As rosas até falam...
Passei o findi em Teresopolis, e a rosa continúa aqui no vaso como testemunha de coisas belas dessa louca vida da gente. Olhando para ela, agradeço à vida na beleza rara de um homem, que num gesto delicado e gentil teve a audácia e a coragem suficiente para oferecer essa rosa a uma mulher que nunca vira na sua vida: eu. Un homme e une femme. Ç'est tout.
As artes e as manhas de uma atriz. Na blogosfera desde março de 2001. Os arquivos esperam a sua visita.
1.6.03
30.5.03
O rapaz da rosa
Uma linda rosa, de cor rosa pálida, está embelezando a minha casa, e colorindo a minha vida. Presente de um moço desconhecido. Ontem á tardinha na Avenida Presidente Vargas, um grupo de animados jovens estava parado na portaria de um prédio. Um deles, com uma linda rosa na mão despertou a minha atenção. Quando vou passando bem perto deles, não pude deixar de olhar para o jovem e para a rosa na sua mão. Nossos olhares se encontram, ele dá uns passos, pára na minha frente, faz o gesto de oferecer a rosa, e, tìmidamente manda aquele conhecido texto:
-- Uma flor para outra flor.
Eu, atônita, não sabia se aceitava, se agradecia ou fazia o quê. Sou tímida e retardada. Fiquei parada à sua frente, completamente abobalhada. Refeita do espanto, relutei para aceitar o presente tão inusitado porque pensei logo que podia ser uma rosa com algum pózinho daqueles para espirrar, ou sei lá o quê. Os colegas do rapaz, em silêncio, assistiam atentos à cena. E, ele ao ver a minha reação me olhou com um olhar tão triste e decepcionado que ao vê-lo assim fiquei comovida, peguei a rosa, agradecí enfática com o meu melhor sorriso. E antes de qualquer outro gesto da minha parte, ele se afastou sem dizer mais nada, indo juntar-se aos outros. E nesse momento, todos eles saem andando em direção contrária à minha. Estupefactada, saí andando, continuando o meu caminho, sem nem olhar prá trás. Tudo muito rápido, emocionante e marcante.
Uma linda rosa, de cor rosa pálida, está embelezando a minha casa, e colorindo a minha vida. Presente de um moço desconhecido. Ontem á tardinha na Avenida Presidente Vargas, um grupo de animados jovens estava parado na portaria de um prédio. Um deles, com uma linda rosa na mão despertou a minha atenção. Quando vou passando bem perto deles, não pude deixar de olhar para o jovem e para a rosa na sua mão. Nossos olhares se encontram, ele dá uns passos, pára na minha frente, faz o gesto de oferecer a rosa, e, tìmidamente manda aquele conhecido texto:
-- Uma flor para outra flor.
Eu, atônita, não sabia se aceitava, se agradecia ou fazia o quê. Sou tímida e retardada. Fiquei parada à sua frente, completamente abobalhada. Refeita do espanto, relutei para aceitar o presente tão inusitado porque pensei logo que podia ser uma rosa com algum pózinho daqueles para espirrar, ou sei lá o quê. Os colegas do rapaz, em silêncio, assistiam atentos à cena. E, ele ao ver a minha reação me olhou com um olhar tão triste e decepcionado que ao vê-lo assim fiquei comovida, peguei a rosa, agradecí enfática com o meu melhor sorriso. E antes de qualquer outro gesto da minha parte, ele se afastou sem dizer mais nada, indo juntar-se aos outros. E nesse momento, todos eles saem andando em direção contrária à minha. Estupefactada, saí andando, continuando o meu caminho, sem nem olhar prá trás. Tudo muito rápido, emocionante e marcante.
27.5.03
Et Eu Tu
Sabado às cinco horas já estavam esgotados os ingressos para os dois dias do show do ex-Titãs, Arnaldo Antunes e grupo, para o lançamento do seu livro de poemas "Et Eu Tu", no CCBB. Eu estava curiosa para ver a tal da performance porque eu quero entender o porquê dessa badalação toda em torno do Arrepiadinho Antunes. Eu não acho que o cara esteja com essa bola toda. Assistí em São Paulo o primeiro show-solo dele depois da separação do grupo, e detestei. Eu e meus amigos paulistas saimos desse show completamente irados -- no antigo e verdadeiro sentido dessa palavra.
Fiquei no foyer do CCBB onde o AAA (ele é bem bonitinho, apesar daqueles tufinhos arrepiadinhos de cabelo) estava autografando o livro, antes da performance no teatro do segundo andar. Compreensívelmente não tinha fila de autógrafos. Aos pouquinhos, ia chegando algum fã com dinheiro suficiente para comprar o livro pelo precinho antipático de cento e trinta e nove reais. Ficamos folheando o livro fingindo que íamos comprar. Deu vontade de comprar só pelas fotos e o projeto grafico -- belíssimos. Tinha um poema lá que falava no movimento dos pés e me amarrei nas fotos que ilustravam esse poema, interessantíssimas, com pés em movimento, como se fosse uma continuação do poema. Um pouco sobre o óbvio, mas muito belo.
Antonio Cícero, esse sim, um poetaço, desfilava faceiro pelo foyer empunhando o livro. E sem o livro nas mãos caminhava apressado, o irrequieto produtor musical Ezequiel Neves.
Caetaneando o próprio
Estou folheando "Et Eu Tu", e de repente, olho para o lado e vejo de costas, um rapaz magrinho de cabelos grisalhos (eu disse rapaz -- nem de perto parecia um senhor cincoentão), elegante e sòbriamente vestido com calça cinza de listras fininhas, camisa de mangas compridas cinza clara e uma sueter de lã preta jogada nos ombros, sendo assediado por umas cinco ou seis mocinhas e uma outra fotografando freneticamente a cena. Era ele, o belo Caetano. Dava para sentir pela sua expressão corporal que ele estava louco para sair daquela, quando a fotógrafa correu e deu a maquina para uma das intrépidas, a tempo de ser fotograda junto dele. Livre das moças, caminha apressado e vai para um cantinho daqueles ali do foyer onde outras pessoas o aguardavam. Logo depois, foi embora e não me deu a chance de ir caetanear o próprio -- de perto.
Caetaneando o que há de bom na música para crianças: Paulo Tatit e Sandra Peres
Meninos, eu vi sabado às 15 hs. no CCBB o show de lançamento da coleção Siricutico, "Pindorama e O Rato" que conta e canta histórias infantís com a apresentação das músicas ao vivo pelos autores desse projeto: Paulo Tatit e Sandra Peres. Aproveitei comprei três discos que faltavam para a minha coleção.
Quem vai gostar desse lance é o meu querido vizinho blogueiro, o Ale Boechat. Viu, Ale ganhei autógrafo e tudo.
Caetaneando os provectos do Teatro de Anônimo
Depois dos agitos musicais, fui para a Rua do Mercado, ali atrás do CCBB, pra ver os meus colegas circenses, os Valdevinos de Oliveira numa apresentação para crianças. E á noite no mesmo local a peça circense Tomara que não chova. Não choveu e depois do espetáculo rolou um grande baile. Bom demais. A festa acabou ontem (domingo). O circo móvel de propriedade do provecto grupo cômico Teatro de Anônimo, in comemoração aos 15 anos de persistência desses intrépidos jovens, fica guardado para a próxima apresentação. Sabe-se lá quando. Quem não foi se arrependerá pra sempre.
Sabado às cinco horas já estavam esgotados os ingressos para os dois dias do show do ex-Titãs, Arnaldo Antunes e grupo, para o lançamento do seu livro de poemas "Et Eu Tu", no CCBB. Eu estava curiosa para ver a tal da performance porque eu quero entender o porquê dessa badalação toda em torno do Arrepiadinho Antunes. Eu não acho que o cara esteja com essa bola toda. Assistí em São Paulo o primeiro show-solo dele depois da separação do grupo, e detestei. Eu e meus amigos paulistas saimos desse show completamente irados -- no antigo e verdadeiro sentido dessa palavra.
Fiquei no foyer do CCBB onde o AAA (ele é bem bonitinho, apesar daqueles tufinhos arrepiadinhos de cabelo) estava autografando o livro, antes da performance no teatro do segundo andar. Compreensívelmente não tinha fila de autógrafos. Aos pouquinhos, ia chegando algum fã com dinheiro suficiente para comprar o livro pelo precinho antipático de cento e trinta e nove reais. Ficamos folheando o livro fingindo que íamos comprar. Deu vontade de comprar só pelas fotos e o projeto grafico -- belíssimos. Tinha um poema lá que falava no movimento dos pés e me amarrei nas fotos que ilustravam esse poema, interessantíssimas, com pés em movimento, como se fosse uma continuação do poema. Um pouco sobre o óbvio, mas muito belo.
Antonio Cícero, esse sim, um poetaço, desfilava faceiro pelo foyer empunhando o livro. E sem o livro nas mãos caminhava apressado, o irrequieto produtor musical Ezequiel Neves.
Caetaneando o próprio
Estou folheando "Et Eu Tu", e de repente, olho para o lado e vejo de costas, um rapaz magrinho de cabelos grisalhos (eu disse rapaz -- nem de perto parecia um senhor cincoentão), elegante e sòbriamente vestido com calça cinza de listras fininhas, camisa de mangas compridas cinza clara e uma sueter de lã preta jogada nos ombros, sendo assediado por umas cinco ou seis mocinhas e uma outra fotografando freneticamente a cena. Era ele, o belo Caetano. Dava para sentir pela sua expressão corporal que ele estava louco para sair daquela, quando a fotógrafa correu e deu a maquina para uma das intrépidas, a tempo de ser fotograda junto dele. Livre das moças, caminha apressado e vai para um cantinho daqueles ali do foyer onde outras pessoas o aguardavam. Logo depois, foi embora e não me deu a chance de ir caetanear o próprio -- de perto.
Caetaneando o que há de bom na música para crianças: Paulo Tatit e Sandra Peres
Meninos, eu vi sabado às 15 hs. no CCBB o show de lançamento da coleção Siricutico, "Pindorama e O Rato" que conta e canta histórias infantís com a apresentação das músicas ao vivo pelos autores desse projeto: Paulo Tatit e Sandra Peres. Aproveitei comprei três discos que faltavam para a minha coleção.
Quem vai gostar desse lance é o meu querido vizinho blogueiro, o Ale Boechat. Viu, Ale ganhei autógrafo e tudo.
Caetaneando os provectos do Teatro de Anônimo
Depois dos agitos musicais, fui para a Rua do Mercado, ali atrás do CCBB, pra ver os meus colegas circenses, os Valdevinos de Oliveira numa apresentação para crianças. E á noite no mesmo local a peça circense Tomara que não chova. Não choveu e depois do espetáculo rolou um grande baile. Bom demais. A festa acabou ontem (domingo). O circo móvel de propriedade do provecto grupo cômico Teatro de Anônimo, in comemoração aos 15 anos de persistência desses intrépidos jovens, fica guardado para a próxima apresentação. Sabe-se lá quando. Quem não foi se arrependerá pra sempre.
26.5.03
Chegando da náite, agora.
Blogando rapidinho para dar um alô àqueles amigos que passaram aqui e estranharam a falta de posts nessa semana. O Araken ( my computer) anda esquisito, o blogspot não funcionou durante dois dias na semana e eu estou atolada de coisas prá resolver na minha vida pessoal e fico sem tempo pra blogar. No mas tá tudo muito bem, a minha vida vai muito bem, obrigada, e a náite do Rio tá magnífica!
18.5.03
Para o bem de todos e felicidade geral da gALLera, foi prorrogada a temporada do Mercado do Riso por mais um final de semana! Um circo móvel (oop's! eu quis dizer removível (epa!) quero dizer montado e desmontado nos dias de espetáculo, na Rua do Mercado -- atrás do CCBB. Tudo de graça! É só alegria!
Detalhes aqui no Teatro ETC & Tal. Imperdível.
17.5.03
Haja paciência ...
< 1 > CLIENTE -- Tenho um grande problema. Um amigo meu colocou um screensaver no meu computador, mas a cada vez que mexo o mouse, ele desaparece!
< 2 > HELPDESK -- Em que posso ajudar?
CLIENTE -- Estou escrevendo o meu primeiro e-mail.
HELPDESK -- OK, qual é o problema?
CLIENTE -- Já fiz a letra "a", como é que se faz o círculozinho à volta dela?
< 3 > CLIENTE -- A Internet também abre aos domingos?
< 4 > HELPDESK -- Bom dia. Posso ajudar em alguma coisa ?
CLIENTE -- Eeh... Olá. Não consigo imprimir.
HELPDESK -- Pode clicar no 'start' e...?
CLIENTE -- Ouça lá. Não responda demasiado tecnicamente. Não sou o Bill Gates!
P.S. O ator e diretor teatral Airam Pinheiro que descobriu essas piadas de internautas.
< 1 > CLIENTE -- Tenho um grande problema. Um amigo meu colocou um screensaver no meu computador, mas a cada vez que mexo o mouse, ele desaparece!
< 2 > HELPDESK -- Em que posso ajudar?
CLIENTE -- Estou escrevendo o meu primeiro e-mail.
HELPDESK -- OK, qual é o problema?
CLIENTE -- Já fiz a letra "a", como é que se faz o círculozinho à volta dela?
< 3 > CLIENTE -- A Internet também abre aos domingos?
< 4 > HELPDESK -- Bom dia. Posso ajudar em alguma coisa ?
CLIENTE -- Eeh... Olá. Não consigo imprimir.
HELPDESK -- Pode clicar no 'start' e...?
CLIENTE -- Ouça lá. Não responda demasiado tecnicamente. Não sou o Bill Gates!
P.S. O ator e diretor teatral Airam Pinheiro que descobriu essas piadas de internautas.
15.5.03
Aqui no blog de artes cênicas um interessante depoimento de um ator, autor e professor de interpretação que foi fazer um curso de teatro em Moscou.
14.5.03
Ainda em Ipanema...
< 5 > O que me levou a sair da Vila Isabel num chuvoso e nublado sabado pela manhã e ir parar em Ipanema? Adivinha o quê ! Comprar uma sandalia de plataforma. Sou louca por sapatos. Uma atriz do meu grupo de estudos apareceu com uma sandalia lindona comprada numa loja em Ipanema. E é claro que eu corrí atrás.
< 6 > Chegada à loja o primeiro espanto: era uma loja teen. Estranhezas da parte dos balconistas com aquela cliente inesperada. Roupas nem pensar -- blusinhas, sainhas super curtinhas, nada a ver comigo, mas os sapatos, sandalias e tenis dava para encarar todos. Podia usar qualquer um, sem êrro. Experimentei tudo o que eu tinha direito, e ia comprar só uma sandalia de plataforma e acabei comprando também um sapato vermelho cereja, lindo, de salto com plataforma de madeira canela altíssimo e confortável , mas apertava no peito do pé. Como não tinha outro número, nem outro modelo parecido e não havia possibilidades de chegar na loja outro igual, comprei assim mesmo. Já está no sapateiro para colocar na fôrma para alargar. Saí da loja, feliz da vida, me achando, calçando a linda sandalia preta de plataforma, lembrando aqueles sapatos da Maga Patologica. Um luxo.
< 7> Quando estou naquela faina dentro da loja, entra um menino de uns 14 ou 15 anos no máximo, franzino, com aquela aparência bem pobrezinha, rasgadinho, sadalias havaianas, bem ao gôsto teen-age. Para os menos avisados, podia fàcilmente ser confundido com aqueles menininhos pedintes lá da esquina. Uma figura óbvia o acompanhava e ficou postado na porta da loja: o seu segurança particular -- um negão armário, e com um carão daqueles de assustar. Ele cismou comigo, e não parava de me olhar. Será que me achou com cara de Vilma?
< 8 > Eu não consigo entender porque os seguranças particulares têm todos, o mesmo figurino, aquele indefectível terno azul marinho ou preto, o mesmo tipo físíco e a mesma expressão corporal. E os seguranças de ruas, de lojas, são outros modelitos ridículos com aquelas camisetas escritas "apoio". Aqui na minha rua tem essas figuras. Eu tenho medo deles. Sério.
< 9 > Estava na esquina esperando abrir o sinal da Pça. N. S. da Paz com a Joana Angelica, e ao meu lado, um menininho pedinte de uns sete ou oito anos. Ele, num tom de gente grande, irritado falava à sua irmã um pouco mais velha, e apontava para uma senhora que estava andando do outro lado da rua "é aquela lá, aquela de blusa branca, viu o que ela falou pra mim, viu, eu pego ela, eu marquei ela".
< 10 > Descobri do outro lado da Praça N.S. da Paz o Bistrô de Livros e Restaurante. Preciso voltar lá com calma. O restaurante tem um cardapio bem light e preços convidativos. É a metade do prêço do restaurante do Zé Hugo Celidonio, o Gourmet, quasi ao lado, e que cobra o dôbro do prêço pelos mesmos pratos.
*******
Eu aqui blogando feliz da vida até essas horas da madruga, como se não tivesse que estar acordada e bem desperta às sete da matina para enfrentar um dia de trabalho. Hoje é dia de aulas individuais. Isso significa atendimento dos casos mais comprometidos e complicados. Qualquer vacilo da minha parte pode ter consequencias nem sempre previsíveis. Voilà. Au revoir mes enfants.
< 5 > O que me levou a sair da Vila Isabel num chuvoso e nublado sabado pela manhã e ir parar em Ipanema? Adivinha o quê ! Comprar uma sandalia de plataforma. Sou louca por sapatos. Uma atriz do meu grupo de estudos apareceu com uma sandalia lindona comprada numa loja em Ipanema. E é claro que eu corrí atrás.
< 6 > Chegada à loja o primeiro espanto: era uma loja teen. Estranhezas da parte dos balconistas com aquela cliente inesperada. Roupas nem pensar -- blusinhas, sainhas super curtinhas, nada a ver comigo, mas os sapatos, sandalias e tenis dava para encarar todos. Podia usar qualquer um, sem êrro. Experimentei tudo o que eu tinha direito, e ia comprar só uma sandalia de plataforma e acabei comprando também um sapato vermelho cereja, lindo, de salto com plataforma de madeira canela altíssimo e confortável , mas apertava no peito do pé. Como não tinha outro número, nem outro modelo parecido e não havia possibilidades de chegar na loja outro igual, comprei assim mesmo. Já está no sapateiro para colocar na fôrma para alargar. Saí da loja, feliz da vida, me achando, calçando a linda sandalia preta de plataforma, lembrando aqueles sapatos da Maga Patologica. Um luxo.
< 7> Quando estou naquela faina dentro da loja, entra um menino de uns 14 ou 15 anos no máximo, franzino, com aquela aparência bem pobrezinha, rasgadinho, sadalias havaianas, bem ao gôsto teen-age. Para os menos avisados, podia fàcilmente ser confundido com aqueles menininhos pedintes lá da esquina. Uma figura óbvia o acompanhava e ficou postado na porta da loja: o seu segurança particular -- um negão armário, e com um carão daqueles de assustar. Ele cismou comigo, e não parava de me olhar. Será que me achou com cara de Vilma?
< 8 > Eu não consigo entender porque os seguranças particulares têm todos, o mesmo figurino, aquele indefectível terno azul marinho ou preto, o mesmo tipo físíco e a mesma expressão corporal. E os seguranças de ruas, de lojas, são outros modelitos ridículos com aquelas camisetas escritas "apoio". Aqui na minha rua tem essas figuras. Eu tenho medo deles. Sério.
< 9 > Estava na esquina esperando abrir o sinal da Pça. N. S. da Paz com a Joana Angelica, e ao meu lado, um menininho pedinte de uns sete ou oito anos. Ele, num tom de gente grande, irritado falava à sua irmã um pouco mais velha, e apontava para uma senhora que estava andando do outro lado da rua "é aquela lá, aquela de blusa branca, viu o que ela falou pra mim, viu, eu pego ela, eu marquei ela".
< 10 > Descobri do outro lado da Praça N.S. da Paz o Bistrô de Livros e Restaurante. Preciso voltar lá com calma. O restaurante tem um cardapio bem light e preços convidativos. É a metade do prêço do restaurante do Zé Hugo Celidonio, o Gourmet, quasi ao lado, e que cobra o dôbro do prêço pelos mesmos pratos.
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Eu aqui blogando feliz da vida até essas horas da madruga, como se não tivesse que estar acordada e bem desperta às sete da matina para enfrentar um dia de trabalho. Hoje é dia de aulas individuais. Isso significa atendimento dos casos mais comprometidos e complicados. Qualquer vacilo da minha parte pode ter consequencias nem sempre previsíveis. Voilà. Au revoir mes enfants.
11.5.03
Primeiro show do CAIXA 3!!!
Estou aproveitando aqui o espaço da minha tia Ruth para informar que dia 24 de maio será a estréia da minha banda nos palcos.
O show será no Colégio Pedro II do Humaitá, que fica na rua Humaitá, não sei que número, às 18:00h, e a entrada custa $ 5,00.
A banda será a primeira a se apresentar, pois vai ser no sarau do colégio. Para entrar na página da banda clique aqui.
Estou aproveitando aqui o espaço da minha tia Ruth para informar que dia 24 de maio será a estréia da minha banda nos palcos.
O show será no Colégio Pedro II do Humaitá, que fica na rua Humaitá, não sei que número, às 18:00h, e a entrada custa $ 5,00.
A banda será a primeira a se apresentar, pois vai ser no sarau do colégio. Para entrar na página da banda clique aqui.
Status de Ipanema -- um termômetro social do País?
< 1 > Ontem, pela manhã no bairro de Ipanema, na rua Visconde de Pirajá esquina com a Rua Maria Quiteria, uma mendiga balançando uma chave de carro nas mãos me pediu "quatro ou cinco reais para botar gasolina no carro".
Não dei nada, e ainda ousei pedir uma informação. E, ela informou erradamente por desconhecimento ou revanche. Quando voltei na mesma esquina ela continuava na sua faina, e com o mesmo texto.
< 2 > Algumas lojas chiquérrimas de uma galeria da Visconde de Pirajá, não têm banheiro para os clientes. O banheiro para a clientela fica na G1, no estacionamento. Estavam fechados, e ainda escapei por pouco de ser assaltada. Visualisei uma cabecinha se abaixando no meio dos carros, e corrí para o outro lado onde estavam algumas pessoas descendo dos carros. Esperávamos o elevador, e passa um segurança da área dando uma geral. O provável assaltante, a essas alturas, já teria descido as escadas próximas, e ganhado a rua.
< 3 > A quantidade de famílias inteiras de mendigos nas esquinas dessa área de Ipanema é alarmante. Pela agressividade, rebeldia, audácia e coragem expressas nesses corpos de adultos e crianças, e a minha leitura corporal dessas pessoas, me fez lembrar uma inesquecível discussão durante um papo na praia de Ipanema, no final dos anos oitenta. Durante horas -- coisa rara na praia, onde mais se joga papo fora -- entre alguns famosos cineastas e um pessoal de teatro, discutiamos justamente essa disparidade social. E as conclusões, à época, eram do tipo pode acontecer uma guerra civil, e vão invadir nossas casas aqui em Ipanema, Leblon ou qualquer outro lugar dessa city. Tóin!.
< 4 > Esse inesquecível papo e suas conclusões próximas dos dias atuais,
lembram do desespêro e da angustia que eu sentí, quando eu estava morando fóra, e os jornais de lá noticiavam a apresença do exército nas ruas do Rio. Na Europa, guerra é uma coisa seríssima, e a enfase dada a essa notícia parecia que aquele nosso papo de uma ensolarada tarde em Ipanema, tinha se concretizado. Jamais esquecerei da primeira página do Le Monde, estampando uma foto da passarela da Av. Brasil com soldados do exército fortemente armados. Sofrí um bocado, até conseguir telefonar para cá, e verificar que entre mortos e feridos todos estavam todos salvos, e o exército nas ruas, era uma medida preventiva pelas eleições para governador e presidente, em 1994.
< 1 > Ontem, pela manhã no bairro de Ipanema, na rua Visconde de Pirajá esquina com a Rua Maria Quiteria, uma mendiga balançando uma chave de carro nas mãos me pediu "quatro ou cinco reais para botar gasolina no carro".
Não dei nada, e ainda ousei pedir uma informação. E, ela informou erradamente por desconhecimento ou revanche. Quando voltei na mesma esquina ela continuava na sua faina, e com o mesmo texto.
< 2 > Algumas lojas chiquérrimas de uma galeria da Visconde de Pirajá, não têm banheiro para os clientes. O banheiro para a clientela fica na G1, no estacionamento. Estavam fechados, e ainda escapei por pouco de ser assaltada. Visualisei uma cabecinha se abaixando no meio dos carros, e corrí para o outro lado onde estavam algumas pessoas descendo dos carros. Esperávamos o elevador, e passa um segurança da área dando uma geral. O provável assaltante, a essas alturas, já teria descido as escadas próximas, e ganhado a rua.
< 3 > A quantidade de famílias inteiras de mendigos nas esquinas dessa área de Ipanema é alarmante. Pela agressividade, rebeldia, audácia e coragem expressas nesses corpos de adultos e crianças, e a minha leitura corporal dessas pessoas, me fez lembrar uma inesquecível discussão durante um papo na praia de Ipanema, no final dos anos oitenta. Durante horas -- coisa rara na praia, onde mais se joga papo fora -- entre alguns famosos cineastas e um pessoal de teatro, discutiamos justamente essa disparidade social. E as conclusões, à época, eram do tipo pode acontecer uma guerra civil, e vão invadir nossas casas aqui em Ipanema, Leblon ou qualquer outro lugar dessa city. Tóin!.
< 4 > Esse inesquecível papo e suas conclusões próximas dos dias atuais,
lembram do desespêro e da angustia que eu sentí, quando eu estava morando fóra, e os jornais de lá noticiavam a apresença do exército nas ruas do Rio. Na Europa, guerra é uma coisa seríssima, e a enfase dada a essa notícia parecia que aquele nosso papo de uma ensolarada tarde em Ipanema, tinha se concretizado. Jamais esquecerei da primeira página do Le Monde, estampando uma foto da passarela da Av. Brasil com soldados do exército fortemente armados. Sofrí um bocado, até conseguir telefonar para cá, e verificar que entre mortos e feridos todos estavam todos salvos, e o exército nas ruas, era uma medida preventiva pelas eleições para governador e presidente, em 1994.
8.5.03
Respeito é bom ...
Um ocidental estava colocando flores no túmulo de um parente quando viu um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Virou-se para o chinês e perguntou:
-- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?
E o chinês respondeu:
-- Sim, quando o seu vier cheirar as flores!
7.5.03
Até quando... ?
Hoje de manhã cedo indo para a reunião do meu grupo de estudos, passando em frente à Faculdade Estacio de Sá, e vendo a movimentação policial em toda a Rua do Bispo e adjacências, me veio uma imensa e dolorida tristeza. As lagrimas e um chôro brotando silenciosamente foram testemunhas do cotidiano violento da nossa cidade.
Agora está assim super policiado porque a mídia está em cima do lance. Mas tem muita coisa do cotidiano que nem sai nos jornais ou na TV. Por exemplo, na semana passada ficamos ilhados sem poder sair do prédio. Os primeiros que sairam voltaram com a notícia que o pessoal do Morro do Turano tinha descido para um protesto, e as ruas proximas estavam interditadas. O meu grupo de estudos se reúne numa fabrica desativada ali na Rua Gonçalves Ledo, no Rio Comprido. O que fazer? Uma hora da tarde. Ficamos ainda dando um tempo, esperando acalmar para depois descermos.
O Morro dos Macacos -- outra área de alto risco, fica em frente ao meu trampo. Na entrada e na saída neguinho se benze para entrar e sair vivo de lá. Quando me contaram esse fato, não levei a sério, cheguei até a pensar que fosse piada. Passei a acreditar no dia em que eu ví uma médica se benzendo contrita quando chegava à instituição. Desde então passei a observar e já vi desde funcionarios, os mais humildes aos mais graduados. E pasma pude observar também alguns cujo perfil em nenhum aspecto combinava com tal atitude.
Por puro pavor de bala perdida, uma das professoras de educação física se recusa a dar aula no pátio da instituição, e vive implorando empréstimo de salas desocupadas. Na semana passada ela veio pedir a nossa sala emprestada, pois não sei como descobrira que eu tenho um horário vago, por enquanto, às quartas pela manhã. No refeitório, à hora do almoço, eu fiquei sabendo através de outra colega, o porquê do seu procedimento. Ela não abre o jôgo, talvez por pudor, ou sei lá o que mais. Enquanto a coordenadoria não soluciona o problema, ela por conta própria faz a sua pesquisa, e se vira como pode. Mas no patio, ela não dá aula.
Por esses e outros fatos correlatos, esse ano, três colegas pediram demissão. No início do ano, uma psicologa e musicoterapeuta com quem eu trocava idéias e vinha aprendendo muito com ela pela sua experiência e sabedoria. No mês passado outra colega -- uma pedagoga que está fazendo uma tese de mestrado voltada à educação dos portadores de deficiência, e estávamos criando informalmente na instiuição, um grupo de estudos sob a sua coordenação. Ontem, na nossa reunião de trabalho, ficamos sabendo que uma das psicologas da TO (terapia ocupacional) também se demitira por motivos de saúde, disse a coordenadora, ao apresentar a sua substituta. Em off, ficamos sabendo o real motivo.
Conversando depois com a nova colega psicoterapeuta, fiquei sabendo que ela é recém formada, e contou que quando foi à insituição para sua primeira entrevista, quando o taxi se aproximava da rua, ela pediu ao motorista para dobrar a esquina, e ele foi taxativo: Nesta rua eu não entro. E só depois das explicações do motorista ela ficou sabendo que o seu (dela) primeiro trabalho estava localizado numa área de alto risco.
Hoje de manhã cedo indo para a reunião do meu grupo de estudos, passando em frente à Faculdade Estacio de Sá, e vendo a movimentação policial em toda a Rua do Bispo e adjacências, me veio uma imensa e dolorida tristeza. As lagrimas e um chôro brotando silenciosamente foram testemunhas do cotidiano violento da nossa cidade.
Agora está assim super policiado porque a mídia está em cima do lance. Mas tem muita coisa do cotidiano que nem sai nos jornais ou na TV. Por exemplo, na semana passada ficamos ilhados sem poder sair do prédio. Os primeiros que sairam voltaram com a notícia que o pessoal do Morro do Turano tinha descido para um protesto, e as ruas proximas estavam interditadas. O meu grupo de estudos se reúne numa fabrica desativada ali na Rua Gonçalves Ledo, no Rio Comprido. O que fazer? Uma hora da tarde. Ficamos ainda dando um tempo, esperando acalmar para depois descermos.
O Morro dos Macacos -- outra área de alto risco, fica em frente ao meu trampo. Na entrada e na saída neguinho se benze para entrar e sair vivo de lá. Quando me contaram esse fato, não levei a sério, cheguei até a pensar que fosse piada. Passei a acreditar no dia em que eu ví uma médica se benzendo contrita quando chegava à instituição. Desde então passei a observar e já vi desde funcionarios, os mais humildes aos mais graduados. E pasma pude observar também alguns cujo perfil em nenhum aspecto combinava com tal atitude.
Por puro pavor de bala perdida, uma das professoras de educação física se recusa a dar aula no pátio da instituição, e vive implorando empréstimo de salas desocupadas. Na semana passada ela veio pedir a nossa sala emprestada, pois não sei como descobrira que eu tenho um horário vago, por enquanto, às quartas pela manhã. No refeitório, à hora do almoço, eu fiquei sabendo através de outra colega, o porquê do seu procedimento. Ela não abre o jôgo, talvez por pudor, ou sei lá o que mais. Enquanto a coordenadoria não soluciona o problema, ela por conta própria faz a sua pesquisa, e se vira como pode. Mas no patio, ela não dá aula.
Por esses e outros fatos correlatos, esse ano, três colegas pediram demissão. No início do ano, uma psicologa e musicoterapeuta com quem eu trocava idéias e vinha aprendendo muito com ela pela sua experiência e sabedoria. No mês passado outra colega -- uma pedagoga que está fazendo uma tese de mestrado voltada à educação dos portadores de deficiência, e estávamos criando informalmente na instiuição, um grupo de estudos sob a sua coordenação. Ontem, na nossa reunião de trabalho, ficamos sabendo que uma das psicologas da TO (terapia ocupacional) também se demitira por motivos de saúde, disse a coordenadora, ao apresentar a sua substituta. Em off, ficamos sabendo o real motivo.
Conversando depois com a nova colega psicoterapeuta, fiquei sabendo que ela é recém formada, e contou que quando foi à insituição para sua primeira entrevista, quando o taxi se aproximava da rua, ela pediu ao motorista para dobrar a esquina, e ele foi taxativo: Nesta rua eu não entro. E só depois das explicações do motorista ela ficou sabendo que o seu (dela) primeiro trabalho estava localizado numa área de alto risco.
4.5.03
Catarroverde -- um blog transparente
Sergio Faria manda lá no melhor estilo bufo com todas as bufonnéries, a que tem direito, brincando com as nossas ambiguidades, parodía significativamente fatos, situações do cotidiano, acontecimentos politicos -- foi o Catarroverde que detonou o famoso caso do plágio do discurso de renúncia do ACM. Faz paródia até mesmo da sua própria pessoa, revelando assim a dualidade de todo ser, ou seja a face do bufão que existe em cada um. E assim mostrando uma outra face da nossa realidade, ele vai dando o seu recado com muita manha e arte. E sem se perder na trilha, ele passa do personagem bufo ao do lord inglês com a maior desenvoltura, competência e bom humor. Um mestre.
Hoje eu sou uma admiradora incondicional do Catarroverde, mas nem sempre foi assim. E já houve um tempo em que eu ousei reclamar dos posts quando ele com a maior liberdade, carregava nas suas boufonnéries, falando de índios, anões e outros excluídos A primeira vez, depois de pensar e repensar alguns dias, pois tinha medo de levar um fora daqueles ao seu melhor estilo, mandei um cuidadoso e-mail reclamando de um post sobre índios. E para minha surprêsa, ele respondeu. E ainda para completar, educadamente. Era a deixa para um segundo e-mail, dessa vez, à cause de um post sobre anão. Depois disso, encarnei a plantonista dos excluídos, e virei freguêsa de caderninho. Depois de algum tempo, ele chegou a comentar no Catarro, um desses e-mails com essas minhas investidas.
Acabamos ficando amigos. Trocamos idéias em alguns e-mails, e ele me deu alguns toques que foram úteis posteriormente, quando em busca da minha expressão artística fui estudar as técnicas do bufão. Hoje, reavaliando as minhas atitudes, eu penso que ele teve muita elegância, paciência e educação com a anta aqui. Um perfeito gentleman.
O Ator Transparente
Eu passei a ver o Catarroverde com um outro olhar, um ôlho mais límpido, a partir do curso O ATOR TRANSPARENTE, no Nucleo de Pesquisa do Ator, da UNIRIO, realizado durante todo o ano passado. Antes disso, eu vinha de um trabalho de três anos com o Mestre Dácio Lima, O jôgo do clown no trabalho do ator, o qual foi interrompido com o seu trágico desaparecimento em janeiro do ano passado. Fiquei perdidona, ia jogar tudo fora, parei com as aulas de flauta, com tudo, até esse curso na UNIRIO.
Para chegar à transparência do ator -- a verdade do jôgo do ator, fizemos uso das técnicas do bufão e do clown. No bufão, trabalhamos as três máscaras bufas: o anão, o corcunda e o barrigudo, na busca do nosso inconsciente, o lado animal, cruel. E no estudo do clown trabalhamos a leveza da criança -- o resgate da nossa criança. E a parte teórica foi embasada por filosofos como Foucault, Adorno, entre outros, passando pelas teorias psicanalíticas de Jung, Lacan, Freud, e o teatro de Dario Fo, Jerzy Grotowski, Peter Brook, etc.
O bufão rejeitado ou condenado simboliza uma parada na nossa evolução ascendente,
diz o séríssimo filosofo Adorno. O bufão trabalha com a poética das sombras, brinca com as nossas ambiguidades -- eu sou delicada, e sou escrota. E, para quem reclamava dos pots do Catarro, me imaginem fazendo um personagem bufo -- uma anã com cotocos de braços, completamente feroz, primitiva, e das mais escatologicas, mandando ver todas. Foi um trabalho difícil em todos os níveis, a começar pelo complicado uso corporal, além de assumir o meu lado grotesco e mais o meu lado negro -- o prazer na crueldade. E, não tinha escôlha, ou assumia esse outro lado, ou desistia de tudo. Um trabalho difícil e dolorido, e a partir dele, mudei muitos dos meus valores, e esse post em homenagem ao Sergio Faria é uma prova disso.
Sergio Faria manda lá no melhor estilo bufo com todas as bufonnéries, a que tem direito, brincando com as nossas ambiguidades, parodía significativamente fatos, situações do cotidiano, acontecimentos politicos -- foi o Catarroverde que detonou o famoso caso do plágio do discurso de renúncia do ACM. Faz paródia até mesmo da sua própria pessoa, revelando assim a dualidade de todo ser, ou seja a face do bufão que existe em cada um. E assim mostrando uma outra face da nossa realidade, ele vai dando o seu recado com muita manha e arte. E sem se perder na trilha, ele passa do personagem bufo ao do lord inglês com a maior desenvoltura, competência e bom humor. Um mestre.
Hoje eu sou uma admiradora incondicional do Catarroverde, mas nem sempre foi assim. E já houve um tempo em que eu ousei reclamar dos posts quando ele com a maior liberdade, carregava nas suas boufonnéries, falando de índios, anões e outros excluídos A primeira vez, depois de pensar e repensar alguns dias, pois tinha medo de levar um fora daqueles ao seu melhor estilo, mandei um cuidadoso e-mail reclamando de um post sobre índios. E para minha surprêsa, ele respondeu. E ainda para completar, educadamente. Era a deixa para um segundo e-mail, dessa vez, à cause de um post sobre anão. Depois disso, encarnei a plantonista dos excluídos, e virei freguêsa de caderninho. Depois de algum tempo, ele chegou a comentar no Catarro, um desses e-mails com essas minhas investidas.
Acabamos ficando amigos. Trocamos idéias em alguns e-mails, e ele me deu alguns toques que foram úteis posteriormente, quando em busca da minha expressão artística fui estudar as técnicas do bufão. Hoje, reavaliando as minhas atitudes, eu penso que ele teve muita elegância, paciência e educação com a anta aqui. Um perfeito gentleman.
O Ator Transparente
Eu passei a ver o Catarroverde com um outro olhar, um ôlho mais límpido, a partir do curso O ATOR TRANSPARENTE, no Nucleo de Pesquisa do Ator, da UNIRIO, realizado durante todo o ano passado. Antes disso, eu vinha de um trabalho de três anos com o Mestre Dácio Lima, O jôgo do clown no trabalho do ator, o qual foi interrompido com o seu trágico desaparecimento em janeiro do ano passado. Fiquei perdidona, ia jogar tudo fora, parei com as aulas de flauta, com tudo, até esse curso na UNIRIO.
Para chegar à transparência do ator -- a verdade do jôgo do ator, fizemos uso das técnicas do bufão e do clown. No bufão, trabalhamos as três máscaras bufas: o anão, o corcunda e o barrigudo, na busca do nosso inconsciente, o lado animal, cruel. E no estudo do clown trabalhamos a leveza da criança -- o resgate da nossa criança. E a parte teórica foi embasada por filosofos como Foucault, Adorno, entre outros, passando pelas teorias psicanalíticas de Jung, Lacan, Freud, e o teatro de Dario Fo, Jerzy Grotowski, Peter Brook, etc.
O bufão rejeitado ou condenado simboliza uma parada na nossa evolução ascendente,
diz o séríssimo filosofo Adorno. O bufão trabalha com a poética das sombras, brinca com as nossas ambiguidades -- eu sou delicada, e sou escrota. E, para quem reclamava dos pots do Catarro, me imaginem fazendo um personagem bufo -- uma anã com cotocos de braços, completamente feroz, primitiva, e das mais escatologicas, mandando ver todas. Foi um trabalho difícil em todos os níveis, a começar pelo complicado uso corporal, além de assumir o meu lado grotesco e mais o meu lado negro -- o prazer na crueldade. E, não tinha escôlha, ou assumia esse outro lado, ou desistia de tudo. Um trabalho difícil e dolorido, e a partir dele, mudei muitos dos meus valores, e esse post em homenagem ao Sergio Faria é uma prova disso.
3.5.03
1% para a cultura
ORÇAMENTO MÍNIMO E OBRIGATÓRIO POR LEI!
1% do orçamento federal, estadual, municipal para a cultura significa
mais trabalho para a classe artística.
E a festa da mobilização continúa hoje no Teatro Cacilda Becker -- das 19 hs em diante. Além de teatro, poesia, música, hoje tem uma Grande Jam comandada pelo ótimo DJ Felipe Rocha do grupo musical Miss Guanabara, e o Gustavo Ciríaco -- esse último colega colega lá da Angel e bailarino integrante do Duo Ikswalsinats. Imperdível. Tô indo agora para o Cacilda. Inté lá. Detalhes aqui.
ORÇAMENTO MÍNIMO E OBRIGATÓRIO POR LEI!
1% do orçamento federal, estadual, municipal para a cultura significa
mais trabalho para a classe artística.
E a festa da mobilização continúa hoje no Teatro Cacilda Becker -- das 19 hs em diante. Além de teatro, poesia, música, hoje tem uma Grande Jam comandada pelo ótimo DJ Felipe Rocha do grupo musical Miss Guanabara, e o Gustavo Ciríaco -- esse último colega colega lá da Angel e bailarino integrante do Duo Ikswalsinats. Imperdível. Tô indo agora para o Cacilda. Inté lá. Detalhes aqui.
2.5.03
Você vive de que? Mais trabalho para a classe artística. Dia do Trabalho -- Um dia de Arte
Acabando de chegar da festança lá do Teatro Cacilda Becker. Quasi quatro horas de espetáculo e o público lá, firme. Adoro ver teatro super lotado. Eu não conhecia alguns aertistas como o DJ Felipe Rocha e o seu grupo musical Miss Guanabara. Chacoalei o esqueleto animadérrima. Fiquei fã dos moços e do Eber e Wilson do Cabaré Pé Sujo. Demais. Encontrei gente que eu não via há um tempão. E adorei ver o poeta Chacal (saudades do Circo Voador, no Arpoador), comandando a festa. Hoje, sexta, tem as palhaças do grupo As Marias da Graça e um pessoal lá da escola -- Faculdade e Escola Angel Vianna, e outros maravilhosos artistas. Imperdível. Detalhes aqui no blog de artes cênicas, Teatro ETC & Tal.
Acabando de chegar da festança lá do Teatro Cacilda Becker. Quasi quatro horas de espetáculo e o público lá, firme. Adoro ver teatro super lotado. Eu não conhecia alguns aertistas como o DJ Felipe Rocha e o seu grupo musical Miss Guanabara. Chacoalei o esqueleto animadérrima. Fiquei fã dos moços e do Eber e Wilson do Cabaré Pé Sujo. Demais. Encontrei gente que eu não via há um tempão. E adorei ver o poeta Chacal (saudades do Circo Voador, no Arpoador), comandando a festa. Hoje, sexta, tem as palhaças do grupo As Marias da Graça e um pessoal lá da escola -- Faculdade e Escola Angel Vianna, e outros maravilhosos artistas. Imperdível. Detalhes aqui no blog de artes cênicas, Teatro ETC & Tal.
30.4.03
Hoje, Dia Nacional da Mulher
Mulher é, simplesmente, a criatura mais batuta que habita este planeta (sim, meus caros, é mais batuta que os ornitorrincos!). por este simples motivo, eu acho que ter um dia pra mulher é baboseira.
todos os dias devem ser pras mulheres.
tudo bem, eu admito. é meio brega falar isso hoje.
soa piegas e cheira perfume barato de gafieira, mas é o que eu sinto.
Essa beleza de post eu encontrei lá no blog do meu querido amigo blogueiro mineiro, o Caio Cesar.
Mulher é, simplesmente, a criatura mais batuta que habita este planeta (sim, meus caros, é mais batuta que os ornitorrincos!). por este simples motivo, eu acho que ter um dia pra mulher é baboseira.
todos os dias devem ser pras mulheres.
tudo bem, eu admito. é meio brega falar isso hoje.
soa piegas e cheira perfume barato de gafieira, mas é o que eu sinto.
Essa beleza de post eu encontrei lá no blog do meu querido amigo blogueiro mineiro, o Caio Cesar.
Uma Mulher
[Bruna Lombardi]
Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a
ver a aurora.
Nunca tinha lido nada da atriz e poetisa Bruna Lombardi. Adorei. Não fora por esse post do Mestre, não sei quando eu leria. Não é preconceito intelectual. Longe disso. Falta de oportunidade, tempo, ou sei mais lá o quê.
Hoje, 30 de abril, DIA NACIONAL DA MULHER, portanto esse post é uma homenagem a uma mulher e artista brasileira.
[Bruna Lombardi]
Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a
ver a aurora.
Nunca tinha lido nada da atriz e poetisa Bruna Lombardi. Adorei. Não fora por esse post do Mestre, não sei quando eu leria. Não é preconceito intelectual. Longe disso. Falta de oportunidade, tempo, ou sei mais lá o quê.
Hoje, 30 de abril, DIA NACIONAL DA MULHER, portanto esse post é uma homenagem a uma mulher e artista brasileira.
27.4.03
Toda força aos artistas de rua. Viva os malabaristas de cruzamentos. Na falta de grana, pede-se não regatear aplausos na janela do carro.
Assim falou o Sergio Faria do Catarro verde, -- um blog transparente.
Faço minhas as suas palavras, Mestre!
Assim falou o Sergio Faria do Catarro verde, -- um blog transparente.
Faço minhas as suas palavras, Mestre!
24.4.03
TVE homenageia Mauro Rasi
A TVE ( Rio) prestou uma homenagem ao jornalista e dramaturgo Mauro Rasi no dia de sua morte, reprisou o depoimento que ele deu ao programa A Verdade, no dia 19 de janeiro deste ano -- sua última grande entrevista em um programa de televisão.
Esse depoimento vai ser reprisado novamente na TVE (Rio), no próximo domingo dia 27, às 22,30hs.
A entrevista mostra toda a carga de humor que sempre caracterizou o dramaturgo, um dos precursores do teatro besteirol brasileiro e autor de sucessos como Estrela do Lar, Cerimônia do Adeus, Pérola, Batalha de arroz num ringue para dois, entre outras.
Segundo a assessoria de imprensa da rede de televisão, nada foge às observações sempre afiadas de Mauro, nem mesmo o apresentador Fernando Pamplona, a quem ele declara: "sempre tive medo de vir a esse programa, tinha medo da sua voz, essa coisa meio do além. Me sinto assim como num processo de Kafka versão Atlântida, com essa obrigação de ficar respondendo às perguntas. Muitas vezes a gente não tem a resposta" .
Entre as perguntas que o atemorizaram, Mauro elegeu a que tratava de sua inquietação sobre as dificuldades do teatro brasileiro: " essa é uma das tais perguntas que eu não sei responder. Se me perguntar sobre as minhas tias, meus cachorros, do meu abacateiro, sobre Bauru, daí eu sei responder", disse.
Deu no "Estadão" de 24/04/03
A TVE ( Rio) prestou uma homenagem ao jornalista e dramaturgo Mauro Rasi no dia de sua morte, reprisou o depoimento que ele deu ao programa A Verdade, no dia 19 de janeiro deste ano -- sua última grande entrevista em um programa de televisão.
Esse depoimento vai ser reprisado novamente na TVE (Rio), no próximo domingo dia 27, às 22,30hs.
A entrevista mostra toda a carga de humor que sempre caracterizou o dramaturgo, um dos precursores do teatro besteirol brasileiro e autor de sucessos como Estrela do Lar, Cerimônia do Adeus, Pérola, Batalha de arroz num ringue para dois, entre outras.
Segundo a assessoria de imprensa da rede de televisão, nada foge às observações sempre afiadas de Mauro, nem mesmo o apresentador Fernando Pamplona, a quem ele declara: "sempre tive medo de vir a esse programa, tinha medo da sua voz, essa coisa meio do além. Me sinto assim como num processo de Kafka versão Atlântida, com essa obrigação de ficar respondendo às perguntas. Muitas vezes a gente não tem a resposta" .
Entre as perguntas que o atemorizaram, Mauro elegeu a que tratava de sua inquietação sobre as dificuldades do teatro brasileiro: " essa é uma das tais perguntas que eu não sei responder. Se me perguntar sobre as minhas tias, meus cachorros, do meu abacateiro, sobre Bauru, daí eu sei responder", disse.
Deu no "Estadão" de 24/04/03
Se a minha empregada falasse... foi o lançamento do autor no Rio de Janeiro
O Mauro chegava ao Rio com uma carreira bem sucedida em São Paulo, com sucesso de crítica e de público. A Massagem que ganhou o Prêmio Anchieta, quando Mauro tinha apenas 21 anos. Essa peça foi montada logo depois pela atriz e produtora Ruth Escobar. Ladies da Madrugada com direção de Amir Hadad foi produzida pelo cantor Ney Matogrosso e interpretada pelo Patrício Bisso, entre outros, e se constituiu também num grande sucesso de público e de crítica.
E a sua estréia aqui no Rio, com Se a minha enpregada falasse..., teve uma recepção morna, os críticos receberam com certa reserva, o autor, um dos precursores do teatro besteirol, que chegava aqui premiado e prestigiado em São Paulo. Da minha parte, responsável pelo seu lançamento aqui no Rio, eu fiz de tudo e mais um pouco no meu trabalho. Claro, estávamos amigos de infância, e além de tudo, Mauro era um sedutor, e eu estava completamente seduzida pelo amigo maravilhoso que ele sabia ser, e pelo autor talentoso e competente.
Eu sempre acreditei no talento dele, e à época eu fiquei chocada com as críticas e achei que foram injustos com ele. E nunca esquecí o que ele falou pra mim na ocasião, e repetia sempre que eu me chateava com as críticas ao espetáculo:
Eu vou fazer o maior sucesso, serei um dos maiores... um dos maiores, não. Serei o maior autor, terei as maiores atrizes e atores desse País trabalhando nas minhas peças. Ah, um dia eu vou dirigir as minhas peças. Eu vou ser carregado no colo pelo público. E não vai ser o sucesso de uma peça só, serão vários sucessos, vou ganhar o Molière, o Governador do Estado, Estácio, todos os prêmios e troféus. Relaxa, fica fria, e me aguarde, Ruth Mezeck! Depois disso, ríamos muito, e até nos divertíamos com o tom das críticas e comentários sobre a peça. E, embora acreditasse no seu potencial, descontava o que eu achava que seriam os exagêros e delírios do Mauro.
Pois não é que o danadinho do Mauro trouxe para a real todos os seus sonhos e delírios. Ganhou todos os mais importantes prêmios de teatro do País (Molière, Mambembe, Anchieta, APETESP), trabalhou com Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Nathalia Timberg, Cleide Iaconis, Paulo Goulart, Sergio Brito, Sergio Mamberti, Vera Holtz, entre outros importantes atores. Quanto a ser carregado pelo público, parece-me que lá em Baurú quando ele voltou lá autor consagrado para apresentar Pérola, esse lance aconteceu na real. Se não foi lá, foi em outro lugar.
Da minha convivência com ele, ficou o grande aprendizado para a minha vida toda: é possível trazer o nosso sonho para a real, quando amamos e acreditamos naquilo que fazemos, e vamos á luta!
O Mauro chegava ao Rio com uma carreira bem sucedida em São Paulo, com sucesso de crítica e de público. A Massagem que ganhou o Prêmio Anchieta, quando Mauro tinha apenas 21 anos. Essa peça foi montada logo depois pela atriz e produtora Ruth Escobar. Ladies da Madrugada com direção de Amir Hadad foi produzida pelo cantor Ney Matogrosso e interpretada pelo Patrício Bisso, entre outros, e se constituiu também num grande sucesso de público e de crítica.
E a sua estréia aqui no Rio, com Se a minha enpregada falasse..., teve uma recepção morna, os críticos receberam com certa reserva, o autor, um dos precursores do teatro besteirol, que chegava aqui premiado e prestigiado em São Paulo. Da minha parte, responsável pelo seu lançamento aqui no Rio, eu fiz de tudo e mais um pouco no meu trabalho. Claro, estávamos amigos de infância, e além de tudo, Mauro era um sedutor, e eu estava completamente seduzida pelo amigo maravilhoso que ele sabia ser, e pelo autor talentoso e competente.
Eu sempre acreditei no talento dele, e à época eu fiquei chocada com as críticas e achei que foram injustos com ele. E nunca esquecí o que ele falou pra mim na ocasião, e repetia sempre que eu me chateava com as críticas ao espetáculo:
Eu vou fazer o maior sucesso, serei um dos maiores... um dos maiores, não. Serei o maior autor, terei as maiores atrizes e atores desse País trabalhando nas minhas peças. Ah, um dia eu vou dirigir as minhas peças. Eu vou ser carregado no colo pelo público. E não vai ser o sucesso de uma peça só, serão vários sucessos, vou ganhar o Molière, o Governador do Estado, Estácio, todos os prêmios e troféus. Relaxa, fica fria, e me aguarde, Ruth Mezeck! Depois disso, ríamos muito, e até nos divertíamos com o tom das críticas e comentários sobre a peça. E, embora acreditasse no seu potencial, descontava o que eu achava que seriam os exagêros e delírios do Mauro.
Pois não é que o danadinho do Mauro trouxe para a real todos os seus sonhos e delírios. Ganhou todos os mais importantes prêmios de teatro do País (Molière, Mambembe, Anchieta, APETESP), trabalhou com Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Nathalia Timberg, Cleide Iaconis, Paulo Goulart, Sergio Brito, Sergio Mamberti, Vera Holtz, entre outros importantes atores. Quanto a ser carregado pelo público, parece-me que lá em Baurú quando ele voltou lá autor consagrado para apresentar Pérola, esse lance aconteceu na real. Se não foi lá, foi em outro lugar.
Da minha convivência com ele, ficou o grande aprendizado para a minha vida toda: é possível trazer o nosso sonho para a real, quando amamos e acreditamos naquilo que fazemos, e vamos á luta!
23.4.03
A peça do Mauro Rasi que não foi mencionada por ninguém: SE A MINHA EMPREGADA FALASSE...
Se a minha empregada falasse, comédia em um ato interpretada pela atriz Thais Moniz Portinho, também figurinista e produtora do espetáculo, com a direção do Nelson Xavier, aquela época, recém chegado de uma temporada de estudos teatrais em Londres.
Cenários da Denise Weller.
A trilha sonora do Mauro Rasi e a execução da trilha Kaka Dyonisos ( brother Kaka do Asdrubal Trouxe o Trouxe o Trombone),
Fotos da peça e do cartaz: Ricardo Zoom ( brother Ricardo fotógrafo do Asdrubal Trouxe o Trombone). O Ricardo Zoom era o pseudônimo do atual diretor de nucleo da novelas da TV Globo, o RIcardo Wadington.
Iluminação - criação: Nelson Xavier
Produção executiva: Luiz Joseli
Divulgação e Promoção do espetáculo: Ruth Mezeck (brother La Mezeck assessora de imprensa e divulgadora do grupo Asdrubal Trouxe o Trombone)
Elenco: Thais Portinho (Ema), Ary Coslov, Nelson Xavier, Luiz Carlos Buruca, Jacqueline Laurence (vozes em gravação) e Sonia Claudia (Delizeth, a empregada).
Estreiou dia 5 de maio de 1978 no TEATRO DO MUSEU DE ARTE MODERNA - Sala Corpo-Som. ( O Teatro do MAM era administrado pelo Sidney Miller ).
Esse espetáculo fez temporada em São Paulo no Teatro Eugenio Kusnet e excursionou pelo País: Brasilia, Goiania, duas cidades do interior de Minas, e várias capitais do Nordeste, começando por Maceió, me lembrou a Thais Portinho por telefone.
Se a minha empregada falasse, comédia em um ato interpretada pela atriz Thais Moniz Portinho, também figurinista e produtora do espetáculo, com a direção do Nelson Xavier, aquela época, recém chegado de uma temporada de estudos teatrais em Londres.
Cenários da Denise Weller.
A trilha sonora do Mauro Rasi e a execução da trilha Kaka Dyonisos ( brother Kaka do Asdrubal Trouxe o Trouxe o Trombone),
Fotos da peça e do cartaz: Ricardo Zoom ( brother Ricardo fotógrafo do Asdrubal Trouxe o Trombone). O Ricardo Zoom era o pseudônimo do atual diretor de nucleo da novelas da TV Globo, o RIcardo Wadington.
Iluminação - criação: Nelson Xavier
Produção executiva: Luiz Joseli
Divulgação e Promoção do espetáculo: Ruth Mezeck (brother La Mezeck assessora de imprensa e divulgadora do grupo Asdrubal Trouxe o Trombone)
Elenco: Thais Portinho (Ema), Ary Coslov, Nelson Xavier, Luiz Carlos Buruca, Jacqueline Laurence (vozes em gravação) e Sonia Claudia (Delizeth, a empregada).
Estreiou dia 5 de maio de 1978 no TEATRO DO MUSEU DE ARTE MODERNA - Sala Corpo-Som. ( O Teatro do MAM era administrado pelo Sidney Miller ).
Esse espetáculo fez temporada em São Paulo no Teatro Eugenio Kusnet e excursionou pelo País: Brasilia, Goiania, duas cidades do interior de Minas, e várias capitais do Nordeste, começando por Maceió, me lembrou a Thais Portinho por telefone.
A homenagem do adeus para Mauro Rasi
Conhecí o Mauro Rasi no final dos anos setenta através da atriz Patricia Travassos, integrante do elenco de Trate-me Leão, o terceiro espetáculo do grupo Asdrubal Trouxe o Trombone. Estávamos numa festa em casa de amigos, e a Patricia que estava sem carro naquele dia, me convidou para irmos até o Cosme Velho para buscar um amigo dela, um paulista que estava morando no Rio. Era o Mauro Rasi.
Voltamos os três para a festa. Eu e o Mauro, calibradíssimos, com tudo o que tinhamos direito, muito alegrinhos e satisfeitos, fomos dos ultimos a sair dessa festa. E na saída, ao invés de nos dirigirmos para o meu carro, passamos por ele, e nem olhamos, como coisa que não tivesse nada a ver conosco, e continuamos andando, sem que nenhum de nós dois pronunciasse qualquer palavra. Nem precisava. Estávamos sintonizados na mesma onda, vibrávamos no mesmo diapasão, e a palavra era desnecessária, naquele momento.
E assim, silenciosos, ficamos andando de madrugada pelas ruas desertas de Ipanema pelo simples prazer de andar, sentindo o cheiro, os ruidos, os sons da madrugada, e curtindo a companhia um do outro, como se fossemos amigos de infância. Às vezes, ele acelerava e ia na frente, outras vezes, eu me adiantava, mas estávamos sempre juntos, e esse lance era um simples jôgo que estabelecemos para sacar a nossa ligação em determinados momentos.
Teve um gesto inesquecível do Mauro quando estávamos passando em frente a um muro com grossas grades de ferro, e daí ele levantou um braço e foi passando a mão espalmada por cada uma daquelas grades, produzindo um efeito sonoro. E assim como duas crianças -- livres, leves e soltas, continuamos o nosso passeio na madrugada, e quando nos demos conta já estavamos em pleno Canal, quasi chegando no Leblon. Dalí, voltamos no mesmo clima até a rua onde o meu fusquinha nos aguardava.
Esse nosso encontro originou uma bela amizade, nem longa e nem duradoura, mas muito intensa enquanto durou. E tanto, que algum tempo depois eu fui responsável pela divulgação e a promoção (promoter na linguagem atual ) da primeira peça do Mauro apresentada aqui no Rio -- um monólogo. A vida nos afastou, e há muito tempo que eu não via o Mauro, mas acompanhava a sua vida pelas notícias dos jornais. No meio teatral, acontece muito disso, a gente convive uma determinada época, em determinado trabalho e depois a gente se separa. A gente volta a se encontrar em outro trabalho, ou não.
Hoje, eu estou postando esse texto aqui com uma imensa tristeza e uma dolorida saudade do Mauro, tendo na minha memoria emotiva a imagem muito vívida daquele menino lindo e esperto do passeio naquela madrugada. Esse post, além de uma homenagem, é para dizer da importância da nossa convivência e da minha gratidão pelo quanto eu aprendí com ele.
Conhecí o Mauro Rasi no final dos anos setenta através da atriz Patricia Travassos, integrante do elenco de Trate-me Leão, o terceiro espetáculo do grupo Asdrubal Trouxe o Trombone. Estávamos numa festa em casa de amigos, e a Patricia que estava sem carro naquele dia, me convidou para irmos até o Cosme Velho para buscar um amigo dela, um paulista que estava morando no Rio. Era o Mauro Rasi.
Voltamos os três para a festa. Eu e o Mauro, calibradíssimos, com tudo o que tinhamos direito, muito alegrinhos e satisfeitos, fomos dos ultimos a sair dessa festa. E na saída, ao invés de nos dirigirmos para o meu carro, passamos por ele, e nem olhamos, como coisa que não tivesse nada a ver conosco, e continuamos andando, sem que nenhum de nós dois pronunciasse qualquer palavra. Nem precisava. Estávamos sintonizados na mesma onda, vibrávamos no mesmo diapasão, e a palavra era desnecessária, naquele momento.
E assim, silenciosos, ficamos andando de madrugada pelas ruas desertas de Ipanema pelo simples prazer de andar, sentindo o cheiro, os ruidos, os sons da madrugada, e curtindo a companhia um do outro, como se fossemos amigos de infância. Às vezes, ele acelerava e ia na frente, outras vezes, eu me adiantava, mas estávamos sempre juntos, e esse lance era um simples jôgo que estabelecemos para sacar a nossa ligação em determinados momentos.
Teve um gesto inesquecível do Mauro quando estávamos passando em frente a um muro com grossas grades de ferro, e daí ele levantou um braço e foi passando a mão espalmada por cada uma daquelas grades, produzindo um efeito sonoro. E assim como duas crianças -- livres, leves e soltas, continuamos o nosso passeio na madrugada, e quando nos demos conta já estavamos em pleno Canal, quasi chegando no Leblon. Dalí, voltamos no mesmo clima até a rua onde o meu fusquinha nos aguardava.
Esse nosso encontro originou uma bela amizade, nem longa e nem duradoura, mas muito intensa enquanto durou. E tanto, que algum tempo depois eu fui responsável pela divulgação e a promoção (promoter na linguagem atual ) da primeira peça do Mauro apresentada aqui no Rio -- um monólogo. A vida nos afastou, e há muito tempo que eu não via o Mauro, mas acompanhava a sua vida pelas notícias dos jornais. No meio teatral, acontece muito disso, a gente convive uma determinada época, em determinado trabalho e depois a gente se separa. A gente volta a se encontrar em outro trabalho, ou não.
Hoje, eu estou postando esse texto aqui com uma imensa tristeza e uma dolorida saudade do Mauro, tendo na minha memoria emotiva a imagem muito vívida daquele menino lindo e esperto do passeio naquela madrugada. Esse post, além de uma homenagem, é para dizer da importância da nossa convivência e da minha gratidão pelo quanto eu aprendí com ele.
20.4.03
A tese do coelho
Num dia lindo e ensolarado o coelho saiu de sua toca com o notebook e
pôs-se a trabalhar, bem concentrado.
Pouco depois passou por ali uma raposa, e viu aquele suculento coelhinho tão
distraído, que chegou a salivar. No entanto, ela ficou intrigada com a
atividade do coelho e aproximou-se, curiosa:
-- Coelhinho, o que você está fazendo aí, tão concentrado?
-- Estou redigindo a minha tese de doutorado, disse o coelho, sem tirar os
olhos do trabalho.
-- Hummmm... e qual é o tema da sua tese?
-- Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores
naturais das raposas. A raposa ficou indignada:
-- Ora!!! Isso é ridículo!!! Nós é que somos os predadores dos coelhos!
-- Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu te mostro minha prova
experimental.
O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois ouvem-se alguns
ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois... silêncio. Em
seguida, o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma aos trabalhos de sua
tese, como se nada tivesse acontecido.
Meia hora depois passa um lobo.
Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente à cadeia
alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também
acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda e resolve
então saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho:
--Olá, jovem coelhinho. O que o faz trabalhar tão arduamente?
-- Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há
algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores
naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos. O lobo não se
conteve com a petulância do coelho:
-- Ah! Ah! Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que
somos os genuínos predadores naturais dos coelhos.
-- Aliás, chega de conversa...
-- Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova
experimental. Você gostaria de acompanhar-me a minha toca? O lobo não
consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca adentro. Alguns
instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e...
silêncio.
Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível e volta ao trabalho de
redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensangüentados e
pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de
ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos.
Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem
alimentado, palitando os dentes.
MORAL DA HISTÓRIA:
1. Não importa quão absurdo seja o tema de sua tese;
2. Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico;
3. Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria;
4. Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos;
5. O que importa é "QUEM ESTÁ APOIANDO SUA TESE"...
( A Valéria Pinheiro do grupo de sapateado Valtaper do Ceará copiou do Fábio D'Afonsêca e eu copiei da Valéria).
Num dia lindo e ensolarado o coelho saiu de sua toca com o notebook e
pôs-se a trabalhar, bem concentrado.
Pouco depois passou por ali uma raposa, e viu aquele suculento coelhinho tão
distraído, que chegou a salivar. No entanto, ela ficou intrigada com a
atividade do coelho e aproximou-se, curiosa:
-- Coelhinho, o que você está fazendo aí, tão concentrado?
-- Estou redigindo a minha tese de doutorado, disse o coelho, sem tirar os
olhos do trabalho.
-- Hummmm... e qual é o tema da sua tese?
-- Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores
naturais das raposas. A raposa ficou indignada:
-- Ora!!! Isso é ridículo!!! Nós é que somos os predadores dos coelhos!
-- Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu te mostro minha prova
experimental.
O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois ouvem-se alguns
ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois... silêncio. Em
seguida, o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma aos trabalhos de sua
tese, como se nada tivesse acontecido.
Meia hora depois passa um lobo.
Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente à cadeia
alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também
acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda e resolve
então saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho:
--Olá, jovem coelhinho. O que o faz trabalhar tão arduamente?
-- Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há
algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores
naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos. O lobo não se
conteve com a petulância do coelho:
-- Ah! Ah! Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que
somos os genuínos predadores naturais dos coelhos.
-- Aliás, chega de conversa...
-- Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova
experimental. Você gostaria de acompanhar-me a minha toca? O lobo não
consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca adentro. Alguns
instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e...
silêncio.
Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível e volta ao trabalho de
redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido.
Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensangüentados e
pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de
ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos.
Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem
alimentado, palitando os dentes.
MORAL DA HISTÓRIA:
1. Não importa quão absurdo seja o tema de sua tese;
2. Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico;
3. Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria;
4. Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos;
5. O que importa é "QUEM ESTÁ APOIANDO SUA TESE"...
( A Valéria Pinheiro do grupo de sapateado Valtaper do Ceará copiou do Fábio D'Afonsêca e eu copiei da Valéria).
Dicas de programas
Para os baixinhos e altinhos oficinas de cerâmica, filme, contação de historia pelo índio da tribo umutina de Mato Grosso, o Antonio Uapodunepá. Digratis. Detalhes no blog de artes cênicas, o Teatro ETC & Tal.
Um espetáculo imperdível:Novas diretrizes em tempos de pazno Teatro do Leblon, é o encontro entre um funcionário do serviço de imigração e um polonês em busca do seu visto de permanência no Brasil ao fim da Segunda Guerra. Um delicado diálogo entre dois seres humanos solitários que necessitam da Arte para o resgate da sua humanidade.Toni Ramos e Dan Stulbach dão uma aula de teatro.
Cabaré, Café, Sarau Etc e Tal no Café do Teatro Glaucio Gil com a atriz Maria Pompeu e a cada semana um cantor músicos convidados. Um grande momento da carreira dessa atriz que sem o menor pudor faz uma restropectiva bem humorada da sua trajetoria artística contando e interpretando fatos e causos desconhecidos até dos seus amigos mais íntimos. O roteiro vai desde a sua infância, passando pela fase inicial no Duse aos 15 anos, teatro de revista, Certinha do Lalau, cinema, etc. até à contadora de histórias. E de quebra, o público escolhe os contos selecionados no programa de Drumond a Stanislaw Ponte Preta. O público adora o espetáculo e aplaude em cena aberta. Um trabalho digno e corajoso, merece uma ida ao Glaucio Gil para ver quantos cabarés, saraus, teatro, etc e tal são necessários para a sobrevivência de uma atriz brasileira em mais de quarenta anos de carreira.
Para os baixinhos e altinhos oficinas de cerâmica, filme, contação de historia pelo índio da tribo umutina de Mato Grosso, o Antonio Uapodunepá. Digratis. Detalhes no blog de artes cênicas, o Teatro ETC & Tal.
Um espetáculo imperdível:Novas diretrizes em tempos de pazno Teatro do Leblon, é o encontro entre um funcionário do serviço de imigração e um polonês em busca do seu visto de permanência no Brasil ao fim da Segunda Guerra. Um delicado diálogo entre dois seres humanos solitários que necessitam da Arte para o resgate da sua humanidade.Toni Ramos e Dan Stulbach dão uma aula de teatro.
Cabaré, Café, Sarau Etc e Tal no Café do Teatro Glaucio Gil com a atriz Maria Pompeu e a cada semana um cantor músicos convidados. Um grande momento da carreira dessa atriz que sem o menor pudor faz uma restropectiva bem humorada da sua trajetoria artística contando e interpretando fatos e causos desconhecidos até dos seus amigos mais íntimos. O roteiro vai desde a sua infância, passando pela fase inicial no Duse aos 15 anos, teatro de revista, Certinha do Lalau, cinema, etc. até à contadora de histórias. E de quebra, o público escolhe os contos selecionados no programa de Drumond a Stanislaw Ponte Preta. O público adora o espetáculo e aplaude em cena aberta. Um trabalho digno e corajoso, merece uma ida ao Glaucio Gil para ver quantos cabarés, saraus, teatro, etc e tal são necessários para a sobrevivência de uma atriz brasileira em mais de quarenta anos de carreira.
19.4.03
DANÇANDO AS MAIS SAGRADAS
Levei hoje para a aula de danças sagradas, a minha maraca e o cocar. Estamos tendo aula com a professora substituta, a Valéria, enquanto a titular está viajando. Ela tinha pedido na aula passada que levassemos algum instrumento indígena.
Levei a maraca e mais o meu cocar. E não foi um privilégio meu, apareceram mais umas quatro maracas que foram para o centro da roda, antes de iniciarmos as danças.
E a Valéria levou uma plantinha com as sementes de urucum, para pintarmos o rosto e algumas partes do corpo, como bem entendessemos. Foi a festa !
O urucum dá um ótimo batom, com uma cor linda. E, além disso, pode ser usado também como sombra, dando o maior realce para os olhos. E, òbviamente, eu peguei discretamente algumas sementinhas a mais e vou usar na maquiage, em dias especiais.
Com o som das nossas maracas, com as pinturas de urucum, dançamos como nunca. Hoje, foi a vez das danças dos guaranís.
É a tribo mais suave, ao contrário das outras tribos, que batem forte com o pé no chão, os guaranis deslisam os pés pelo chão.
Dançamos deles, uma dança chamada Tangara, com movimentos e gestos delicados, imitando um pássaro prestes a voar. Foi a que mais me tocou. Dançamos ainda outra dos tupinambás, e, encerramos com o Toré, dos kariri-Xocó.
posted by Ruth Mezeck 22:38
archived 24.9.01
UPDATE: Em homenagem ao DIA DO ÍNDIO, um post antigo de uma aula de danças sagradas, na Faculdade e Escola Angel Vianna.
18.4.03
Contorcionistas de pênis?
Se a moda pega...eu quero ser juri nos testes de seleção de atores para esse espetáculo. Detalhes no meu blog de artes cênicas, o Teatro ETC & Tal.
Se a moda pega...eu quero ser juri nos testes de seleção de atores para esse espetáculo. Detalhes no meu blog de artes cênicas, o Teatro ETC & Tal.
17.4.03
Pernas pra que te quero
Final de expediente no meu trampo, mais de cem criancinhas da creche em fila, descem as rampas. As mães, pais e responsáveis no pátio, esperando as suas crianças, e os cadeirantes sendo conduzidos em suas cadeiras de rodas até o estacionamento, em direção às kombis. Enfim, o maior movimento no pátio, escadas, elevadores e rampas, quando nesse momento, desce do elevador e passa correndo em altíssima velocidade um menino adolescente de uns quinze anos, magro, franzino, mas de uma agilidade e velocidade impressionantes.
Atrás dele corre desvairada uma moça descalça e descabelada, e quando ela está quasi o alcançando, ele pula por cima de um banco no pátio, rumando para os lados do jardim. Daí, a moça pula também atrás, e quando ela quasi o alcança novamente, ele pula o murinho do jardim, voltando para o outro lado do pátio, e a moça sempre atrás dele, salta o muro também. E agora, já no pátio da frente, ele pega uma reta, correndo em direção ao portão de saída.
Mães se desviam assustadas, as crianças, algumas observam divertidas àquela correria louca, outras só olham sem entender nada, e todas as pessoas adultas estampam no rosto a sua preocupação porque sabem do perigo que significa a saída do garoto por aquele portão. E a pobre da moça completamente ensandecida acelerou total, e agora ela pula, salta, dando enormes saltos atrás do garoto. E, enfim a uns cinco ou seis passos da saída, ela consegue alcançá-lo segurá-lo por trás, puxando pela sua camisa. Ele tenta escapar, os dois se atracam, e quasi caem no chão.
O menino é mudo, e ao invés de gritos, ele solta uns grunhidos, emitindo uns sons bem primitivos que soam muito estranhos e assustadores. Daí, então, os dois gentís guardas que assistiam embevecidos à inesperada cena em frente à guarita da saída, se dão conta de que eles podem e devem interagir com a cena, segurando o garoto e dando um help para a moça. Ação quasi dispensável, porque a essas alturas, o professor de capoeira também estava chegando junto para ajudar a sua colega.
Os protagonistas dessa cena: eu, há quatro anos atrás no início do meu estágio na instituição, e um adolescente autista e com sérios disturbios comportamentais. Depois da nossa aula, eu acompanhava esse menino até a saida do elevador, onde a mãe o esperava sempre. Aconteceu que dessa vez, ela não estava lá, eu dei um ligeiro vacilo, e ele não vendo sua mãe, aproveitou a deixa e aprontou.
Mas o que poderia ficar como a marca de uma experiência desagradável, foi um grande aprendizado, e um marco definitivo para a minha futura atuação profissional. A estagiária, a partir desse dia, passou a ser olhada com mais respeito e consideração da parte dos guardas, dos antigos funcionários e dos demais.
Final de expediente no meu trampo, mais de cem criancinhas da creche em fila, descem as rampas. As mães, pais e responsáveis no pátio, esperando as suas crianças, e os cadeirantes sendo conduzidos em suas cadeiras de rodas até o estacionamento, em direção às kombis. Enfim, o maior movimento no pátio, escadas, elevadores e rampas, quando nesse momento, desce do elevador e passa correndo em altíssima velocidade um menino adolescente de uns quinze anos, magro, franzino, mas de uma agilidade e velocidade impressionantes.
Atrás dele corre desvairada uma moça descalça e descabelada, e quando ela está quasi o alcançando, ele pula por cima de um banco no pátio, rumando para os lados do jardim. Daí, a moça pula também atrás, e quando ela quasi o alcança novamente, ele pula o murinho do jardim, voltando para o outro lado do pátio, e a moça sempre atrás dele, salta o muro também. E agora, já no pátio da frente, ele pega uma reta, correndo em direção ao portão de saída.
Mães se desviam assustadas, as crianças, algumas observam divertidas àquela correria louca, outras só olham sem entender nada, e todas as pessoas adultas estampam no rosto a sua preocupação porque sabem do perigo que significa a saída do garoto por aquele portão. E a pobre da moça completamente ensandecida acelerou total, e agora ela pula, salta, dando enormes saltos atrás do garoto. E, enfim a uns cinco ou seis passos da saída, ela consegue alcançá-lo segurá-lo por trás, puxando pela sua camisa. Ele tenta escapar, os dois se atracam, e quasi caem no chão.
O menino é mudo, e ao invés de gritos, ele solta uns grunhidos, emitindo uns sons bem primitivos que soam muito estranhos e assustadores. Daí, então, os dois gentís guardas que assistiam embevecidos à inesperada cena em frente à guarita da saída, se dão conta de que eles podem e devem interagir com a cena, segurando o garoto e dando um help para a moça. Ação quasi dispensável, porque a essas alturas, o professor de capoeira também estava chegando junto para ajudar a sua colega.
Os protagonistas dessa cena: eu, há quatro anos atrás no início do meu estágio na instituição, e um adolescente autista e com sérios disturbios comportamentais. Depois da nossa aula, eu acompanhava esse menino até a saida do elevador, onde a mãe o esperava sempre. Aconteceu que dessa vez, ela não estava lá, eu dei um ligeiro vacilo, e ele não vendo sua mãe, aproveitou a deixa e aprontou.
Mas o que poderia ficar como a marca de uma experiência desagradável, foi um grande aprendizado, e um marco definitivo para a minha futura atuação profissional. A estagiária, a partir desse dia, passou a ser olhada com mais respeito e consideração da parte dos guardas, dos antigos funcionários e dos demais.
16.4.03
Palavras mágicas
Ontem, (segunda-feira) em pleno pátio da FUNLAR uma cena típica da instituição: um adolescente com quasi cem quilos, teve uma crise psicótica, jogou-se ao chão gritando tanto que dava para ouvir em todo o quarteirão, e não havia quem o acalmasse e convencesse a levantar. Monitores, fonoaudiologas, terapeutas, fisioterapeutas, funcionários, e nada. Quanto mais gente em volta dele, mais gritava e esperneava. Eu estava saindo do refeitorio, e fui até o patio pronta para usar o meu método. Estava pensando nisso e preparando-me para pagar o maior mico caso não funcionasse, quando uma antiga funcionária, daquelas que pela sua vivencia e experiência na instituição conhecem muito bem as manhas e truques dos usuários, aproximou-se, e foi logo gritando alto e em bom som, sòmente uma frase:
-- Olha os guardas, olha os guardas!
Ao ouvir isso, como num passe de mágica, o garoto foi levantando rapidinho, parou de gritar, ficou olhando atentamente para o povo todo a sua volta, e calmamente se deixou conduzir pelo monitor para a sua atividade da tarde.
Ontem, (segunda-feira) em pleno pátio da FUNLAR uma cena típica da instituição: um adolescente com quasi cem quilos, teve uma crise psicótica, jogou-se ao chão gritando tanto que dava para ouvir em todo o quarteirão, e não havia quem o acalmasse e convencesse a levantar. Monitores, fonoaudiologas, terapeutas, fisioterapeutas, funcionários, e nada. Quanto mais gente em volta dele, mais gritava e esperneava. Eu estava saindo do refeitorio, e fui até o patio pronta para usar o meu método. Estava pensando nisso e preparando-me para pagar o maior mico caso não funcionasse, quando uma antiga funcionária, daquelas que pela sua vivencia e experiência na instituição conhecem muito bem as manhas e truques dos usuários, aproximou-se, e foi logo gritando alto e em bom som, sòmente uma frase:
-- Olha os guardas, olha os guardas!
Ao ouvir isso, como num passe de mágica, o garoto foi levantando rapidinho, parou de gritar, ficou olhando atentamente para o povo todo a sua volta, e calmamente se deixou conduzir pelo monitor para a sua atividade da tarde.
15.4.03
Resistir quem há de?
Ontem á tarde em uma reunião de trabalho, uma pausa para comemorar o aniversário de uma colega. Fechei a boca até ver os colegas todos se deliciando com uma maravilhosa torta de chocolate recheada com fios de ovos e creme de leite. Não resistí, e só não teve repeteco porque não sobrou nada. Agora já sei que não basta fechar a boca tenho que fechar os olhos também. O que os olhos não vêm, a boca não deseja.
Hoje de manhã no meu grupo de estudos o intervalo para descanso e cafézinho, foi para comemorarmos o aniversário de uma colega que estava completando hoje vinte primaveras! Fiquei rezando para que não tivesse torta de chocolate. Não tinha. Mas em compensação tinha um rocambole feito pela avó da aniversariante, apresentado num tabuleiro todo enfeitado, e com dois tipos de recheio: leite condensado e côco. Resistir quem há de? Escolhí com recheio de côco. Teve direito a repeteco, mas não repetí. Palmas para mim porque tava muito bom.
Depois dessas concessões ao prazer da alimentação, ôlho na balança. Voilà.
Ontem á tarde em uma reunião de trabalho, uma pausa para comemorar o aniversário de uma colega. Fechei a boca até ver os colegas todos se deliciando com uma maravilhosa torta de chocolate recheada com fios de ovos e creme de leite. Não resistí, e só não teve repeteco porque não sobrou nada. Agora já sei que não basta fechar a boca tenho que fechar os olhos também. O que os olhos não vêm, a boca não deseja.
Hoje de manhã no meu grupo de estudos o intervalo para descanso e cafézinho, foi para comemorarmos o aniversário de uma colega que estava completando hoje vinte primaveras! Fiquei rezando para que não tivesse torta de chocolate. Não tinha. Mas em compensação tinha um rocambole feito pela avó da aniversariante, apresentado num tabuleiro todo enfeitado, e com dois tipos de recheio: leite condensado e côco. Resistir quem há de? Escolhí com recheio de côco. Teve direito a repeteco, mas não repetí. Palmas para mim porque tava muito bom.
Depois dessas concessões ao prazer da alimentação, ôlho na balança. Voilà.
13.4.03
PICADINHO com mau humor, inteligência preservada, mocréia, balança e etc..
Não estou entendendo patavina de mim mesma. Tá de meno e muito male o meu humor nesses últimos dias. Estou cometendo todos os improprérios verbais e não verbais. Ainda à cause, creio eu, dos efeitos colaterais dos remédios para emagrecer. Parei com o último, o Reductil, essa semana para ver se consigo dormir. Vamos ver que bicho vai dar. Tô me sentindo estranha, estribadaça, parecendo até que cheirei dez carreiras. Já aconteceu de eu chegar em algum lugar, e neguinho ficar me encarando e perguntando se eu estou passando bem. Só me faltava essa...
* * * * * * *
Para completar, a semana no meu trabalho foi daquelas. Começou na segunda-feira, quando iniciada a segunda aula, adentra a minha sala o funcionário trazendo um menino cadeirante que foi integrado à turma desse horário, sem que eu fosse comunicada. Para início de conversa eu não poderia iniciar o atendimento a um portador de deficiência em cadeira de rodas sem antes consultar o seu prontuário, e verificar atentamente todos os diagnosticos médicos, além de uma conversa com a mãe ou responsável, e daí, então começar o meu trabalho. Saia justíssima, mas ainda bem que o menino (doze anos), tendo a inteligência preservada conseguia falar com certa dificuldade, mas conseguimos uma comunicação.
A turminha de seis, todos PPNE (Pessoa Portadora de Necessidades Especiais), entendeu e comportou--se muito bem, foram solidários e carinhosos com o novo colega. E o sorriso de alegria desse menino interagindo a seu modo nas brincadeiras com os colegas compensou tudo. Nunca postei nada aqui sobre as dificuldades enfrentadas com a administração, menos ou tão graves quanto essa, mas agora mudei de idéia.
* * * * * * *
Em compensação, tô me achando... calcei aquele sapato salto altão que há muito eu não usava, e agitei uma produçãozinha básica, caprichando no modelito. Fagueira e toda faceira fui encontrar amigos para irmos dançar na night. Tudo estaria perfeito não fora aquele indigitado mandar esta pérola: Tem mocréia do Ivan na área. O Ivan era um amigo nosso especialista em arranjar as namoradas, digamos, mais estranhas, e de profissões as mais diversas -- de streaper a mulher cabo da marinha. Rodopiei, bailei turva na curva, mas não caí do modelito. Sustentei a pôse.
* * * * * * *
Comprei uma balança, e não é só para decorar o meu banheiro. Todo cuidado é pouco com a tendência a engordar que eu tenho. Depois da grana violenta que eu gastei, e de tudo o que eu passei, e ainda tô passando por causa desse regime, vou levar a sério a vigilância do pêso. Ora, se vou.
* * * * * * *
Não estou entendendo patavina de mim mesma. Tá de meno e muito male o meu humor nesses últimos dias. Estou cometendo todos os improprérios verbais e não verbais. Ainda à cause, creio eu, dos efeitos colaterais dos remédios para emagrecer. Parei com o último, o Reductil, essa semana para ver se consigo dormir. Vamos ver que bicho vai dar. Tô me sentindo estranha, estribadaça, parecendo até que cheirei dez carreiras. Já aconteceu de eu chegar em algum lugar, e neguinho ficar me encarando e perguntando se eu estou passando bem. Só me faltava essa...
* * * * * * *
Para completar, a semana no meu trabalho foi daquelas. Começou na segunda-feira, quando iniciada a segunda aula, adentra a minha sala o funcionário trazendo um menino cadeirante que foi integrado à turma desse horário, sem que eu fosse comunicada. Para início de conversa eu não poderia iniciar o atendimento a um portador de deficiência em cadeira de rodas sem antes consultar o seu prontuário, e verificar atentamente todos os diagnosticos médicos, além de uma conversa com a mãe ou responsável, e daí, então começar o meu trabalho. Saia justíssima, mas ainda bem que o menino (doze anos), tendo a inteligência preservada conseguia falar com certa dificuldade, mas conseguimos uma comunicação.
A turminha de seis, todos PPNE (Pessoa Portadora de Necessidades Especiais), entendeu e comportou--se muito bem, foram solidários e carinhosos com o novo colega. E o sorriso de alegria desse menino interagindo a seu modo nas brincadeiras com os colegas compensou tudo. Nunca postei nada aqui sobre as dificuldades enfrentadas com a administração, menos ou tão graves quanto essa, mas agora mudei de idéia.
* * * * * * *
Em compensação, tô me achando... calcei aquele sapato salto altão que há muito eu não usava, e agitei uma produçãozinha básica, caprichando no modelito. Fagueira e toda faceira fui encontrar amigos para irmos dançar na night. Tudo estaria perfeito não fora aquele indigitado mandar esta pérola: Tem mocréia do Ivan na área. O Ivan era um amigo nosso especialista em arranjar as namoradas, digamos, mais estranhas, e de profissões as mais diversas -- de streaper a mulher cabo da marinha. Rodopiei, bailei turva na curva, mas não caí do modelito. Sustentei a pôse.
* * * * * * *
Comprei uma balança, e não é só para decorar o meu banheiro. Todo cuidado é pouco com a tendência a engordar que eu tenho. Depois da grana violenta que eu gastei, e de tudo o que eu passei, e ainda tô passando por causa desse regime, vou levar a sério a vigilância do pêso. Ora, se vou.
* * * * * * *
12.4.03
As palavras de Gandhi
O caminho da paz é o caminho da verdade.
Ser honesto, é ainda mais importante do que ser pacífico. Na verdade, a mentira é a mãe da violência. (...)
Não há um ponto intermediário entre a verdade e a não violência, e a falsidade e a violência de outro. Talvez nunca sejamos fortes o bastante para sermos totalmente não violentos, em pensamentos, palavras e ação. Mas devemos manter a não-violência como nosso objetivo e fazer um progresso constante em sua direção.
A conquista da liberdade, quer seja para um homem, uma nação ou o mundo deve ser na proporção exata da conquista da não-violência. Assim, aqueles que acreditam na não-violência como o único método de alcançar a verdadeira liberdade devem manter a chama da não violência ardendo intensamente no meio das trevas impenetráveis do presente. A verdade de uns poucos vai prevalecer, a inverdade de milhões vai se dissipar, como palha a uma lufada de vento."
"Se não houvesse a ganância, não haveria oportunidade para os armamentos. O princípio da não-violência exige uma completa abstenção da exploração por qualquer forma.
Assim que o espirito de exploração desaparece, os armamentos serão sentidos como um fardo insuportável. O verdadeiro desarmamento não pode ocorrer a menos que as nações do mundo deixem de explorar umas às outras.
(Mahatma Gandhi 1870/1948)
O caminho da paz é o caminho da verdade.
Ser honesto, é ainda mais importante do que ser pacífico. Na verdade, a mentira é a mãe da violência. (...)
Não há um ponto intermediário entre a verdade e a não violência, e a falsidade e a violência de outro. Talvez nunca sejamos fortes o bastante para sermos totalmente não violentos, em pensamentos, palavras e ação. Mas devemos manter a não-violência como nosso objetivo e fazer um progresso constante em sua direção.
A conquista da liberdade, quer seja para um homem, uma nação ou o mundo deve ser na proporção exata da conquista da não-violência. Assim, aqueles que acreditam na não-violência como o único método de alcançar a verdadeira liberdade devem manter a chama da não violência ardendo intensamente no meio das trevas impenetráveis do presente. A verdade de uns poucos vai prevalecer, a inverdade de milhões vai se dissipar, como palha a uma lufada de vento."
"Se não houvesse a ganância, não haveria oportunidade para os armamentos. O princípio da não-violência exige uma completa abstenção da exploração por qualquer forma.
Assim que o espirito de exploração desaparece, os armamentos serão sentidos como um fardo insuportável. O verdadeiro desarmamento não pode ocorrer a menos que as nações do mundo deixem de explorar umas às outras.
(Mahatma Gandhi 1870/1948)
8.4.03
Haja hoje para tanto ontem,
como disse o poeta Paulo Leminski.
E eu ùltimamente não estou me cabendo do tanto de ontem que ficou para hoje.
>>> Minha ex-sogra telefonou no domingo, convidando-me para um almoço na casa dela no dia das mães. Estupefactei. Há mais de cinco anos não nos vemos, e nem nos falamos. E o filho dela está casado com outra. A poderosa matriarca cheia das intenções comigo. Ça va sens dire. Voilà.
>>> Estou podendo usar novamente todas as roupas que eu gostava, e estavam guardadas. Já emagrecí mais de oito quilos. Estou me achando. E isso é ótimo, apesar do ônus que eu estou pagando. Estou em acompanhamento médico desde o início do regime em novembro do ano passado, mas os remédios estão dando efeitos colaterais, e eu não consigo dormir mais de três ou quatro horas por dia. Fico ligadíssima o dia inteiro mesmo sem dormir. Um espanto. Já suspendí dois dos remédios, agora só estou tomando o Reductil, e já fiz vários exames a pedido do médico, e após esses resultados, seja qual for o diagnostico dele, vou no meu clínico para um outro diagnostico e avaliação. Nunca na minha vida tomei remédio para emagrecer, e estou muito cabreira com esse lance.
>>> Tudo ao mesmo tempo agora na minha vida pessoal e profissional. Ontem, numa reunião na Faculdade com a Mestra Angel Vianna, constatamos que o nosso trabalho na FUNLAR vai passar por uma série de exigências burocráticas que até então conseguiamos ir driblando. No próximo mês, a Angel vai renovar o contrato anual com a Prefeitura, e por exigência do pessoal do César Maia, as novas bases contratuais preveem o aumento da nossa carga horária, e há pouquíssimas probablidades de aumento do nosso salário. Péssimo.
>>> Aumento de carga horária é tudo o que eu não quero. Nos dias que eu não trabalho, terças e quintas, eu estudo. Ano passado todo, o curso de bufão com a Mestra Juliana Jardim, na UNIRIO. Continúamos com ela a mesma pesquisa esse ano, desde fevereiro na Fundição Progresso. Agora, começamos a trabalhar com um texto de Ionesco, A cantora careca, dentro das técnicas de bufão para uma possível apresentação em agosto na Fundição. Essa apresentação faz parte de um outro projeto, o qual está esperando aprovação da verba para a sua concretização.
Além disso, às terças e quintas pela manhã, estou participando de um grupo de estudos, com um pessoal que há muito eu quero trabalhar. Estamos estudando e pesquisando o teatro de Henrik Ibsen para uma montagem no próximo ano.
>>> É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que eu nem sei...
e por hoje é só... ç'est tout.
como disse o poeta Paulo Leminski.
E eu ùltimamente não estou me cabendo do tanto de ontem que ficou para hoje.
>>> Minha ex-sogra telefonou no domingo, convidando-me para um almoço na casa dela no dia das mães. Estupefactei. Há mais de cinco anos não nos vemos, e nem nos falamos. E o filho dela está casado com outra. A poderosa matriarca cheia das intenções comigo. Ça va sens dire. Voilà.
>>> Estou podendo usar novamente todas as roupas que eu gostava, e estavam guardadas. Já emagrecí mais de oito quilos. Estou me achando. E isso é ótimo, apesar do ônus que eu estou pagando. Estou em acompanhamento médico desde o início do regime em novembro do ano passado, mas os remédios estão dando efeitos colaterais, e eu não consigo dormir mais de três ou quatro horas por dia. Fico ligadíssima o dia inteiro mesmo sem dormir. Um espanto. Já suspendí dois dos remédios, agora só estou tomando o Reductil, e já fiz vários exames a pedido do médico, e após esses resultados, seja qual for o diagnostico dele, vou no meu clínico para um outro diagnostico e avaliação. Nunca na minha vida tomei remédio para emagrecer, e estou muito cabreira com esse lance.
>>> Tudo ao mesmo tempo agora na minha vida pessoal e profissional. Ontem, numa reunião na Faculdade com a Mestra Angel Vianna, constatamos que o nosso trabalho na FUNLAR vai passar por uma série de exigências burocráticas que até então conseguiamos ir driblando. No próximo mês, a Angel vai renovar o contrato anual com a Prefeitura, e por exigência do pessoal do César Maia, as novas bases contratuais preveem o aumento da nossa carga horária, e há pouquíssimas probablidades de aumento do nosso salário. Péssimo.
>>> Aumento de carga horária é tudo o que eu não quero. Nos dias que eu não trabalho, terças e quintas, eu estudo. Ano passado todo, o curso de bufão com a Mestra Juliana Jardim, na UNIRIO. Continúamos com ela a mesma pesquisa esse ano, desde fevereiro na Fundição Progresso. Agora, começamos a trabalhar com um texto de Ionesco, A cantora careca, dentro das técnicas de bufão para uma possível apresentação em agosto na Fundição. Essa apresentação faz parte de um outro projeto, o qual está esperando aprovação da verba para a sua concretização.
Além disso, às terças e quintas pela manhã, estou participando de um grupo de estudos, com um pessoal que há muito eu quero trabalhar. Estamos estudando e pesquisando o teatro de Henrik Ibsen para uma montagem no próximo ano.
>>> É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que eu nem sei...
e por hoje é só... ç'est tout.
6.4.03
Se vocês só tivessem um dia a mais para viver, fariam o quê?
Eu acordaria bem cedo pegaria o primeiro avião para Porto Alegre, e iria me despedir da minha Mãe, de toda a minha família e os meus amigos gaúchos, e estaria pegando o avião de volta ao meio dia. Ainda de Porto Alegre, telefonaria ao homem que eu amo fazendo todas as declarações inimagináveis, e marcando o nosso encontro derradeiro. Periga ele não acreditar, e é bem provável que não acredite, pensando que é mais uma armação. Ficaria muito triste, mas conformada, imaginado que ele iria ficar louco da vida, só em pensar que eu o surprendera pela última vez com o maior apronto de todos, do qual, ele não teria a menor chance de revide.
Chegando á tarde no Rio, do aeroporto eu iria direto para o Largo da Carioca. E enfim, teria a ousadia e a coragem suficiente para realizar o meu maior sonho de consumo artístico-cultural-existencial:
uma performance clownesca no Largo da Carioca, disputando público com o Ligeirinho que vende catuaba e dá saltos mortais, com o atleta atirador de facas, com o mágico que transforma uma folha de jornal em nota de cincoenta reais, com o tocador de sanfona, e com toda aquela galera de artistas populares. Sem figurino e maquiage especiais, usando a mesma roupa que eu saíra de casa. Com um detalhe: pés descalços (meu estilo performático) e a ponta do meu nariz pintada com batom vermelho. Como acessório, o meu chapéu coco de feltro preto com uma rosa vermelha plantada no cocoruto, para ser usado na performance, e depois passar ao público no final. Bom demais.
Do Largo da Carioca, faria um passeio clownesco até o calçadão da Rua Uruguaiana com a Sete de Setembro, em frente ao MacDonald's, e com a ajuda dos meninos de rua (daria a eles o que eu arrecadasse passando o chapéu). E desta vez, uma performance só com o uso corporal, sem texto, uma palhaça que se contorce tanto que não consegue voltar ao normal, e vira uma estátua toda retorcida. A estátua vai movimentar sòmente a parte que for tocada -- um leve toque em alguma parte do seu corpo, até ir voltando ao normal. As crianças adoram. Os grandinhos sacaneiam. Ia ser o máximo se encontrasse alguns colegas do curso de bufão na UNIRIO que baixam ali, ou os que fizeram as oficinas e o estagio com o Mestre Dacio Lima (saudosa memória).
Acabada a performance na Uruguaiana, faria outro passeio clownesco até a Av. Rio Branco, torcendo para não encontrar pelo caminho aqueles perigosos confrontos entre guardas e camelôs.
Apanharia um taxi na Rio Branco, seguindo direto para o jornal "O Globo", onde subiria até o quarto andar. Adentraria a redação na performance clownesca intitulada Em busca da autora perdida . Em cada cabine, em cada colega de redação a pergunta seria mais ou menos essa: Onde eu encontro a autora de Um, dois três... já! e Sapomorfose que ganhou o Prêmio Mambembe de Teatro Infantil? Repetições da pergunta, e muitos improvisos pertinentes e impertinentes até encontrar alguém que soubesse a resposta, e me encaminhasse ao Caderno de Informática e à sua editora, e à autora procurada: Cora Rónai! E se ninguém soubesse a resposta, eu teria uma ótima deixa para uma exarcebada improvisação. O ideal seria a performance em cima dos textos, mas como eu não teria tempo pra estudar, inventaria essa, e assim iria me despedir e conhecer pessoalmente, a minha querida amiga blogueira, e posaria ao seu lado, para o InternETC. Sorry, gALLera!
Da redação de O Globo, eu seguiria direto para uma performance na Cinelândia, começando nas escadarias da Câmara com um personagem dramatico, um texto de Zaratustra que eu interpretei na Divina Comedia de Dante Aligheri, dirigida pela diretora e coreografa Regina Miranda, no MAM, em abril de 1992, espetáculo multi-mídia que foi representado nos porões, nos jardins, e todos os outros espaços de exposição do MAM ). Dali o público seria conduzido, ainda dentro da performance, até as escadarias do Teatro Municipal, dando continuação com outros textos, ou o que pintasse de acôrdo com a reação do público. A performance final seria botar o povo todo para cantar e dançar numa grande roda de ciranda, e outras danças populares na praça da Cinelândia, em frente ao Amarelinho. Nessas adjacências, seguramente deveria encontrar alguns dos meus colegas e amigos que viriam participar da roda. E assim acabaria as minhas ultimas vinte e quatro horas, numa grande celebração à vida, à arte e a cultura popular brasileira.
Eu acordaria bem cedo pegaria o primeiro avião para Porto Alegre, e iria me despedir da minha Mãe, de toda a minha família e os meus amigos gaúchos, e estaria pegando o avião de volta ao meio dia. Ainda de Porto Alegre, telefonaria ao homem que eu amo fazendo todas as declarações inimagináveis, e marcando o nosso encontro derradeiro. Periga ele não acreditar, e é bem provável que não acredite, pensando que é mais uma armação. Ficaria muito triste, mas conformada, imaginado que ele iria ficar louco da vida, só em pensar que eu o surprendera pela última vez com o maior apronto de todos, do qual, ele não teria a menor chance de revide.
Chegando á tarde no Rio, do aeroporto eu iria direto para o Largo da Carioca. E enfim, teria a ousadia e a coragem suficiente para realizar o meu maior sonho de consumo artístico-cultural-existencial:
uma performance clownesca no Largo da Carioca, disputando público com o Ligeirinho que vende catuaba e dá saltos mortais, com o atleta atirador de facas, com o mágico que transforma uma folha de jornal em nota de cincoenta reais, com o tocador de sanfona, e com toda aquela galera de artistas populares. Sem figurino e maquiage especiais, usando a mesma roupa que eu saíra de casa. Com um detalhe: pés descalços (meu estilo performático) e a ponta do meu nariz pintada com batom vermelho. Como acessório, o meu chapéu coco de feltro preto com uma rosa vermelha plantada no cocoruto, para ser usado na performance, e depois passar ao público no final. Bom demais.
Do Largo da Carioca, faria um passeio clownesco até o calçadão da Rua Uruguaiana com a Sete de Setembro, em frente ao MacDonald's, e com a ajuda dos meninos de rua (daria a eles o que eu arrecadasse passando o chapéu). E desta vez, uma performance só com o uso corporal, sem texto, uma palhaça que se contorce tanto que não consegue voltar ao normal, e vira uma estátua toda retorcida. A estátua vai movimentar sòmente a parte que for tocada -- um leve toque em alguma parte do seu corpo, até ir voltando ao normal. As crianças adoram. Os grandinhos sacaneiam. Ia ser o máximo se encontrasse alguns colegas do curso de bufão na UNIRIO que baixam ali, ou os que fizeram as oficinas e o estagio com o Mestre Dacio Lima (saudosa memória).
Acabada a performance na Uruguaiana, faria outro passeio clownesco até a Av. Rio Branco, torcendo para não encontrar pelo caminho aqueles perigosos confrontos entre guardas e camelôs.
Apanharia um taxi na Rio Branco, seguindo direto para o jornal "O Globo", onde subiria até o quarto andar. Adentraria a redação na performance clownesca intitulada Em busca da autora perdida . Em cada cabine, em cada colega de redação a pergunta seria mais ou menos essa: Onde eu encontro a autora de Um, dois três... já! e Sapomorfose que ganhou o Prêmio Mambembe de Teatro Infantil? Repetições da pergunta, e muitos improvisos pertinentes e impertinentes até encontrar alguém que soubesse a resposta, e me encaminhasse ao Caderno de Informática e à sua editora, e à autora procurada: Cora Rónai! E se ninguém soubesse a resposta, eu teria uma ótima deixa para uma exarcebada improvisação. O ideal seria a performance em cima dos textos, mas como eu não teria tempo pra estudar, inventaria essa, e assim iria me despedir e conhecer pessoalmente, a minha querida amiga blogueira, e posaria ao seu lado, para o InternETC. Sorry, gALLera!
Da redação de O Globo, eu seguiria direto para uma performance na Cinelândia, começando nas escadarias da Câmara com um personagem dramatico, um texto de Zaratustra que eu interpretei na Divina Comedia de Dante Aligheri, dirigida pela diretora e coreografa Regina Miranda, no MAM, em abril de 1992, espetáculo multi-mídia que foi representado nos porões, nos jardins, e todos os outros espaços de exposição do MAM ). Dali o público seria conduzido, ainda dentro da performance, até as escadarias do Teatro Municipal, dando continuação com outros textos, ou o que pintasse de acôrdo com a reação do público. A performance final seria botar o povo todo para cantar e dançar numa grande roda de ciranda, e outras danças populares na praça da Cinelândia, em frente ao Amarelinho. Nessas adjacências, seguramente deveria encontrar alguns dos meus colegas e amigos que viriam participar da roda. E assim acabaria as minhas ultimas vinte e quatro horas, numa grande celebração à vida, à arte e a cultura popular brasileira.
5.4.03
O escritor gaúcho, precursor mundial do teatro do absurdo
QORPO-SANTO, como se auto-denominou José Joaquim de Campos Leão (1829/1883), o genial autor gaúcho que viveu em Alegrete, onde foi vereador e delegado de polícia, e depois em Porto Alegre, no século dezenove, o verdadeiro criador do teatro do absurdo, o precursor do gênero nonsense, cem anos antes do movimento vanguardista europeu disseminado pelo mundo através dos europeus Alfred Jarry, Ionesco, Beckett , considerados até então, os precursores desse movimento.
Na conservadora sociedade gaúcha no início do século dezenove, não é difícil imaginar a estranheza e o escandalo que foi o surgimento desse audacioso autor, detonando todas numa sem cerimonia impressionante, e uma modernidade assustadora para a época. Para citar apenas uma das minhas preferidas, A separação de dois esposos, comédia em três artos, abordando a separação de um casal através de um pacto de morte, morrem abraçados, ambos recitando o mesmo texto:
-- Já que a Terra nos foi ingrata, procuraremos a felicidade no Céu!
E os nomes dos personagens são hilariantes, Esculápio o marido, Farmácia, a esposa, e o namorado da esposa, o Fidélis; as filhas do casal Plinia, Lidia e Idalina; mais dois personagens o Invidividuo e Certo Individuo. E a suprema audácia coloca dois criados da casa, o
Tatu e o Tamanduá, como dois homens casados, fato revelado ao final da peça, em um dialogo louquíssimo desses dois personagens. Com o divorcio e a separação de Tatu e Tamanduá acaba a comédia "A separação dos dois esposos".
José Joaquim de Campos Leão Qorpo Santo, (*Triunfo, 1829 +Porto Alegre 1883) agitou todas. Ativíssimo, foi vereador, delegado de polícia, comerciante, professor e dono de colégio, escritor e dono do periodico A Justiça, onde expôs todas as suas mágoas e feridas. Ninguém mexe com o poder impunemente, e aos trinta e cinco anos no apogeu de sua carreira, foi considerado louco, internado e interditado judicialmente. Recorre e consegue ser mandado para aqui, no Rio de Janeiro, para um novo exame de sanidade na Casa de Saúde Dr. Eiras. Ganha mais essa parada, sendo declarado apto para gozar do seu livre arbitrio.
Com o salvo conduto, retorna a Porto Alegre, à sua familia e a retomadas dos seus bens.
Um mês depois, um juiz de PortoAlegre cismou de pedir um novo exame e dessa vez é reprovado, declarado inapto para gerir sua pessoa e seus bens, tendo de obedecer a imposições do curador, privado do convívio familiar, Qorpo Santo dedica toda a sua energia às atividades literárias. Aos cincoenta teve a sua doença agravada -- tuberculose pulmonar, e morre aos cincoenta anos.
Nem depois de morto, Qorpo-Santo foi poupado. Falavam dele como um mito, um doido que havia escrito poesias de doido. A verdade é que ninguém se ocupou, a sério, de suas peças. Com o Movimento Modernista ele voltou á tona, servindo aos contrários à Semana de Arte Moderna, e nada melhor para esses trevosos, do que transcrever alguns maus versos de QorpoSanto para compará-los aos de Oswald e Mário de Andrade, também considerados malucos como ele.
Depois disso, sumiram das bibliotecas e arquivos do Estado do Rio Grande do Sul e do País, todos os textos da autoria de Qorpo Santo. Essa foi a constatação do Professor Guilhermino Cesar quando escreveu A historia da literatura do Rio Grande do Sul em 1956. Alguns anos depois, o Professor Guilhermino encontrou o pesquisador e professor Anibal Damasceno que vai clarear a busca, fornecendo novas e importantes pistas de Qorpo Santo, até chegar à publicação e divulgação das obras completas do teatro de Qorpo-Santo.
A primeira montagem de Qorpo Santo, no mundo, foi realizada por alunos formados Instituto de Arte Dramática da UFRGS, três peças Matheus e Matheusa, Hoje sou um: e amanhã outro e Relações Naturais , dirigidas por Antonio Carlos Sena. Esse espetáculo veio ao Rio, em 1968 para participar do V Festival Nacional de Teatro de Estudantes, realizado pelo Paschoal Carlos Magno. Uma atriz gaúcha morando no Rio, agitou uma apresentação extra festival para convidados especiais. Num pequeno teatro, á meia noite, em precaríssimas condições técnicas, o espetáculo foi um sucesso. Televisões, radios, jornais deram a maior cobertura a um dos mais importante acontecimentos artísticos da década.
Vale a pena citar aqui alguns trechos do comentário de Yan Michalski, (saudosa memória) do Jornal do Brasil:
A julgar pela mostra apresentada, a descoberta de Qorpo Santo é um acontecimento de notável importância, que, não só torna parcialmente obsoletos todos os livros de hitoria da dramaturgia brasileira, que não mencionam a sua obra, como também transcende as fronteiras do Brasil e merece ser estudado dentro de um contexto internacional: o autor gaúcho é, muito provàvelmente, o primeiro precursor mundial do teatro do absurdo, uma vez que algumas décadas antes de Alfrfed Jarry ele colocava em prática idéias de antiteatro baseado no mais violento nonsense, algumas das quais dignas de fazer inveja ao próprio Ionesco e aos seus seguidores.
A precocidade, o modernismo, a ousadia de Qorpo Santo são verdadeiramente fenomenais, se considerarmos a época em que ele escrevia as suas peças e o ambiente em que vivia. Seria errado, considerá-loi apenas sob esse ponto de vista. O mais importante é a quaçidade intrínseca de suas peças, o seu espantoso instinto cênico, a sua fantástica imaginação, e a lucidez com a qual, dentro do mais delirante clima de aparente loucura, ele desfecha impedosos golpes contra alguns dos aspectos mais rançosos do seu meio ambiente. Digno de nota é também a eficiência do seu humor. Qorpo Santo mantém a platéia num quase permanente estado de hilaridade, que não exclui, bem entendido, uma reflexão crítica, nem impede que de vez em quando um misteriosos vento de trágica ameaça sopre na platéia, e nos faça pensar em Beckett e Pinter.
QORPO-SANTO, como se auto-denominou José Joaquim de Campos Leão (1829/1883), o genial autor gaúcho que viveu em Alegrete, onde foi vereador e delegado de polícia, e depois em Porto Alegre, no século dezenove, o verdadeiro criador do teatro do absurdo, o precursor do gênero nonsense, cem anos antes do movimento vanguardista europeu disseminado pelo mundo através dos europeus Alfred Jarry, Ionesco, Beckett , considerados até então, os precursores desse movimento.
Na conservadora sociedade gaúcha no início do século dezenove, não é difícil imaginar a estranheza e o escandalo que foi o surgimento desse audacioso autor, detonando todas numa sem cerimonia impressionante, e uma modernidade assustadora para a época. Para citar apenas uma das minhas preferidas, A separação de dois esposos, comédia em três artos, abordando a separação de um casal através de um pacto de morte, morrem abraçados, ambos recitando o mesmo texto:
-- Já que a Terra nos foi ingrata, procuraremos a felicidade no Céu!
E os nomes dos personagens são hilariantes, Esculápio o marido, Farmácia, a esposa, e o namorado da esposa, o Fidélis; as filhas do casal Plinia, Lidia e Idalina; mais dois personagens o Invidividuo e Certo Individuo. E a suprema audácia coloca dois criados da casa, o
Tatu e o Tamanduá, como dois homens casados, fato revelado ao final da peça, em um dialogo louquíssimo desses dois personagens. Com o divorcio e a separação de Tatu e Tamanduá acaba a comédia "A separação dos dois esposos".
José Joaquim de Campos Leão Qorpo Santo, (*Triunfo, 1829 +Porto Alegre 1883) agitou todas. Ativíssimo, foi vereador, delegado de polícia, comerciante, professor e dono de colégio, escritor e dono do periodico A Justiça, onde expôs todas as suas mágoas e feridas. Ninguém mexe com o poder impunemente, e aos trinta e cinco anos no apogeu de sua carreira, foi considerado louco, internado e interditado judicialmente. Recorre e consegue ser mandado para aqui, no Rio de Janeiro, para um novo exame de sanidade na Casa de Saúde Dr. Eiras. Ganha mais essa parada, sendo declarado apto para gozar do seu livre arbitrio.
Com o salvo conduto, retorna a Porto Alegre, à sua familia e a retomadas dos seus bens.
Um mês depois, um juiz de PortoAlegre cismou de pedir um novo exame e dessa vez é reprovado, declarado inapto para gerir sua pessoa e seus bens, tendo de obedecer a imposições do curador, privado do convívio familiar, Qorpo Santo dedica toda a sua energia às atividades literárias. Aos cincoenta teve a sua doença agravada -- tuberculose pulmonar, e morre aos cincoenta anos.
Nem depois de morto, Qorpo-Santo foi poupado. Falavam dele como um mito, um doido que havia escrito poesias de doido. A verdade é que ninguém se ocupou, a sério, de suas peças. Com o Movimento Modernista ele voltou á tona, servindo aos contrários à Semana de Arte Moderna, e nada melhor para esses trevosos, do que transcrever alguns maus versos de QorpoSanto para compará-los aos de Oswald e Mário de Andrade, também considerados malucos como ele.
Depois disso, sumiram das bibliotecas e arquivos do Estado do Rio Grande do Sul e do País, todos os textos da autoria de Qorpo Santo. Essa foi a constatação do Professor Guilhermino Cesar quando escreveu A historia da literatura do Rio Grande do Sul em 1956. Alguns anos depois, o Professor Guilhermino encontrou o pesquisador e professor Anibal Damasceno que vai clarear a busca, fornecendo novas e importantes pistas de Qorpo Santo, até chegar à publicação e divulgação das obras completas do teatro de Qorpo-Santo.
A primeira montagem de Qorpo Santo, no mundo, foi realizada por alunos formados Instituto de Arte Dramática da UFRGS, três peças Matheus e Matheusa, Hoje sou um: e amanhã outro e Relações Naturais , dirigidas por Antonio Carlos Sena. Esse espetáculo veio ao Rio, em 1968 para participar do V Festival Nacional de Teatro de Estudantes, realizado pelo Paschoal Carlos Magno. Uma atriz gaúcha morando no Rio, agitou uma apresentação extra festival para convidados especiais. Num pequeno teatro, á meia noite, em precaríssimas condições técnicas, o espetáculo foi um sucesso. Televisões, radios, jornais deram a maior cobertura a um dos mais importante acontecimentos artísticos da década.
Vale a pena citar aqui alguns trechos do comentário de Yan Michalski, (saudosa memória) do Jornal do Brasil:
A julgar pela mostra apresentada, a descoberta de Qorpo Santo é um acontecimento de notável importância, que, não só torna parcialmente obsoletos todos os livros de hitoria da dramaturgia brasileira, que não mencionam a sua obra, como também transcende as fronteiras do Brasil e merece ser estudado dentro de um contexto internacional: o autor gaúcho é, muito provàvelmente, o primeiro precursor mundial do teatro do absurdo, uma vez que algumas décadas antes de Alfrfed Jarry ele colocava em prática idéias de antiteatro baseado no mais violento nonsense, algumas das quais dignas de fazer inveja ao próprio Ionesco e aos seus seguidores.
A precocidade, o modernismo, a ousadia de Qorpo Santo são verdadeiramente fenomenais, se considerarmos a época em que ele escrevia as suas peças e o ambiente em que vivia. Seria errado, considerá-loi apenas sob esse ponto de vista. O mais importante é a quaçidade intrínseca de suas peças, o seu espantoso instinto cênico, a sua fantástica imaginação, e a lucidez com a qual, dentro do mais delirante clima de aparente loucura, ele desfecha impedosos golpes contra alguns dos aspectos mais rançosos do seu meio ambiente. Digno de nota é também a eficiência do seu humor. Qorpo Santo mantém a platéia num quase permanente estado de hilaridade, que não exclui, bem entendido, uma reflexão crítica, nem impede que de vez em quando um misteriosos vento de trágica ameaça sopre na platéia, e nos faça pensar em Beckett e Pinter.
Dialogo da dentadura debaixo com a dentadura de cima
Da lavra e autoria do ABSURDO MATUSALÉM MATUSCA.
Cheguei na idade em que nunca se sabe se estamos dormindo e tendo sonhos malucos ou acordados pensando maluquices, o que dá no mesmo.
Devia estar dormindo, de outra maneira elas não poderiam ficar com esse papo todo no copo.
Dentadura de cima: - Faz um tempão que não como carne.
Dentadura de baixo: - Nem eu!
De cima: - A gente podia parar de brigar, não?
De baixo: - É, vamos sair juntas outra vez?
De cima: - Vamos sim, dá um beijinho.
De baixo: - Na boca?
UPDATE: Qualquer semelhança com diálogos de alguma comédia de Qorpo Santo, não é mera coincidência. Estou sèriamente desconfiada que o nosso vizinho blogueiro, o Matusalém Matusca é o "cavalo" daquele gaúcho louco e genial que viveu no século dezenove, considerado o verdadeiro pai do teatro do absurdo.
Desconhecido no Brasil até o início do século vinte, quando surgiu o movimento de teatro da absurdo na Europa através de Alfred Jarry, Eugène Ionesco e Samuel Beckett, as peças de Qorpo Santo foram lidas na Semana de Arte Moderna em 1922, dando subsídios aos detratores da Semana. Depois disso, foi completamente esquecido até a década de sessenta, quando foi redescoberto pelo Professor Guilhermino César da UFRGS e pelo pesquisador Anibal Damasceno.
Da lavra e autoria do ABSURDO MATUSALÉM MATUSCA.
Cheguei na idade em que nunca se sabe se estamos dormindo e tendo sonhos malucos ou acordados pensando maluquices, o que dá no mesmo.
Devia estar dormindo, de outra maneira elas não poderiam ficar com esse papo todo no copo.
Dentadura de cima: - Faz um tempão que não como carne.
Dentadura de baixo: - Nem eu!
De cima: - A gente podia parar de brigar, não?
De baixo: - É, vamos sair juntas outra vez?
De cima: - Vamos sim, dá um beijinho.
De baixo: - Na boca?
UPDATE: Qualquer semelhança com diálogos de alguma comédia de Qorpo Santo, não é mera coincidência. Estou sèriamente desconfiada que o nosso vizinho blogueiro, o Matusalém Matusca é o "cavalo" daquele gaúcho louco e genial que viveu no século dezenove, considerado o verdadeiro pai do teatro do absurdo.
Desconhecido no Brasil até o início do século vinte, quando surgiu o movimento de teatro da absurdo na Europa através de Alfred Jarry, Eugène Ionesco e Samuel Beckett, as peças de Qorpo Santo foram lidas na Semana de Arte Moderna em 1922, dando subsídios aos detratores da Semana. Depois disso, foi completamente esquecido até a década de sessenta, quando foi redescoberto pelo Professor Guilhermino César da UFRGS e pelo pesquisador Anibal Damasceno.
31.3.03
"O ator" do BBB3 que motivou a discussão no Forum de Teatro
Estou postando há vários dias, aqui nos blogs, alguns depoimentos selecionados entre os melhores, sobre a discussão que está rolando no forum de teatro sobre a profissão do ator, regulamentação profissional, etc. e que originou entre outros, o depoimento do Igo em "O atorzinho", entre outros protestos.
E tudo começou quando foi enviado ao forum um e-mail denunciando um dos integrantes do BBB3 como assassino, quando agrediu a coronhadas um jovem de dezoito anos por um motivo banal. Questionada pela falta de assinatura no e-mail, a remetente declarou que recebera de um membro da família do jovem assassinado, e apagou o nome do remetente para preservá-lo.
Guardei no arquivo, e não iria publicá-lo não fosse a interessante coluna do ótimo Joaquim Ferreira dos Santos no " No Mínimo", O BOM SELVAGEM BRASILEIRO, onde ele cita os tais ataques do "ator" , e que a própria família do mesmo temia pelo seu destempêro que ele agredisse alguém no BBB3. E até o próprio declara que quando "enxergo tudo escuro", seria a vertigem que anuncia a perda da razão, e não responde pelos seus atos, e declara ainda que responde a vários processos em Goiânia. Então, a ficha caiu, e decidí publicar o e-mail em questão.
Dhomini Assassino
Para quem não sabe ele já responde a três processos por agressão.
Poucas pessoas desconfiariam que esse sujeito de passado obscuro já teria tirado a vida de um jovem rapaz. Pois é, um cara feliz, que está sempre rindo e interagindo com as outras pessoas da casa (Big Brother3), mas examinando melhor o passado de André, nós podemos ver uma pessoa totalmente diferente, um homem sanguinário, vingativo e sangue frio, que não sente nenhuma pena por suas vitimas.
Foi no dia 20/11/98, que Dhomini, então André, se dirigia à um supermercado de Goiânia para fazer compras. Enquanto procurava por uma vaga no estacionamento que seu carro foi fechado pelo Fiat de um jovem de 18 anos que havia acabado de tirar sua carteira demotorista. Revoltado com a situação Dhomini saiu do seu carro para protestar com o jovem. Dhomini, segundo as testemunhas oculares que se encontravam no lugar, saiu do seu carro, descontrolado, e agrediu o jovem verbalmente com palavras de baixo calão. Os ânimos da vítima então se exaltaram e os dois começaram uma discussão.
Insatisfeito, Dhomini retornou ao seu carro, abriu a porta e pegou uma arma de fogo (com o número de série raspado ou seja sem licença) que se encontrava embaixo do assento do motorista. Dhomini arrancou sua vítima, brutalmente de dentro do carro e começou uma sessão pública de humilhação e agressão, enquanto a sua vítima nada podia fazer contra esse monstro. Depois de alguns minutos, o agressor perdeu a cabeça por completo, pegou a sua arma e começou a desferir golpes na cabeça da sua vitima com a coronha da arma (cabo da arma). Foi devido a esses golpes que sua vitima veio a falecer depois de dois dias internado na UTI da Santa Casa de Goiânia. O caso foi arquivado por razões não esclarecidas.
Estou postando há vários dias, aqui nos blogs, alguns depoimentos selecionados entre os melhores, sobre a discussão que está rolando no forum de teatro sobre a profissão do ator, regulamentação profissional, etc. e que originou entre outros, o depoimento do Igo em "O atorzinho", entre outros protestos.
E tudo começou quando foi enviado ao forum um e-mail denunciando um dos integrantes do BBB3 como assassino, quando agrediu a coronhadas um jovem de dezoito anos por um motivo banal. Questionada pela falta de assinatura no e-mail, a remetente declarou que recebera de um membro da família do jovem assassinado, e apagou o nome do remetente para preservá-lo.
Guardei no arquivo, e não iria publicá-lo não fosse a interessante coluna do ótimo Joaquim Ferreira dos Santos no " No Mínimo", O BOM SELVAGEM BRASILEIRO, onde ele cita os tais ataques do "ator" , e que a própria família do mesmo temia pelo seu destempêro que ele agredisse alguém no BBB3. E até o próprio declara que quando "enxergo tudo escuro", seria a vertigem que anuncia a perda da razão, e não responde pelos seus atos, e declara ainda que responde a vários processos em Goiânia. Então, a ficha caiu, e decidí publicar o e-mail em questão.
Dhomini Assassino
Para quem não sabe ele já responde a três processos por agressão.
Poucas pessoas desconfiariam que esse sujeito de passado obscuro já teria tirado a vida de um jovem rapaz. Pois é, um cara feliz, que está sempre rindo e interagindo com as outras pessoas da casa (Big Brother3), mas examinando melhor o passado de André, nós podemos ver uma pessoa totalmente diferente, um homem sanguinário, vingativo e sangue frio, que não sente nenhuma pena por suas vitimas.
Foi no dia 20/11/98, que Dhomini, então André, se dirigia à um supermercado de Goiânia para fazer compras. Enquanto procurava por uma vaga no estacionamento que seu carro foi fechado pelo Fiat de um jovem de 18 anos que havia acabado de tirar sua carteira demotorista. Revoltado com a situação Dhomini saiu do seu carro para protestar com o jovem. Dhomini, segundo as testemunhas oculares que se encontravam no lugar, saiu do seu carro, descontrolado, e agrediu o jovem verbalmente com palavras de baixo calão. Os ânimos da vítima então se exaltaram e os dois começaram uma discussão.
Insatisfeito, Dhomini retornou ao seu carro, abriu a porta e pegou uma arma de fogo (com o número de série raspado ou seja sem licença) que se encontrava embaixo do assento do motorista. Dhomini arrancou sua vítima, brutalmente de dentro do carro e começou uma sessão pública de humilhação e agressão, enquanto a sua vítima nada podia fazer contra esse monstro. Depois de alguns minutos, o agressor perdeu a cabeça por completo, pegou a sua arma e começou a desferir golpes na cabeça da sua vitima com a coronha da arma (cabo da arma). Foi devido a esses golpes que sua vitima veio a falecer depois de dois dias internado na UTI da Santa Casa de Goiânia. O caso foi arquivado por razões não esclarecidas.
O bom selvagem brasileiro
por
Joaquim Ferreira dos Santos (No Mínimo)
29.Mar.2003 | Vamos parodiar Pedro Bial, dar uma última olhadinha nos nossos heróis porque, felizmente, essa gente muito chata está indo embora. Acaba terça-feira o Big Brother Brasil 3, a confirmação de que o país não produz mais borracha, perdeu também a força no cacau, mas continua imbatível na produção de elementos notáveis para escudo humano na guerra. Foram mais de dois meses de programa e restaram três candidatos ao prêmio de R$ 500 mil. Todos iguais. Todos do interior do país, todos forçando o sotaque na certeza de que isso deu o prêmio dos dois programas anteriores a caipiras exatamente como eles. Todos se forçando um tipo de bonzinho tão gente boa, na certeza de que o país não agüenta mais premiar os canalhas tradicionais. O BBB3 consolidou um novo tipo de canalha. O profissional do reality show. Scud nele.
Num país com 19% de sua população adulta desempregada, o mercado informal ganha esse segmento de viração. Nada contra. O ramo do jornalismo também não está melhor e me surge agora a idéia – por que não? já que as redações estão fechando? já que o filão editorial da auto-ajuda está esgotado? – de escrever um manual que prepare candidatos ao próximo Big Brother 4. "O brasileiro não gosta de gente fria, gosta de gente emotiva" – foi a cola que a professorinha Elane me deu no programa de quarta-feira ao comentar a eliminação de Jean, o cérebro das articulações, uma espécie de Golbery esotérico. No programa de quinta-feira lá estava a professorinha praticando suas idéias. Vinda diretamente do interior da Bahia, de uma cidade onde a energia elétrica ainda é coisa de filme de ficção científica, Elane procurava emocionar o país (primeiríssimo capítulo da nova malandragem) dizendo que tudo que queria na vida – oh! – era entrar numa faculdade.
Segundo capítulo do livro Hei de Vencer no BBB: chore muito. "Quando é que o Jean chorou aqui dentro?", perguntou Viviane, uma moça em enorme dúvida, como é natural na maioria das moças, em se fazer valer pelos dotes interiores, de sua complexidade emocional, mais difíceis de serem flagrados, ou pelos dotes calipígios perseguidos sofregamente pelas 42 câmeras da casa. Viviane, que se apresenta como advogada de Votorantim, São Paulo, continuou articulando as idéias com Elane: "O Dhomini chora e chora muito. Ele era rival do Jean, mas até quando o Jean saiu ele chorou. Será que o público enxerga essas coisas?" A platéia desse game é a mesma da novela que o antecedeu na grade de programação. Não enxerga nada. Gosta de ter as emoções, tão raras no reality show de suas vidas, manipuladas e dadas de bandeja. Carente, Cazuza dizia que até as mentiras, desde que sinceras, o interessavam. No BBB, diante da enorme carência emocional dos infelizes – pelo desemprego, pela falta de cultura, pela miséria nacional – que assistem ao programa, valem lágrimas sinceras. Último parágrafo do segundo capítulo do livro: não existe lágrima de crocodilo na TV. Os três sobreviventes do BBB passaram a quarta e a quinta feira revezando-se no chororô.
É interessante insinuar que você está ali, naquele mundo cão lamentável, mas que os três bês no título do programa – bíceps, bumbum e baixaria – não lhe dizem respeito. Sou de outra cepa, mermão. Viviane chorou na quinta-feira porque o programa estava chegando ao fim e ela sentia que, humm, não tinha conseguido passar sua mensagem. Foi no mesmo dia em que Lula disse, em mensagem aos empresários em São Paulo, que na oposição ele fazia bravata mas que agora era governo e ali não era lugar. Qual seria, se esta é a mensagem do presidente, qual seria a mensagem que a roliça Viviane queria passar e não mais nos poderá? É uma das canalhices inventadas pelo padrão BBB de vencedor. Finja-se ser sensível. Fabrique uma boneca de lata para aplacar a solidão, como o Bambam. Pregue um santinho de Aparecida no chapéu de caubói, como fez o vaqueiro no segundo programa. Viviane, na dúvida se será procurada pela Playboy quando sair do zôo, pregou um prego no conteúdo e acenou para as editoras: "Vou escrever um livro com as minhas mensagens".
Tom Jobim dizia que o Brasil não era para amadores. O Big Brother muito menos. "O Dhomini é um profissional, ele se preparou para o programa", reconheceu na quarta-feira a professora Elane, uma moça que dedicou quase todo seu tempo no programa ao exercício na máquina de spinning e construiu um corpo, nada a ver com o que chegou ali no início do ano, que certamente se recusará a seguir de volta para a cidade em eterno blecaute de onde veio. Definitivamente, não há vaga para ingênuos no BBB. Elane, além de ter consolidado a imagem de a mais pobre, quase não abriu a boca. Vinte pontos. Viviane, antipaticíssima, fez-se mosca morta e passou aos outros a impressão de que não precisariam se preocupar com ela. Outros 20 pontos.
Dhomini, no entanto, pontuou mais e deve levar a grana. Além de ser o caipira da vez, cumpriu a tarefa fundamental de seduzir uma parceira e, com ela, na boa, deitou-se na cama à espera da justiça do povo-0300, êta gente boazinha!, quando os outros participantes, enciumados, vingativos, tentaram defenestrá-lo por quatro semanas consecutivas. É um caso típico do bom selvagem brasileiro. Ao mesmo tempo em que se mostrava sedutor e brincalhão, Dhomini traiu a namorada em rede nacional. Disse que briga muito em sua cidade (tem processos por isso). Que por várias vezes durante o programa, quando os adversários o mandaram para o paredão, viu tudo escuro. Que trata-se da vertigem que anuncia o momento em que perde a razão e sai dando porrada. Que quando saiu de Goiânia para o programa, sua família só lhe pediu que não batesse em ninguém na casa do BBB. Que, profissional até a última linha, cumpriu o pactuado. Sobre o que fará agora do lado de fora da casa, Dhomini nada adiantou.
joaquimfsantos@nominimo.ibest.com.br
por
Joaquim Ferreira dos Santos (No Mínimo)
29.Mar.2003 | Vamos parodiar Pedro Bial, dar uma última olhadinha nos nossos heróis porque, felizmente, essa gente muito chata está indo embora. Acaba terça-feira o Big Brother Brasil 3, a confirmação de que o país não produz mais borracha, perdeu também a força no cacau, mas continua imbatível na produção de elementos notáveis para escudo humano na guerra. Foram mais de dois meses de programa e restaram três candidatos ao prêmio de R$ 500 mil. Todos iguais. Todos do interior do país, todos forçando o sotaque na certeza de que isso deu o prêmio dos dois programas anteriores a caipiras exatamente como eles. Todos se forçando um tipo de bonzinho tão gente boa, na certeza de que o país não agüenta mais premiar os canalhas tradicionais. O BBB3 consolidou um novo tipo de canalha. O profissional do reality show. Scud nele.
Num país com 19% de sua população adulta desempregada, o mercado informal ganha esse segmento de viração. Nada contra. O ramo do jornalismo também não está melhor e me surge agora a idéia – por que não? já que as redações estão fechando? já que o filão editorial da auto-ajuda está esgotado? – de escrever um manual que prepare candidatos ao próximo Big Brother 4. "O brasileiro não gosta de gente fria, gosta de gente emotiva" – foi a cola que a professorinha Elane me deu no programa de quarta-feira ao comentar a eliminação de Jean, o cérebro das articulações, uma espécie de Golbery esotérico. No programa de quinta-feira lá estava a professorinha praticando suas idéias. Vinda diretamente do interior da Bahia, de uma cidade onde a energia elétrica ainda é coisa de filme de ficção científica, Elane procurava emocionar o país (primeiríssimo capítulo da nova malandragem) dizendo que tudo que queria na vida – oh! – era entrar numa faculdade.
Segundo capítulo do livro Hei de Vencer no BBB: chore muito. "Quando é que o Jean chorou aqui dentro?", perguntou Viviane, uma moça em enorme dúvida, como é natural na maioria das moças, em se fazer valer pelos dotes interiores, de sua complexidade emocional, mais difíceis de serem flagrados, ou pelos dotes calipígios perseguidos sofregamente pelas 42 câmeras da casa. Viviane, que se apresenta como advogada de Votorantim, São Paulo, continuou articulando as idéias com Elane: "O Dhomini chora e chora muito. Ele era rival do Jean, mas até quando o Jean saiu ele chorou. Será que o público enxerga essas coisas?" A platéia desse game é a mesma da novela que o antecedeu na grade de programação. Não enxerga nada. Gosta de ter as emoções, tão raras no reality show de suas vidas, manipuladas e dadas de bandeja. Carente, Cazuza dizia que até as mentiras, desde que sinceras, o interessavam. No BBB, diante da enorme carência emocional dos infelizes – pelo desemprego, pela falta de cultura, pela miséria nacional – que assistem ao programa, valem lágrimas sinceras. Último parágrafo do segundo capítulo do livro: não existe lágrima de crocodilo na TV. Os três sobreviventes do BBB passaram a quarta e a quinta feira revezando-se no chororô.
É interessante insinuar que você está ali, naquele mundo cão lamentável, mas que os três bês no título do programa – bíceps, bumbum e baixaria – não lhe dizem respeito. Sou de outra cepa, mermão. Viviane chorou na quinta-feira porque o programa estava chegando ao fim e ela sentia que, humm, não tinha conseguido passar sua mensagem. Foi no mesmo dia em que Lula disse, em mensagem aos empresários em São Paulo, que na oposição ele fazia bravata mas que agora era governo e ali não era lugar. Qual seria, se esta é a mensagem do presidente, qual seria a mensagem que a roliça Viviane queria passar e não mais nos poderá? É uma das canalhices inventadas pelo padrão BBB de vencedor. Finja-se ser sensível. Fabrique uma boneca de lata para aplacar a solidão, como o Bambam. Pregue um santinho de Aparecida no chapéu de caubói, como fez o vaqueiro no segundo programa. Viviane, na dúvida se será procurada pela Playboy quando sair do zôo, pregou um prego no conteúdo e acenou para as editoras: "Vou escrever um livro com as minhas mensagens".
Tom Jobim dizia que o Brasil não era para amadores. O Big Brother muito menos. "O Dhomini é um profissional, ele se preparou para o programa", reconheceu na quarta-feira a professora Elane, uma moça que dedicou quase todo seu tempo no programa ao exercício na máquina de spinning e construiu um corpo, nada a ver com o que chegou ali no início do ano, que certamente se recusará a seguir de volta para a cidade em eterno blecaute de onde veio. Definitivamente, não há vaga para ingênuos no BBB. Elane, além de ter consolidado a imagem de a mais pobre, quase não abriu a boca. Vinte pontos. Viviane, antipaticíssima, fez-se mosca morta e passou aos outros a impressão de que não precisariam se preocupar com ela. Outros 20 pontos.
Dhomini, no entanto, pontuou mais e deve levar a grana. Além de ser o caipira da vez, cumpriu a tarefa fundamental de seduzir uma parceira e, com ela, na boa, deitou-se na cama à espera da justiça do povo-0300, êta gente boazinha!, quando os outros participantes, enciumados, vingativos, tentaram defenestrá-lo por quatro semanas consecutivas. É um caso típico do bom selvagem brasileiro. Ao mesmo tempo em que se mostrava sedutor e brincalhão, Dhomini traiu a namorada em rede nacional. Disse que briga muito em sua cidade (tem processos por isso). Que por várias vezes durante o programa, quando os adversários o mandaram para o paredão, viu tudo escuro. Que trata-se da vertigem que anuncia o momento em que perde a razão e sai dando porrada. Que quando saiu de Goiânia para o programa, sua família só lhe pediu que não batesse em ninguém na casa do BBB. Que, profissional até a última linha, cumpriu o pactuado. Sobre o que fará agora do lado de fora da casa, Dhomini nada adiantou.
joaquimfsantos@nominimo.ibest.com.br
28.3.03
27.3.03
Novas diretrizes em tempos de Paz
Estou em estado de graça, de afetos e perceptos, de bençãos dos deuses do teatro, fui assistir hoje (quarta-feira) a premiada peça do Bosco Brasil com o Toni Ramos e o Dan Stulbach Novas diretrizes..., no luxuoso auditorio da EMERJ - Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro -- em uma apresentação especial, abrindo as atividades culturais dessa instituição. Ao final do espétáculo, um raro presente: debate com o autor, os atores e a diretora do espetáculo.
Novas diretrizes em tempos de Paz é o encontro de um funcionário do serviço de imigração e um polonês em busca do seu visto de permanência no Brasil ao fim da Segunda Guerra. O que acontece a seguir é um delicado diálogo entre dois seres humanos solitários que necessitam da Arte para o resgate da sua humanidade. Fiquei chapada com o espetáculo, e há muito não me comovia tanto. A abordagem comovente do teatro como resgate da emoção e do afeto, do teatro que nos faz lembrar que somos seres humanos. A peça é uma celebração à vida, à arte e ao teatro.
Meu avô paterno era imigrante polonês chegado aqui na Segunda Guerra, e pela primeira vez na minha vida, fiquei imaginando o que ele deveria ter passado para conseguir o seu visto de permanência. E eu via o meu avô (eu aprendí a falar polonês com o meu avô, desde as minhas primeiras palavras) até no sotaque encarnado no personagem do Clausevitz, o imigrante polonês interpretado brilhantemente pelo ator Dan Strulbach. As inseguranças, o medo do personagem poderiam ter sido as mesmas do meu avô ao enfrentar situação semelhante a do personagem.
Voltarei ao assunto da peça para falar da minha reconciliação com o "teatrão", a
partir desse espetáculo.
Um agradecimento muito especial à minha querida amiga blogueira, Cora Rónai, a primeira pessoa que me deu o toque sobre esse espetáculo, quando comentou lá no InternETC a respeito.
Estou em estado de graça, de afetos e perceptos, de bençãos dos deuses do teatro, fui assistir hoje (quarta-feira) a premiada peça do Bosco Brasil com o Toni Ramos e o Dan Stulbach Novas diretrizes..., no luxuoso auditorio da EMERJ - Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro -- em uma apresentação especial, abrindo as atividades culturais dessa instituição. Ao final do espétáculo, um raro presente: debate com o autor, os atores e a diretora do espetáculo.
Novas diretrizes em tempos de Paz é o encontro de um funcionário do serviço de imigração e um polonês em busca do seu visto de permanência no Brasil ao fim da Segunda Guerra. O que acontece a seguir é um delicado diálogo entre dois seres humanos solitários que necessitam da Arte para o resgate da sua humanidade. Fiquei chapada com o espetáculo, e há muito não me comovia tanto. A abordagem comovente do teatro como resgate da emoção e do afeto, do teatro que nos faz lembrar que somos seres humanos. A peça é uma celebração à vida, à arte e ao teatro.
Meu avô paterno era imigrante polonês chegado aqui na Segunda Guerra, e pela primeira vez na minha vida, fiquei imaginando o que ele deveria ter passado para conseguir o seu visto de permanência. E eu via o meu avô (eu aprendí a falar polonês com o meu avô, desde as minhas primeiras palavras) até no sotaque encarnado no personagem do Clausevitz, o imigrante polonês interpretado brilhantemente pelo ator Dan Strulbach. As inseguranças, o medo do personagem poderiam ter sido as mesmas do meu avô ao enfrentar situação semelhante a do personagem.
Voltarei ao assunto da peça para falar da minha reconciliação com o "teatrão", a
partir desse espetáculo.
Um agradecimento muito especial à minha querida amiga blogueira, Cora Rónai, a primeira pessoa que me deu o toque sobre esse espetáculo, quando comentou lá no InternETC a respeito.
25.3.03
Sobre "O Atorzinho" - depoimento do jovem ator Rafael Rodriguez
É pura verdade o que o Igor escreveu. Fui no ano passado procurar um curso legal no Rio e só encontrei cursinhos água com açúcar (não eram ruins, o problema é que a maioria dos alunos estavam ali para aparecer e falar que é melhor que o outro, o pior era e é ver criança assim). Estava muito triste e frustrado com isso tudo... fiz interpretação para vídeo, etc... Até que na semana passada encontrei um curso muito bacana de formação profissional e o melhor sem ser caro.
* Este depoimento do Rafael estava lá no comentários do Teatro ETC & Tal, ele fala por si, corroborando o texto do Igo Ribeiro. Rafael Rodriguez é ator e blogueiro. É o criador do ótimo blog A escada, onde ele posta os melhores textos sobre teatro (De Artaud, Louis Jouvet a Rubens Correa).
É pura verdade o que o Igor escreveu. Fui no ano passado procurar um curso legal no Rio e só encontrei cursinhos água com açúcar (não eram ruins, o problema é que a maioria dos alunos estavam ali para aparecer e falar que é melhor que o outro, o pior era e é ver criança assim). Estava muito triste e frustrado com isso tudo... fiz interpretação para vídeo, etc... Até que na semana passada encontrei um curso muito bacana de formação profissional e o melhor sem ser caro.
* Este depoimento do Rafael estava lá no comentários do Teatro ETC & Tal, ele fala por si, corroborando o texto do Igo Ribeiro. Rafael Rodriguez é ator e blogueiro. É o criador do ótimo blog A escada, onde ele posta os melhores textos sobre teatro (De Artaud, Louis Jouvet a Rubens Correa).
* Esse post da Rosinha-Sadam foi um presente do David. Foi criado especialmente para o meu blog. Estreiou aqui. Se alguém quiser levar, sinta-se á vontade.
David Lima é ator (formado pela CAL) blogueiro, webdesigner, poeta dos bons e escritor. Escreve muito bem, tem textos teatrais, ainda inéditos. É o jovem (apenas 21 anos) mais velho que eu conheço. Impressionantemente maduro para a sua idade, inteligente, bem informado. É o meu mais recente amigo de infância. Gosto muito de trocar idéias com ele. Estamos sempre conversando pelo ICQ, trocando idéias sobre a guerra, teatro, artes e artistas e amigos em comum.
David Lima é ator (formado pela CAL) blogueiro, webdesigner, poeta dos bons e escritor. Escreve muito bem, tem textos teatrais, ainda inéditos. É o jovem (apenas 21 anos) mais velho que eu conheço. Impressionantemente maduro para a sua idade, inteligente, bem informado. É o meu mais recente amigo de infância. Gosto muito de trocar idéias com ele. Estamos sempre conversando pelo ICQ, trocando idéias sobre a guerra, teatro, artes e artistas e amigos em comum.
23.3.03
22.3.03
A guerra do Iraque e os movimentos de singularidade
Esse post foi uma resposta a algumas pessoas, poucas felizmente, que foram ao blog da Cora ( lá tem a cobertura mais completa sobre a guerra ), comentando que não vale a pena protestar.
O importante é gritar, espernear, protestar seja de que forma for, ou por quais meios de comunicação. Ou na falta dos meios tradicionais, inventar outras formas de comunicação (blogar é uma delas) para detonar a nossa indignação perante um mundo cada vez mais deteriorado, caótico e absurdo.
Milhares e milhares, milhões de pessoas unidas no protesto como esse agora da guerra do Iraque, vão se constituir em uma fôrça invisível atuando nos domínios de sensiblidade, de inteligência e desejo humano, focalizada no destino da humanidade, agindo assim individual e coletivamente para encontrar soluções para a saída de uma das maiores crises da nossa época.
São os movimentos singulares de subjetividade humana, assim nomeados pelo psicanalista e filósofo francês Félix Guattari, quando criou a ECOSOFIA -- articulação ético-política entre os três registros ecológicos: o do meio ambiente, o das relações sociais e o da subjetividade humana. Embasado na Ecosofia, o movimento ecosofista para pensar e trabalhar as questões prementes da humanidade.
Tomei conhecimento do movimento ecosofista quando estava morando em Paris, em 1993/1994, e conhecí alguns adeptos desse movimento. Embarquei direto nas idéias ecosofistas. Desde então, tenho pautado o meu comportamento ético-artístico-existencial embasada no pensamento ecosófico. Para contrariar a idéia que os meus amigos fazem de mim quando me chamam de novidadeira, e torceram o nariz, achando que seria uma novidade passageira, já fazem quasi nove anos.
O blog -- o meu, o teu, o nosso blogar, é um desses movimentos de singularidade. É um processo de singularização numa nova prática social de comunicação na relação com o outro, com o estrangeiro, com o estranho, nova prática de militância de idéias, de trabalho, etc.etc. etal. e que diga mais Hernani Diamantas, mestrado e doutorado no assunto.
Toda uma dinamização da retomada de confiança da humanidade em si mesma está para ser forjada aos poucos, e às vezes, a partir dos meios os mais minúsculos. (O blog se insere nesse contexto). No mínimo pelo fato de que corremos o risco de não mais haver história humana se a humanidade não reassumir a si mesma radicalmente. O ideal é dificultar o pessimismo e a passividade que nos envolvem.
Assim falou Félix Guattari em "As três ecologias".
Esse post foi uma resposta a algumas pessoas, poucas felizmente, que foram ao blog da Cora ( lá tem a cobertura mais completa sobre a guerra ), comentando que não vale a pena protestar.
O importante é gritar, espernear, protestar seja de que forma for, ou por quais meios de comunicação. Ou na falta dos meios tradicionais, inventar outras formas de comunicação (blogar é uma delas) para detonar a nossa indignação perante um mundo cada vez mais deteriorado, caótico e absurdo.
Milhares e milhares, milhões de pessoas unidas no protesto como esse agora da guerra do Iraque, vão se constituir em uma fôrça invisível atuando nos domínios de sensiblidade, de inteligência e desejo humano, focalizada no destino da humanidade, agindo assim individual e coletivamente para encontrar soluções para a saída de uma das maiores crises da nossa época.
São os movimentos singulares de subjetividade humana, assim nomeados pelo psicanalista e filósofo francês Félix Guattari, quando criou a ECOSOFIA -- articulação ético-política entre os três registros ecológicos: o do meio ambiente, o das relações sociais e o da subjetividade humana. Embasado na Ecosofia, o movimento ecosofista para pensar e trabalhar as questões prementes da humanidade.
Tomei conhecimento do movimento ecosofista quando estava morando em Paris, em 1993/1994, e conhecí alguns adeptos desse movimento. Embarquei direto nas idéias ecosofistas. Desde então, tenho pautado o meu comportamento ético-artístico-existencial embasada no pensamento ecosófico. Para contrariar a idéia que os meus amigos fazem de mim quando me chamam de novidadeira, e torceram o nariz, achando que seria uma novidade passageira, já fazem quasi nove anos.
O blog -- o meu, o teu, o nosso blogar, é um desses movimentos de singularidade. É um processo de singularização numa nova prática social de comunicação na relação com o outro, com o estrangeiro, com o estranho, nova prática de militância de idéias, de trabalho, etc.etc. etal. e que diga mais Hernani Diamantas, mestrado e doutorado no assunto.
Toda uma dinamização da retomada de confiança da humanidade em si mesma está para ser forjada aos poucos, e às vezes, a partir dos meios os mais minúsculos. (O blog se insere nesse contexto). No mínimo pelo fato de que corremos o risco de não mais haver história humana se a humanidade não reassumir a si mesma radicalmente. O ideal é dificultar o pessimismo e a passividade que nos envolvem.
Assim falou Félix Guattari em "As três ecologias".
20.3.03
Minha Guerrinha Pocotó
[Versão: A Bush de Blair] - por David Lima
Um beijinho pro Chirac e também para o Putin
Só não posso é deixar de explodir tudo sozinho
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó
O Iraque vai virar pó
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó
Do Saddam não tenho dó
Bush e Blair são espertinhos
Eles nunca atacam só
Quando inventam de 'bombar'
Chamam o idiota do Aznar
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó
E a ONU é bocó
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó
Pacifista me dá dó
Meus canhões são poderosos
Meu exército é o maior
Quando ataca os inimigos
É o meu prazer maior
update: mudança do título da música brilhantemente dada pela Naiara
Esta parodia de Pocotó eu roubei aqui do Marola, blog do meu amigo David Lima -- ator, poeta, escritor e blogueiro.
Eu estava pensando em postar aqui um texto, uma poesia ou uma frase de algum autor que refletisse com humor e picardia o tema guerra. Tudo o que eu encontrei era muito pesado e dramático, até chegar ao blog do David.
Essa parodia do funk Pocotó do MCSerginho para falar dessa guerra absurda foi um achado genial. Com um texto caustico e mordaz, detona geral, mostrando o seu inconformismo e a sua visão do mundo contemporâneo com muito humor e criatividade. Adorei. Valeu, David.
[Versão: A Bush de Blair] - por David Lima
Um beijinho pro Chirac e também para o Putin
Só não posso é deixar de explodir tudo sozinho
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó
O Iraque vai virar pó
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó
Do Saddam não tenho dó
Bush e Blair são espertinhos
Eles nunca atacam só
Quando inventam de 'bombar'
Chamam o idiota do Aznar
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó
E a ONU é bocó
Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó
Pacifista me dá dó
Meus canhões são poderosos
Meu exército é o maior
Quando ataca os inimigos
É o meu prazer maior
update: mudança do título da música brilhantemente dada pela Naiara
Esta parodia de Pocotó eu roubei aqui do Marola, blog do meu amigo David Lima -- ator, poeta, escritor e blogueiro.
Eu estava pensando em postar aqui um texto, uma poesia ou uma frase de algum autor que refletisse com humor e picardia o tema guerra. Tudo o que eu encontrei era muito pesado e dramático, até chegar ao blog do David.
Essa parodia do funk Pocotó do MCSerginho para falar dessa guerra absurda foi um achado genial. Com um texto caustico e mordaz, detona geral, mostrando o seu inconformismo e a sua visão do mundo contemporâneo com muito humor e criatividade. Adorei. Valeu, David.
16.3.03
O atorzinho
ou Como ser um atorzinho na vida
Primeiro: Matricule-se num cursinho da moda. Vale tudo: interpretação pra tv com diretor famoso, técnicas psicobiofísicas do teatro contemporâneo, acrobacia aérea no teatro elisabetano e qualquer coisa que entre Nelson Rodrigues. O importante é ser cult e ser caro, muito caro.
Segundo: Frequente o Baixo Gávea, o Posto 9, Santa Teresa (morar lá então é o must), qualquer show de forró ou chorinho (que tá na modinha) e a Lapa dia de semana. Estar nestes lugares em dias e horas extravagantes é a grande dica.
Terceiro: Chegue sempre atrasado em qualquer compromisso. Diga que estava num ensaio e complete com frases do tipo: - Ai, minha vida está uma loucura...não tenho tido tempo pra nada!
Quarto: Tenha amigos em todo lugar. Talento não abre portas. Seja sempre conhecido de fulano, ex-namorado de sicrana ou sicrano, primo de beltrano ou cunhado da filha do irmão do padrinho de qualquer pessoa. Se for filho de alguém então, você está feito!
Quinto: Aceite qualquer trabalho para tirar o registro. Vale tudo: não importa o número de peças infantís retardadas que você fez, junte tudo num envelope bem bacana, anexe umas declarações de uns cursos que você nunca fez, mas conhece o cara que deu, e garanta o seu passaporte para o sucesso!
Sexto: Faça muito "Projeto Escola" canalha. Junte um grupinho e monte uma pecinha sobre drogas ou ensinando criança a escovar os dentes ou cuidar da mamãe natureza. Ganhe muito dinheiro com isto e diga a todos que você, pelo menos, tá fazendo teatro!!!
Sétimo: Guarde suas opiniões sempre para você (se é que você tem alguma). Ator tem que ser bonitinho, carismático, mudo, surdo, cego e burro.
Oitavo: Não fique indignado quando aparecer outros na sua frente iguais a você, tirando o seu espaço. Isto se chama inveja e é muito feio!
Nono: Idolatre tudo que estiver na mídia. E ponto.
Décimo: Faça o esforço que for para ser visto em estréias concorridas e diga que recebeu o convite da produção. Vá com uma roupa bem chamativa, mas mantenha um ar de despojado... Antes da peça começar, fale com todos os conhecidos que encontrar para denotar popularidade. Quando sentar na cadeira, estale o pescoço e gire os ombros. Ator vive se alongando!
Pronto. Você já é um ator! Todos já lhe notaram. Está preparado para ser um astro! Se Almodovar ainda não lhe colocou num filme, é porque não lhe conhece ainda!
Como quem é Almodovar??? Mulheres a beira de um ataque de nervos, Fale com ela...
Ah, deixa pra lá!!!
PS - Esse texto é do ator, diretor e professor de teatro, o IGO RIBEIRO. Eu roubei lá do Forum de Teatro, onde está rolando há mais de duas semanas uma discussão sobre a profissão de ator. Não resistí. O texto do Igo é genial, muito bem sacado e com muito bom humor. Mas também é ácido e contundente, a marca inconfundível do Igo, que quando entra no forum arrasa numa boa ou detona geral. Adoro ele. É brilhante. E torço pela sua carreira.
ou Como ser um atorzinho na vida
Primeiro: Matricule-se num cursinho da moda. Vale tudo: interpretação pra tv com diretor famoso, técnicas psicobiofísicas do teatro contemporâneo, acrobacia aérea no teatro elisabetano e qualquer coisa que entre Nelson Rodrigues. O importante é ser cult e ser caro, muito caro.
Segundo: Frequente o Baixo Gávea, o Posto 9, Santa Teresa (morar lá então é o must), qualquer show de forró ou chorinho (que tá na modinha) e a Lapa dia de semana. Estar nestes lugares em dias e horas extravagantes é a grande dica.
Terceiro: Chegue sempre atrasado em qualquer compromisso. Diga que estava num ensaio e complete com frases do tipo: - Ai, minha vida está uma loucura...não tenho tido tempo pra nada!
Quarto: Tenha amigos em todo lugar. Talento não abre portas. Seja sempre conhecido de fulano, ex-namorado de sicrana ou sicrano, primo de beltrano ou cunhado da filha do irmão do padrinho de qualquer pessoa. Se for filho de alguém então, você está feito!
Quinto: Aceite qualquer trabalho para tirar o registro. Vale tudo: não importa o número de peças infantís retardadas que você fez, junte tudo num envelope bem bacana, anexe umas declarações de uns cursos que você nunca fez, mas conhece o cara que deu, e garanta o seu passaporte para o sucesso!
Sexto: Faça muito "Projeto Escola" canalha. Junte um grupinho e monte uma pecinha sobre drogas ou ensinando criança a escovar os dentes ou cuidar da mamãe natureza. Ganhe muito dinheiro com isto e diga a todos que você, pelo menos, tá fazendo teatro!!!
Sétimo: Guarde suas opiniões sempre para você (se é que você tem alguma). Ator tem que ser bonitinho, carismático, mudo, surdo, cego e burro.
Oitavo: Não fique indignado quando aparecer outros na sua frente iguais a você, tirando o seu espaço. Isto se chama inveja e é muito feio!
Nono: Idolatre tudo que estiver na mídia. E ponto.
Décimo: Faça o esforço que for para ser visto em estréias concorridas e diga que recebeu o convite da produção. Vá com uma roupa bem chamativa, mas mantenha um ar de despojado... Antes da peça começar, fale com todos os conhecidos que encontrar para denotar popularidade. Quando sentar na cadeira, estale o pescoço e gire os ombros. Ator vive se alongando!
Pronto. Você já é um ator! Todos já lhe notaram. Está preparado para ser um astro! Se Almodovar ainda não lhe colocou num filme, é porque não lhe conhece ainda!
Como quem é Almodovar??? Mulheres a beira de um ataque de nervos, Fale com ela...
Ah, deixa pra lá!!!
PS - Esse texto é do ator, diretor e professor de teatro, o IGO RIBEIRO. Eu roubei lá do Forum de Teatro, onde está rolando há mais de duas semanas uma discussão sobre a profissão de ator. Não resistí. O texto do Igo é genial, muito bem sacado e com muito bom humor. Mas também é ácido e contundente, a marca inconfundível do Igo, que quando entra no forum arrasa numa boa ou detona geral. Adoro ele. É brilhante. E torço pela sua carreira.
15.3.03
Evolução
O que me impressiona, á vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser o nosso futuro.
Mario Quintana - Caderno H
O que me impressiona, á vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser o nosso futuro.
Mario Quintana - Caderno H
14.3.03
Matusalém, Matusca -- é tudo mentira, ou não.
Na vizinhança blogueira, tem um blog que tem por símbolo um sarcófago, que vem atraindo a mulherada como um imã. O blog tem de desenhos animados louquíssimos e cartuns com o personagem Capitão Chopp, textos de receita de torta sueca a narração das fantásticas aventuras vividas pelo dono do blog, o Matusalém, Matusca. Aqui Nominimo, mereceu uma chamada na primeira página, e além disso, é o blog favorito da semana. A verdadeira identidade desse Matusa é um mistério, mas todo esse assédio da mulherada sinaliza que o símbolo daquele sarcófago disfarça a existencia de alguém vivo, muito vivo e
bem disposto. O que será que será? Não sei. Não sei não, mas desconfio de muita coisa...
Na vizinhança blogueira, tem um blog que tem por símbolo um sarcófago, que vem atraindo a mulherada como um imã. O blog tem de desenhos animados louquíssimos e cartuns com o personagem Capitão Chopp, textos de receita de torta sueca a narração das fantásticas aventuras vividas pelo dono do blog, o Matusalém, Matusca. Aqui Nominimo, mereceu uma chamada na primeira página, e além disso, é o blog favorito da semana. A verdadeira identidade desse Matusa é um mistério, mas todo esse assédio da mulherada sinaliza que o símbolo daquele sarcófago disfarça a existencia de alguém vivo, muito vivo e
bem disposto. O que será que será? Não sei. Não sei não, mas desconfio de muita coisa...
12.3.03
A dura vida de artista
Aqui no meu outro blog, o Teatro ETC & Tal, um contundente depoimento de uma talentosa e respeitada diretora teatral que depois de vender não sei quantos bens herdados de família -- inclusive apartamentos para pagar dívidas de seus investimentos no teatro, despediu-se da vida artística e foi embora do País, encerrando assim uma sólida e brilhante carreira com contribuições definitivas para o teatro brasileiro, apesar de quasi ignorada pela crítica teatral e pela mídia.
UPDATE:Aqui na revista on-line Interpalco, com chamada na primeira página, um comentário crítico que eu fiz sobre "O PENHOR DESSA IGUALDADE", o último espetáculo aqui no Rio, da diretora em questão.
Aqui no meu outro blog, o Teatro ETC & Tal, um contundente depoimento de uma talentosa e respeitada diretora teatral que depois de vender não sei quantos bens herdados de família -- inclusive apartamentos para pagar dívidas de seus investimentos no teatro, despediu-se da vida artística e foi embora do País, encerrando assim uma sólida e brilhante carreira com contribuições definitivas para o teatro brasileiro, apesar de quasi ignorada pela crítica teatral e pela mídia.
UPDATE:Aqui na revista on-line Interpalco, com chamada na primeira página, um comentário crítico que eu fiz sobre "O PENHOR DESSA IGUALDADE", o último espetáculo aqui no Rio, da diretora em questão.
11.3.03
9.3.03
7.3.03
Um lencinho
não dá para enxugar
o rio de lágrimas
que eu tenho para chorar.
Esse versinho é a letra de uma canção que eu aprendí ouvindo um programa de músicas da antiga, na Radio Nacional. Adorei a letra e a música, mas não conseguí pegar a segunda parte. Desde então, só dá essa música no meu repertorio. Ela lembra aquelas músicas cantadas pela Emilinha, naquele seu conhecido gesto com os braços levantados a altura dos cotovelos, o dedo indicador de cada mão levantado e apontando pra cima, liderando os movimentos de um ligeiro balanço de corpo. Eu canto assim incorporando a Emilinha. Treinando de leve uma mímesis corpórea.
não dá para enxugar
o rio de lágrimas
que eu tenho para chorar.
Esse versinho é a letra de uma canção que eu aprendí ouvindo um programa de músicas da antiga, na Radio Nacional. Adorei a letra e a música, mas não conseguí pegar a segunda parte. Desde então, só dá essa música no meu repertorio. Ela lembra aquelas músicas cantadas pela Emilinha, naquele seu conhecido gesto com os braços levantados a altura dos cotovelos, o dedo indicador de cada mão levantado e apontando pra cima, liderando os movimentos de um ligeiro balanço de corpo. Eu canto assim incorporando a Emilinha. Treinando de leve uma mímesis corpórea.
6.3.03
4.3.03
* Esse post de Pocotó, postado aqui na íntegra, é a minha participação no forum permanente de debates do COMUNIQUE-SE -- o maior portal de encontro de jornalistas brasileiros. A discussão lá está acirrada, rolando desde a quarta-feira da semana passada na seção EM PAUTA, sobre o artigo do jornalista, escritor, cartunista e publicitário Luciano Pires, com o título: A baixaria dominou tudo ( tá tudo dominado) .
Se quiser dar um pitaco nessa discussão, sinta-se á vontade.
Se quiser dar um pitaco nessa discussão, sinta-se á vontade.
Pocotó, Lacraia e MCSerginho
Eguinha Pocotó é muito mais do que uma musiquinha sucesso do momento, ela é o retrato do nosso Pais, ela é a nossa cara, com todos os nossos problemas politico-socio-culturais-educacionais. Desculpem a obviedade, mas é isso aí. A gente fala muito do óbvio, mas não pensa o óbvio -- ululante, como diria o nosso Shakespeare, o genial Nelson Rodrigues. Para o gôsto elitista, pequeno-burguês, o sucesso de músicas como essa, é ver o triunfo da vulgaridade, da
mediocridade, da imoralidade, etc. e tal. e todos esses parâmetros da nossa moral pequeno-burguêsa, acomodada e preconceituosa. Serginho, Lacraia, Pocotó mexeram com todos esses valores.
Agora, Pocotó, MCSerginho e Lacraia, vistos sob outra ótica, com um outro olhar, um olhar despojado de preconceitos e voltado para a compreensão e o entendimento, e com muito mais atenção para essa outra realidade, procurando ver além disso, como o estudante João Pequeno Bandeira de Mello falou aqui com muita propriedade, quando disse que não foi o Gugu e nem Faustão que deram o sucesso para eles. Eles batalharam essa conquista. Foi batalhada, conquistada palmo a palmo. Vi na internet, uma entrevista do Serginho e Lacraia no bate-papo do Uol, onde ele conta isso. Foi frentista, DJ, sendo que nessa última função foi onde tudo começou, "quando o baile tava fraco a Lacraia começava a dançar". Daí à composição foi um passo.
Conta também que sempre fizeram sucesso com o povão e as crianças - sempre elas, os nossos mestres, sem preconceito. Nessa entrevista, ele fala com muita honestidade o seu relacionamento-casamento com o Lacraia, há doze anos, e os preconceitos que ambos enfrentaram antes do sucesso. Só pelo fato de ter sempre assumido esse relacionamento, já é merecedor de todo o nosso respeito.
Não vejo televisão, por opção e algumas vezes por falta de tempo ( trabalho e estudo). Não vi esses programas, e nem ouvi no rádio, mas tenho acompanhado o ti-ti-ti em tôrno. Agora, depois do que a goiana Auri falou aqui, eu também tenho sangue mestiço, não posso ouvir nenhuma batida que já saio balançando o esqueleto, vou dar um jeito de ouvir logo.
Quanto a letra da eguinha Pocotó eu acho um primor de afetuosidade, carinho e delicadeza, quando manda beijinhos para a filhinha e a vovó. Adorei. Na entrevista ele fala que Pocotó foi feita para a sua filha, a Carol. A Carol, parece-me que é cuidada pela avó. Ele era casado, separou-se, e um tempo depois conheceu o Lacraia, na quadra do Salgueiro, aqui no Rio de Janeiro
Entre os valores abordados, vale ressaltar o companheirismo, sem discriminação de sexo ou classe social, quando canta que o cavalinho e o jumento levam a eguinha para passear. Vale mencionar que não foi esquecido aqui o amiguinho jumento (também chamado de burro) de outra classe social. Na hierarquia social equina, o jumento é considerado de baixa classe social. Além disso, a delicadeza, o carinho e o cuidado com a amiga, a eguinha Pocotó, levada junto com eles, para passear. Os quadrupinhos, têm um comportamento digno de elogios, e quantos bípedes pensantes mereceriam ser elogiados por um comportamento semelhante
Por outro lado, ele merece o respeito pela conquista do sucesso, nada fácil. Ralaram muito antes disso. Jornada essa duplamente díficil, considerando-se o seu assumido homosexualismo. Sou também atriz, bacharel em artescênicas, pela UFRGS, e vim para o Rio fazer teatro, e enveredei por outros caminhos por questões de sobrevivência. Portanto, eu sei muito bem o que significa ser artista, ou ter aspirações a tal nesse nosso País.
Quanto ao primarismo, etc. etal apontado nas letras, queriam o quê de um cara semi-alfabeto, sem nenhuma instrução ou qualquer tipo de orientação educacional ou cultural. Para quem não teve orientação, além do funk e dos bailes funks que ele adora, o seu gôsto é bastante eclético. Gosta de pagode, música sertaneja e música clássica. E declaro aqui que espero anciosamente as outras músicas da dupla para o próximo CD: " Cavalo da pata quebrada " - a resposta do cachorrinho, e " Cafetão de Puta Pobre ".
Finalisando eu quero dizer que nessa diversidade cultural de várias procedências e muitas tendências, tenho o maior orgulho e o prazer de constatar nesse cenário artístico-musical brasileiro, o grupo originário do município de Arco Verde - porta de entrada do sertão pernambucano, o Cordel de Fogo Encantado. Como muito bem disse o João P. Bandeira de Mello é inesquecível, principalmente quando o jovem vocalista e pandeirista do grupo, o Leirinha recita lindamente os versos de cordel nordestino. Lindo demais. Para complementar a a lista de músicos e compositores, postada aqui pela goiana Auri, o João, o Talis, Cyntia Cruz, Fabio de Mello e Marcos Farias, citarei os da antiga, Ismael Silva, Vadico, Assis Valente, Geraldo Perreira, Sinhô; da moderna geração Chico Science, Zeca Baleiro, entre outros; o cearense Fagner, os mineiros Wagner Tiso e o grupo instrumental Uakti; os gaúchos Ney Lisboa, Victor Ramil e Lupiscinio Rodrigues; os paulistas Adoniran Barbosa e Renato Teixeira; o baiano avô do rock nacional, o Raul Seixas e os geniais curitibanos, vanguarda da vanguarda, o "nêgo dito" Itamar Assumpção e o "tubarão" Arrigo Barnabé.
E para finalizar deixo aqui esse verso - o meu preferido - do poeta Octávio Paz:
Me olho no que vejo / como entrar por meus olhos / com um olhar mais puro / é todo o meu desejo.
Eguinha Pocotó é muito mais do que uma musiquinha sucesso do momento, ela é o retrato do nosso Pais, ela é a nossa cara, com todos os nossos problemas politico-socio-culturais-educacionais. Desculpem a obviedade, mas é isso aí. A gente fala muito do óbvio, mas não pensa o óbvio -- ululante, como diria o nosso Shakespeare, o genial Nelson Rodrigues. Para o gôsto elitista, pequeno-burguês, o sucesso de músicas como essa, é ver o triunfo da vulgaridade, da
mediocridade, da imoralidade, etc. e tal. e todos esses parâmetros da nossa moral pequeno-burguêsa, acomodada e preconceituosa. Serginho, Lacraia, Pocotó mexeram com todos esses valores.
Agora, Pocotó, MCSerginho e Lacraia, vistos sob outra ótica, com um outro olhar, um olhar despojado de preconceitos e voltado para a compreensão e o entendimento, e com muito mais atenção para essa outra realidade, procurando ver além disso, como o estudante João Pequeno Bandeira de Mello falou aqui com muita propriedade, quando disse que não foi o Gugu e nem Faustão que deram o sucesso para eles. Eles batalharam essa conquista. Foi batalhada, conquistada palmo a palmo. Vi na internet, uma entrevista do Serginho e Lacraia no bate-papo do Uol, onde ele conta isso. Foi frentista, DJ, sendo que nessa última função foi onde tudo começou, "quando o baile tava fraco a Lacraia começava a dançar". Daí à composição foi um passo.
Conta também que sempre fizeram sucesso com o povão e as crianças - sempre elas, os nossos mestres, sem preconceito. Nessa entrevista, ele fala com muita honestidade o seu relacionamento-casamento com o Lacraia, há doze anos, e os preconceitos que ambos enfrentaram antes do sucesso. Só pelo fato de ter sempre assumido esse relacionamento, já é merecedor de todo o nosso respeito.
Não vejo televisão, por opção e algumas vezes por falta de tempo ( trabalho e estudo). Não vi esses programas, e nem ouvi no rádio, mas tenho acompanhado o ti-ti-ti em tôrno. Agora, depois do que a goiana Auri falou aqui, eu também tenho sangue mestiço, não posso ouvir nenhuma batida que já saio balançando o esqueleto, vou dar um jeito de ouvir logo.
Quanto a letra da eguinha Pocotó eu acho um primor de afetuosidade, carinho e delicadeza, quando manda beijinhos para a filhinha e a vovó. Adorei. Na entrevista ele fala que Pocotó foi feita para a sua filha, a Carol. A Carol, parece-me que é cuidada pela avó. Ele era casado, separou-se, e um tempo depois conheceu o Lacraia, na quadra do Salgueiro, aqui no Rio de Janeiro
Entre os valores abordados, vale ressaltar o companheirismo, sem discriminação de sexo ou classe social, quando canta que o cavalinho e o jumento levam a eguinha para passear. Vale mencionar que não foi esquecido aqui o amiguinho jumento (também chamado de burro) de outra classe social. Na hierarquia social equina, o jumento é considerado de baixa classe social. Além disso, a delicadeza, o carinho e o cuidado com a amiga, a eguinha Pocotó, levada junto com eles, para passear. Os quadrupinhos, têm um comportamento digno de elogios, e quantos bípedes pensantes mereceriam ser elogiados por um comportamento semelhante
Por outro lado, ele merece o respeito pela conquista do sucesso, nada fácil. Ralaram muito antes disso. Jornada essa duplamente díficil, considerando-se o seu assumido homosexualismo. Sou também atriz, bacharel em artescênicas, pela UFRGS, e vim para o Rio fazer teatro, e enveredei por outros caminhos por questões de sobrevivência. Portanto, eu sei muito bem o que significa ser artista, ou ter aspirações a tal nesse nosso País.
Quanto ao primarismo, etc. etal apontado nas letras, queriam o quê de um cara semi-alfabeto, sem nenhuma instrução ou qualquer tipo de orientação educacional ou cultural. Para quem não teve orientação, além do funk e dos bailes funks que ele adora, o seu gôsto é bastante eclético. Gosta de pagode, música sertaneja e música clássica. E declaro aqui que espero anciosamente as outras músicas da dupla para o próximo CD: " Cavalo da pata quebrada " - a resposta do cachorrinho, e " Cafetão de Puta Pobre ".
Finalisando eu quero dizer que nessa diversidade cultural de várias procedências e muitas tendências, tenho o maior orgulho e o prazer de constatar nesse cenário artístico-musical brasileiro, o grupo originário do município de Arco Verde - porta de entrada do sertão pernambucano, o Cordel de Fogo Encantado. Como muito bem disse o João P. Bandeira de Mello é inesquecível, principalmente quando o jovem vocalista e pandeirista do grupo, o Leirinha recita lindamente os versos de cordel nordestino. Lindo demais. Para complementar a a lista de músicos e compositores, postada aqui pela goiana Auri, o João, o Talis, Cyntia Cruz, Fabio de Mello e Marcos Farias, citarei os da antiga, Ismael Silva, Vadico, Assis Valente, Geraldo Perreira, Sinhô; da moderna geração Chico Science, Zeca Baleiro, entre outros; o cearense Fagner, os mineiros Wagner Tiso e o grupo instrumental Uakti; os gaúchos Ney Lisboa, Victor Ramil e Lupiscinio Rodrigues; os paulistas Adoniran Barbosa e Renato Teixeira; o baiano avô do rock nacional, o Raul Seixas e os geniais curitibanos, vanguarda da vanguarda, o "nêgo dito" Itamar Assumpção e o "tubarão" Arrigo Barnabé.
E para finalizar deixo aqui esse verso - o meu preferido - do poeta Octávio Paz:
Me olho no que vejo / como entrar por meus olhos / com um olhar mais puro / é todo o meu desejo.
1.3.03
Só até domingo
TEATRO EM CIMA E EMBAIXO DO PALCO: GRUPO SOBREVENTO COMEMORA 15 ANOS
ENCENANDO A PEÇA ‘SUBMUNDO’ A 80 CENTÍMETROS DO CHÃO NO TEATRO DO JOCKEY
um espetáculo onde os atores utilizam desde uma folha de jornal
para criar bonecos, até lenços que ganham movimentos, sempre falando de
questões relativas ao Terceiro Mundo, invariavelmente com linguagem
poética. O cenário revela a idéia de um mundo subjacente a um outro,
através da utilização de dois planos. A ação se passa sobre a estrutura de
ferro. Sua preparação, porém, tem lugar ao nível do chão, coberto de areia.
Por meio de alçapões se dá a comunicação entre os dois planos.
Imperdível. Maiores detalhes aqui no blog de artes cênicas, Teatro ETC & Tal.
TEATRO EM CIMA E EMBAIXO DO PALCO: GRUPO SOBREVENTO COMEMORA 15 ANOS
ENCENANDO A PEÇA ‘SUBMUNDO’ A 80 CENTÍMETROS DO CHÃO NO TEATRO DO JOCKEY
um espetáculo onde os atores utilizam desde uma folha de jornal
para criar bonecos, até lenços que ganham movimentos, sempre falando de
questões relativas ao Terceiro Mundo, invariavelmente com linguagem
poética. O cenário revela a idéia de um mundo subjacente a um outro,
através da utilização de dois planos. A ação se passa sobre a estrutura de
ferro. Sua preparação, porém, tem lugar ao nível do chão, coberto de areia.
Por meio de alçapões se dá a comunicação entre os dois planos.
Imperdível. Maiores detalhes aqui no blog de artes cênicas, Teatro ETC & Tal.
Parfois la semaine
Eu não quero ser pessimista, mas estamos todos vivendo no meio de uma guerra civil. Essa semana, no meu trabalho, a frequência de alunos não foi nem dez por cento. Quasi todos moram na periferia do Rio, e devido aos confrontos policia-bandidos, uns nem sairam de casa com medo, outros foram proibidos pelos bandidos de se afastar do morro, como já aconteceu em várias ocasiões. A diferença é que dessa vez durou a semana inteira. E a boataria, ou as histórias que o povo conta não saem no Jornal Nacional, e nos jornais impressos, quando saem é pela metade. Tem algo estranho no ar.
Nosso grito de Carnaval : SOCORRO!
Raramente assisto o noticiário da TV, mas hoje á noite em pleno Jornal Nacional,
surgiu uma propaganda ou sei lá o que era aquilo, alguém disse Nosso grito de Carnaval, e aparece uma cara no meio de um desfile gritando Socorro! Socoooorrrro! Nossa! Foi muito forte esse lance. Durou alguns segundos aquele pedido de socorro. Ato contínuo voltou para o Jornal Nacional, e apareceu aquele locutor dando as notícias do dia. Esperei que voltasse a frase e a imagem mas não voltou. Alguém viu? Gostaria muito de saber algo sobre esse lance.
Eu não quero ser pessimista, mas estamos todos vivendo no meio de uma guerra civil. Essa semana, no meu trabalho, a frequência de alunos não foi nem dez por cento. Quasi todos moram na periferia do Rio, e devido aos confrontos policia-bandidos, uns nem sairam de casa com medo, outros foram proibidos pelos bandidos de se afastar do morro, como já aconteceu em várias ocasiões. A diferença é que dessa vez durou a semana inteira. E a boataria, ou as histórias que o povo conta não saem no Jornal Nacional, e nos jornais impressos, quando saem é pela metade. Tem algo estranho no ar.
Nosso grito de Carnaval : SOCORRO!
Raramente assisto o noticiário da TV, mas hoje á noite em pleno Jornal Nacional,
surgiu uma propaganda ou sei lá o que era aquilo, alguém disse Nosso grito de Carnaval, e aparece uma cara no meio de um desfile gritando Socorro! Socoooorrrro! Nossa! Foi muito forte esse lance. Durou alguns segundos aquele pedido de socorro. Ato contínuo voltou para o Jornal Nacional, e apareceu aquele locutor dando as notícias do dia. Esperei que voltasse a frase e a imagem mas não voltou. Alguém viu? Gostaria muito de saber algo sobre esse lance.
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