, Hackers, Teatro do Oprimido e oTeatro Infantil de Marionetes de Porto Alegre
O que têm a ver entre sí os personagens do título acima? Tudo. E muito mais.
Eles são significativos representantes de manifestações artístico/politico/culturais/tecnologicas através da história. Cada um deles, no seu momento histórico foram os subversivos da vez. A diferença, se existe alguma, é que os "flash mobs" de hoje seriam os chamados rebeldes sem causa de ontem, e os hackers, esses são feras soltas prontas para invadir e barbarizar -- agora na real -- o circo armado na selva das cidades.
Flash Mob chega ao Brasil
Essa idéia importada da Europa e dos Estados Unidos, onde esse movimento acontece há algum tempo, consiste em manifestações relâmpago em locais públicos. Os participantes são mobilizados pela internet através de e-mails, listas, foruns, e celular. Reunidos, fazem em conjunto a primeira gracinha que vem à cabeça, e em minutos se dispersam. Tudo muito rápido, divertido e indolor. São Paulo tomando á frente na importação da idéia, realizou na semana passada, o primeiro Flash Mob em nosso País, organizado por artistas virtuais, web-designers, fotografos, blogueiros, etc., entre eles, um conhecido blogueiro paulista. Tomei conhecimento do movimento e dessa primeira convocação, através do InternETC -- blog da antenadíssima Cora Rónai.
Hackers -- um Flash Mob dentro de um Flash Mob.
A estréia do movimento no Brasil não contava com a fúria internáutica dos hackers, que cansados do seu brinquedinho virtual, vieram brincar na real, e estragaram a festa. Durante o tumulto relâmpago, no centro da cidade de São Paulo, um bando de adolescentes invadiram a manifestação aos gritos de YOU LOSE! e com cartazes de protesto, Eu já sabia!, Contra burguês, baixe MP3, fazendo um autêntico ato de sabotagem real/cultural para desespêro dos organizadores que ficaram em segundo plano.
A mídia correu atrás dos calças curtas, preterindo os donos da festa.
UPDATE: O Jotaesse sempre alerta para as novidades, mandou essa hoje para a lista dos blogueiros:
" Convite e Instruções para o FLASH MOB Brasileiro em Sao Paulo, SP
Av. Paulista, A ESQUERDA do numero 900 (predio da "Gazeta - Objetivo")
em frente ao telão junto a parede esquerda do predio.
Domingo, 17 de agosto, as 15h ...".
Detalhes: http://br.groups.yahoo.com/group/brasilflashmob/message/209
O Teatro do Oprimido e a "pegadinha intelectual" doTeatro Invisível
O Teatro do Oprimido, movimento de teatro politico criado por AUGUSTO BOAL, quando esteve exilado, nos anos setenta, tendo conquistado adeptos pelo mundo afóra, apesar de contestado aqui, e eu me inclúo entre os discordantes do método. Apesar disso, é inconteste a importancia de Boal para o desenvolvimento do moderno teatro brasileiro. Utilizando a linguagem teatral como instrumento para intervenções politico/sociais nas ruas, praças, ou qualquer outro lugar público ou privado, Boal criou a técnica do Teatro Invisivel. Nessa técnica, os atores, sem se identificar como tal, distribuidos pelo espaço da intervenção que pode ser no metrô ou qualquer outro local publico ou privado, provocam uma determinada situação de cunho politico/social, e deixam rolar todas entre o desavisado público.
O TIM e a mobilização boca-a-boca nos anos de chumbo
O Teatro Infantil de Marionetes -- TIM, grupo de teatro de marionetes, de Porto Alegre, dirigido pelo ANTONIO CARLOS SENA em plena repressão, nos anos sessenta, apresentava na Rua da Praia, entre outros locais públicos, um subversivo teatro de marionetes como forma de resistência ao regime vigente. Por motivos óbvios, a organização e a mobilização eram feitas no boca-a-boca -- telefone ou qualquer outro meio de comunicação, nem pensar. Qualquer falha na mobilização, e seus integrantes corriam todos os riscos. Os militares como bons filhos da pátria ficavam espertos para qualquer lance que cheirasse à subversão. Alguns participantes do grupo do TIM ficavam espalhados pela área da representação teatral -- olheirosespertos, capazes de ver e sentir de longe o cheiro da repressão. E não há exagêro nessa afirmação, porque eles eram os responsáveis pela segurança do grupo, avisando de qualquer suspeita na área para uma retirada estratégica do local, antes da chegada da polícia da repressão.
Entre os integrantes do TIM, o jovem estudante universitário MARCO AURÉLIO GARCIA, (atual ministro para assuntos internacionais), o jovem aspirante do CPOR de Porto Alegre, FERNANDO PEIXOTO (o conhecido ator, diretor teatral e um dos fundadores do Teatro Oficina) e mais o jovem estudante universitário ANIBAL DAMASCENO (o conhecido professor Anibal, escritor, pesquisador, um dos descobridores de Qorpo Santo) eram os autores dos suversivos textos do TIM.
Em tempo: O Teatro Infantil de Marionetes, o TIM de Porto Alegre, apesar de pouco conhecido em nosso País, tem uma respeitável carreira com apresentações no exterior e prêmios em importantes festivais internacionais. Foi criado há mais de cincoenta anos pela artista plastica Odila Sena -- mãe do diretor do grupo. E o Antonio Carlos Sena tem no seu brilhante curriculo, a direção da primeira montagem de Qorpo Santo, o genial autor gaúcho, considerado o precursor do teatro do absurdo.
O que têm a ver entre sí os personagens do título acima? Tudo. E muito mais.
Eles são significativos representantes de manifestações artístico/politico/culturais/tecnologicas através da história. Cada um deles, no seu momento histórico foram os subversivos da vez. A diferença, se existe alguma, é que os "flash mobs" de hoje seriam os chamados rebeldes sem causa de ontem, e os hackers, esses são feras soltas prontas para invadir e barbarizar -- agora na real -- o circo armado na selva das cidades.
Flash Mob chega ao Brasil
Essa idéia importada da Europa e dos Estados Unidos, onde esse movimento acontece há algum tempo, consiste em manifestações relâmpago em locais públicos. Os participantes são mobilizados pela internet através de e-mails, listas, foruns, e celular. Reunidos, fazem em conjunto a primeira gracinha que vem à cabeça, e em minutos se dispersam. Tudo muito rápido, divertido e indolor. São Paulo tomando á frente na importação da idéia, realizou na semana passada, o primeiro Flash Mob em nosso País, organizado por artistas virtuais, web-designers, fotografos, blogueiros, etc., entre eles, um conhecido blogueiro paulista. Tomei conhecimento do movimento e dessa primeira convocação, através do InternETC -- blog da antenadíssima Cora Rónai.
Hackers -- um Flash Mob dentro de um Flash Mob.
A estréia do movimento no Brasil não contava com a fúria internáutica dos hackers, que cansados do seu brinquedinho virtual, vieram brincar na real, e estragaram a festa. Durante o tumulto relâmpago, no centro da cidade de São Paulo, um bando de adolescentes invadiram a manifestação aos gritos de YOU LOSE! e com cartazes de protesto, Eu já sabia!, Contra burguês, baixe MP3, fazendo um autêntico ato de sabotagem real/cultural para desespêro dos organizadores que ficaram em segundo plano.
A mídia correu atrás dos calças curtas, preterindo os donos da festa.
UPDATE: O Jotaesse sempre alerta para as novidades, mandou essa hoje para a lista dos blogueiros:
" Convite e Instruções para o FLASH MOB Brasileiro em Sao Paulo, SP
Av. Paulista, A ESQUERDA do numero 900 (predio da "Gazeta - Objetivo")
em frente ao telão junto a parede esquerda do predio.
Domingo, 17 de agosto, as 15h ...".
Detalhes: http://br.groups.yahoo.com/group/brasilflashmob/message/209
O Teatro do Oprimido e a "pegadinha intelectual" doTeatro Invisível
O Teatro do Oprimido, movimento de teatro politico criado por AUGUSTO BOAL, quando esteve exilado, nos anos setenta, tendo conquistado adeptos pelo mundo afóra, apesar de contestado aqui, e eu me inclúo entre os discordantes do método. Apesar disso, é inconteste a importancia de Boal para o desenvolvimento do moderno teatro brasileiro. Utilizando a linguagem teatral como instrumento para intervenções politico/sociais nas ruas, praças, ou qualquer outro lugar público ou privado, Boal criou a técnica do Teatro Invisivel. Nessa técnica, os atores, sem se identificar como tal, distribuidos pelo espaço da intervenção que pode ser no metrô ou qualquer outro local publico ou privado, provocam uma determinada situação de cunho politico/social, e deixam rolar todas entre o desavisado público.
O TIM e a mobilização boca-a-boca nos anos de chumbo
O Teatro Infantil de Marionetes -- TIM, grupo de teatro de marionetes, de Porto Alegre, dirigido pelo ANTONIO CARLOS SENA em plena repressão, nos anos sessenta, apresentava na Rua da Praia, entre outros locais públicos, um subversivo teatro de marionetes como forma de resistência ao regime vigente. Por motivos óbvios, a organização e a mobilização eram feitas no boca-a-boca -- telefone ou qualquer outro meio de comunicação, nem pensar. Qualquer falha na mobilização, e seus integrantes corriam todos os riscos. Os militares como bons filhos da pátria ficavam espertos para qualquer lance que cheirasse à subversão. Alguns participantes do grupo do TIM ficavam espalhados pela área da representação teatral -- olheirosespertos, capazes de ver e sentir de longe o cheiro da repressão. E não há exagêro nessa afirmação, porque eles eram os responsáveis pela segurança do grupo, avisando de qualquer suspeita na área para uma retirada estratégica do local, antes da chegada da polícia da repressão.
Entre os integrantes do TIM, o jovem estudante universitário MARCO AURÉLIO GARCIA, (atual ministro para assuntos internacionais), o jovem aspirante do CPOR de Porto Alegre, FERNANDO PEIXOTO (o conhecido ator, diretor teatral e um dos fundadores do Teatro Oficina) e mais o jovem estudante universitário ANIBAL DAMASCENO (o conhecido professor Anibal, escritor, pesquisador, um dos descobridores de Qorpo Santo) eram os autores dos suversivos textos do TIM.
Em tempo: O Teatro Infantil de Marionetes, o TIM de Porto Alegre, apesar de pouco conhecido em nosso País, tem uma respeitável carreira com apresentações no exterior e prêmios em importantes festivais internacionais. Foi criado há mais de cincoenta anos pela artista plastica Odila Sena -- mãe do diretor do grupo. E o Antonio Carlos Sena tem no seu brilhante curriculo, a direção da primeira montagem de Qorpo Santo, o genial autor gaúcho, considerado o precursor do teatro do absurdo.
14.8.03
AS MÃOS DE MEU PAI ( II )
Eu devia ter uns 5 ou 6 anos, e acreditava em Papai Noel, como toda a criança dessa idade vivendo no interior do Rio Grande do Sul, em Santa Maria da Boca do Monte. E lá, a tradição natalina era levada muito a sério. A televisão ainda engatinhava , e as lojas ainda não tinham descoberto o mercantilismo desenfreado na figura do "bom velhinho" fantasiado nas ruas e na frente das lojas e os nossos ouvidos não eram agredidos com os "jinglebells" da vida.
A performance de Papai Noel ficava restrita aos pais ou amigos que no dia dos festejos natalinos vestiam a fantasia do dito cujo com tudo o que tinham direito, barbas, bigodes e barriga postiços, máscaras, etc. E mudavam até a voz para não serem reconhecidos, caprichando na representação.
Não lembro dos pormenores da festa natalina que houve na casa dos meus pais, mas na minha memória ficou registrada a presença do Papai Noel, sentado, distribuindo os brinquedos, e, em determinado momento, eu fiquei sentada no seu colo. Foi assim que eu reparei nas mãos daquele Papai Noel, e reconhecí nelas as mãos do meu pai. As mãos do Papai Noel eram as mãos do meu pai.
Lembro até do detalhe da aliança de ouro do meu pai. Bem, a aliança eu acho que nem reconhecí, porque todas as alianças de ouro tinham -- e ainda têm -- o mesmo formato, mas das mãos do meu pai eu tinha certeza. E tanta que eu guardei indelével essa imagem na minha memória.
Não é difícil imaginar a confusão que ficou na minha cabeça, e o trabalho para o Seu Ernesto se explicar com a primogênita, a qualzinha desde a mais tenra sempre foi muito curiosa e perguntadeira. Ele contava que o difícil mesmo foi responder trocentas vezes à mesma pergunta da guriazinha: Pai, o Papai Noel é casado?
Eu devia ter uns 5 ou 6 anos, e acreditava em Papai Noel, como toda a criança dessa idade vivendo no interior do Rio Grande do Sul, em Santa Maria da Boca do Monte. E lá, a tradição natalina era levada muito a sério. A televisão ainda engatinhava , e as lojas ainda não tinham descoberto o mercantilismo desenfreado na figura do "bom velhinho" fantasiado nas ruas e na frente das lojas e os nossos ouvidos não eram agredidos com os "jinglebells" da vida.
A performance de Papai Noel ficava restrita aos pais ou amigos que no dia dos festejos natalinos vestiam a fantasia do dito cujo com tudo o que tinham direito, barbas, bigodes e barriga postiços, máscaras, etc. E mudavam até a voz para não serem reconhecidos, caprichando na representação.
Não lembro dos pormenores da festa natalina que houve na casa dos meus pais, mas na minha memória ficou registrada a presença do Papai Noel, sentado, distribuindo os brinquedos, e, em determinado momento, eu fiquei sentada no seu colo. Foi assim que eu reparei nas mãos daquele Papai Noel, e reconhecí nelas as mãos do meu pai. As mãos do Papai Noel eram as mãos do meu pai.
Lembro até do detalhe da aliança de ouro do meu pai. Bem, a aliança eu acho que nem reconhecí, porque todas as alianças de ouro tinham -- e ainda têm -- o mesmo formato, mas das mãos do meu pai eu tinha certeza. E tanta que eu guardei indelével essa imagem na minha memória.
Não é difícil imaginar a confusão que ficou na minha cabeça, e o trabalho para o Seu Ernesto se explicar com a primogênita, a qualzinha desde a mais tenra sempre foi muito curiosa e perguntadeira. Ele contava que o difícil mesmo foi responder trocentas vezes à mesma pergunta da guriazinha: Pai, o Papai Noel é casado?
10.8.03
AS MÃOS DE MEU PAI
As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da corda terra
--como são belas as suas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da
nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza
que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da
tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas ...
Virá dessa chama que pouco a pouco, vieste
alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
contra o vento?
Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das
tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos
nodosas...
essa chama de vida -- que transcende a própria vida
... e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.
MARIO QUINTANA (1906-1994)
As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da corda terra
--como são belas as suas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da
nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza
que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da
tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas ...
Virá dessa chama que pouco a pouco, vieste
alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
contra o vento?
Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das
tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos
nodosas...
essa chama de vida -- que transcende a própria vida
... e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.
MARIO QUINTANA (1906-1994)
9.8.03
Idiosincrasias, etc e talz...
Falou, falou... detestava blogs, disse que o meu blog era um blog de merda. E agora, eis que ... ele capitulou --tem um blog de merda. É esse o nome do blog do moço ...
Falou, falou... detestava blogs, disse que o meu blog era um blog de merda. E agora, eis que ... ele capitulou --tem um blog de merda. É esse o nome do blog do moço ...
7.8.03
Deixa histórica I
... para um partido de esquerda no poder, seu mais sério antagonista é sempre a sua própria propaganda anterior.
Assim falou o GEORGE ORWELL (escritor de 1984 e A revolução dos bichos)
Deixa histórica II
Do PAULO LEMINSKI, no seu romance-idéia Catatau:
Outro era eu quando não coincidia com as circunstâncias. Porque isso? Isso não é coisa que se faça. Nada me justifica. Estou á disposição de tudo. Eu era tanto, tanto faz: quanto tempo estou falando disso? Pura perdição de ilusão. Brasilia nunca vai começar a ser viável. Só do que falo, falar: minha mitologia, minha lógica. Nunca tudo. Mais vale um gôsto de vinho, mais serve um vintém cunhado, cambia?
Desistúrbio, Brasília me leva longe !
Deixa histórica III
De ZÉ CELSO MARTINEZ CORREA, sobre o personagem Hamlet:
Ele fica em dúvida, não por ser indeciso, mas por não querer o jôgo da máquina do poder. Porque há mais formas de viver o desejo entre o céu e a terra do que gostaria o nosso vão conformismo.
... para um partido de esquerda no poder, seu mais sério antagonista é sempre a sua própria propaganda anterior.
Assim falou o GEORGE ORWELL (escritor de 1984 e A revolução dos bichos)
Deixa histórica II
Do PAULO LEMINSKI, no seu romance-idéia Catatau:
Outro era eu quando não coincidia com as circunstâncias. Porque isso? Isso não é coisa que se faça. Nada me justifica. Estou á disposição de tudo. Eu era tanto, tanto faz: quanto tempo estou falando disso? Pura perdição de ilusão. Brasilia nunca vai começar a ser viável. Só do que falo, falar: minha mitologia, minha lógica. Nunca tudo. Mais vale um gôsto de vinho, mais serve um vintém cunhado, cambia?
Desistúrbio, Brasília me leva longe !
Deixa histórica III
De ZÉ CELSO MARTINEZ CORREA, sobre o personagem Hamlet:
Ele fica em dúvida, não por ser indeciso, mas por não querer o jôgo da máquina do poder. Porque há mais formas de viver o desejo entre o céu e a terra do que gostaria o nosso vão conformismo.
5.8.03
A regra secreta
Desoriento-me
Sem qualquer
Método
Ou sem
Qualquer fim
Vou e não vou
Mas vou
Caio sem qualquer
Alarde
O que é
E não é: mas é
Desorientar-me
É meu antimétodo.
Poema de Sebastião Uchôa Leite.
Salve o poeta Sebastião, tradutor e dos bons, escritor, letrista e parceiro de "Os Mutantes", entre outras artimanhas. Meu amigo e parceiro de muitas lutas, a
minha gratidão -- essa palavra tudo -- sempre.
Desoriento-me
Sem qualquer
Método
Ou sem
Qualquer fim
Vou e não vou
Mas vou
Caio sem qualquer
Alarde
O que é
E não é: mas é
Desorientar-me
É meu antimétodo.
Poema de Sebastião Uchôa Leite.
Salve o poeta Sebastião, tradutor e dos bons, escritor, letrista e parceiro de "Os Mutantes", entre outras artimanhas. Meu amigo e parceiro de muitas lutas, a
minha gratidão -- essa palavra tudo -- sempre.
31.7.03
Uma flor para você, Cora Rónai
um blogabraço, com o maior carinho
e votos de muitas felicidades.
E agora, fazendo côro com a gALLera,
todos cantando aquela musiquinha:
Parabens, parabens pelo seu aniversário!
Capitulei geral
Ainda bem que esse mês chegou ao fim. Aconteceu tanto diruim nessas férias que eu estou até bem felizinha e animada para voltar ao trabalho e às aulas, na próxima segunda feira, dia 3 de agosto. Tenho ainda mais dois dias de repouso depois de uma crise de coluna --tendinite do psoas -- que me levou ao hospital na semana passada. Descobri agora que a dor nessa cadeia muscular do psoas-ilíaco é páreo duro para a dor do trigêmeo. Quem mandou exagerar no carregamento de pêsos. Voilà.
Para encerrar comme-il faut o maledito mês de julho, recebí hoje, dia 30, pelo correio, uma multa do DETRAN, assim especificada: Capitulação 1 - Gravíssima. Infração 605-0 -- Avançar o sinal vermelho do semaforo ou o da parada obrigatória. Multa: R$ 191,54. Data da infração: dia 11 de julho às 15hs36.
Detalhe considerável, eu capitulei nessa exatamente no dia em que eu deveria estar nos States, na N.Y.U. -- abertura do Festival de Performance e Politica das Américas. Apesar dos preparativos todos, acabei não viajando por vários motivos, e o principal deles, pela demora do visto. Portanto, essa "Capitulação 1- gravíssima" é uma sabotagem interna para analista nenhum botar defeito. Às vezes, eu tenho medo do meu inconsciente. Se não prestar atenção nos sinais desse danado, de capitulação em capitulação, a gente só si damos mal...
Ainda bem que esse mês chegou ao fim. Aconteceu tanto diruim nessas férias que eu estou até bem felizinha e animada para voltar ao trabalho e às aulas, na próxima segunda feira, dia 3 de agosto. Tenho ainda mais dois dias de repouso depois de uma crise de coluna --tendinite do psoas -- que me levou ao hospital na semana passada. Descobri agora que a dor nessa cadeia muscular do psoas-ilíaco é páreo duro para a dor do trigêmeo. Quem mandou exagerar no carregamento de pêsos. Voilà.
Para encerrar comme-il faut o maledito mês de julho, recebí hoje, dia 30, pelo correio, uma multa do DETRAN, assim especificada: Capitulação 1 - Gravíssima. Infração 605-0 -- Avançar o sinal vermelho do semaforo ou o da parada obrigatória. Multa: R$ 191,54. Data da infração: dia 11 de julho às 15hs36.
Detalhe considerável, eu capitulei nessa exatamente no dia em que eu deveria estar nos States, na N.Y.U. -- abertura do Festival de Performance e Politica das Américas. Apesar dos preparativos todos, acabei não viajando por vários motivos, e o principal deles, pela demora do visto. Portanto, essa "Capitulação 1- gravíssima" é uma sabotagem interna para analista nenhum botar defeito. Às vezes, eu tenho medo do meu inconsciente. Se não prestar atenção nos sinais desse danado, de capitulação em capitulação, a gente só si damos mal...
20.7.03
ENQUANTO HOUVER AMIZADE
Pode ser que um dia deixemos de nos falar.
Mas, enquanto houver amizade,
faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas, se a amizade permanecer,
um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos.
Mas, se formos amigos de verdade,
a amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos.
Mas, se ainda sobrar amizade,
nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe.
Mas, com a amizade
construiremos tudo novamente,
cada vez de forma diferente,
sendo único e inesquecível cada momento
que juntos viveremos e
lembraremos pra sempre.
Há duas formas de viver sua vida.
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre...
(Albert Einstein 1879-1955)
Pode ser que um dia deixemos de nos falar.
Mas, enquanto houver amizade,
faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas, se a amizade permanecer,
um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos.
Mas, se formos amigos de verdade,
a amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos.
Mas, se ainda sobrar amizade,
nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe.
Mas, com a amizade
construiremos tudo novamente,
cada vez de forma diferente,
sendo único e inesquecível cada momento
que juntos viveremos e
lembraremos pra sempre.
Há duas formas de viver sua vida.
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre...
(Albert Einstein 1879-1955)
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