31.12.02

UM ESPECIAL DO MILLÔR PARA O internETC!


Na fronteira
Para ser lido entre o último toque de 31.12.2002 e o primeiro toque de 1.1.2003



Fim de um, começo de outro, passado e presente sem contornos, a certeza, mais uma vez, de que o tempo não existe. Só existe o passar do tempo. O que nos falta, entre o ano que termina e o que começa, é um limite de precisão que não o do relógio. Não há tique-taque que meça isso a não ser o, amedrontado, do coração.

Necessitamos saber - e não podemos - se já chegamos ou ainda estamos. Queremos pelo menos uma terra-de-ninguém, que nos dê tempo de respirar, enquanto abandonamos um ano e assumimos outro. Será por isso que procuramos fazer tanto barulho quando o ano acaba? Mas não adianta tocar uma corneta, bater um bumbo, emitir um grito; as ondas se espalham, ainda!, igualmente, num ano e noutro, em círculos perfeitos que estão, ao mesmo tempo, no fundo de 2002, no primeiro degrau de 2003.

Círculos perfeitamente concêntricos de nada. O momento é totalmente vago, fugidio, não tem realidade. Estamos na angústia do que perdemos definitivamente - mais 365 dias que mergulham para sempre no buraco negro do ido - e no fulgor do primeiro minuto que virá, novo, polido, toda uma outra coisa, como nunca foi. É, ainda não chegou, e talvez jamais chegue.

Pois no meio, pavorosamente silenciosa, aquela fímbria, o instante e espaço fim/início.O intervalo invisível, inaudível. Tordesilhas de nossas vidas, linha nem sequer imaginária.

Um gesto de carinho, um copo erguido, um beijo. E o abraço do afeto, o cálice da saudação e os lábios da intimidade estarão de um lado e do outro, num tempo e noutro tempo, no aqui e agora, e no semper et ubique.

Mas é isso aí.

Feliz Ano Lula.

(Millôr Fernandes)


PS. Desculpe querida Cora, mas não deu para resistir um texto especial do Mestre Millôr em homenagem a você. Efusivos parabens. Meus respeitos.

29.12.02

Salve-se quem quiser

Ontem á noite, perdí a conta de quantos acidentes de trânsito no trajeto de Copacabana à Vila Isabel. Em Botafogo, trânsito lento perto do São João Batista e uma tensão entre os motoristas com cabeças para fora da janela, e fui entender o porquê quando a fila andou e ví umas figuras correndo entre os carros, e concluí que era um arrastão consumado -- ou não -- na frente da fila. Ou será que eu já estou mais paranoica do que devia e estou imaginando essas coisas. No Tunel Rebouças, carros á mil, e o que levei de fechada, cortada, dentro e fora do tunel nem conto. Na Praça da Bandeira um motorista de taxi quasi me ferrou, escapei por um triz.

Chegando na Vila, o mais grave acidente do percurso. No Boulevard 28 de Setembro, uma batida entre três ou quatro carros, ambulancia, bombeiros, uma multidão de curiosos, e um trânsito prá lá de caótico. Para completar a rua do Petisco da Vila fechada na sua entrada com o maior zêlo por duas patrulhinhas da PM garantindo a realização do show ou sei lá o quê num palco armado em plena rua na frente do famoso restaurante. E por causa disso tive que dar uma volta enorme até conseguir chegar à rua da minha casa. E estranhamente nenhum dos quatro seguranças particulares da minha rua estava no seu posto. Todos sumidos.

A partir de hoje, o carro vai ficar guardado na garagem até passar essa época das festas de final do ano. Deu para mim.

27.12.02

Liste dez celebridades que você convidaria para a Ceia de Natal

A Marina W do blowg e a Mariana Newlands do photodujour criaram um novo blog, o Multi-uso que já está no ar com a resposta à pergunta acima. Os blogueiros adoraram a idéia e correram em massa para participar. De Jesus Cristo presente em quasi todas as respostas, ao Zeca Pagodinho -- bem cotado nas preferencias femininas, às combinações mais inusitadas e engraçadas.
A minha escôlha já está postada lá no Multi-uso:

Luiz Inacio Lula da Silva
Eduardo Suplicy
Carlos Drummond de Andrade
John Lenon
Bethowen
Pina Bausch
Sarah Bernhardt
Bertolt Brecht
Frederico Fellini
Pablo Picasso

26.12.02

Afetos & Perceptos

Ontem, na Ceia de Natal na casa da minha irmã Reny lá em Osório, no interior do Rio Grande do Sul, o meu sobrinho tirou umas fotos digitais da minha Mãe e dos filhinhos dele e mandou para mim uma hora depois via e-mail. Nada demais. Isto é coisa comum em qualquer parte do mundo para quem tem uma câmara digital, um computador e um provedor na Internet, mas ainda não estou acostumada com essas novidades, e por mais que me acostume, acho que vou ficar maravilhada sempre.
Adorei a bela surprêsa, principalmente pela alegria da minha Mãe, com uma cara ótima, toda chique, e pela alegria das crianças, o Artur um gurizinho lindo que eu só conheço por fotos digitais, e que tem apenas oito mêses e a Izabella, de dois anos, toda faceira numa das fotos no colo da minha Mãe -- as duas são muito amigas. Da minha irmã Reny com o seu jeito osoriense de ser. Enfim, essas fotos trouxeram para mim um pouco da beleza da minha família, num presente de Natal bem diferente. (Hummm... será que era isso mesmo que eu queria dizer, sem resvalar na pieguice?Voilà).

25.12.02

Presente ou lembrancinha?

Não estou com cabeça para essas coisas de Natal e Reveillon. Essas datas perderam muito do seu significado e se transformaram na celebração máxima de rituais consumistas. Não compro presente nenhum no Natal. Ninguém me verá em shoping ou que tais para compras natalinas. Compro tudo durante o ano todo, quando vou a feiras, exposições, bazar, casas de brinquedos e presentes no Saara, etc. e vou guardando. E se acontecer de aparecer alguém para presentear á ultima hora, eu fico devendo o presente. Acho que se alguém gosta mesmo de mim, tem aprêço pela minha pessoa não vai querer me ver sofrendo, torturada em fila de shoping nessa corrida louca de fim de ano pra comprar um presente. Aliás, presente mesmo, daqueles de encher os olhos, com esta inflação sorrateira aumentando os preços todo o dia, quem não comprou com a devida antecedência, agora com esse dinheiro só vai dar para comprar uma lembrancinha, e olhe lá. Não enche os olhos, mas enche o coração. Isto é, dependendo de quem recebe e de quem dá.


Natal e Reveilon de dieta, eu?

E, ontem pra variar saí do ar, dormi a tarde toda, e pensei que a véspera de Natal era hoje. Só fui me tocar quando eu acordei com o barulho dos fogueteiros de plantão, e ouvi os recados na secretária eletronica. Como eu estou de regime e levando muito a sério, não posso comer rabanada que eu adoro e nem beber vinho por causa do remédio que eu estou tomando para a dor do trigemeo. E o reveillon não sei ainda onde vou passar. Estou pensando em ir para Tiradentes com um pessoal amigo. Só indo pro mato mesmo...sem beber e restrição à comida, não sei se vou conseguir manter esta determinação até o reveilon.

Não parece a não ser pela roupa, mas já emagrecí mais de cinco quilos. Até a semana passada quando estive na médica eram cinco quilos. Em dois mêses -- completados agora no dia 28, é muito animador, disse a médica. Para mim, nem tanto. E a dieta nesta semana tem sido mais rigorosa porque eu tive que parar de tomar o remédio para emagrecer por causa do outro para a dor da nevralgia do trigêmeo. Falando nisso, hoje eu não sentí nenhum pingo de dor.

24.12.02

Um convite inesperado

Hoje (feriado facultativo) aproveitei para ir caminhar no Maraca. Depois da caminhada eu fico fazendo uns alongamentos. Estou concentrada no meu alongamento e vem passando um cara que resolve parar e puxar papo. Idade indefinida, fazendo o gênero bonitão e se achando, vestindo uma camisa de listras largas e cores berrantes aberta até quasi a cintura ostentava uma medalha ou coisa que o valha numa corrente dourada, calça escura e sandalias trançadas de couro cru, no mais legitimo figurino sanfoneiro da Feira de São Cristóvão. Pára do meu lado,e manda esta, na maior cara de pau:
-- Fazendo ginastica?
(Eu me alongando no mais puro estilo técnica de Alexander odiei a pergunta).
-- Silêncio.
-- Está muito em forma, ainda!
(Poxa! O "ainda" pegou mal! Mesmo assim agradecí o elogio).
-- Obrigada.
( Respondo olhando pela primeira vez para a cara do sujeito. Ah, pra que eu fui responder, o inusitado convite veio de pronto).
-- Quer almoçar comigo?
-- Não.
(Claro que essa figura deve estar convidando para o almoço a um real ali no outro portão, próximo daqui).
-- A comida ali é muito boa.
(Como eu imaginara, disse isso e apontou para o lado do restaurante popular Radialista Jorge Cury, a um real, dentro do Maracanã)
-- Silêncio.
(Continuo me alongando sem olhar para ele)
-- Não tem êrro. Tô só convidando pra almoçar. Nada demais.
-- Silêncio.
(Continúo ignorando a presença dele)
-- Tá bom não quer.
-- Silêncio.
-- Eu vou pagar.
(Esta foi para sacanear)
-- Silêncio.
-- Não vai responder. Não quer mesmo?
(Ainda insiste. Que cara de pau!)
-- Silêncio.
-- Orgulhosa, né?
-- Silêncio.
-- Tá bom. Nas voltas que o mundo dá você ainda pode cair na minha rede.
-- Silêncio.
( Continúo na minha sem dizer palavra).
-- Orgulhosa... ( disse isso e vai saindo de fininho. Ainda bem).

Eu mereço... eu mereço... Quem mandou ir caminhar no Maraca depois de dez horas da manhã. A essa hora esse povo todo que votou na Rosinha do Garotinho já está a postos na fila para pegar o rango a um real).

22.12.02

Depois dessa, não conseguí mais dormir e como sou blogueira, nem esquentei, e vim blogar. E uma linda surprêsa aqui no blog da Cora. Considero-me presenteada. Valeu, Corinha.
Aargh...

Acordei antes das oito horas da manhã com um enorme estrondo, parecendo que o prédio ia desabar. Levei o maior susto até me tocar que era a criançada se atirando -- literalmente -- na piscina. O meu quarto fica em baixo da piscina das crianças. E isso que estamos apenas no comêço do verão. Se eu soubesse disso nunca iria morar em prédio com piscina. É nisso que dá querer ser chique. De mentirinha. E o peor de tudo é que algumas pessoas da vizinhança agem como se fossem ricos, e não passam de classe média metida a besta. Vivem inventando moda aqui para o prédio, e a gente tem que ficar muito esperta, e até muito a contragosto comparecer a reuniões de condomínio, para não dar maioria de votos para elas, e não ser surpreendido com alguma mirabolante novidade para o prédio e uma taxa extra absurda aumentando o condomínio.

21.12.02

Tá maus. Postar que é bom, nada. Quando essa dor passar e essa chapação toda desse remédio, eu vou ter cabeça para isso.

19.12.02

Na minha cabeça martelando uma frase do BB (Bertolt Brecht):
Nada é impossível de mudar.
Tá bom, mas às vezes independe da nossa vontade. Era isso o que eu queria dizer prá vocês que puseram esta frase lá abrindo o blog. E por hoje chega...
Dor de trigemeos

Blogando só um pouquinho para matar a vontade. Chapadona. Op's, não cheirei não fumei e nem nada de especial nas idéias, a não ser o remédio para a dor que entre outras drogas leva ópio na sua composição. Dor de trigemeo é foda!

16.12.02

Fora do ar

Você já sentiu dor de dente, mas que nada tem a ver com dente? Pois é, eu tô sentindo isso agora, a chamada nevralgia do trigemeos. Há dois anos que eu não
tinha, e pensei que estava livre da tal dor. Engano. Final de ano, estresse, e ela aproveita a brecha para atazanar a vida da gente. Aliás, atazanar não é bem o termo, porque é muito mais que isso. Quando melhorar eu volto aqui. Excusez-moi mes enfants...

10.12.02

Cultivemos o riso para celebrar as nossas diferenças.
DECLARAÇÃO DO RISO DA TERRA

Quando os deuses se encontraram
E riram pela primeira vez,
Eles criaram os planetas, as águas,
o dia e a noite.
Quando riram pela segunda vez,
criaram as plantas, os bichos e os homens.
Quando gargalharam pela última vez,
eles criaram a alma.
(de um papiro egípcio)


Palhaços do mundo uni-vos!

Vivemos um momento em que a estupidez humana é nossa maior ameaça.

Palhaços não transformam o mundo, quiçá a si mesmos.

E nós, palhaços, tontos, bufões, que levamos a vida a mostrar toda essa estupidez, cansamos.

O palhaço é a expressão da alegria,
o palhaço é a expressão da vida no que ela tem de instigante, sensível, humana.
Alegria que o palhaço realiza a cada momento de sua ação,
contribuindo para estancar, por um momento que seja,
a dor no planeta Terra.

O palhaço é a única criatura no mundo que ri de sua própria derrota
e ao agir assim estanca o curso da violência.
OS PALHAÇOS AMPLIAM O RISO DA TERRA.

Por esse motivo, nós, palhaços do mundo, não podemos deixar de dizer
aos homens e mulheres do nosso tempo, de qualquer credo, de qualquer país:
CULTIVEMOS O RISO.

Cultivemos o riso contra as armas que destroem a vida.
O riso que resiste ao ódio, à fome e às injustiças do mundo.
Cultivemos o riso. Mas não um riso que discrime o outro pela sua cor,
religião, etnia, gostos e costumes.
CULTIVEMOS O RISO PARA CELEBRAR AS NOSSAS DIFERENÇAS.
Um riso que seja como a própria vida: múltiplo, diverso, generoso.
Enquanto rirmos estaremos em paz..


CARTA DA PARAÍBA - João Pessoa, 2 de dezembro de 2001

Declaração do Riso da Terra, documento gerado no Festival Mundial de Circo, realizado no ano passado em João Pessoa. O festival que reuniu palhaços de várias partes do planeta foi idealizado, produzido e dirigido pelo PALHAÇO XUXU (a sua benção, Mestre!) -- o ator e diretor Luiz Carlos Vasconcellos.

Dia 10 de dezembro: Dia do Palhaço, Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e Dia Internacional dos Povos Indígenas.

8.12.02

Cora, Nelson Motta, Blitz, Voador no Arpoador e o "rapa"

Hoje á tarde fiquei cuidando a programação da TVE no reprise do programa Sem Censura para ver se a Cora apareceria, e nada. Domingo retrasado fiquei postada em frente à TV, porque achava que colocariam as entrevistas da semana, e a entrevista dela iria aparecer na reprise. Não apareceu. Domingo passado, eu não estava em casa. Será que passou no domingo passado? Não acredito.

Bem, hoje só não foi mais frustrante porque teve a reprise de uma entrevista com o Nelson Motta. De óculos escuros durante a entrevista toda. Um charme. Adoro ele. Antenadíssimo, quando a Blitz surgiu no Circo Voador no Arpoador foi o primeiro crítico de música que sacou de cara a importância da linguagem do grupo, e o estilo de música que marcou os anos oitenta. A Blitz causou uma certa estranheza logo que surgiu, e alguns críticos torceram o nariz. Ele tinha uma coluna de música em O Globo, deu a maior fôrça para o Evandro e o grupo, e para nós do Circo Voador.

O Nelsinho me achava parecida com as mulheres daquela ilha da Indonésia pintadas pelo Gauguin. E ao invés de me chamar pelo meu nome, só me chamava de Modelo de Gauguin. Eu usava cabelos compridos e estava queimadíssima de praia, e depois dessa comparação, fiquei me achando...Tempinhos muito bons aqueles do Voador no Arpoador, a gente era muito feliz, sabia disso e tratou de aproveitar o máximo. Ficamos só três mêses exatos no Arpoador. Saimos expulsos de lá no dia 31 de março de 1982. Aquele caminhão da Prefeitura -- o rapa -- carregou o circo. Seis mêses depois estreavamos o Voador na Lapa. (Hmn... Momento Saudade nesse blog?)

6.12.02

Dentes

Sem ânimo para escrever, estou com a boca toda dolorida. Hoje, eu fiquei quasi três horas de boca aberta -- literalmente -- na cadeira do dentista. Problemas com três dentes implantados na parte inferior, há apenas dois anos.Voilà.

5.12.02

GESTO

Acabo de chegar da festa de lançamento da revista impressa e on-line do Centro Coreografico do Rio -- a Gesto, no Teatro Sergio Porto. Famosos e não tão famosos de A a Z na dança contemporânea marcaram presença. Muita gente bonita. Reví amigos que eu não encontrava há tempos. Um coquetel para ninguém botar defeito, de wiski a sucos deliciosos de manga, goiaba, abacaxi e um caldinho amarelo salpicado de cheiro verde servido num cálice pequeno (um manjar dos deuses, cujo ingrediente principal era abobora), canapés os mais deliciosos de todos que eu comi em festas do tipo. Saí um pouquinho do regime. Nas paredes, telões enormes exibiam a parte eletronica da revista e as obras da instalação do Centro Coreografico do Rio, em uma antiga fábrica de cerveja -- prédio tombado pelo Patrimonio Historico no bairro da Tijuca, que será inaugurado em julho do próximo ano.

O casaco que enganou o guarda

O espaço interno do Sergio Porto ficou pequeno para tanta gente e a galera se espalhou pela frente do Teatro. Só havia um problema. O guarda não deixava carregar os copos de wiski lá para fora. Era barrado na porta quem passasse com copos -- todos de vidro. E acabamos dando um drible nos guardas. Uma amiga da Angel que estava com um casaco de verão, o emprestava para quem quisesse ir lá dentro buscar um copo de wiski e trazê-lo disfarçadamente embrulhado no casaco jogado displicentemente sobre o braço. Os garçons, desconfiados vinham apanhar os copos vazios sem entender nada.

A Mestra e o seu dia de pop-star

A "Gesto" dedica a Mestra Angel Vianna uma matéria de quatro páginas com uma foto belíssima, de página inteira. Ao chegar à festa, foi logo cercada pelos alunos, amigos e fãs, e acabou dando autógrafos na página da revista em cima da sua foto. Um luxo.

"O Centro Coreográfico do Rio será uma linguagem em movimento, aquilo que chamamos, justamente, de coreografia." Regina Miranda

A dona da festa, diretora do Centro Coreográfico do Rio, a bailarina, coreografa, (introdutora no Brasil do Método Laban, e atual diretora do Laban Institute de Nova York) a Mestra Regina Miranda, festejadíssima, recebia os cumprimentos com a simplicidade e a classe dos grandes mestres.

4.12.02

Só agora tomei conhecimento das ilustres visitas recebidas no sábado. Há dias eu não consigo ver os Comentes. E não é que eu conseguí abrir os "Comentes" agora, mas em compensação não estou conseguindo postar no blog e nem nos "comentes". Esse blog tá me deixando enlouquecida. Hay que tener paciencia. Bueno, se não conseguir postar, vou dormir porque acordo cedo na quarta.
Testando os comandos... testando ...
Este blog tá uma zona. Os arquivos desaparecem e aparecem quando querem. Os "comentes" não funcionam. Só dá o tal do "Request Error" ou " Web-Site not responding". A responsável por estas mal tecladas está ensandecida com tanto trabalho acumulado no final do ano, e sem tempo para blogar. Voilà. Excusez-moi mes enfants.

27.11.02

Música sacra nas igrejas tem a flautista Laura Ronai

Estava agora há pouco assistindo "Arte com Sergio Brito" na TVE para ver uma amiga que deveria aparecer no programa, mas ela não apareceu. E o programa encerrou com uma matéria sobre música nas igrejas, focalizando o interior e o exterior da centenária e belíssima igreja da Rua do Ouvidor 45 --Igreja dos Mercadores da Lapa. E sabe quem aparece no programa falando sobre o projeto "Música sacra nas igrejas do Rio", e depois toca lindamente sua flauta: Laura Rónai. Nossa! Fiquei emocionada de ver e ouvir esta artista maravilhosa. Completamente fera na flauta. E como é bonita, eu achei ela muito parecida com a fotografa Bia Ronai. Laura também é blogueira, edita o Mostly Music e é irmã de uma blogueira famosa: a nossa queridíssima Cora Rónai, do InternETC.

26.11.02

Os médicos estão preparados para combater a dengue?

No simples diagnostico da dengue, os médicos ainda confundem com outras doenças virais como foi nesse caso aqui com a caseira do ator Stenio Garcia. A mulher do ator, Marilene Saade protesta indignada:" Com esse atendimento médico, que dia D contra a dengue é esse"?




A dengue quase me matou


Em 1984, a jornalista Ana Lagoa foi internada com uma doença tropical dada como erradicada: a dengue hemorrágica. Ficou pele e osso. A pele descamou, envelheceu. O fígado nunca mais foi o mesmo. Leia seu relato publicado na revista eletronica No, em fevereiro deste ano.

Estávamos em 1984. Tudo começou com a dor nas costas, bem na região lombar, e uma sensação de cansaço. Eu estava trabalhando no Ibase, era dia de Corpus Cristie, mas o Betinho e Viviane, nossa secretária, resolveram ir lá para pôr umas papeladas em ordem e eu aproveitei para fazer o mesmo. No final da tarde, já sem poder me mover, fui levada para casa na certeza de que estava com pneumonia. Como não tinha recursos para ir a um médico particular, Betinho pediu que a médica que o acompanhava desse um pulo na minha casa. Susie era chefe da área de doenças infecto-contagiosas do Hospital Universitário e foi minha sorte. Ela não me deixou ficar em casa, pois teria que tirar sangue várias vezes por dia e seria muito caro. Mesmo sem saber exatamente do que se tratava, ela não hesitou em me internar. Nunca vou esquecer a minha entrada no Fundão, deixando meus pertences para trás, caminhando com dificuldade até a cadeira de rodas, o pano grosso do camisolão amarelo raspando minha pele que ardia.

Fui radiografada, tiraram sangue e me instalaram em uma das três camas da enfermaria dos infectados. Havia de tudo ali. Um rapaz surfista morreu de meningite. Uma senhora perdeu a perna por causa de uma infecção, uma menininha sobreviveu à difteria e eu tinha certeza de que não sairia mais dali.

Fui examinada por dezenas de médicos, alunos, residentes, catedráticos. Todos os dias pela manhã um grupo deles ocupava a enfermaria para aprender, com o meu caso, como se comportava um virus tropical desconhecido. Afinal, a dengue não existia mais. Estávamos em 1984 e o último aedes contaminado deveria ter morrido no governo do Pereira Passos. Mas o tamanho do meu baço, do fígado, as dores, os resultados dos exames de sangue, vômitos, febre alta, a perda de peso radical, a pele sem viço, tudo levava a crer que era uma doença tropical e ninguém sabia exatamente o que fazer com ela.

Fui medicada com dipirona – porque havia problemas de plaquetas. Eu tinha sede, mas não podia tomar água. E hoje entendo porque. Os médicos tentavam manter o tênue equilíbrio entre a hidratação e o derrame de líquido. No segundo dia as fezes ficaram negras, a urina parecia chá preto. As palmas das mãos ardiam e ficavam cada vez mais vermelhas. Era o edema palmar, que os estudantes adoravam examinar como uma raridade. Muito rapidamente, a pele toda foi ficando pintada com um sarampo, depois começou a formar manchas maiores e escuras. As famosas e apavorantes manchas vermelhas que indicam a evolução da doença.

Eu não sei a que intervalos, mas o carrinho de metal atravessava o corredor - a meu ver – a toda hora para tirar sangue e enviar para Manguinhos. Sob as axilas havia enormes gânglios. Os olhos se fecharam com uma espécie de conjuntivite, todas as mucosas descamaram e a pele desidratava rapidamente, perdendo a elasticidade para sempre.

Pior que isso tudo era ver a cara dos médicos, mais espantados do que eu com o que viam.
Pior ainda foi o preconceito. Estávamos debutando na era da AIDS e eu tive amigos que não me visitaram porque acharam que eu estava com o HIV. Detalhe: todos os meus amigos têm curso superior e atuam socialmente. Foi, é claro, um divisor de águas. Mas nem cheguei a ter raiva. Estava mais preocupada em sobreviver.

No sexto dia, já sem febre, com a pele descamando, imensamente fraca, bateu uma fome de matar. A papa de cenoura sem sal não dava conta e este foi o sinal que a médica esperava para me dar alta. Voltei para casa sem diagnóstico e só depois que a epidemia tomou conta da cidade os médicos concordaram que eu tivera dengue. Levei meses para recuperar as forças. No primeiro dia em que sai para a rua, achei que não chegaria até a esquina. Andava devagar e tinha que segurar nas grades dos edifícios. Não digeria o que comia. Ninguém sabia o que fazer com a sensação de tijolo que eu tinha no estômago. Por isso inventei uma sopa que já fez bem a muita gente. Eu tirava o sumo de um bom pedaço de carne, e nesse sumo cozinhava cereais integrais, legumes e verduras fortes. Cinco minutos de pressão e depois passava tudo no liqüidificador. Esse foi meu alimento por meses, mesmo depois de ter sido acompanhada por um gastroenterologista, que avaliou os estragos no fígado. Sendo uma doença semelhante em alguns pontos à hepatite (por isso sobem as taxas de bilirrubina e de transaminase no sangue), o rescaldo é o mesmo. Fiquei pele e osso, meu fígado nunca mais foi o mesmo e minha pele até hoje parece de alguém que tem 80 anos. A alimentação, para o resto da vida, tem que ser leve e sem gorduras.
O que aprendi:

- os hospitais públicos são os mais bem aparelhados porque eles têm setores especializados em doenças tropicais;
- lá estão os professores das universidades e eles têm mais experiência;
- o remédio básico foi dipirona e soro em doses controladas;
- o médico que vai identificar um paciente precisa examinar o fígado e o baço;
- se a pessoa tiver radiografias ou ultrasonografias desses órgãos, anteriores à doença, é bom levar para o médico comparar;
- pessoas fracas, mal alimentadas e estressadas têm mais chances de ficar doente e desenvolver a forma mais grave da doença;
- dias depois da minha dengue muitas pessoas caíram doentes, principalmente em Botafogo, onde havia um enorme depósito de pneus, na pedreira da rua Assunção.
- Toda dengue pode gerar o quadro hemorrágico;
- Eu estou imunizada apenas para aquele vírus daquele ano, se são quatro, tenho mais três roletas russas para jogar;
- Todo mosquito é suspeito.
- Só cloro mata a larva.
- Lugar de bromélia é no meio da Mata Atlântica.
- Eu me tornei uma fonte de dengue. Se um mosquito são me picar, passará o meu virus para outra pessoa.
- Não posso doar sangue.
- Tenho alterações nas hemácias, às vezes com macrocitose, outras com diminuição das células e ninguém sabe por que.
- Todos nós somos responsáveis, pois passamos por dezenas de focos ou potenciais focos e não ligamos para o serviço de limpeza. No máximo reclamamos do desleixo das autoridades sanitárias e esquecemos.
- A midia ajudou a criar o mito de que a dengue é uma febre de verão e que algumas delas eram hemorrágicas.
- Também existe o mito de que dengue é coisa de pobre.
- Os médicos muitas vezes deram entrevistas minimizando o problema.
- A cidade continuou acumulando criadouros de mosquitos.

Dezoito anos depois da minha dengue, perdi uma amiga com o mesmo mal. Com os mesmos sintomas. E ela morava na Zona Sul, numa belíssima área residencial. Tinha plano de saúde e foi atendida em hospital privado.
Mas ela não teve a sorte de encontrar um especialista como os que me examinaram no Fundão. Foi três vezes ao hospital, em um só dia, para morrer no início da noite. Os médicos - nas duas primeiras visitas, já com as manchas crescendo e as dores aumentando - a mandaram de volta para casa. Na terceira vez, ela teve a primeira parada cardíaca, ainda a caminho de outro hospital, e não sobreviveu à segunda.

O imenso despreparo dos médicos fica evidente no atestado de óbito - infarto. Não há a menor referência à dengue. A família foi informada de que a dengue mascarara o infarto e eles não perceberam que ela estava tendo um ataque de coração. Ora, é básico: se o sangue se liquefaz, há o choque sistêmico e o infarto. É só digitar um buscador qualquer da web e pedir – DENGUE. Está tudo lá. A causa mortis é dengue e não infarto.

Já pensaram em quantos atestados de óbito foram emitidos nos últimos dois meses dando como causa mortis esse tal de infarto, quando na verdade ele pode ter sido apenas o final da tragédia medieval que nos assola? Assumir que era dengue e que não a tratam com seriedade poria em risco a grande sabedoria da medicina anglo-saxã urbana industrial que cuida de nós. Quando na verdade somos semi-rurais, semi-agrários seres negros e morenos dos trópicos, à mercê de mazelas do subdesenvolvimento e doenças extintas para os povos do Hemisfério Norte.

No sábado, antes de me despedir da amiga, descobri que todos os funcionários do meu prédio tiveram ou têm a febre. E que, no meu bairro, Ipanema, dezenas de prédios abrigam bromélias, pneus (é só ver na esquina da Farme de Amoedo com Nascimento Silva), laguinhos e pratinhos, piscinas em coberturas nunca fiscalizadas, bueiros pluviais sem escoamento - os berçários do aedes.

A Comlurb foi avisada, fez o seu trabalho. Mas no dia seguinte outras latas, vasos e laguinhos voltam a estar lá, o que me faz temer por uma guerra perdida para a IGNORÂNCIA.
Na rua Barão da Torre há um síndico que já foi advertido, mas garante que não vai tirar as bromélias cercadas de nuvens de mosquitos. Ele argumenta: é tudo mentira. A medicina e a midia criaram o mito da febrinha de verão chamada dengue. Tem até o xiste – dengosa. A população não acredita que possa morrer ou ter seqüelas para sempre por causa de um mosquito.

No hospital, enquanto aguardávamos o atestado de óbito da minha amiga, vendedores de flores e adereços cercavam os parentes. No pátio que separa a portaria da sala de velório, plantas com pratos ao relento. No balcão da recepção, mais pratinhos com água.

No Crematório do Caju, depois de atravessarmos as alamedas – verdadeiros paraísos de mosquitos – outra cena medieval. Uma edificação sem refrigeração, escura, à beira de um charco, sem bebedouros ou janelas. Todas as flores do caixão murchas. Um fio de sangue escuro escapando da boca. Mosquitos por toda parte. No rosto das pessoas, dor, medo. Não pude deixar de pensar nas cenas de filmes sobre pestes medievais.

Mas as pessoas continuam sendo mandadas para casa, mesmo quando têm manchas vermelhas na pele e nem param em pé.

Não existe morte bonita. Toda morte é inevitável. Mas muitas podem ser adiadas. A morte causada pela dengue é uma das mais feias. Não deveria mais existir entre nós.
Temos que denunciar todos os prováveis focos do mosquito e abolir todos os costumes que possam gerar berçários para os aedes. E investir na educação e nos serviços urbanos básicos.

A Comlurb está fazendo um belo trabalho. Mas sozinha não vai dar conta.





25.11.02

Maracanã, concursos, congressos, containers do Rush, malucos, cambista e tiros

Sábado de manhã fui caminhar no Maracanã que estava mais agitado do que nunca. Tinha uma prova de um concurso para sargento da Aeronautica com entrada pelo portão principal na Radial Este. Milhares de jovens disputavam as vagas e curiosamente, pouquíssimos rapazes, a grande maioria era de meninas acompanhadas de mães, pais ou parentes. No Estadio do Maracanãzinho, acontecia o segundo dia de um congresso de Educação, movimentadíssimo também. Nos guichês, filas imensas para comprar ingressos para o Rush e para o futebol de domingo. Outras filas gigantescas (teve gente que amanheceu na fila) para a abertura dos portões às duas horas da tarde para o show do Rush, á noite. E cambistas para todos os lados faziam a festa. Estava lá também aquele famigerado que me vendeu o ingresso para o Hamlet do Peter Brook.

E os tipos mais curiosos e interessantes representando as vários tribos que chegavam para assitir o show do Rush. Tinha uns malucos fantasiados de São Francisco de Assis, que vim a saber depois que não era fantasia. Eles pertenciam a uma seita de um padre franciscano. Nunca ouvi falar disso. Logo depois, uma turma de rapazes e moças, usando umas camisetas com uma estampa enorme de Nossa Senhora Aparecida. Pensei que fosse outra seita. Não era. Pelas filipetas distribuidas por eles, fiquei sabendo que era um espetáculo, "musical brasileiro de coração", em cartaz no Espaço Cultural São João da Cruz -- antigo cine Roma, na Tijuca. Outra completa novidade para mim. Os dois vendedores de camisetas e bonés do Rush eram assediadíssimos. Vendedor ambulante de tudo --de camisetas, pranchas e canetas a churrasquinho.

E o transito em volta do Maraca completamente caótico com a chegada de oito containers trasnportando os cenários e a parafernalia do show do Rush (maiores dos que os containers russos -- até agora eram os maiores do mundo para mim, transportavam os cenarios de um espetáculo russo que eu vi num Festival de Teatro de Bonecos em Charleville Mézzières, no interior da França). É claro, que eu parei boquiaberta para admirar os containers. Sou fascinada por containers. E pelo horário da chegada, o descarregamento e a montagem, o show do Rush deve ter atrasado.

Já tinha dado uma volta quasi completa no Maraca e estava passando perto da estátua do Belini, quando vejo uma pequena multidão que vinha correndo em minha direção, e á frente um cara parrudo segurado por vários PMs. Essa turma tava afim de linchar o cara seguro pelos PMS -- era um cambista que momentos antes tinha puxado o revolver e dado uns tiros para o alto ameaçando um rapaz que era um dos mais exaltados "esse fdp podia ter matado alguém". Curiosa, fiquei olhando a cena, mas tive que correr também porque de repente alguns PMs correram de arma em punho e pegaram outro rapaz que parecia estar armado. E a mesma multidão que queria linchar o cambista, volta correndo, nem sei porquê. Enfim uma baita de uma confusão, e eu ali. Tratei de sair da reta. Soube depois que a confusão era por causa da venda dos bilhetes para o jôgo. Apesar de anunciada pelos jornais a venda antecipada de ingressos para o jôgo ainda não tinha sido liberada, mas os ingressos estavam sendo vendidos pelos cambistas. E pensar que um dos principais motivos porque eu não fui ao show do Rush foi pelo medo das confusões que acontecem no Maraca nesses eventos.

24.11.02

Dessa, eu escapei...

Sexta-feira, às 11 hs da noite, parada num sinal próximo a Central do Brasil, estava na fila do canto que beirava o canteiro central da Av. Presidente Vargas, e aproveitava o sinal fechado para retirar da bolsa as minhas balas diet, quando batem com fôrça no vidro da janela do meu lado. Espantada, me virei para olhar e dei de cara com um garoto adolescente, devia ter uns 15 ou l6 anos, uma cara estranha, esmirradinha, e olhos muito arregalados, pedindo dinheiro naquele gesto de esfregar o polegar nos outros dedos, e nervoso olhava para todos os lados. Além do gesto ele falava bem alto para eu ouvir através do vidro fechado: dinheiro, dinheiro. Logo pensei, estará armado? Achei que não. Enquanto a mão direita fazia o sinal pedindo dinheiro, o braço esquerdo estava abaixado, e como eu só vislumbrava a sua figura da cintura para cima, não conseguia ver a sua mão esquerda, mas se estivesse portando alguma arma, ela estaria apontada para mim.

E sem premeditar, numa performance gestual completamente inusitada para o momento, com a latinha de balas ainda aberta nas mãos, fiz muito clara e calmamente o gesto de oferecer uma bala. E ele só repetia o gesto e a palavra: dinheiro, dinheiro, mas desta vez mais nervoso e alterado! Olhando pra ele, me virei lentamente, guardei a lata de balas na bolsa que estava aberta no banco ao lado, e fiquei remexendo dentro dela como se estivesse procurando a carteira do dinheiro. Tô assim nesse gesto dissimulado quando o sinal abriu, e eu num impulso toquei a marcha e arranquei rápido.

Com o carro em movimento, olhei para trás pelo espelho para ver a sua reação, e nesse momento, me veio o pensamento de que ele poderia ter uma arma escondida e iria atirar pelas minhas costas. A minha perna esquerda começou a tremer sem parar, e esse momento é quasi indescritível porque em menos de um segundo muita coisa passou pela minha cabeça num mixto de medo, horror panico. Estou nessa de pavor total, quando ví o garoto se afastando, passando por detrás do meu carro, atravessava correndo a Presidente Vargas no meio de carros e onibus em movimento. Passado o susto, comecei a chorar sem parar. A custo conseguí me controlar, e dirigir até chegar em casa.

16.11.02

Deslises de lesa-claridade, como diria o poeta Leminski, é o meu estado hoje. Ando tendo umas e outras que nem vou te contar. Mas isto passa, passa-passará. Ora, se passa.
Agora, pergunte a quem não compete cabimento, se está certo ou não está conforme. Tão tenascíssima resistencia tem parte com as essências.Isto é Leminski puro em Catatau.

15.11.02

Sincronicidade, Jung e B. Piropo

E o mais engraçado da história: enquanto o técnico mexia aqui no computer, eu aproveitei para arrumar os jornais e revistas empilhados aqui em baixo da mesa, (sim, embaixo da mesa para desespêro da faxineira que está proibida de encostar um dedo neles) selecionar e recortar os cadernos de informatica de O Globo. E nessa faina, encontrei numa reportagem do dia 14 de outubro, assinada pelo B.Piropo, em letrais garrafais BugBear ou Tanatos: este virus é de morte. Isto é a tal da sincronicidade que falava o Jung. Mostrei ao técnico que ficou todo satisfeito porque constava da matéria tudo o que ele havia dito desde o nome do virus. E eu também compartilhei dessa alegria, porque tive a comprovação que estava sendo atendida por um profissional competente. Valeu Mr. Ali, a indicação da Y2 Informática. Valeu, B. Piropo.
Bye, bye, BugBear

Só hoje conseguí resolver o problema do meu computador que estava com sérios problemas até que no domingo saiu do ar até hoje quando o técnico detectou o problema: um vírus chamado BugBear. O tal do vírus está se disseminando tão rapidamente que já mereceu a classificação de máxima periculosidade dos especialistas em segurança. O danado do vírus permite que o nosso computador seja contaminado pelo simples ato de exibir a mensagem no outlook.

10.11.02

Virus no meu computer?

Estou com serios problemas no computador. Pelos sintomas acho que pegou um virus. A acentuaçao nao ta pegando ha um tempao, desde quando começou a dar pau. Estou tentando resolver. Entre amanha e segunda ja deve estar resolvido este problema. Peço desculpas aos amigos que estao esperando resposta dos e-mails, mas eu nao posso responder enquanto nao resolver essa situaçao.

7.11.02

Update I Fernado Pedreira e Arnaldo Jabor tambem estao sendo processados pela Rosinha do Garotinho, e o que fiquei sabendo agora la no InternETC. A coisa ta feia !
Viva a liberdade de expressao

Esta rolando na internet um abaixo-assinado em solidariedade ao Artur Xexeo e o Mauro Rasi, colunistas de O Globo que estao sendo processados pela Dona Rosangela Matheus, vulgarmente conhecida como Rosinha Garotinho. Nem assumiu ainda e ja começa botando as manguinhas de fora com atitudes intimidatorias a imprensa. Entre os blogueiros, o movimento começou no blog da Cora, e so hoje (quarta) ja tinha coletado mais de cem assinaturas nos comentarios, e continua crescendo em outros blogs. Aproveita a vinda ate aqui e chega la para assinar tambem.
Nunca percam o agora

Jorge Luis Borges, o maior escritor argentino, falecido em 1985, aos 86 anos, passa uma lição de vida, dando o seu recado em versos.
Quase ao fim da vida, o escritor ditou para a esposa-secretária um texto comovente. Uma espécie de reflexão de quem espera a morte com a consciência de um poeta que sabe que a vida, principalmente, se resume em pequenas coisas. Como o simples ato de andar descalço, contemplar a alvorada e brincar com as crianças.

................. "Se pudesse viver de novo minha vida,
na próxima trataria de cometer erros.
Não tentaria ser tão perfeito, viveria mais frouxo.
Seria mais bobo do que fui;
de fato, levaria a sério só umas poucas coisas.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, faria mais viagens,
contemplaria mais crepúsculos, escalaria
mais montanhas, nadaria em muitos rios.
Iria a mais lugares desconhecidos,
comeria mais sorvetes e menos vagens,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Fui uma pessoa dessas que viveu
sensata e pacificamente cada minuto
de sua vida; e é claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar atrás, trataria de ter somente
bons momentos.
Pois, caso não saibam, disto é feita a vida, só
de momentos. Nunca percam o agora.
Eu era um desses que nunca vão a lugar algum sem um
termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva
e um pára-quedas; se pudesse voltar a viver, viajaria
com menos peso.
Se pudesse voltar a viver, andaria descalço
desde o começo da primavera até o fim do outono.
Andaria de carrocinha, contemplaria mais
alvoradas e brincaria com as crianças, se tivesse
a vida pela frente.
Mas vejam, tenho 85 anos e sei que
estou morrendo."
.....................................Jorge Luis Borges



5.11.02

Oba

Hoje (segunda-feira) quando eu fui visitar o blog da Cora, o InternETC, uma surpresa muito especial me aguardava: um post dedicado pelo Mosca -- o mais ilustre membro da Familia Gato, para a minha pessoa. Bom ate ai um post quase normal nao fosse um link para um site que eu cliquei la e apareceu uma caixinha se movendo em circulo, e quando acaba esse movimento, sai de dentro da caixa, a carinha do Mosca se movimentando, parecendo que vai falar, olhando e piscando pra mim. Totalmente demais.

3.11.02

Hoje, dia de altas emoçoes no Teatro Carlos Gomes. A Mestra Angel Vianna se apresenta em duo com a ex-aluna e professora da Escola, a Maria Alice Poppe, e com coreografia de outro ex-aluno, o coreografo e bailarino Alexandre Franco, meu ex-professor la na Faculdade e Escola Angel Vianna. Preciso dizer que eu vou? Detalhes de todos os eventos do Panorama de Dança aqui no Teatro ETC & Tal.

2.11.02

"LULA NO CORAÇAO DO BRASIL" , leitura obrigatoria em O Globo de hoje. Um relato comovente e contundente de um fato acontecido em Garanhuns, e testemunhado pelo jornalista Zuenir Ventura, quando ele fazia a cobertura jornalistica da primeira Caravana da Cidadania. A nossa demorou 24 dias e passou por 54 lugares e lugarejos. Ao todo foram 7 caravanas em 267 cidades do interior (mais tarde, de 1994 a 2001, houve outras dez expediçoes a 120 cidades). "Ouvindo mais do que falando Lula travou um inedito corpo a corpo com um Brasil miseravel e esquecido. Essa Viagem ao coraçao do Brasil como foi chamada talvez explique o anuncio de que a guerra contra a miseria vai ser a prioridade de seu governo."Valeu MESTRE ZU.

31.10.02

Vale a pena lembrar quando se comemora os cem anos do poeta Carlos Drummond de Andrade, o poema que o Manuel Bandeira lhe dedicou, em 1962 quando Drummond completava sessenta anos. Sao votos de poeta para poeta.

BALADA LIVRE EM LOUVOR DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Louvo o Padre, louvo o Filho,
O Espirito Santo louvo.
Isto feito, louvo aquele
Que hora chega aos sessent'anos
E no mais de seus pares
Prima pela qualidade:
O poeta lucido e limpido
Que e Carlos Drummond de Andrade.

Prima em Alguma Poesia
Prima no Brejo das Almas,
Prima na Rosa do Povo,
No Sentimento do Mundo,
Lirico ou participante,
Sempre e poeta de verdade.
Esse homem lepido e limpo
Que e Carlos Drummond de Andrade.

Como e fazendeiro do ar,
O obscuro enigma dos astros
Intui, capta em claro enigma.
Claro, alto e raro. De resto
Ponteia em viola de bolso
Inteiramente a vontade
O poeta diverso e multiplo
Que e Carlos Drummond de Andrade

Louvo o Padre, o Filho, o Espirito
Santo, e apos outra Trindade
Louvo: o homem, o poeta, o amigo
Que e Carlos Drummond de Andrade

.......................Manuel Bandeira

27.10.02

A frase do ano

Nunca sonhei na minha vida que votaria em Lula. Na vida tudo muda.
Senador Antonio Carlos Magalhães, hoje de manhã, saindo do segundo turno da votação.

Eu, a esperançosa

E eu que voto no Lula e no PT, desde que me entendo, sempre acalentei nos meus sonhos, conservando sagrada a minha mais alta esperança de um dia trazer esse sonho para o real. E hoje de manhã, ao votar, quando a pertei o botão de confirmação e apareceu a carinha do Lula lá (na urna) me passou uma emoção e eu comecei a chorar. Chorei paca e não disfarcei. A minha memória afetiva aflorou e eu chorei, mas foi de pura alegria. Foi muita emoção votar no segundo turno com o meu candidato com 63% das intenções de voto, e pràticamente eleito.
Blogueira e jornalista das melhores, e a minha mais nova amiga de infância. Os melhores posts da campanha de Lula estão aqui no Marinildadas.

26.10.02

Coisas da Telemar

A minha irmã tentou telefonar de Porto Alegre, hoje, durante toda a tarde até a noite. Não conseguiu. Caia direto na caixa postal de mensagens da famigerada Telemar. Eu estava em casa, e quando precisei sair a secretária eletronica ficou ligada.
Há muito tempo que a Telemar vem aprontando essa, principalmente com os inter-urbanos. Assim não dá. Reclamar pra quem ?
Testando os comandos...
postar que e bom, nada...

24.10.02

Eu não sabia que a Gatti tem um blog, o Gato do Farol. E a danadinha, anda blogando há mais de seis mêses e não falava nada...

23.10.02


Declaração de voto

por Frei Betto

Há 502 anos, os colonizadores portugueses invadiram o Brasil, ocuparam nossas terras, massacraram nossos índios e organizaram o roubo permanente de nossas riquezas;

Há 434 anos, homens livres foram caçados como bichos na África e trazidos como escravos às nossas lavouras;

Há 308 anos, Zumbi dos Palmares preferiu morrer a perder a liberdade;

Há 213 anos, o movimento contra a derrama - versão colonial da dívida externa - suscitou a Rebelião Mineira liderada por Tiradentes;

Há 178 anos, o poder monárquico teve que fuzilar o republicano Frei Caneca por não encontrar ninguém disposto a servir-lhe de carrasco junto à forca;

Há 165 anos, Francisco Vinagre e Eduardo Angelim instalaram em Belém o único governo de nossa história que resultou de uma insurreição popular. Pouco depois, a Cabanagem era duramente reprimida;

Há 180 anos, o Brasil conquistou sua independência em relação à Portugal, embora prosseguisse com sua soberania mutilada pelo imperialismo inglês e, depois, norte-americano;

Há 114 anos, a escravidão, oficialmente abolida, prolonga-se na pobreza dos negros;

Há 113 anos, a monarquia cedeu lugar à república, na esperança de que esta fosse uma nação democrática;

Há 105 anos, Antônio Conselheiro e sua comunidade de Canudos foram massacrados para que a solidariedade dos pobres não revelasse sua natureza igualitária;

Há 90 anos, os camponeses do Contestado levantaram-se numa rebelião antiimperialista e antilatifundiária;

Há 77 anos, a Coluna Prestes percorreu o Brasil num grande levante político;

Há 57 anos, o povo brasileiro pôs fim à ditadura de Getúlio Vargas;

Há 38 anos, os militares assaltaram nossas instituições democráticas e instauraram uma ditadura que haveria de durar 21 anos;

Há 35 anos, os estudantes ocuparam as ruas e depois, armados, enfrentaram o regime militar;

Há 33 anos, assassinaram Carlos Marighella a tiros, pensando que matavam o sonho da libertação nacional;

Há 24 anos, os operários do ABC paulista deram um basta à lei de greve e reacenderam a chama do movimento sindical brasileiro;

Há 23 anos, a classe trabalhadora fundou o seu próprio partido, o Partido dos Trabalhadores;

Há 19 anos, nasceu a Central Única dos Trabalhadores, que hoje representa 20 milhões de assalariados;

Há 502 anos de nossa história, sempre fomos governados pelas elites, saqueados por países estrangeiros, subjugados pelo latifúndio, explorados pelo grande capital e excluídos dos benefícios econômicos e dos direitos políticos que constróem a cidadania e a felicidade de uma nação.
Agora, chegou a hora de inverter esta história e conquistar a democracia real que, como diz a palavra, é governo do povo.

Chegou a hora de dar terra aos que nela trabalham, salários dignos aos que produzem riquezas, escolas aos que precisam estudar, saúde aos que têm direito à vida.

Vamos virar a página de nossa história com o poder de nosso voto.

Para contar no futuro a história de nossa liberdade, numa terra de justiça, darei meu voto à maioria do povo brasileiro.

Votarei em Lula para Presidente.

Frei Betto é escritor, autor de "A Obra do Artista uma visão holística do Universo" (Ática), entre outros livros

PS. Este texto foi enviado para este blog pela premiada autora e produtora teatral, Isis Baião. Valeu querida Isis. Por favor me avisa quando volta ao cartaz a tua peça.








Artistas -- sem medo de ser feliz

Todos de algum jeito estiveram lá.
Velhos e novos guerreiros apresentaram-se para lutar por um Brasil melhor, prá brigar por LULA LÁ.
Canecão lotado, clima de grande estréia, era emocionante ver as lágrimas brotarem dos olhos de companheiros, que sabem o custo de duas décadas de construção e combate, prá chegar a este momento.
Encontrei muitos amigos e me reconheci neles. Nossos cabelos grisalhos confirmavam há quanto tempo nos encontrávamos pelo mesmo ideal.
Todos que estávamos ali, assim como Drummond, fomos ser "gauche" na vida. Que remédio!
O terror e o medo não aplacaram nossos anseios, pois definitivamente, somos filhos desta mãe gentil, artistas, trabalhadores sem medo de ser feliz. Gatti

(O texto acima é da autoria da Maria Cristina Gatti -- atriz, diretora e produtora teatral, enviado hoje para o Forum de Teatro, ele é a perfeita tradução do sentimento dos artistas presentes ontem no Canecão).

22.10.02

PT ABRAÇA CULTURA NO PALÁCIO

O PT Cultura RJ convida o povo do Rio para o Abraço no Palacio, hoje a partir das 11 hs da manhã no Palacio da Cultura Gustavo Capanema -- Rua da Imprensa 10 -- no Centro do Rio, com a participação de atores, cantores, repentistas, músicos, mímicos, circenses, artistas de rua, radialistas etc. e tal...
Não venha ou se arrependerá para sempre...

AGORA É LULA

Não estou me cabendo de tanta emoção. Fui ao encontro com o Lula no Canecão hoje (segunda) á tarde. Foi mais que um encontro, foi uma festa, uma verdadeira celebração ao povo brasileiro. No palco homenageando Lula passaram Gilberto Gil, Frei Leonardo Boff, José Dirceu, Marcelo Yuka, este aplaudido de pé pelo público presente, fez um dos discursos mais fortes e contundentes do encontro, e Lula comovido subiu ao palco para cumprimentá-lo. O Chico (Buarque) que tìmidamente subiu ao palco chamado pelo Lula para dizer que estava representando a sua (dele) mãe, Dona Maria Amélia que deveria estar lá mas achou melhor resguardar o coração em casa. Lélia Abramo também chamada ao palco pelo Lula, a maravilhosa atriz paulista, com noventa anos, deu um comovente depoimento sobre Lula. A Patricia Pilar que chegou atrasadinha quando Lula estava no palco na metade da sua fala. O Ivan Lins, outro que subiu ao palco para cantar " Um novo tempo" junto com o coral dos meninos de Xerém, mantido e criado pelo Zeca Pagodinho. Aplaudídissimos. E o belo Ivan arrepiou a galera, fazendo um solo com aquele vozeirão: " um novo tempo", que ficou ecoando no ar... lindo.

O Lula estava bem soltinho como comentou a Patricia Pilar, apesar de confessar estar um pouco nervoso porque nunca tinha visto tanto artista junto, gente que ele admirava dos palcos das novelas ali pra ouví-lo o deixava um pouco nervoso. E lembrou o fato de que há 25 anos que ele vem ao Rio "sempre para encontros reuniões, comícios ou confusao", e nunca teve tempo de pisar no chão de uma praia em Copacabana ou Ipanema e toda a vez que passava em frente ao Canecão sonhava um dia entrar lá para ver um show e tomar uma cervejaE agora ele estava ali no palco falando para uma platéia de artistas.

Contou histórias, falou do pai do Chico, fez piadas com ele mesmo falando no Lulinha Paz e Amor. O que eu mais gostei foi quando ele destacou a nossa cultura de raíz, (não foi átoa que ele viajou pelo interior do País) dentro de toda a diversidade cultural brasileira. Ah, e citou a música dos Titãs: "a gente não quer só comida, a gente quer diversão e arte". Como ele tinha que embarcar para São Paulo dali a instantes, destacou a cara feia do Zé Dirceu pra ele e a Marisa(bonitona, toda de vermelho) que já olhava preocupada. Mesmo depois que o Lula saiu, o povo todo ficou lá confraternizando ainda por um tempão.

Parabens ao Grassi -- Secretário de Cultura do Governo da Benedita, e ao pessoal do PT Cultura RJ, o Ginaldo de Souza, o Zé Roberto Mendes, entre outros responsáveis pelo sucesso do encontro, e como disse o nosso futuro presidente o povo brasileiro está finalmente preparado para governar-se a si próprio.

21.10.02

Estou em estado de graça. Hoje (domingo) fui novamente ver o Pano de Roda. Assistir um espetáculo com esses artistas é um raro privilégio. Pena que foram só dois dias. Detalhes no blog de artes cênicas, amanhã.

Tenho uma porção de coisas pra postar mas já passa de meia noite, e hoje (segunda) eu acordo cedo prá trabalhar. Não sei como driblar o meu horário
para estar no Canecão hoje (segunda) as quatro horas da tarde no encontro com o LULA e a classe artística. O meu expediente acaba as cinco. Preciso arranjar um esquema urgente para sair mais cedo. Se não der, eu vou sair na marra. Esse encontro com o nosso futuro presidente é imperdível Aff!!! Rezem por mim.

Conseguí, conseguí ! Finalmente conseguí mexer nos templates e colocar aqui ao lado o sêlo do Ibest para votação do Prêmio Ibest Melhor Blog. Estamos em campanha para o blog do nosso querido Edney. Ele merece. O blogFAQ do Interneynet é um ponto de referência obrigatória para os blogueiros iniciantes ou não.

19.10.02

Tem festa hoje as oito da noite nos Arcos da Lapa. Tem PANO DE RODA com os Parlapatoes, La Minima e Pia Fraus. Um banquete. To indo pra la.
Flavia Durante, a Garota Papo Firme, do Blah Blah Blog, mandando beleza: cansada de receber mensagens anonimas difamando o Lula resolvi criar um blog que apóia o candidato.

15.10.02

A audácia!

Quem o Lula pensa que é, tomando Romanée-Conti? Gente! O que é isso? Onde é que estamos? Romanée- iiiiiiiiiiiiiii Conti não é pro teu bico não, ó retirante. Vê se te enxerga, ó pau-de-arara. O teu negócio é cachaça. O teu negócio é prato-feito, cerveja e olhe lá. A audácia do Lula!


Hoje tomam Romanée-Conti, amanhã vão querer o quê? No mínimo se achar iguais a nós. Pedir os mesmos direitos. Viver como a gente, que tem berço, que tem classe, que tem bom gosto e portanto merece o melhor. E nós sabemos como isso acaba. Logo, logo vão estar querendo subir pelo elevador social.

O Lula tomando Romanée-Conti... Ora faça-me o favor. Que coisa grotesca. Que coisa ridícula. Que acinte. Que escândalo. E que desperdício. Vai ver ele não sabe nem pronunciar o nome, quanto mais apreciar o sabor. Vai ver derramou um pouco pro santo, na toalha. Romanée-Conti não é pra gentinha, não, Lula. As coisas boas da vida são para as pessoas finas do mundo, não pra pé-rapado que bota gravata e acha que é doutor. Muito menos pra pé-rapado brasileiro.

Está bom, foi só um gole. Mas é assim que começa. Hoje tomam um gole de Romanée-Conti, amanhã estão com delírio de grandeza, pedindo saneamento básico, habitação decente, oportunidade de trabalho e até — gentinha metida a grande coisa não sabe quando parar — mais saúde pública, mais igualdade e caviar. Enfim, essas coisas que intelectual comunista põe na cabeça deles. Sim, porque a índole natural da nossa gentinha, em geral, é boa. Se pudessem escolher, escolheriam angu aguado e vinho Boca Negra, coisas autênticas, às vezes mortais, mas pitorescas. Como eles, que até hoje nunca tinham incomodado ninguém, que até hoje conheciam o seu lugar. Agora, depois da gentinha provar Romanée-Conti, ninguém sabe o que pode acontecer neste país. Deram álcool para os índios! Nenhum branco está mais seguro.

O Lula tomando Romanée-Conti... É o cúmulo. É uma inversão completa dos valores sob os quais nos criamos, segundo os quais se Deus quisesse que os pobres tomassem vinho de rico daria uma ajuda de custo. É o fim de qualquer hierarquia social, portanto o caos. Ainda bem que ainda existem patriotas alertas para denunciar o ridículo, o acinte, o escândalo, e chamar o Lula de volta à humildade. Para mandar o Lula se enxergar.

Sim, porque hoje é Romanée-Conti e amanhã pode ser até a Presidência da República. Gentinha que não conhece o seu lugar é capaz de tudo.

Luiz Fernando Veríssimo
Em O Globo 15/10/02







10.10.02

Prefeita prende padre petista e fecha igreja

Esta eu ouví com os meus ouvidinhos atentos no Informativo Nacional, da Radiobrás. Uma semana antes das eleições, a prefeita de uma cidadezinha lá do interior de Alagoas (não conseguí saber o nome dela nem da cidade) indignada com a atuação do padre local que era militante do PT, partido contrario ao dela, mandou prender o padre e fechou a igreja. Para legitimar a sua ação, acusou o padre petista de fazer campanha para o PT.

O padre se safou apelando para uma liminar na justiça, conseguindo reabrir a igreja e sair da prisão. A prefeita indignada com o insucesso da belicosa operação, proibiu os funcionários da prefeitura de frequentarem a igreja sob pena de severas sanções. Odorico Paraguassu de saia, ao vivo e a cores no interiorzão desse nosso País.
Diálogo com a cobradora do Vaga Certa da Prefeitura, que guarda os carros próximo à Faculdade Escola Angel Vianna.

Eu: Votou bem ?
Ela: Não votei na Rosinha!
Eu: Votou em quem ?
Ela: Na Benedita.


8.10.02

Pois é...

Ontem, toda feliz, altas comemorações, muitas alegrias...agitamos um bocado. Altas esperanças na vitoria do Lula em primeiro turno e Bené no
segundo. Hoje (segunda-feira), acordei cansada para ir trabalhar, e chegando no trampo, fui apanhar as chaves da minha sala no almoxarifado, quando recebí a sangue frio, a peor notícia dessa campanha até agora: os funcionários já comemoravam a vitoria da tal da Rosinha Garotinho.

6.10.02

O povo do gueto mandou avisar...

... que vai rolar a festa!!!

Logo depois da votação:

Grande confraternização democrática suprapartidária neste domingo,
às 18:00h, na Praça do Leme (final), no Rio de Janeiro,
evento
artístico cultural popular espontâneo,
poético-musical-cênico-coreográfico, interativo, com a presença de
eleitores e candidatos de todos os partidos;
Ensaio aberto do TEATRO DE RODA, com cirandas, cantigas, choro, pagode, seresta e você,
avise aos amigos, venha com a família
e traga o seu instrumento!!!







PORQUE VOTO NO LULA

por FREI BETTO

Meu voto é Lula. Embora seja cristão e acredite em milagre, não creio que
Deus fará pelo Brasil o que os brasileiros se recusam a fazer. Portanto,
não fará o maná cair do céu para
matar a fome de 53 milhões de pessoas; não enviará um raio para erradicar a
dívida (ex)terna; não transformará o Banco Central numa cornucópia para
saciar de fortuna os projetos sociais. Por isso, não voto em Garotinho.

Como estou decepcionado com os oito anos de governo FHC, nos quais o Brasil
menos cresceu em toda a história da República, e agora se afunda numa
dívida pública em torno de R$ 750
bilhões, também não quero ver pela frente as mesmas caras: o Malan
monitorando a economia em nome do FMI; o Pedro Parente fazendo de conta que
entende de energia elétrica; o
ministério da Justiça cruzando os braços frente ao crime organizado em
terra capixaba. Por isso não voto em Serra.

E como não tenho memória curta e guardo a amarga lembrança do breve período
Collor, minha insanidade não é suficiente para que eu cometa a loucura de
votar em Ciro Gomes. Deixo a ele os votos de Collor e de ACM. Não o meu,
que muito prezo. Jamais confiei em salvadores da pátria que, como Jânio
Quadros, mais confundem que aclaram, mudando de opinião
segundo a conveniência política do momento. Nomeado ministro da Fazenda por
Itamar Franco, após a desastrada entrevista do ministro Ricúpero, Ciro
Gomes ficou quatro meses no governo FHC e criou problemas suficientes para
não ser chamado de volta ao cargo no segundo mandato do presidente. Seu
desequilíbrio emocional frente às perguntas dos jornalistas não me permite
supor que, uma vez eleito, ficará curado do destempero e da agressividade.
E estou
cansado de ver o PFL usufruir do poder sem deixar cair do banquete dos
abastados ao menos uma migalha para os pobres. E o PFL está com Ciro.

Voto Lula porque ele tem lastro político, um partido consistente, um
programa viável, uma equipe invejável. Prefiro estar ao lado de Maria
Victória Benevides, Dalmo Dallari, Fábio Konder Comparato, Marilena Chauí,
Luiz Pinguelli Rosa, Emir Sader, Paulo Nogueira Batista Júnior, Marina da
Silva, Eduardo Suplicy, Cristovam Buarque, Antonio Candido etc. etc., e
também da CUT, da CMP e do MST, que estão com Lula, do que ficar mal
acompanhado.

Lula não será a salvação da pátria, mas tem todas as condições para
arrancar o Brasil da condição de Belíndia (este misto de Bélgica com Índia)
ou de Colombina (a violência da Colômbia com a quebradeira da Argentina).
Enfim, reduzir consideravelmente a desigualdade social. Segundo o Banco
Mundial, insuspeito, 20% dos brasileiros mais ricos embolsam 64,1% da renda
nacional, enquanto os 20% mais pobres ficam com a migalha de 2,2%.

Entre 60 países do mundo, o Brasil é o terceiro em assassinatos, atrás da
Colômbia e de Porto Rico. Em 2000, morreram assassinados 45.919
brasileiros. Entre os jovens de 15 a 24 anos, o índice cresceu 48% na
última década. Dos 76,1 milhões de trabalhadores, 64 milhões têm ocupação e
os demais estão desempregados. Dos que trabalham, 24,4% ganham no máximo 1
salário mínimo por mês; 27,5%, até 2 salários mínimos; 13,6%, até 3; 14,2%,
até 5; 12,5%, até 10; 5,1%, até 20; e apenas 2,6% ganham acima de 20
salários mínimos (ou mais de R$ 4 mil) por mês. Ou seja, 51,9% dos
trabalhadores ganham no máximo R$ 400 por mês. E há 1.049.939 crianças de
10 a 14 anos no mercado de trabalho, das quais 39% trabalham entre 15 e 19
horas semanais, sendo que 9% cumprem jornada semanal de 49 horas ou mais.
Os dados não são da CUT nem do MST. São oficiais, do IBGE.

Como trabalhador metalúrgico e sindicalista, Lula priorizará os
investimentos produtivos, combaterá a especulação financeira, promoverá a
reforma tributária e, com ela, os
mecanismos de distribuição de renda. Se ele não assegurar a cada brasileiro ao menos 1 prato de comida por dia, ficará desmoralizado. É impensável um governo Lula sem reforma agrária, tributação do capital especulativo e uma política eficaz de combate à fome.

Lula vai inverter a pirâmide da educação que, no Brasil, anda de cabeça pra
baixo. Basta dizer que 1/3 da população com mais de 10 anos de idade é
analfabeta funcional, pois não
completou quatro anos de estudos. Dos recursos do MEC destinados ao ensino médio, só 8% vão para alunos oriundos da esfera dos 20% mais pobres da população. E dos recursos que chegam às universidades públicas quase a metade é gasta com alunos que pertencem à casta dos 20% mais ricos da população. O governo Lula vai injetar mais recursos na educação, estratégia prioritária para arrancar o Brasil do atraso.

Lula vai... Vai o quê? Sozinho ele não vai nada. A menos que elejamos, com
ele, um Congresso Nacional progressista. Ainda assim, isso não será o
suficiente. Se eleito, Lula só terá condições de governabilidade se houver
mobilização permanente da sociedade civil. Será o primeiro a governar, não
contra o povo, nem para o povo, mas com o povo, transformando em real a
nossa democracia formal. É esta a aliança que tornará viável o governo
Lula: com o povo brasileiro. Fora disso, nem ele nem o PT tem salvação.

Mas para que o sonho se torne realidade é preciso, agora, todo empenho na
eleição de Lula e de governadores, senadores, deputados federais e
estaduais, que haverão de garantir
condições para o Brasil mudar. Para melhor.

Frei Betto

5.10.02


O ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
(Bertold Brecht)



Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz.
Dica de blog bacana: Fluxorama. Conheci hoje.

1.10.02

Método Laban para uso corporal em situação de perigo

Ontem, de manhã cedo na rua do meu trampo os códigos e sinais denotavam que alguma coisa diferente -- e grave -- estava acontecendo. No início da rua, três sucatas de lixo, estrategicamente colocadas impediam acintosamente a entrada dos carros. Alguns anos trabalhando naquela área, aprendí a ficar esperta para todos os sinais, desde a movimentação das pessoas e até dos animais (os gatos, cachorros e o papagaio Romário são os primeiros que somem da área), aos objetos mais inusitados colocados nas calçadas ou no meio rua que vai dar em frente ao Morro dos Macacos. Subí lentamente a rua, alerta aos movimentos em volta, e sem olhar pra cima -- um dos códigos de comportamento mais conhecidos na comunidade. A gente sabe que nessas ocasiões, lá de cima do morro os soldados-sentinelas estão atentos e de armas em punho. Qualquer estranhada para o nosso lado, e os nossos direitos humanos de morrer de velho (sem falar em outros direitos humanos), ficam ameaçados.

O jeito é caprichar na expressão corporal, com o andar tipo não tô nem aí, tá limpo, apelando para a técnica corporal do Laban no movimento tranquilo urgente -- uso corporal poderosíssimo em ocasiões de grande perigo. Respira fundo, e esse movimento respiratorio vai mudar a energia corporal. Com essa energia, caminha devagar, muito tranquilo, mas a necessidade da urgência tem que estar presente no corpo todo. Tipo o gato no movimento de alerta, mas urgente. O ilustre membro da Familia Gato -- o Mestre Mosca nos ensina isso. Ou ainda outro exemplo: o caçador. Ele tem que estar alerta e tranquilo, mas a urgência é necessária.

Chegando à FUNLAR, tudo parecia tranquilo, mas um detalhe despertava no mínimo curiosidade: a maioria dos funcionários e usuários -- o pessoal que mora na comunidade, ostentava a cor vermelha ( e em alguns casos, era aquele vermelhão bem cheguei) em blusas, lenços, calças ou o que fosse dessa cor. Qualquer por acaso não era uma mera coincidencia, como vim a saber depois.
Um dia de boatos: "Ordens do Beiramar",
" o Fernandinho é quem manda",
" o Fernandinho é quem quer",
" mataram a mãe do Fernandinho",
"Comando Vermelho tá dominando"
" Macacos só no Vermelho. TC foi com Uê


Ontem, foi dia de reunião mensal das áreas de atendimento da FUNLAR. Mal começamos a reunião, os celulares não paravam: telefonemas de marido, filho, namorado contavam que a Tijuca, Botafogo e outros bairros da zona sul estavam fechados, colegios, comercio, por ordem do Fernandinho Beira Mar. E o telefonema mais inquietante foi o de um colégio de Botafogo ( um dos mais caros e conceituados do Rio) dado para a nossa colega musicoterapeuta que pediam para ela ir buscar urgente sua filhinha de quatro anos que o colegio iria fechar antes das dez horas. As onze horas, chega na sala da nossa reunião, alguém da direção e pede para apressarmos as nossas questões porque seríamos dispensados mais cedo á tarde, por causa dos acontecimentos na cidade, em geral. É claro que uma turma composta de terapeutas, musicos, psicologas, fonoaudiologas, discutindo assuntos relevantes, ignorou a recomendação. Ao meio dia, quando descemos para almoçar ainda não estavamos consensados nem na metade das questões.

Na hora do almoço onde circulam todos os boatos e informações entre funcionários é que ficamos sabendo da gravidade da situação. Alguém chegou grave e séria e falou perto da nossa mesa :" mataram a Mãe do Beira Mar", é por causa disso, a confusão. Quando quisemos saber mais detalhes a moça sumira. Ficamos sabendo também que os vizinhos do Morro dos Macaco, agora tinham outro comando, o Vermelho. Isso explicava a predominancia da cor vermelha na roupa dos funcionários.

Depois do almoço retomamos a nossa reunião, e nem bem recomeçamos, vem outra pessoa da direção avisar que estavamos dispensados a partir daquele momento, e que seria marcada a continuação da renião em outro dia. Desci e vim pela Vinte e Oito e algumas lojas já estavam fechadas e dizia-se que as três horas fechariam tudo.

E ficamos assim. Umas e que tais. Outras mais. Dá dessas, acontece o que nem se conta.

Essa onda de boatos a quem interessar possa ou não possa só saberemos na próxima pesquisa eleitoral. Quem viver, verá.
A semana promete.

29.9.02

Haja hoje para tanto ontem

Cantar, e como queria o Paulo Leminski: ensandançar:

Sassasaricando todo mundo leva a vida no arame.
Porque sem sassaricar
esta vida é mesmo um nó, nó, nó.

O estado de bem estar está aberto para quem dele queira fazer algum dispor, falou o poeta Leminski em "Catatau".

Aproveito a deixa para dispor desse estado, e volto agora á tarde ao Arpoador para assistir o encerramento da temporada do circo do Anônimo, com o espetáculo RODA SAIA*GIRA*VIDA embalado pela musica ao vivo de Pixinguinha, Sinhô e Villa-Lobos.

Quem não foi lá ontem e não vai hoje não sabe o que está perdendo de beleza, alegria, humor, magia, e da poesia desta vida.

O circo é o patrimonio afetivo da humanidade.
Esta eu ouví do palhaço Cuti-Cuti, (Marcio Libar, um dos fundadores do Anonimo), em "O pregoeiro", ontem lá no cirquinho do Anônimo armado la no Parque Garota de Ipanema.

28.9.02

Hoje tem fuzuê no Arpoador

O sol voltou a brilhar ! Parou a chuva, e eu tô indo ver O pregoeiro às seis e meia e Tomara que não chova, às 21 hs. no cirquinho( duzentos lugares) do Anonimo armado no Parque Garota de Ipanema, comemorando os 15 anos do grupo. Não é pouca coisa. Que grupo de teatro ou o que seja já comemorou essa idade? Vale ir lá conferir e chegar uma hora antes para pegar a senha para assistir o espetáculo. Detalhes aqui no Teatro ETC. & Tal.

Tô feliz, e me achando. Depois do circo, eu vou descolar um forró ou outro agito dançante. Dançar é preciso.

Depois da tempestade, veio a sorte pura

Sábado passado chovia a cantaros na zona sul enquanto aqui na Vila Isabel tava um tempo um pouco nublado, mas não chovia. Quando passei o Tunel Rebouças, aquela chuvarada. Já que eu tava a caminho fui abraçar e me solidarizar com o pessoal do Anônimo. Dei com o portão fechado, o circo desarmado. Aquela chuva com uma ventania fortíssima me deixou sem sombrinha. Triste fiquei, mas não desanimei.

Resolvi aproveitar pra ir até a Feira de Antiguidades no Shopping Cassino Atlantico. Acabei esquecendo a chave do carro dentro do banheiro do Shopping, no segundo andar. Voltei da porta do carro no frio e chuva, naquela rua Francisco Otaviano, às escuras, às oito horas da noite. Corrí altos riscos de ser assaltada. Mas a sorte até que não foi tão madrasta assim. Quem achou a chave entregou para o segurança da Administração do Shopping.

Chaves pra que te quero?

Aliás, a história é muito louca. O administrador viu duas moças saindo do banheiro e ouviu uma delas comentando sobre a chave que tinha encontrado. Daí, ele se aproximou, e pediu que ela entregasse as chaves para ele que ela seria entregue ao dono pela administração. E a tal da moça entregou as chaves com uma certa relutancia. Só tenho elogios à atitude atenta e firme deste segurança, funcionário da administração. Mas pra quê ela queria levar a chave? Segundo o que ele me disse, poderia ser pra arrombar outros carros. Valeu, Sr. Claudio. Pessoas assim como o Senhor, honram e dignificam a sua profissão.

27.9.02

Palhaça Sassá

Eu tenho um outro nome que o meu Pai e o meu irmão mais velho me deram quando eu tinha sete anos de idade. Quando criança, eu tinha cabelos compridos -- não era promessa nem nada parecido, o meu Pai achava bonito, e assim eu usei até os 14 anos, aquelas tranças enormes -- alvo preferido das brincadeiras dos meus irmãos e das outras crianças na escola. Para me poupar, a minha Mãe inventou um penteado que enrolava e prendia com grampos as longas tranças no alto da minha cabeça. Mas essa complicada engenharia não sustentava aquela montanha de cabelo, quando eu corria ou saltava ela ia despencando e desmanchando as tranças, e o cabelo assim desmanchado ficava parecido com o penacho de um passarinho: a Sariema ( também chamado de Seriema, um passarinho lá dos pampas do Rio Grande).

O meu Pai que adorava por apelidos nas pessoas, (Ele e o Leonel de Moura Brizola, são imbatíveis nesse quesito) passou então a me chamar de Sariema. Apelido esse que o meu irmão mais velho abreviou para Sassá por pura safadeza de criança. Ele, quando queria implicar comigo, e não tendo nenhum adulto por perto, ficava me chamando de Sassá da Bosta, e saía correndo para longe de mim. O da bosta, foi acrescentado por ele, porque alguns passarinhos, inclusive a sariema, se alimentam, principalmente, do cocô de boi, de cavalo e outros animais do campo.

É claro, que eu ficava furiosa, e saía correndo atrás do meu irmão pela casa inteira, pelo quintal, pelos campos (fui criada no interiorzão do Rio Grande do Sul, em Santiago do Boqueirão) empunhando vassoura, ancinho, rebenque, espeto de churrasco, ou o que eu encontrasse pela frente pra bater nele, mas felizmente ele tinha os pés mais ligeiros do que os meus. E o nome Sassá foi pegando e ficando, e tanto que as pessoas mais ìntimas me chamavam de Sassá.

Esse nome me reporta ao tempo de uma infancia feliz lá em Santiago do Boqueirão, e que ajudou não sòmente na minha formação de adulta, mas também me descreve na minha inocência e no que há de mais puro na minha vida: Sassá da Bosta .

Desde criança eu sou palhaça, só que eu não sabia disso.

26.9.02

Sassaricos de Palhaços

Quem passou hoje pela Urca na hora do almoço, viu um bando de treze palhaços e palhaças, em pleno exercício de suas palhaçadas, saindo da Escola de Teatro da UNIRIO na Av. Pasteur, em direção à Praia Vermelha. Em frente ao bondinho invadiram ônibus e vans de turistas para mostrar as suas performances, desde dança sentada até récita de poemas, versos e versinhos de suas autorias, e até canto de aniversário em turco, cantado em côro, entre outras cantorias acompanhadas por gaitinha de boca, maraca de índio, pandeiros e similares tocados pela animada turma. E os jogadores de volei da Praia Vermelha, tiveram uma inusitada platéia palpitando no jôgo deles.

Acompanhando atentamente todos os movimentos dessa turma, a mentora desse trabalho, a Mestra Juliana Jardim, caminhava discretamente um pouco afastada. E entre os seus alunos, tenho a grande satisfação de mencionar nestes sassaricos, a Palhaça Sassá.

25.9.02

Tudo dominado. Bom, tudo bom, tudo bem.

Ninguém da comunidade do Morro dos Macacos e adjascencias, em consciência plena do seu direito de morrer de velho, não vai responder à simples pergunta do tipo como estão indo as coisas por lá, agora com outro comando e soldados outros que não os conhecidos.

Para língua de perguntador, orelha de mercador e olhos pra que não te quero, porque em boca fechada não entra formiga.

Este post é uma tentativa de imitar o estilo do Paulo Leminski em Catatau que eu ando relendo muito, ultimamente. Não gostou? Sinto, e muito. Gostaria que gostasses. Gostos, preferências, acêrtos e desacêrtos deste blog são da minha inteira irresponsabilidade.

24.9.02

>>>
E esta chuva que não pára?
Se eu pudesse não sairia de casa em dia de chuva. Hoje levei quasi duas horas de Botafogo para a Vila Isabel. Tive que fazer um trajeto diferente do habitual para não passar na Praça da Bandeira no final da tarde. Corre-se o risco de naufragar no rio que se forma nas adjacências.
>>>
Eu tô de mau humor, hoje. Já cometí algumas impropriedades por causa disso. Voilà.
>>>
Tá dominado, tá tudo dominado... Ontem, custei a acreditar no que via em plena rua do meu trampo, uma cena nunca dantes siquer imaginada. Quasi oito da matina, subia lentamente em direção ao Morro dos Macacos, um Gol branco da Polícia Civil, com quatro policiais ostentando pela janela aberta, a sua farta munição.
A rua movimentadissima aquela hora com a chegada de funcionarios e usuarios da FUNLAR e os pais da comunidade que levavam os seus filhos para a creche mantida pela instituiçao.

21.9.02

Tomara que não chova

Estou torcendo pra não chover hoje á tarde e á noite. Tô indo lá para o cirquinho a céu aberto do Anônimo no Arpoador. Às seis e meia tem o palhaço Cuti-Cuti (tão fofo e engraçado como o seu nome já diz) com o Marcio Libar em O Pregoeiro. Á noite às 21 hs. Tomara que não chova, espetáculo cômico-circense com os cinco artistas do Anônimo. Ver o palhaço Seu Frô do João Carlos Artigos, fazendo um galã daquelas historinhas de circo-teatro brasileiro da primeira metade do século passado, não tem preço. É muito hilário.

20.9.02

<*> E o programa imperdível para quem quer se divertir, e ir cultivando o seu riso para espantar essa baixaria de violência desses tempos conturbados nesta nossa cidade, é só dar um pulo até o Arpoador, pegar a senha uma hora antes porque o circo só tem 200 lugares, e é tudo de graça. É a festa de celebração dos 15 anos do grupo Teatro de Anônimo. Detalhes aqui no Teatro ETC & Tal.

19.9.02

Parfois la semaine...

Na segunda, perdí o meu anel de estimação, na terça perdí as chaves da minha casa, na quarta saí com a blusa do lado avesso e só fui me tocar quando estava dando a quarta aula, e hoje de manhã cedo quando ia para a UNIRIO fui covardemente fechada por um ônibus e perseguida dentro do Tunel Rebouças, tendo vivido na real cenas parecidas com aquele filme do Spielberg, "Encurralado".

16.9.02

Divam de analista?

Eu entro numas que o blog substituiu o divam da minha analista. Não é atoa que eu lembro dela quando eu posto certas coisas aqui. Tem a ver. Antes de tudo, eu posto aqui pra mim. Gosto de reler um tempo depois o que eu escrevo e ver como eu pensava naquele momento. Isso é muito bom. Caso contrário não teria a menor graça, e seria pura perda de tempo.

Saudades da Dra. Iracema

Falando em analista, ùltimamente eu lembro dela em todos os lugares por onde eu passo e que tem cartazes de propaganda eleitoral, lendo os jornais, vendo TV. E uma emoção especial estava reservada ao passar pela TV, um dia desses, durante a propaganda eleitoral, ela estava sendo citada e comentada por sua filha, agora candidata a governadora, a Solange Amaral. Ouvir o seu nome, e ver a sua foto e comentários sobre a sua atuação politica -- ela foi militante politica das mais destacadas, participou das ligas camponêsas, foi prêsa e perseguida na revolução de 64-- me deixou muito emocionada.
Se ela ainda fosse viva, estaria me batalhando para trabalhar na campanha da sua filha. Ela tinha muito orgulho dessa filha, e que além de tudo é parecidíssima com ela, não só físicamente, mas nas posturas politicas.

12.9.02

Paulo Leminski, em Catatau

>>> Quando se come é que se vê como a natureza foi sábia em colocar o boi no prato e o homem na cadeira.

>>> Onde é que nós estamos que já não reconhecemos os desconhecidos?

>>> Teme mais o toque que o teco ?

>>> Amor com amor se paga, que sai mais barato.

10.9.02

Raymundo Faoro abre o jôgo nesta ótima matéria da Cecília Costa e do Mauro Ventura: " Acho que, se Lula for para o segundo turno com esse rapaz do Norte (Ciro Gomes), ele não terá risco nenhum, vai ganhar fácil. Se disputar com Serra, vai ser muito difícil, não pelo que ele é, mas porque atrás dele vai desabar o governo federal e todas as grandes fortunas. O poder economico aliado ao poder do Estado vai querer impingir o Presidente. Tudo vai ser possível, até fraudes eleitorais podem ocorrer".

8.9.02

GERD BORNHEIM *Caxias do Sul 19/11/1929 +Rio 04/09/2002

Tive o privilégio de ser sua aluna no Instituto de Artes da UFRGS. Ponto de referencia fortíssimo na minha vida, além da admiração e respeito, sempre tive o maior carinho pelo Professor Gerd. Dava um jeito de estar presente em qualquer evento cultural aqui no Rio que contasse com a sua participação. Antenadíssimo, ele podia ser encontrado também em estréias de grupos teatrais ou de dança completamente desconhecidos. E a sua presença sinalisava sempre a importancia do trabalho desses grupos. Ele sabia das coisas.

Da última vez que nos encontramos num debate lá no CCBB, acho que no início do ano, ele estava ótimo de ânimo e de aparência. E nesse dia, ele me convidou pelaquinta décima vez para ir almoçar com ele na sua casa, e ainda falou: agora não tem desculpa, estou morando perto da Angel, podes ir almoçar comigo depois de uma aula. É só telefonar.. Por algumas razões, inclusive a batida falta de tempo, ou melhor dizendo, por pura sabotagem interna, nunca telefonei. Não poderia imaginar que esse convite seria definitivamente as suas últimas palavras dirigidas à minha pessoa.

Fiquei muito triste e chocada com esta notícia. Isto é um desabafo emocional. Tinha prometido em não falar certos aspectos da minha vida pessoal neste blog. Prometí e não cumpri. Não estou preocupada com o que possam pensar ou deixar de pensar. Esse lance mexeu demais comigo. Já chorei o que devia e o que não devia chorar. Devia? Devo. Dívida à vida. Nesses momentos eu lembro de outros amigos que se foram desta vida, e nunca souberam o quanto significaram para mim. Quando eu vou criar a coragem suficiente para derrubar todos os muros que eu construí pela vida afora, e acabar com todos os meus velhos e ultrapassados truques de sobrevivência? Tô mais pra bandeira do que usar óculos escuros. Tô mais pra berro do que sussurro. Vou nessa.

7.9.02

O dia em que o Bob Dilan cantou no Circo Voador

Quem frequentou o Voador deve lembrar da galera que ficava lá atrás do palco, dançando adoidada ou simplesmente sentada no chão. Esse espaço era disputadíssimo porque além de ver e ser visto, dava um alto status para quem conseguia ficar ali, mesmo para nós do nucleo da casa. Eu estava lá, sempre. Inclusive naquela historica noite, quando o Chico Buarque levou o Bob Dilan pra se apresentar lá, e choveram latinhas de cerveja no palco num protesto da galera metaleira que frequentava o Circo Voador.

O som country de protesto do cantor e compositor norte-americano que faz a cabeça do Senador Suplicy, não agradou os metaleiros. Jamais esquecerei a cara de espanto daquele gringo cantando e tocando sozinho no palco, quando começaram a jogar as latas na sua direção. Tinha neguinho pendurado nas estruturas metalicas do teto do Voador, e jogando latinha lá de cima. Mas mesmo assim ele continuou cantando, impavido. ( Impavido colosso é isso? Humm...) Felizmente, por essas artes mágicas da sábia natureza, eles estavam chapados demais para acertarem no alvo.

E isto foi acontecer logo com ele, o grande astro que fizera um monte de exigências com a organização do Rock-in-Rio no quisito segurança, mas abriu a guarda no Voador. Nesse dia, juntamente com outras pessoas, eu ajudava na segurança do palco. Não seguramos nenhuma. Além da chuva de latas, na metade do show o palco foi invadido por umas pessoas estranhas ao Voador, e que não tinham nada a ver com a nossa galera. Sobrou para mim, quando eu fui barrar umas figuras que forçavam a entrada no palco. Quase apanhei. Fui salva pelo segurança de verdade que sacou o lance, e chegou junto.
Cauby e eu

A propósito do ótimo texto de Leonardo Lichote em O Globo de hoje, quando ele narra com muita propriedade o modo que o Cauby se apossa do palco a cada gesto, eu tenho uma historia com ele pelos idos de 80, no auge do Circo Voador. A Simara, uma produtora amiga nossa, era a responsável pela produção de uma única apresentação lá das duas maiores vozes do Brasil: o Cauby e a Angela, e me convidou para entrar no palco conduzindo o Cauby. Isto é, eu entraria de braços dados com ele, caminharia até a frente do palco e faria somente um gesto largo com braços, significando a entrega do idolo ao seu publico. E ela, fã da Angela faria o mesmo com a cantora. Marcaçãozinha pobre, mas de grande efeito -- para nós. Era praxe lá no Voador, sempre darmos um jeitinho de aparecer no palco ao lado dos nossos idolos. Mas nem sempre colava, e dependia muito do produtor do espetáculo ou do artista, mas como a gente era da casa sempre pintava uma chance.

Em homenagem à dupla de artistas, montei um caprichado visual anos 50 com direito a um bolerinho (casaquinho curto com mangas até os cotovelos) de pele de raposa argenté comprado no brexó. No dia do espetáculo, á tarde, fui apresentada aos dois, e ensaiei a minha entrada no palco com o Cauby. Tudo às mil. Á noite, produzidissima e me achando, chegou o grande momento, nós dois atrás da cortina, eu estava tensa pela emoção de entrar no palco com o São Cauby , e já escutava os berros das suas fãs. Nunca esquecerei o olhar estranho que ele me lançou antes de entrarmos, me olhando demoradamente da cabeça aos pés, sem dizer uma palavra. Nem parecia o mesmo cara amável e simpático do ensaio á tarde.

E quando abriu a cortina, no nosso segundo passo em direção á frente do palco, ele desvencilhou-se de mim com um simples gesto: levantou rápidamente os seus braços pelos cotovelos até a altura dos ombros, e com esse competente movimento o meu braço -- o que entrelaçava o dele, despencou lindamente ao lado do meu corpo, e eu fiquei atonita, parecendo uma anta paralisada. Depois da brusca dispensa da minha companhia, sózinho e saltitante, livre e solto, ele deu aquela famosa corridinha pelo palco, sendo ovacionado pelo seu público que lotava o Circo Voador.

E, quanto a mim, pagando um dos maiores micos da minha vida, saí ràpida da cena, sorrateiramente, ladeando o fundo do palco em direção à saída para os camarins. Saí fugida pelos fundos do Voador, sem ver o show, e sem falar com ninguém para evitar qualquer comentário a respeito. Nunca mais nos encontramos, e até hoje eu não entendo porque ele aceitou a minha participação, e depois aprontou desse jeito. Também quem mandou eu topar a ousadia de querer dividir o palco por um minuto que fosse, e logo com o Cauby Peixoto!

3.9.02

Drummond, sempre.

O alívio que eu sentí na alma ao assistir o espetáculo da Maria Pompeu E agora Drummond?, quando ela diz um texto do diario do poeta Carlos Drummond em que ele se declara completamente sem jeito para a vida social. Ele diz nesse texto que lhe faltava a presença de espirito nessas horas, e não sabia o que responder às mais simples perguntas. A resposta -- brilhante-- chegava vinte e quatro horas depois.

E para mim as respostas chegam em vinte e quatro horas ou trocentas horas depois, e não só na minha vida social, mas também na minha vida pessoal e profissional. A tal da presença de espirito não tá nem aí pra mim. Já postei aqui sobre esse assunto. Fico enlouquecida com a resposta que eu deveria ter dado, e não dei. E assim eu vou enloucrescendo. Obrigada, Poeta !

2.9.02

Ao vivo

Ontem á noite, na platéia do Teatro Sergio Porto assistindo os palhaços dos Parlapatões, com o filho, o ator Murilo Benício, protagonista de O Clone. Estava bem proximo de onde eu estava. Ele me encarou como se quisesse me reconhecer de algum lugar. Desviei o olhar. Não tive coragem de olhar para ele, mas fiquei observando disfarçadamente as suas reaçoes. Ficou o tempo todo com o filhinho ao colo e comentava com ele o espetaculo, e os dois pareciam estar se divertindo muito. Gostei de ver a cena.

30.8.02

Nois se perdemu mais nois se achemu

Não foi a primeira vez que eu me perdí indo para o aeroporto do Galeão. Há alguns anos atrás, a Linha Vermelha ainda estava em construção, e eu fui levar a minha Mãe para embarcar, e quando eu ví já estava indo na pista em direção a Ilha do Governador. E o jeito foi seguir até a Ilha, e voltar novamente pela Av. Brasil até encontrar a entrada para o aeroporto. Quando conseguí chegar, estacionei num local proibido, em frente à entrada para o embarque de passageiros, e fomos direto para o guichê da Varig. Foi o maior auê, mas no fim deu tudo certo: a Dona Antoninha conseguiu embarcar, e o meu carro não foi multado nem rebocado. Mas foram alguns poucos minutos estacionado.

E há pouco tempo levando o Ernesto para embarcar para POA, eu de co-piloto, erramos o caminho e fomos parar em São João de Meriti num domingo chuvoso às seis da manhã, ninguém nas ruas, até que numa encruzilhada apareceu um santo homem (só podia ser uma entidade -- e do bem) e assim que paramos o carro, ele veio até nós e explicou direitinho. Conseguimos chegar e fomos direto para o embarque, eu fiquei na direção, e a Flavia correu até o check-in que já tinha fechado, mas mesmo assim o Ernesto conseguiu embarcar. Por pura sorte.



29.8.02

Perdida na Baixada Fluminense

Ontem á tarde, ao levar a minha irmã e a minha sobrinha para embarcar, errei o caminho para o aeroporto do Galeão, e completamente perdida, rodei quasi uma hora numa estrada reta, e quando conseguí achar o retorno, estava em uma rua qualquer de uma cidade da Baixada Fluminense. Parei em frente de uma loja e pedi um help a um simpatico senhor grisalho. Ele ensinou umas voltas complicadissimas para um caminho que eu não ia achar nunca, e frisava sempre para ter cuidado para não virar a direita no final da terceira rua vai sair no morro, e já viu né? Perguntei e repetí umas quatro vezes o trajeto que ele ensinava, e a minha cara e a da minha irmã deviam estampar o pavor de errar o tal caminho, em contraste com a alegria da Izabella, (minha sobrinha com dois anos e dez meses) que até cantava muito feliz, encantada com aquele longuissimo passeio de carro.

Depois dessa, eu estava decidida a pagar um taxi só para me guiar, mas arrisquei perguntar ao distinto se não teria outro caminho mais fácil, e o véinho responde na maior cara de pau: Tem sim, é só dobrar à esquerda ali naquela esquina (menos de uma quadra de onde estavamos), e dobrar novamente a esquerda, e seguir reto que vai dar na estrada para o Rio e encontra o retorno para sair no Galeão. Cabreira, segui esta ultima indicaçao e achamos o caminho de volta. Seguimos em frente na estrada do aeroporto e me perdí novamente. Desta vez, nos estacionamentos do Galeao. Não achava o terminal 1, entrei enganada no 2, saí, rodei por baixo de viaduto, subi e descí rampa até chegar ao terminal 1 no tempo ainda hábil para o embarque da Reny e da Izabella.

27.8.02

* Estou assistindo a novela das sete, e tudo por causa
do vampiro blogueiro -- o Boris interpretado pelo ótimo Tarcisão. Os luxuosos cuidados da produção não escondem a pobreza do argumento, do roteiro, até a interpretação dos atores. Uma exceção: a cena do Boris com a Claudia Raia, ontem.

26.8.02

Tudo ao mesmo tempo agora

Minha vida tá um festival de emoções. A vida me solicitando titãnicamente. Já são duas da matina, eu aqui blogando feliz da vida como se não tivesse que dormir para acordar daqui a poucas horas pra ir trabalhar.

16.8.02

Tiazices

Enquanto teclo estas mal escritas, a minha sobrinha Izabella interrompe o meu blogar com a graça, a inocência e o charme dos seus dois anos e dez mêses, adentrando aqui no escritorio com caixinhas, estojinhos e o escambau, onde guardo todos os meus anéis. E sem mais delongas vai colocando em cada um dos meus dedos segundo o seu gôsto e vontade, no mínimo dois anéis.

E nesta faina, para minha surprêsa, ela vai encontrando anéis que eu nem sabia que ainda existiam e outros que eu pensava perdidos. Não sobrou um dedo sem anel, alguns anelados até a terceira falange, e as minhas mãos estão pesando em cima dos teclados, e é um incomodo só os anéis encostando nos teclados, mal dá pra teclar. Ainda bem que a função ficou só nos anéis, porque se ela inventar de colocar as pulseiras e colares todos, deu pra mim...

No jantar de hoje: sopa de legumes com carne de musculos e o tempêro especial da minha irmã Reny servida com pãezinhos crocantes e vinho branco Santa Felicidade (do Paraná). Loco de especial, tchê !
<> Eu quase que não sei de nada. Mas desconfio de muita coisa. ( Guimarães Rosa).

15.8.02

* Que sufôco ! 24 hs. não dá pra fazer tudo o que eu invento para a minha vida.

* Hospedes do sul: minha irmã Reny que mora no interior do Rio Grande do Sul está em férias aqui. Veio acompanhada da sua neta Izabella com dois anos e dez mêses e que é o xodó da minha Mãe. Portanto, todo o cuidado é pouco.

* Ontem, (terça) fui ao Canecão ver o BLIND GUARDIAN, não por minha espontanea vontade, mas escoltando cinco adolescentes a pedidos do meu sobrinho Ernesto, para ver os roqueiros alemães/inglêses tocar o tal de havy metal melodico, que eu ainda não entendi o que significa tal classificação. Para quem pensa que eu me entediei, devo declarar que dansei e pulei animadamente em vários momentos.

10.8.02

Que critérios?

Octavio Paz , Prêmio Nobel de Literatura, em 1990, e Carlos Fuentes, indicado em 2001 para o Nobel, foram excluidos das bibliotecas de escolas públicas mexicanas, entre os 292 titulos selecionados. Dançaram no critério de qualidade. Não é piada. Deu aqui na Folha de ontem.

9.8.02

Videolaringoscopia, nunca mais

Ontem, paguei o maior mico por causa de um exame de garganta, o de videolaringoscopia. Condição principal desse exame é botar a lingua toda pra fora e segurar para não atrapalhar na introdução pela boca do cabo que manda a imagem da garganta para o vídeo. Ninguém conseguiu segurar a minha língua -- literalmente -- para fazer tal exame, nem eu. Foi marcado um novo exame e com uma medicação para tomar três dias antes. E já decidí que eu não vou passar outro vexame desses. Fico com a maior vergonha só de lembrar o tamanho do mico.