As artes e as manhas de uma atriz. Na blogosfera desde março de 2001. Os arquivos esperam a sua visita.
31.1.03
Danças do Porão, com o JOÃO SALDANHA (não é homônimo, é filho do outro famoso Saldanha também João) e a PAULA NESTOROV, foi escolhido entre os 10 melhores espetáculos de dança do ano passado, está saindo de cartaz neste final de semana. Portanto, fique esperto. Amanhã às 19 hs e no sábado e domingo às 17 hs. no Paço Imperial, Sala dos Archeiros. Entrada GRATIS. Senhas uma hora antes. Não vá ou se arrependerá para sempre...
Uma dica de exposição, aproveitando a sua ida ao Paço Imperial é A IMAGEM DO SOM DO ROCK-POP BRASILEIRO. Oitenta artistas visuais, interpretando cada um uma composição. Muito interessante e divertido. Vá lá pagar o seu mico. Eu comecei rindo do mico dos outros, e quando me toquei eu também estava pagando o meu . Como uma onda no mar do Lulu Santos, na interpretação visual de Brígida Baltar, Gita de Abraham Palatnik e Maracatu Atômico de Rosa Magalhães são os meus preferidos. Tem alguns bem fraquinhos, mas a grande maioria pegou a música que lhe coube nesse latifundio, e mandou bem. (Latifundio, porque não? Minha homenagem ao Chico Buarque -- tô com essa música na cabeça, e ao João Cabral de Melo Neto para não dizer que eu quasi perdi o fio da trilha). Pretendo voltar porque ví no mesmo dia em que eu fui ao espetáculo do João e da Nestorov. A exposição fica no Paço Impérial, no segundo pavimento, de terça a domingo das 12 às 18 horas, até o dia 16 de março. Entrada franca.
29.1.03
"Computador, a gente sabe, não é ciência, é macumba",disse há algum tempo atrás, a nossa querida Cora Rónai lá no seu blog, o InternETC. E não é que o dito blog está fora do ar para postar desde o dia 21, mas funcionando a mil sòmente nos " comentes", e registrando quase cem entradas da gallera frequentadora assídua, inconformada com esse fato.
Pois é, e o meu blog aqui tá de gracinhas comigo. Encurtou para os lados, andou sumindo, mas eu não esquento. Enquanto ele não se endireita, eu vou postando aqui no meu outro blog. Voilà.
Pois é, e o meu blog aqui tá de gracinhas comigo. Encurtou para os lados, andou sumindo, mas eu não esquento. Enquanto ele não se endireita, eu vou postando aqui no meu outro blog. Voilà.
27.1.03
* Baú da memória: Figuração inteligente nos anos de chumbo.
* Esse blog tá estranho. Vou dar expediente lá no outro blog, o Teatro ETC & Tal. Certo?
* Esse blog tá estranho. Vou dar expediente lá no outro blog, o Teatro ETC & Tal. Certo?
25.1.03
Tosca by Tebaldi
Há três dias, eu escuto direto, a qualquer hora do dia, da noite, da madrugada, o lado B do disco (made in England, no velho e bom vinil) Operatic recital by Tebaldi, repetindo ad infinitum a terceira faixa, onde ela interpreta uma área da Tosca, de Puccini, Vissi d'arte, vissi d'amore -- I have lived for my art and for love, and never harmed a living soul . Esse ritual é repetido sempre que eu ouço esse disco. Essa área me emociona, e é para mim, a melhor interpretação da maravilhosa Renata Tebaldi nesse disco, em que ela canta ainda de Puccini, " Madame Butterfly" e "Manon Lescaut". E de Verdi a " Aida" e "Il trovatore", e duas áreas de " Faust ", de Gounod.
E hoje eu descobri aqui numa pesquisa que a Tosca foi produzida por Puccini, em 1900, baseada num drama escrito por Sardou (Belo Britto quem é esse Sardou?) para a divina Sarah Bernhardt. Tá explicado. E a Tebaldi arrasa. E pensar que eu não gostava de ópera. Nenhuma. Êsse genero artístico não fazia a minha cabeça. Sergio Britto (o ator), um aficcionado e profundo "conaisseur" de ópera vai gostar de saber que eu mudei de idéia. Aliás, não mudei de todo.
Nem Tanhäuser...
Continúo não gostando nada dos espetáculos de ópera. Ópera, só para ouvir. No ano retrasado, ganhei convites para assistir Tanhauser de Richard Wagner, (amo a abertura dessa ópera, e não me canso de ouvir) no Municipal numa montagem internacional dirigida por um diretor de teatro, alemão (esquecí o nome dele, agora), e considerada uma montagem de vanguarda, minimalista, aclamadíssima internacionalmente, etc. e tal, e não gostei. O espetáculo era muito bonito, com aquelas imensas cortinas brancas voando pelo palco, contrastando com os figurinos todos vermelhos, mas sòmente os primeiros minutos e depois cansava aquela repetição, sem mudar nada dquele cenário todo branco. Minimalismos, á parte, a ópera tem partes muito monótonas, e eu dormi quasi todo o espetáculo. ( Alguns amigos vão me odiar por causa desse post). Ah, e um detalhe não me escapou: os figurantes eram péssimos, inexpressivos, entravam e saim nas horas erradas. Figuração inteligente, não é para qualquer um. Tem que ser suficientemente artista. Sobre isso vou postar depois aqui uma historinha pessoal retirada do fundo do meu baú da memória.
Há três dias, eu escuto direto, a qualquer hora do dia, da noite, da madrugada, o lado B do disco (made in England, no velho e bom vinil) Operatic recital by Tebaldi, repetindo ad infinitum a terceira faixa, onde ela interpreta uma área da Tosca, de Puccini, Vissi d'arte, vissi d'amore -- I have lived for my art and for love, and never harmed a living soul . Esse ritual é repetido sempre que eu ouço esse disco. Essa área me emociona, e é para mim, a melhor interpretação da maravilhosa Renata Tebaldi nesse disco, em que ela canta ainda de Puccini, " Madame Butterfly" e "Manon Lescaut". E de Verdi a " Aida" e "Il trovatore", e duas áreas de " Faust ", de Gounod.
E hoje eu descobri aqui numa pesquisa que a Tosca foi produzida por Puccini, em 1900, baseada num drama escrito por Sardou (Belo Britto quem é esse Sardou?) para a divina Sarah Bernhardt. Tá explicado. E a Tebaldi arrasa. E pensar que eu não gostava de ópera. Nenhuma. Êsse genero artístico não fazia a minha cabeça. Sergio Britto (o ator), um aficcionado e profundo "conaisseur" de ópera vai gostar de saber que eu mudei de idéia. Aliás, não mudei de todo.
Nem Tanhäuser...
Continúo não gostando nada dos espetáculos de ópera. Ópera, só para ouvir. No ano retrasado, ganhei convites para assistir Tanhauser de Richard Wagner, (amo a abertura dessa ópera, e não me canso de ouvir) no Municipal numa montagem internacional dirigida por um diretor de teatro, alemão (esquecí o nome dele, agora), e considerada uma montagem de vanguarda, minimalista, aclamadíssima internacionalmente, etc. e tal, e não gostei. O espetáculo era muito bonito, com aquelas imensas cortinas brancas voando pelo palco, contrastando com os figurinos todos vermelhos, mas sòmente os primeiros minutos e depois cansava aquela repetição, sem mudar nada dquele cenário todo branco. Minimalismos, á parte, a ópera tem partes muito monótonas, e eu dormi quasi todo o espetáculo. ( Alguns amigos vão me odiar por causa desse post). Ah, e um detalhe não me escapou: os figurantes eram péssimos, inexpressivos, entravam e saim nas horas erradas. Figuração inteligente, não é para qualquer um. Tem que ser suficientemente artista. Sobre isso vou postar depois aqui uma historinha pessoal retirada do fundo do meu baú da memória.
Consertei os templates, e olha no que deu: o blog encolheu.
Isso aqui tá complicado. Enquanto esse blog não voltar ao normal,
eu vou postando lá no Teatro ETC & Tal -- o meu blog de artes cênicas.
Isso aqui tá complicado. Enquanto esse blog não voltar ao normal,
eu vou postando lá no Teatro ETC & Tal -- o meu blog de artes cênicas.
23.1.03
22.1.03
21.1.03
Libera a grana, prefeito.
Com esse espetáculo, foi dada a largada para o Festival ANJOS DO PICADEIRO4 que vai acontecer em dezembro. Esse festival estava programado para ser realizado em dezembro do ano passado, mas as verbas prometidas não sairam. E se não sairem aqui pelo Rio, periga acontecer em São Paulo ou Brasília. Os Anônimos já estão recebendo propostas. Se o prefeito César Maia pisar na bola, e essa verba não sair, o maior evento circense do País acontecerá mais uma vez fora do Rio.
Com esse espetáculo, foi dada a largada para o Festival ANJOS DO PICADEIRO4 que vai acontecer em dezembro. Esse festival estava programado para ser realizado em dezembro do ano passado, mas as verbas prometidas não sairam. E se não sairem aqui pelo Rio, periga acontecer em São Paulo ou Brasília. Os Anônimos já estão recebendo propostas. Se o prefeito César Maia pisar na bola, e essa verba não sair, o maior evento circense do País acontecerá mais uma vez fora do Rio.
PALHAÇOS EM ESPETÁCULO DE GALA
Não encontro palavras para dimensionar a arte desse artista maravilhoso. Não pela sua técnica ou pesquisas na contribuição ao circo moderno. Nada disso. Ele é simplesmente um palhaço, com todas aquelas performances manjadas dos palhaços do mundo todo. Mas a leveza, o brilho, a emoção que ele passa é única. Já tinha assistido o seu trabalho no Festival Anjos do Picadeiro 2 em São José do Rio Preto, e fiquei completamente fascinada. Ele leva a platéia ao delirio quando no final ele escolhe um amigo para homenagear e trocando de papel, se ajoelha para levar a maior torta em pleno rosto. Aqui no Rio, teve um numero novo, quando equilibrio pelo nariz dez cadeiras empilhadas. Simplesmente fantastico.
Os incansáveis artistas do Anônimo, o João Carlos Artigos, a Angélica Gomes, o Marcio Libar, a Regina Oliveira, a Shirley Britto e a Flávia Berton -- os donos da festa, os que fazem e acontecem dentro e fora dos palcos, estão cada vez melhores, e mais afinados na sua arte. O João Carlos dançando naqueles passinhos miudinhos na melhor performance do malandro carioca, é demais.
E os quatro intrépidos da Intrépida Trupe fazendo aqueles numeros aéreos, voando literalmente por cima da cabeça das pessoas na platéia, causaram o maior frisson e encantamento.
Os atores do Centro Teatral ETC & Tal , o Alvaro Assad, Marcio Moura e Melissa Telles-Lobo com uma performance muito original mesclando mímica, teatro, circo numa invejável performance corporal.
E os três palhaços da Companhia do Público arrasaram como sempre. Adorei ver os Valdevinos de Oliveira -- o Leo, Fabinho e a Fabiana fizeram bonito contracenando com o Tortell. Que responsa. A Fuzarca da Lyra, com a parodia das musicas antigas, também foi muito aplaudida.
A prata da casa brilhou ao lado do ilustre convidado internacional. E o público que sabe das coisas lotou (voltou público da porta) o Carlos Gomes nos dois dias de apresentações, e aplaudiu deliramente esses maravilhosos artistas. Foram duas noites de gala com muita beleza, alegria, emoção. Uma festa de celebração à arte e à vida. E muito mais coisa.
19.1.03
Tortell Poltrona, um palhaço sem fronteiras
Estou em estado de graça. Nos dois sentidos da palavra. Assistí o espetáculo de gala do Teatro de Anônimo no Teatro Carlos Gomes que tinha entre as atrações o palhaço catalão Tortell Poltrona. Não tenho palavras para dimensionar a performance desse artista maravilhoso que é considerado um dos melhores do mundo. E além disso, ele é o fundador e presidente dos Palhaços sem Fronteiras, realizando expedições em campos de refugiados e zonas depauperadas da Croacia, Bósnia, Republica Saharaui e outros países da Europa e da América Latina. A programação completa tá aqui no meu blog de artes cênicas. Quem não for irá se arrepender pra sempre...
Estou em estado de graça. Nos dois sentidos da palavra. Assistí o espetáculo de gala do Teatro de Anônimo no Teatro Carlos Gomes que tinha entre as atrações o palhaço catalão Tortell Poltrona. Não tenho palavras para dimensionar a performance desse artista maravilhoso que é considerado um dos melhores do mundo. E além disso, ele é o fundador e presidente dos Palhaços sem Fronteiras, realizando expedições em campos de refugiados e zonas depauperadas da Croacia, Bósnia, Republica Saharaui e outros países da Europa e da América Latina. A programação completa tá aqui no meu blog de artes cênicas. Quem não for irá se arrepender pra sempre...
18.1.03
Uma dica de amiga: Não deixem de assistir o palhaço Tortell Poltrona e Circ Crac da Espanha que vieram ao Rio a convite do Teatro de Anonimo para o lançamento do Festival Anjos do Picadeiro, no Teatro Carlos Gomes.
João Saldanha e Paulo Nestorov em Danças de Porão (um dos dez melhores espetáculos do ano) no Paço Imperial, e o "Doente Imaginário" com uma antologica interpretação do ator Benvindo Siqueira no Teatro do SESI. Maiores detalhes no meu blog de artes cênicas, o Teatro ETC & Tal.
João Saldanha e Paulo Nestorov em Danças de Porão (um dos dez melhores espetáculos do ano) no Paço Imperial, e o "Doente Imaginário" com uma antologica interpretação do ator Benvindo Siqueira no Teatro do SESI. Maiores detalhes no meu blog de artes cênicas, o Teatro ETC & Tal.
17.1.03
Ela parece uma palhaça
Essa ela sou eu. A frase eu ouvi durante a minha aula de expressão corporal para meninas adolescentes participantes de um projeto assistencial para menores infratores. Essa meninas nao sabem que era tudo o que eu queria e precisava ouvir. Eu estou desenvolvendo um método próprio de trabalho misturando as técnicas de expressão corporal com técnicas teatrais e de clown com resultados muito animadores.
Durante o mês de janeiro os nosso alunos entram em férias, mas a FUNLAR mantém uma colonia de férias para crianças carentes e menores infratores. A grande maioria mora na comunidade vizinha da instituição -- o Morro dos Macacos, em Vila Isabel.É um trabalho muito rico e estimulante. Um presente raro.
Essa ela sou eu. A frase eu ouvi durante a minha aula de expressão corporal para meninas adolescentes participantes de um projeto assistencial para menores infratores. Essa meninas nao sabem que era tudo o que eu queria e precisava ouvir. Eu estou desenvolvendo um método próprio de trabalho misturando as técnicas de expressão corporal com técnicas teatrais e de clown com resultados muito animadores.
Durante o mês de janeiro os nosso alunos entram em férias, mas a FUNLAR mantém uma colonia de férias para crianças carentes e menores infratores. A grande maioria mora na comunidade vizinha da instituição -- o Morro dos Macacos, em Vila Isabel.É um trabalho muito rico e estimulante. Um presente raro.
16.1.03
Qual é a do Padre Marcelo?
Notícia - na integra - da Folha de São Paulo em 11/01/2003.
Jorge Lafond estava em depressao e com problemas renais
O ator Jorge Lafond, 50, que morreu na madrugada deste sábado no Hospital e Maternidade Cepaco, na Vila Mariana, em São Paulo, estava em depressão desde novembro do ano passado, segundo Marcelo Padula, assessor do artista.
O ator sempre se envolveu em polêmicas em relação ao homossexualismo. Em uma delas, ameaçou dizer em um livro os nomes de personalidades, inclusive de um famoso jogador de futebol, com quem já teria mantido relações.
A mais recente foi com o padre Marcelo Rossi, no programa "Domingo Legal", de Gugu Liberato. Em novembro passado, o padre exigiu que Lafond fosse retirado do palco para que ele pudesse cantar.
Depois do episódio, Lafond foi internado ao menos duas vezes por causa da pressão arterial. Lafond começou a sofrer complicações renais e chegou até a fazer diálise neste período.
Folha Online -12h18 -11/01/2003
"Assessoria de Imprensa do Padre Marcelo não deu as caras"
Vi algumas reportagens no sábado sobre este caso. O assessor do Jorge Laffond confirmou o que aconteceu no Programa Domingo Legal, do Gugu.
A produção do Domingo Legal, que segundo o assessor, adorava o Jorge, tanto o Magrão quando o próprio Gugu, pediu com todo "jeitinho" que Laffond se
retirasse do palco para que o Padre Marcelo se apresentasse, e a hora em que Padre Marcelo saísse, Laffond poderia voltar ao palco. Laffond ficou indignado, dizendo que ele não era nenhum animal para que o homem que diz "pregar a bondade", que "todos são iguais", tivesse tal atitude.
Segundo o assessor, essa atitude teria vindo do Padre Marcelo e não da
produção do programa. Laffond passou mal no programa e teve que ser medicado. A produção insistiu muito e ele voltou ao palco. Tão grande foi o seu profissionalismo.
E na mesma noite, Laffond, que tinha uma casa de espetáculos, comentou com
seu público sobre o que havia acontecido, que indignados, vaiaram o Padre
Marcelo. No mesmo dia, fora internado com hipertensão, e de lá pra cá mais duas internações ocorreram, sendo que a última em 28 de dezembro, ficando hospitalizado até o dia de seu falecimento. O assessor, que passou o Ano Novo no hospital com Laffond, se mostrou muito chateado com o acontecimento com Padre Marcelo.
Essa entrevista foi dada ao Datena, no Programa Cidade Alerta, no sábado
passado. Datena ainda pediu que alguém da assessoria de imprensa do Padre Marcelo entrasse em contato com o programa, pois ele estava AO VIVO, mas ninguém deu as caras.
Fica registrada a atitude do Padre Marcelo, que diz pregar a bondade e
igualdade de todos os homens.
Depoimento de Eduardo Castanho para o Forum de Teatro em13/01/2003
A lei foi desrespeitada pelo Padre Marcelo e apoiada pelo SBT
Li sobre isso no jornal e também fiquei indignado.
Confesso que nunca curti o trabalho do Lafond, mas sempre o respeitei como artista e ser humano que era. Tinha o seu público e nunca recuou diante de qualquer polêmica referente à sua condição sexual.
Para quem acha que pode ser exagero, é comprovado cientificamente que uma pessoa submetida a uma condição de extrema humilhação pode entrar em depressão, sim. Pode ter inclusive a seu sistema himonológico afetado, estando mais vulnerável a diversos males de saúde. O stress emocional provocado pode ocasionar problemas renais graves. Lafond estava, segundo seu agente, em depressão desde novembro, depois do episódio com o padreco. Era hipertenso (um problema hereditário, a maior parte da família dele é) e passou a ter sérios problemas renais (precisou fazer hemodiálise, segundo o jornal Folha de São Paulo).
O que mais me deixou indignado, quanto ao episódio do padreco, é que existe uma lei contra a segregação racial, opção sexual e ideológica que foi descaradamente desrespeitada por um sacerdote e apoiada por um programa de emissora de TV dos mais assistidos em todo o país.
Esse fato deveria ser largamente divulgado e INVESTIGADO.
Não podemos permitir que os Antony Garotinhos da vida continuem a "desinfetar" as cadeiras onde as nossas Beneditas da Silva se sentam e não podemos aceitar que Sacerdotes Dançantes sejam arautos de um novo tipo de inquisição.
Emilio Gama para o Forum de Teatro em 12/01/2003
Pobre, preto e bicha era demais prum padre bailarino
Alguém sabe algo sobre essa declaração abaixo?
"o ator jorge lafond começou a passar mal depois que, mesmo vestido 'como
homem', foi convidado a se retirar do palco onde o padre marcelo iria
"rezar" missa no sbt.
pobre, preto e bicha era demais prum padre bailarino."
Recebi esta informação em outro forum que participo e fiquei abismada.
Morgana Pessôa para o Forum de Teatro em 11/01/2003
Notícia - na integra - da Folha de São Paulo em 11/01/2003.
Jorge Lafond estava em depressao e com problemas renais
O ator Jorge Lafond, 50, que morreu na madrugada deste sábado no Hospital e Maternidade Cepaco, na Vila Mariana, em São Paulo, estava em depressão desde novembro do ano passado, segundo Marcelo Padula, assessor do artista.
O ator sempre se envolveu em polêmicas em relação ao homossexualismo. Em uma delas, ameaçou dizer em um livro os nomes de personalidades, inclusive de um famoso jogador de futebol, com quem já teria mantido relações.
A mais recente foi com o padre Marcelo Rossi, no programa "Domingo Legal", de Gugu Liberato. Em novembro passado, o padre exigiu que Lafond fosse retirado do palco para que ele pudesse cantar.
Depois do episódio, Lafond foi internado ao menos duas vezes por causa da pressão arterial. Lafond começou a sofrer complicações renais e chegou até a fazer diálise neste período.
Folha Online -12h18 -11/01/2003
"Assessoria de Imprensa do Padre Marcelo não deu as caras"
Vi algumas reportagens no sábado sobre este caso. O assessor do Jorge Laffond confirmou o que aconteceu no Programa Domingo Legal, do Gugu.
A produção do Domingo Legal, que segundo o assessor, adorava o Jorge, tanto o Magrão quando o próprio Gugu, pediu com todo "jeitinho" que Laffond se
retirasse do palco para que o Padre Marcelo se apresentasse, e a hora em que Padre Marcelo saísse, Laffond poderia voltar ao palco. Laffond ficou indignado, dizendo que ele não era nenhum animal para que o homem que diz "pregar a bondade", que "todos são iguais", tivesse tal atitude.
Segundo o assessor, essa atitude teria vindo do Padre Marcelo e não da
produção do programa. Laffond passou mal no programa e teve que ser medicado. A produção insistiu muito e ele voltou ao palco. Tão grande foi o seu profissionalismo.
E na mesma noite, Laffond, que tinha uma casa de espetáculos, comentou com
seu público sobre o que havia acontecido, que indignados, vaiaram o Padre
Marcelo. No mesmo dia, fora internado com hipertensão, e de lá pra cá mais duas internações ocorreram, sendo que a última em 28 de dezembro, ficando hospitalizado até o dia de seu falecimento. O assessor, que passou o Ano Novo no hospital com Laffond, se mostrou muito chateado com o acontecimento com Padre Marcelo.
Essa entrevista foi dada ao Datena, no Programa Cidade Alerta, no sábado
passado. Datena ainda pediu que alguém da assessoria de imprensa do Padre Marcelo entrasse em contato com o programa, pois ele estava AO VIVO, mas ninguém deu as caras.
Fica registrada a atitude do Padre Marcelo, que diz pregar a bondade e
igualdade de todos os homens.
Depoimento de Eduardo Castanho para o Forum de Teatro em13/01/2003
A lei foi desrespeitada pelo Padre Marcelo e apoiada pelo SBT
Li sobre isso no jornal e também fiquei indignado.
Confesso que nunca curti o trabalho do Lafond, mas sempre o respeitei como artista e ser humano que era. Tinha o seu público e nunca recuou diante de qualquer polêmica referente à sua condição sexual.
Para quem acha que pode ser exagero, é comprovado cientificamente que uma pessoa submetida a uma condição de extrema humilhação pode entrar em depressão, sim. Pode ter inclusive a seu sistema himonológico afetado, estando mais vulnerável a diversos males de saúde. O stress emocional provocado pode ocasionar problemas renais graves. Lafond estava, segundo seu agente, em depressão desde novembro, depois do episódio com o padreco. Era hipertenso (um problema hereditário, a maior parte da família dele é) e passou a ter sérios problemas renais (precisou fazer hemodiálise, segundo o jornal Folha de São Paulo).
O que mais me deixou indignado, quanto ao episódio do padreco, é que existe uma lei contra a segregação racial, opção sexual e ideológica que foi descaradamente desrespeitada por um sacerdote e apoiada por um programa de emissora de TV dos mais assistidos em todo o país.
Esse fato deveria ser largamente divulgado e INVESTIGADO.
Não podemos permitir que os Antony Garotinhos da vida continuem a "desinfetar" as cadeiras onde as nossas Beneditas da Silva se sentam e não podemos aceitar que Sacerdotes Dançantes sejam arautos de um novo tipo de inquisição.
Emilio Gama para o Forum de Teatro em 12/01/2003
Pobre, preto e bicha era demais prum padre bailarino
Alguém sabe algo sobre essa declaração abaixo?
"o ator jorge lafond começou a passar mal depois que, mesmo vestido 'como
homem', foi convidado a se retirar do palco onde o padre marcelo iria
"rezar" missa no sbt.
pobre, preto e bicha era demais prum padre bailarino."
Recebi esta informação em outro forum que participo e fiquei abismada.
Morgana Pessôa para o Forum de Teatro em 11/01/2003
15.1.03
Aulas de segurança pessoal para o Presidente Lula
Sugiro umas aulas com alguém super esperto nesse lance, e que sabe como ninguém mais no mundo, tudo de segurança pessoal : Fidel Castro. Os seus seguranças são de uma competencia inigualável. Eu sou testemunha disso. Abusada como sou, tentei fotografar de frente el Presidente FIDEL CASTRO RUZ, no Palacio de la Revolución, durante uma recepción en honor de los participantes al XXII Congresso y Festival de Teatro de la Habana , em 1987. Quasi ao final da recepção, dirigi-me discretamente à portaria onde ficaram guardados todos os nossos pertences como bolsas, isqueiros, máquinas fotográficas, etc., e pedí os meus, como se estivesse indo embora.
Sorrateiramente, escondí a minha boa e velha Olympus-Pen debaixo do braço, colocando por cima de um ombro só, o meu xale de noite, e adentrei aquele imenso salão. Nesse exato momento, eu avistei lá no fundo, o nosso anfitrião que vinha vindo em direção à saída. E, eu dando alguns passos, resolvi parar ali mesmo, no meio do salão, pensando numa estrategia para sacar a máquina
fotografica do seu esconderijo e o melhor momento para aquele click histórico.
De repente, numa fração de segundos, como num passe de mágica, sem que eu tenha podido ver, quando e como surgiram, vejo-me ladeada por dois seguranças, que de imediato abraçaram-me pelas minhas costas, levantando-me no ar, segurando-me pelos meus cotovelos. Meninos, eu voei -- literalmente -- de um lado ao outro do salão.
A minha memoria corporal guarda o movimento propulsor dessa minha primeira e única performance aérea, (sorry intrépidos da Trupe). Saí voando pelo salão, com a ajuda dos dois intrépidos seguranças, indo aterrisar suavemente do outro lado, fora do caminho de passagem do Comandante Fidel. E essa surpreendamental performance desses rapazes foi realizada com a maior delicadeza e competencia. E de quebra, o charme e a beleza de dois legitimos representantes da gloriosa raça cubana. (Hummm... derrapei na maionese, compañeros).
Outro dia eu conto mais sobre esse histórico encontro com o Comandante, em Havana. Ele deu aulas de estrategias de segurança, nesse dia no Palacio da Revolução, e em outros encontros. Um Mestre.
Sugiro umas aulas com alguém super esperto nesse lance, e que sabe como ninguém mais no mundo, tudo de segurança pessoal : Fidel Castro. Os seus seguranças são de uma competencia inigualável. Eu sou testemunha disso. Abusada como sou, tentei fotografar de frente el Presidente FIDEL CASTRO RUZ, no Palacio de la Revolución, durante uma recepción en honor de los participantes al XXII Congresso y Festival de Teatro de la Habana , em 1987. Quasi ao final da recepção, dirigi-me discretamente à portaria onde ficaram guardados todos os nossos pertences como bolsas, isqueiros, máquinas fotográficas, etc., e pedí os meus, como se estivesse indo embora.
Sorrateiramente, escondí a minha boa e velha Olympus-Pen debaixo do braço, colocando por cima de um ombro só, o meu xale de noite, e adentrei aquele imenso salão. Nesse exato momento, eu avistei lá no fundo, o nosso anfitrião que vinha vindo em direção à saída. E, eu dando alguns passos, resolvi parar ali mesmo, no meio do salão, pensando numa estrategia para sacar a máquina
fotografica do seu esconderijo e o melhor momento para aquele click histórico.
De repente, numa fração de segundos, como num passe de mágica, sem que eu tenha podido ver, quando e como surgiram, vejo-me ladeada por dois seguranças, que de imediato abraçaram-me pelas minhas costas, levantando-me no ar, segurando-me pelos meus cotovelos. Meninos, eu voei -- literalmente -- de um lado ao outro do salão.
A minha memoria corporal guarda o movimento propulsor dessa minha primeira e única performance aérea, (sorry intrépidos da Trupe). Saí voando pelo salão, com a ajuda dos dois intrépidos seguranças, indo aterrisar suavemente do outro lado, fora do caminho de passagem do Comandante Fidel. E essa surpreendamental performance desses rapazes foi realizada com a maior delicadeza e competencia. E de quebra, o charme e a beleza de dois legitimos representantes da gloriosa raça cubana. (Hummm... derrapei na maionese, compañeros).
Outro dia eu conto mais sobre esse histórico encontro com o Comandante, em Havana. Ele deu aulas de estrategias de segurança, nesse dia no Palacio da Revolução, e em outros encontros. Um Mestre.
14.1.03
"Vamos quebrar o protocolo, mas nem tanto"
Foram essas as palavras do Presidente Lula no dia da sua posse no Congresso,
para conter o entusiasmo de colegiais dos parlamentares, como bem observou o jornal francês Le Figaro. Agora é a nossa vez de repetir a mesma frase para o próprio. É tanta quebra de protocolo, tanta exposição desnessária, tanto cordão de isolamento que não isola nada, que é puro sofrimento acompanhar ao vivo pela tv qualquer ato público com a presença do Presidente Lula. A multidão não tem cérebro. Ela reage de uma forma irracional. E é aí que mora o perigo.
Os seguranças, coitados, mais perdidos do que cachorro em procissão, dando a impresão que ainda não estão preparados para a herculea tarefa -- a seguraça do Presidente Lula. Estão sempre marcando alguma bobeira, com alguém furando o bloqueio para aproximar-se do Presidente. Mas eles não podem ser culpados por isso, se o próprio quebra todos os protocolos, e não dá a mínima para os mais elementares cuidados de segurança pessoal.
Segurança, prá quê?
A gente entende a alegria e a generosidade do Presidente, nesta sua forma democrática de exercer o poder, mas está facilitando demais a aproximação desses alucinados admiradores. Quasi tive um infarte, quando lá em Jequitinhonha aquele gigante -- um "armário" de dois metros de altura, empurrou os seguranças e se atracou com o Lula. E até entender que era um simples fã, o susto foi grande. Aquilo não era abraço era um tranco. E se fosse um louco ou terrorista, não precisava nenhum tipo de arma, bastava um abraço mais apertado daquele brucutu ... e babaus.
Nessa caravana da fome lá no interiorzão de Pernambuco e Minas, ficou mais do que flagrante a falta de segurança. Aquelas pessoas próximas demais, pedindo autógrafos, querendo abraçar, apertar, tocar, beijar ou aparecer na tv. Teve uma mulher desvairada, toda de vermelho, que cismou de entrar no ônibus e ir junto com a comitiva presidencial, e conseguiu o seu intento, subindo agarrada no Presidente. E aquela balsa superlotada atravessando o rio com a comitiva presidencial e todo aquele povo aderente. Sem falar no equiíibrio delicado naquelas palafitas da favela visitada no dia anterior. Sem comentários.
E a grande mídia que não perde um lance desses, mostrando tudo e faturando em cima conforme as suas conveniências, deveria ser mais responsável e detonar uma campanha em prol da segurança do Presidente do Brasil. Da sua segurança, dependemos todos nós.
Foram essas as palavras do Presidente Lula no dia da sua posse no Congresso,
para conter o entusiasmo de colegiais dos parlamentares, como bem observou o jornal francês Le Figaro. Agora é a nossa vez de repetir a mesma frase para o próprio. É tanta quebra de protocolo, tanta exposição desnessária, tanto cordão de isolamento que não isola nada, que é puro sofrimento acompanhar ao vivo pela tv qualquer ato público com a presença do Presidente Lula. A multidão não tem cérebro. Ela reage de uma forma irracional. E é aí que mora o perigo.
Os seguranças, coitados, mais perdidos do que cachorro em procissão, dando a impresão que ainda não estão preparados para a herculea tarefa -- a seguraça do Presidente Lula. Estão sempre marcando alguma bobeira, com alguém furando o bloqueio para aproximar-se do Presidente. Mas eles não podem ser culpados por isso, se o próprio quebra todos os protocolos, e não dá a mínima para os mais elementares cuidados de segurança pessoal.
Segurança, prá quê?
A gente entende a alegria e a generosidade do Presidente, nesta sua forma democrática de exercer o poder, mas está facilitando demais a aproximação desses alucinados admiradores. Quasi tive um infarte, quando lá em Jequitinhonha aquele gigante -- um "armário" de dois metros de altura, empurrou os seguranças e se atracou com o Lula. E até entender que era um simples fã, o susto foi grande. Aquilo não era abraço era um tranco. E se fosse um louco ou terrorista, não precisava nenhum tipo de arma, bastava um abraço mais apertado daquele brucutu ... e babaus.
Nessa caravana da fome lá no interiorzão de Pernambuco e Minas, ficou mais do que flagrante a falta de segurança. Aquelas pessoas próximas demais, pedindo autógrafos, querendo abraçar, apertar, tocar, beijar ou aparecer na tv. Teve uma mulher desvairada, toda de vermelho, que cismou de entrar no ônibus e ir junto com a comitiva presidencial, e conseguiu o seu intento, subindo agarrada no Presidente. E aquela balsa superlotada atravessando o rio com a comitiva presidencial e todo aquele povo aderente. Sem falar no equiíibrio delicado naquelas palafitas da favela visitada no dia anterior. Sem comentários.
E a grande mídia que não perde um lance desses, mostrando tudo e faturando em cima conforme as suas conveniências, deveria ser mais responsável e detonar uma campanha em prol da segurança do Presidente do Brasil. Da sua segurança, dependemos todos nós.
13.1.03
Guga é campeão do ATP de Auckland
Brasileiro ganha primeiro torneio no ano e ganha confiança para o Aberto da Austrália, que começa amanhã.
Eu adoro o Guga. Ele é a cara do nosso País. Queira ou não esse pessoal dessa mídia caretona. Esses reaças travestidos de modernos, sempre estão em todos os lances para fazer suas piadinhas com as atitudes simples e até mesmo simplorias do menino Guga. Já postei sobre isso aqui por ocasião da Copa, quando ele foi aos vestiários, dando uma de tiete dos nossos jogadores. Foi um banquete para esse tipo de mídia conservadora, retrogada e babaca.
Aqui no Marinildadas, blog da minha querida amiga Marinilda a mais completa cobertura bloguística sobre o Guga. Essa danadinha manda bem, em todas. Não sabia que ela entendia, e tanto, desse esporte. Ficamos sabendo que ela foi praticante desse esporte, e torce pela sua popularização.
O tênis pode e deve ser esporte para todos . Assim falou Marinilda.
Brasileiro ganha primeiro torneio no ano e ganha confiança para o Aberto da Austrália, que começa amanhã.
Eu adoro o Guga. Ele é a cara do nosso País. Queira ou não esse pessoal dessa mídia caretona. Esses reaças travestidos de modernos, sempre estão em todos os lances para fazer suas piadinhas com as atitudes simples e até mesmo simplorias do menino Guga. Já postei sobre isso aqui por ocasião da Copa, quando ele foi aos vestiários, dando uma de tiete dos nossos jogadores. Foi um banquete para esse tipo de mídia conservadora, retrogada e babaca.
Aqui no Marinildadas, blog da minha querida amiga Marinilda a mais completa cobertura bloguística sobre o Guga. Essa danadinha manda bem, em todas. Não sabia que ela entendia, e tanto, desse esporte. Ficamos sabendo que ela foi praticante desse esporte, e torce pela sua popularização.
O tênis pode e deve ser esporte para todos . Assim falou Marinilda.
Pagode com churrasco queimado
Estou aqui blogando na santa paz, quando a minha tranquilidade é perturbada ao ouvir daqui do nono andar, uma bateção de bumbo, pandeiro, chocalho (só
percussão) misturado com vozes masculinas e femininas prá lá de desafinadas. Pelo que foi possível identificar seria um pagode ou coisa que o valha que estava rolando á beira da piscina aqui do prédio. Músicos e cantores que é bom, nem cheiro.
O cheiro, esse sim, bem real, que adentrou pelo meu apartamento foi o de churrasco queimado, e tão forte que perdurou horas. Saí de casa e voltei á noite, e o cheiro ainda continuava, parecendo que o churrasco tinha virado brasa. Que não soubessem cantar e nem tocar -- apesar do repertorio -- ainda podem ser perdoados, mas deixar queimar a carne do churrasco, é incompetencia demais para ser perdoada. Os meus gloriosos antepassados gauchescos clamam vingança.
Eu mereço. Quem mandou escolher morar num prédio com piscina, sauna, churrasqueira, quadra de esportes, e todas essas baboseiras consumistas pequeno-burguêsas. Bem que os meus amigos lá do Leme tentaram me demover da idéia de comprar esse apartamento aqui na Vila Isabel, mas eu sou do tipo experimental. Só aprendo experimentando e vivenciando.
Estou aqui blogando na santa paz, quando a minha tranquilidade é perturbada ao ouvir daqui do nono andar, uma bateção de bumbo, pandeiro, chocalho (só
percussão) misturado com vozes masculinas e femininas prá lá de desafinadas. Pelo que foi possível identificar seria um pagode ou coisa que o valha que estava rolando á beira da piscina aqui do prédio. Músicos e cantores que é bom, nem cheiro.
O cheiro, esse sim, bem real, que adentrou pelo meu apartamento foi o de churrasco queimado, e tão forte que perdurou horas. Saí de casa e voltei á noite, e o cheiro ainda continuava, parecendo que o churrasco tinha virado brasa. Que não soubessem cantar e nem tocar -- apesar do repertorio -- ainda podem ser perdoados, mas deixar queimar a carne do churrasco, é incompetencia demais para ser perdoada. Os meus gloriosos antepassados gauchescos clamam vingança.
Eu mereço. Quem mandou escolher morar num prédio com piscina, sauna, churrasqueira, quadra de esportes, e todas essas baboseiras consumistas pequeno-burguêsas. Bem que os meus amigos lá do Leme tentaram me demover da idéia de comprar esse apartamento aqui na Vila Isabel, mas eu sou do tipo experimental. Só aprendo experimentando e vivenciando.
10.1.03
Índio idoso covardemente assassinado por três rapazes
Desta vez lá em Miraguaí no interior do Rio Grande do Sul, aconteceu o barbaro assassinato do índio caingangue Leopoldo Crespo, de 77 anos, por três rapazes. Os três assassinos utilizaram a mesma desculpa dos quatro bandidos de Brasilia, em 1997, no caso do índio pataxó Galdino, isso é, a de que não queriam matar, só queriam brincar.
Leopoldo era a memória viva dos antepassados da sua tribo e repassava aos mais jovens as tradições culturais e religiosas do seu povo. Tão grave quanto o assassinato foi a morte da memória de um povo.
O Ministro da Justiça já se pronunciou e eu espero que ele não fique só na perplexidade, mas acompanhe atentamente o desenrolar dos fatos e cobre dos responsáveis a solução do caso e a punição severa para os culpados desse duplo assassinato.
Ministro da Justiça se diz perplexo com assassinato de índio no RS
BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, declarou-se hoje perplexo com a morte do índio caingangue Leopoldo Crespo, ocorrida, terça-feira, na cidade gaúcha de Miraguaí. Eis a nota divulgada pelo ministro:
"Estou profundamente chocado e perplexo com a notícia que li hoje nos jornais. É lamentável que um episódio como este ocorra no país, em que jovens, e até mesmo um menor de idade, se tenham envolvido em um crime de tal gravidade, que resultou na morte de um índio, uma pessoa idosa, de 77 anos, aparentemente, assassinada a chutes e pedradas.
Espero que este caso seja apurado pela polícia e os responsáveis, punidos pela Justiça, respeitados os princípios indeclináveis de presunção de inocência e do direito de defesa. O país não pode aceitar a impunidade nem a falta de segurança e respeito aos direitos humanos e às minorias.
Transmito a minha solidariedade à família de Leopoldo Crespo e ao povo caingangue, especialmente da reserva Guarita. Tenho certeza que a Justiça vai prevalecer, com o julgamento deste caso, e peço serenidade ao povo caingangue".
Jornal do Brasil
09/01/2003
9.1.03
Ônibus 174
Fui ontem ao CCBB assistir o filme e a palestra do diretor José Padilha. Fiquei quasi duas horas na fila de desistência, e entrei quando o filme já tinha começado. São duas horas e quinze minutos de projeção. O filme é baseado em imagens de arquivo, entrevistas e documentos oficiais, narrando o sequestro do ônibus 174, e paralelamente a vida do sequestrador -- Sandro, um dos sobreviventes da chacina da Candelária. Intercalando essas imagens, o documentário investiga as razões que levaram um menino de rua a virar bandido. Aquelas imagens ali ao vivo, na real, sem cortes, sem edição e sem o menor retoque são estarrecer qualquer um. Janaína (uma das sequestradas) conta que ele pedia o tempo todo para ela e outros sequestrados exagerarem nos gritos e na confusão dentro do ônibus. Portanto havia uma cena real de cumplicidade entre sequestrador e sequestrados dentro do ônibus, e outra cena teatral representada para os espectadores -- os policiais, a mídia e o público.
Durante quatro horas, Sandro criou com rara competencia um espetáculo provido de todos os ingredientes para prender a atenção dos espectadores. Além de diretor, ele era o autor do texto e o ator principal. Em nenhum momento o espetáculo perdeu o ritmo, e manteve o suspense até o seu final, apresentando desde cenas engraçadas como por exemplo aquela em que ele põe a cabeça para fora do ônibus e chama o "seu delegado" com um texto e uma voz de galhofa, a cenas altamente dramáticas. Naquelas circunstâncias da vida real, o espetáculo criado pelo Sandro, superou de longe, os melhores espetáculos de ficção.
Lamento, e muito, que esse infeliz menino de apenas vinte e dois anos, não tenha tido durante toda a sua vida, uma única oportunidade de exercitar o seu talento, inteligência e criatividade para construir uma vida digna para si. Ao invés disso, tenha precisado assaltar e roubar para comer. (O Presidente Lula precisa ver esse filme).
Uma cena que me marcou profundamente foi ver a fúria irracional daquela multidão de espectadores -- no melhor estilo estouro da boiada -- correndo alucinada para linchar o Sandro, no momento em que ele é levado para o carro da PM. A muito custo os policiais conseguem conter aquela turba feroz. Era como se toda a violência demonstrada pelo sequestrador, tivesse sido incorporada por aquela multidão. A violência agora era de todos, e não de um em particular. Assustador.
Um pouquinho do que rolou no debate
O filme que levou dois anos de filmagens foi realizado graças à coragem e a ousadia dos dois produtores: o próprio diretor e o Marcos Prado. José Padilha conta que já tinham gasto quasi todo o dinheiro da produção, o filme estava quasi pronto e ainda não tinham chegado a um acôrdo com a TV Globo para a compra das imagens. Isso só foi acontecer dois mêses antes do final da produção. Depois disso foi mais fácil negociar as imagens com a TV Record.
Os policiais mascarados, aparecem assim porque eram proibidos de dar entrevistas sob pena de expulsão. Estavam com medo da Rosinha que já despontava como candidata a governadora. E o bandido (assumidamente mau total) que aparece mascarado foi colega do Sandro no Instituto Padre Severino e conviveu também com ele na favela Nova Holanda. A operação montada para a sua entrevista, teve lances cinematográficos e de alto risco. O Alexandre assistente de direção, conheceu um porta-voz do bandidão lá na praia do Vidigal, apresentado por uns surfistas da Rocinha. O tal só apareceu no dia da gravação, surgindo misteriosamente debaixo de um viaduto, e de lá foram direto para o estudio na Barra, onde gravaram durante cinco horas. No final da gravação, ele pegou um taxi e nunca mais o viram. O grande problema era que não podiam ser parados por nenhuma blitz, senão o Alexandre correria risco de vida. Antes de aceitar dar o depoimento ele pegou o endereço da casa do Alexandre, e só depois de checado o endereço e outros quesitos ele deu a resposta positiva. Um detalhe curioso: o Alexandre só foi saber no debate, ontem, que o carro onde ele, o diretor e o produtor conduziam o bandidão para a filmagem, era seguido por um policial -- um dos entrevistados no filme -- com a missão de interferir e negociar a liberação com os colegas se acaso fossem parados por alguma blitz. Imagina se o bandido desconfia que tem policial na parada, matava todo o mundo.
E o que sempre me intrigou nessa historia toda foi que nunca ficou esclarecido como começou o sequestro. Estava com essa pergunta engatilhada, e não deu nem para mandar para a mesa de debates porque alguém se adiantou. E como eu imaginava ninguém tem explicação, nem o diretor do filme conseguiu essa informação. Há várias versões, mas nenhuma confirmada. Uns dizem que foi um motorista de taxi que avisou a policia. Mas nem os próprios policiais envolvidos e que aparecem sendo entrevistados souberam dizer como e de onde veio a informação para eles. Entre essas versões, há uma que diz ter sido uma armação politica para desestabilizar o governador Garotinho da Rosinha. Mistérios do poder.
Fui ontem ao CCBB assistir o filme e a palestra do diretor José Padilha. Fiquei quasi duas horas na fila de desistência, e entrei quando o filme já tinha começado. São duas horas e quinze minutos de projeção. O filme é baseado em imagens de arquivo, entrevistas e documentos oficiais, narrando o sequestro do ônibus 174, e paralelamente a vida do sequestrador -- Sandro, um dos sobreviventes da chacina da Candelária. Intercalando essas imagens, o documentário investiga as razões que levaram um menino de rua a virar bandido. Aquelas imagens ali ao vivo, na real, sem cortes, sem edição e sem o menor retoque são estarrecer qualquer um. Janaína (uma das sequestradas) conta que ele pedia o tempo todo para ela e outros sequestrados exagerarem nos gritos e na confusão dentro do ônibus. Portanto havia uma cena real de cumplicidade entre sequestrador e sequestrados dentro do ônibus, e outra cena teatral representada para os espectadores -- os policiais, a mídia e o público.
Durante quatro horas, Sandro criou com rara competencia um espetáculo provido de todos os ingredientes para prender a atenção dos espectadores. Além de diretor, ele era o autor do texto e o ator principal. Em nenhum momento o espetáculo perdeu o ritmo, e manteve o suspense até o seu final, apresentando desde cenas engraçadas como por exemplo aquela em que ele põe a cabeça para fora do ônibus e chama o "seu delegado" com um texto e uma voz de galhofa, a cenas altamente dramáticas. Naquelas circunstâncias da vida real, o espetáculo criado pelo Sandro, superou de longe, os melhores espetáculos de ficção.
Lamento, e muito, que esse infeliz menino de apenas vinte e dois anos, não tenha tido durante toda a sua vida, uma única oportunidade de exercitar o seu talento, inteligência e criatividade para construir uma vida digna para si. Ao invés disso, tenha precisado assaltar e roubar para comer. (O Presidente Lula precisa ver esse filme).
Uma cena que me marcou profundamente foi ver a fúria irracional daquela multidão de espectadores -- no melhor estilo estouro da boiada -- correndo alucinada para linchar o Sandro, no momento em que ele é levado para o carro da PM. A muito custo os policiais conseguem conter aquela turba feroz. Era como se toda a violência demonstrada pelo sequestrador, tivesse sido incorporada por aquela multidão. A violência agora era de todos, e não de um em particular. Assustador.
Um pouquinho do que rolou no debate
O filme que levou dois anos de filmagens foi realizado graças à coragem e a ousadia dos dois produtores: o próprio diretor e o Marcos Prado. José Padilha conta que já tinham gasto quasi todo o dinheiro da produção, o filme estava quasi pronto e ainda não tinham chegado a um acôrdo com a TV Globo para a compra das imagens. Isso só foi acontecer dois mêses antes do final da produção. Depois disso foi mais fácil negociar as imagens com a TV Record.
Os policiais mascarados, aparecem assim porque eram proibidos de dar entrevistas sob pena de expulsão. Estavam com medo da Rosinha que já despontava como candidata a governadora. E o bandido (assumidamente mau total) que aparece mascarado foi colega do Sandro no Instituto Padre Severino e conviveu também com ele na favela Nova Holanda. A operação montada para a sua entrevista, teve lances cinematográficos e de alto risco. O Alexandre assistente de direção, conheceu um porta-voz do bandidão lá na praia do Vidigal, apresentado por uns surfistas da Rocinha. O tal só apareceu no dia da gravação, surgindo misteriosamente debaixo de um viaduto, e de lá foram direto para o estudio na Barra, onde gravaram durante cinco horas. No final da gravação, ele pegou um taxi e nunca mais o viram. O grande problema era que não podiam ser parados por nenhuma blitz, senão o Alexandre correria risco de vida. Antes de aceitar dar o depoimento ele pegou o endereço da casa do Alexandre, e só depois de checado o endereço e outros quesitos ele deu a resposta positiva. Um detalhe curioso: o Alexandre só foi saber no debate, ontem, que o carro onde ele, o diretor e o produtor conduziam o bandidão para a filmagem, era seguido por um policial -- um dos entrevistados no filme -- com a missão de interferir e negociar a liberação com os colegas se acaso fossem parados por alguma blitz. Imagina se o bandido desconfia que tem policial na parada, matava todo o mundo.
E o que sempre me intrigou nessa historia toda foi que nunca ficou esclarecido como começou o sequestro. Estava com essa pergunta engatilhada, e não deu nem para mandar para a mesa de debates porque alguém se adiantou. E como eu imaginava ninguém tem explicação, nem o diretor do filme conseguiu essa informação. Há várias versões, mas nenhuma confirmada. Uns dizem que foi um motorista de taxi que avisou a policia. Mas nem os próprios policiais envolvidos e que aparecem sendo entrevistados souberam dizer como e de onde veio a informação para eles. Entre essas versões, há uma que diz ter sido uma armação politica para desestabilizar o governador Garotinho da Rosinha. Mistérios do poder.
7.1.03
Bendita bagunça
Além da esperança vencer o medo, a emoção venceu a prudência e a bagunça venceu o protocolo na posse do Lula. Bendita bagunça. Foi inaugurado o que promete ser o mais informal dos governos da República, mas o descaso com o protocolo promete outras coisas além de cenas simpáticas e seguranças aflitos.
O protocolo oficial existe não apenas para garantir a tal “liturgia do cargo” mas para que todos saibam onde ficar e o que fazer e as cerimônias não virem vale-tudo, mas “protocolo” também pode ser sinônimo de convenções arcaicas e costumes inexplicavelmente imexíveis.
A primeira “quebra” do protocolo foi a própria eleição do Lula, uma possibilidade que a nossa etiqueta política não permitia, ou sequer concebia. Assim como não ficava bem alguém como o Lula tomando um vinho caro, não ficava bem alguém como o Lula, que nem doutor é, na Presidência. Antes de vencer o medo, a esperança teve que vencer dezessete preconceitos. Estabelecidos os precedentes, na eleição e na posse, está aberto o caminho para outras quebras de protocolo. Para a bagunça que interessa.
Faz parte do nosso protocolo não escrito que os discursos inaugurais exagerem na retórica das boas intenções. Não canso de contar que uma vez vi o Millôr Fernandes esperar que diminuíssem os aplausos entusiasmados que se seguiram à sua leitura de uma magnífica defesa da democracia e dos direitos humanos para informar que acabara de ler o discurso de posse, na Presidência, do general Médici. Mesmo nos discursos inaugurais em que faltava sinceridade, sobrava estilo e brilho, e não há caso de um que não tenha dito — da forma esperada, protocolar — que combateria a miséria e promoveria a justiça social.
O discurso de Lula bagunçou esta tradição. Disse simplesmente, sem literatura, que não pode haver fome no Brasil. Que não está certo, que não dá, que tem que acabar. A fome é o chão, o básico que nenhuma retórica desconversa e nenhum brilho ofusca. Falar em terminar com a fome assim sem estilo, num discurso inaugural, é pieguice, é ingenuidade, é simplificação grosseira — enfim, não fica bem. Uma das tantas perversões que a elite brasileira institucionalizou para se proteger é esse controle das regras, do que pode e não pode, do que fica ou não fica bem. Se for fiel à sua própria anti-retórica, Lula terá quebrado um dos protocolos mais antigos do Estado brasileiro — o que regulamenta o descumprimento das promessas de campanha, desde que feito com bom gosto.
LUIS FERNANDO VERÍSSIMO
O Globo -05/01/2003
5.1.03
Macaquices
" Foram as almas de velhos metalúrgicos do ABC e de Contagem que fizeram morrer o Rolls-Royce de Lula na saída do Congresso e enguiçaram o Cadillac de Aécio Neves a caminho da Assembléia Legislativa. Eles acharam um desaforo que um metalúrgico saído dos tornos de aprendizado do Senai tomasse posse num carro estrangeiro velho e meio ridículo. Depois aborreceram-se com Aécio, sucessor de JK, usando tralha semelhante".
Quem teve essa sacada foi o brilhante MÁRCIO MOREIRA ALVES, na sua coluna de hoje em "O Globo".
" Foram as almas de velhos metalúrgicos do ABC e de Contagem que fizeram morrer o Rolls-Royce de Lula na saída do Congresso e enguiçaram o Cadillac de Aécio Neves a caminho da Assembléia Legislativa. Eles acharam um desaforo que um metalúrgico saído dos tornos de aprendizado do Senai tomasse posse num carro estrangeiro velho e meio ridículo. Depois aborreceram-se com Aécio, sucessor de JK, usando tralha semelhante".
Quem teve essa sacada foi o brilhante MÁRCIO MOREIRA ALVES, na sua coluna de hoje em "O Globo".
A cobertura mais completa da posse de Luiz Inacio Lula da Silva, está aqui no blog Marinildadas. Tem até o depoimento muito hilário de um arquiteto que foi à Brasilia para a posse e acabou nadando no laguinho. Imperdível.
4.1.03
Cadê os óculos do professor?
Um jovem e tímido professor morador de Jabuqui, cidadezinha do interior de São Paulo, foi o autor da arriscada tietagem quando num pulo alcançou o carro em movimento e conseguiu abraçar o Presidente. Ainda surprêso com a própria performance e a repercussão dela, disse ao reporter da TV Globo que o entrevistou: ele passando ali na minha frente, nem pensei, agí no calor da emoção, se eu fosse pensar não faria aquilo. Na confusão até perdeu os óculos que segundo ele cairam dentro do carro, e faz um tímido apêlo ao Presidente se não for abusar demais pede a devolução para conseguir dar aula na segunda-feira, já que está usando uns óculos emprestados com os quais nem está podendo enxergar direito.
Um jovem e tímido professor morador de Jabuqui, cidadezinha do interior de São Paulo, foi o autor da arriscada tietagem quando num pulo alcançou o carro em movimento e conseguiu abraçar o Presidente. Ainda surprêso com a própria performance e a repercussão dela, disse ao reporter da TV Globo que o entrevistou: ele passando ali na minha frente, nem pensei, agí no calor da emoção, se eu fosse pensar não faria aquilo. Na confusão até perdeu os óculos que segundo ele cairam dentro do carro, e faz um tímido apêlo ao Presidente se não for abusar demais pede a devolução para conseguir dar aula na segunda-feira, já que está usando uns óculos emprestados com os quais nem está podendo enxergar direito.
O profético poema do sociologo, escritor, antropologo, poeta Gilberto Freyre (1900/1987) autor de "Casa Grande & Senzala" que se tornou um classico sobre a historia da formaçao da sociedade brasileira. O poema foi escrito nos anos vinte, quando o autor tinha 26 anos. 1926 (Brasiliana: Litoral e Sertao)
O outro Brasil que vem aí
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e
norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.
GILBERTO FREYRE
O outro Brasil que vem aí
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e
norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.
GILBERTO FREYRE
2.1.03
Deus é brasileiro. São Pedro também.
<> A segurança do presidente assinou um atestado de incompetencia, quando um fã mais entusiasmado conseguiu se aproximar com o carro em movimento e dar um abraço no Lula. Imagina se fosse um louco ou terrorista. Na volta para a Granja do Torto estavam mais espertos. Ficaram dois deles em pé na trazeira do carro, e a segurança foi reforçada com os briosos soldados da PM. Fiquei curiosa para saber quem seria o autor de tamanha façanha. Foi de uma competencia inigualável. Nem James Bond teria melhor performance.
<> O espetacular tombo do cavalo com cavaleiro (da Guarda Nacional), ficando os dois estatelados no chão (o cavalo caiu e ficou de pernas para cima) bem em frente ao Rolls Royce, no início do desfile. Que alívio, quando cavalo e cavaleiro conseguiram levantar e continuaram a caminhada como se nada tivesse acontecido. Palmas para os dois, e efusivos cumprimentos ao cavaleiro pela sua ótima performance corporal. Aliás, fiquei apreensiva no início porque tinha alguns cavalos muito assustados com a multidão, e dando muito trabalho aos cavaleiros.
<> A moça que burlou a segurança, para tirar uma foto ao lado do Lula, na rampa. Essa ia se dando mal porque os soldados da PM a seguraram e só soltaram quando o Lula bem ao seu estilo desceu a rampa e foi abraçar e tirar foto com a talzinha que não se contentou com uma. Queria tirar outra foto. Isso ficou evidente nos gestos dela, e na expressão do Lula. Nesse episódio, ele correu um risco desnecessário. E se fosse uma louca ou sei lá o quê e com intenções outras.
<> E o Rolls Royce sendo empurrado pelos seguranças e fazendo aquela fumaceira toda, quando não foi capaz de subir uma ladeirinha de nada. Vexame histórico. Os fabricantes sempre alardearam que esse carro não precisa ser consertado.
<> E o Fernando Henrique pagou o maior mico ao passar a faixa presidencial, se atrapalhou-se todo e deixou cair os óculos. Lula se abaixa para apanhar e quase se atrapalha também para colocar a faixa.
<> Até São Pedro maneirou, e a chuva -- fraca -- não atrapalhou os festejos.
<> A segurança do presidente assinou um atestado de incompetencia, quando um fã mais entusiasmado conseguiu se aproximar com o carro em movimento e dar um abraço no Lula. Imagina se fosse um louco ou terrorista. Na volta para a Granja do Torto estavam mais espertos. Ficaram dois deles em pé na trazeira do carro, e a segurança foi reforçada com os briosos soldados da PM. Fiquei curiosa para saber quem seria o autor de tamanha façanha. Foi de uma competencia inigualável. Nem James Bond teria melhor performance.
<> O espetacular tombo do cavalo com cavaleiro (da Guarda Nacional), ficando os dois estatelados no chão (o cavalo caiu e ficou de pernas para cima) bem em frente ao Rolls Royce, no início do desfile. Que alívio, quando cavalo e cavaleiro conseguiram levantar e continuaram a caminhada como se nada tivesse acontecido. Palmas para os dois, e efusivos cumprimentos ao cavaleiro pela sua ótima performance corporal. Aliás, fiquei apreensiva no início porque tinha alguns cavalos muito assustados com a multidão, e dando muito trabalho aos cavaleiros.
<> A moça que burlou a segurança, para tirar uma foto ao lado do Lula, na rampa. Essa ia se dando mal porque os soldados da PM a seguraram e só soltaram quando o Lula bem ao seu estilo desceu a rampa e foi abraçar e tirar foto com a talzinha que não se contentou com uma. Queria tirar outra foto. Isso ficou evidente nos gestos dela, e na expressão do Lula. Nesse episódio, ele correu um risco desnecessário. E se fosse uma louca ou sei lá o quê e com intenções outras.
<> E o Rolls Royce sendo empurrado pelos seguranças e fazendo aquela fumaceira toda, quando não foi capaz de subir uma ladeirinha de nada. Vexame histórico. Os fabricantes sempre alardearam que esse carro não precisa ser consertado.
<> E o Fernando Henrique pagou o maior mico ao passar a faixa presidencial, se atrapalhou-se todo e deixou cair os óculos. Lula se abaixa para apanhar e quase se atrapalha também para colocar a faixa.
<> Até São Pedro maneirou, e a chuva -- fraca -- não atrapalhou os festejos.
1.1.03
E agora, o que diria o General De Gaulle ?
A posse do Lula ganhou primeira página do sizudo e conservador jornal francês Le Monde com destaque para Gilberto Gil e Palocci, e várias páginas falando do nosso presidente e do seu ministério, além de entrevistas com populares. Dá destaque também as conquistas do Brasil no governo de FHC. Destaca entre as presenças estrangeiras na posse, Fidel e Hugo Chavez, e entrevista o representante americano que se desmancha em elogios ao novo govêrno. Num momento de descontração fala de Lula comparando a une star de show-biz e de um Brasil ao novo estilo "Republica da Silva", citando o jornal brasileiro " O Globo " que cunhou esta expressão.
Já o Le Figaro , mais popular e de oposição, dá menos espaço com uma matéria simpática às mudanças propostas pelo nosso presidente, cita trechos do seu discurso, principalmente no combate ao protecionismo dos povos desenvolvidos. Comenta o entusiasmo de colegial dos parlamentares saudando Lula no Congresso, (leia-se principalmente, entre estes, o nobre Senador Eduardo Suplicy quando puxou vivas ao Lula!). Destaca também a presença de Fidel e Hugo Chavez e comenta en passant Gilberto Gil, os 150 índios de Pernambuco e o vexame do Rolls Royce.
A posse do Lula ganhou primeira página do sizudo e conservador jornal francês Le Monde com destaque para Gilberto Gil e Palocci, e várias páginas falando do nosso presidente e do seu ministério, além de entrevistas com populares. Dá destaque também as conquistas do Brasil no governo de FHC. Destaca entre as presenças estrangeiras na posse, Fidel e Hugo Chavez, e entrevista o representante americano que se desmancha em elogios ao novo govêrno. Num momento de descontração fala de Lula comparando a une star de show-biz e de um Brasil ao novo estilo "Republica da Silva", citando o jornal brasileiro " O Globo " que cunhou esta expressão.
Já o Le Figaro , mais popular e de oposição, dá menos espaço com uma matéria simpática às mudanças propostas pelo nosso presidente, cita trechos do seu discurso, principalmente no combate ao protecionismo dos povos desenvolvidos. Comenta o entusiasmo de colegial dos parlamentares saudando Lula no Congresso, (leia-se principalmente, entre estes, o nobre Senador Eduardo Suplicy quando puxou vivas ao Lula!). Destaca também a presença de Fidel e Hugo Chavez e comenta en passant Gilberto Gil, os 150 índios de Pernambuco e o vexame do Rolls Royce.
31.12.02
UM ESPECIAL DO MILLÔR PARA O internETC!
Na fronteira
Para ser lido entre o último toque de 31.12.2002 e o primeiro toque de 1.1.2003
Fim de um, começo de outro, passado e presente sem contornos, a certeza, mais uma vez, de que o tempo não existe. Só existe o passar do tempo. O que nos falta, entre o ano que termina e o que começa, é um limite de precisão que não o do relógio. Não há tique-taque que meça isso a não ser o, amedrontado, do coração.
Necessitamos saber - e não podemos - se já chegamos ou ainda estamos. Queremos pelo menos uma terra-de-ninguém, que nos dê tempo de respirar, enquanto abandonamos um ano e assumimos outro. Será por isso que procuramos fazer tanto barulho quando o ano acaba? Mas não adianta tocar uma corneta, bater um bumbo, emitir um grito; as ondas se espalham, ainda!, igualmente, num ano e noutro, em círculos perfeitos que estão, ao mesmo tempo, no fundo de 2002, no primeiro degrau de 2003.
Círculos perfeitamente concêntricos de nada. O momento é totalmente vago, fugidio, não tem realidade. Estamos na angústia do que perdemos definitivamente - mais 365 dias que mergulham para sempre no buraco negro do ido - e no fulgor do primeiro minuto que virá, novo, polido, toda uma outra coisa, como nunca foi. É, ainda não chegou, e talvez jamais chegue.
Pois no meio, pavorosamente silenciosa, aquela fímbria, o instante e espaço fim/início.O intervalo invisível, inaudível. Tordesilhas de nossas vidas, linha nem sequer imaginária.
Um gesto de carinho, um copo erguido, um beijo. E o abraço do afeto, o cálice da saudação e os lábios da intimidade estarão de um lado e do outro, num tempo e noutro tempo, no aqui e agora, e no semper et ubique.
Mas é isso aí.
Feliz Ano Lula.
(Millôr Fernandes)
PS. Desculpe querida Cora, mas não deu para resistir um texto especial do Mestre Millôr em homenagem a você. Efusivos parabens. Meus respeitos.
Na fronteira
Para ser lido entre o último toque de 31.12.2002 e o primeiro toque de 1.1.2003
Fim de um, começo de outro, passado e presente sem contornos, a certeza, mais uma vez, de que o tempo não existe. Só existe o passar do tempo. O que nos falta, entre o ano que termina e o que começa, é um limite de precisão que não o do relógio. Não há tique-taque que meça isso a não ser o, amedrontado, do coração.
Necessitamos saber - e não podemos - se já chegamos ou ainda estamos. Queremos pelo menos uma terra-de-ninguém, que nos dê tempo de respirar, enquanto abandonamos um ano e assumimos outro. Será por isso que procuramos fazer tanto barulho quando o ano acaba? Mas não adianta tocar uma corneta, bater um bumbo, emitir um grito; as ondas se espalham, ainda!, igualmente, num ano e noutro, em círculos perfeitos que estão, ao mesmo tempo, no fundo de 2002, no primeiro degrau de 2003.
Círculos perfeitamente concêntricos de nada. O momento é totalmente vago, fugidio, não tem realidade. Estamos na angústia do que perdemos definitivamente - mais 365 dias que mergulham para sempre no buraco negro do ido - e no fulgor do primeiro minuto que virá, novo, polido, toda uma outra coisa, como nunca foi. É, ainda não chegou, e talvez jamais chegue.
Pois no meio, pavorosamente silenciosa, aquela fímbria, o instante e espaço fim/início.O intervalo invisível, inaudível. Tordesilhas de nossas vidas, linha nem sequer imaginária.
Um gesto de carinho, um copo erguido, um beijo. E o abraço do afeto, o cálice da saudação e os lábios da intimidade estarão de um lado e do outro, num tempo e noutro tempo, no aqui e agora, e no semper et ubique.
Mas é isso aí.
Feliz Ano Lula.
(Millôr Fernandes)
PS. Desculpe querida Cora, mas não deu para resistir um texto especial do Mestre Millôr em homenagem a você. Efusivos parabens. Meus respeitos.
29.12.02
Salve-se quem quiser
Ontem á noite, perdí a conta de quantos acidentes de trânsito no trajeto de Copacabana à Vila Isabel. Em Botafogo, trânsito lento perto do São João Batista e uma tensão entre os motoristas com cabeças para fora da janela, e fui entender o porquê quando a fila andou e ví umas figuras correndo entre os carros, e concluí que era um arrastão consumado -- ou não -- na frente da fila. Ou será que eu já estou mais paranoica do que devia e estou imaginando essas coisas. No Tunel Rebouças, carros á mil, e o que levei de fechada, cortada, dentro e fora do tunel nem conto. Na Praça da Bandeira um motorista de taxi quasi me ferrou, escapei por um triz.
Chegando na Vila, o mais grave acidente do percurso. No Boulevard 28 de Setembro, uma batida entre três ou quatro carros, ambulancia, bombeiros, uma multidão de curiosos, e um trânsito prá lá de caótico. Para completar a rua do Petisco da Vila fechada na sua entrada com o maior zêlo por duas patrulhinhas da PM garantindo a realização do show ou sei lá o quê num palco armado em plena rua na frente do famoso restaurante. E por causa disso tive que dar uma volta enorme até conseguir chegar à rua da minha casa. E estranhamente nenhum dos quatro seguranças particulares da minha rua estava no seu posto. Todos sumidos.
A partir de hoje, o carro vai ficar guardado na garagem até passar essa época das festas de final do ano. Deu para mim.
Ontem á noite, perdí a conta de quantos acidentes de trânsito no trajeto de Copacabana à Vila Isabel. Em Botafogo, trânsito lento perto do São João Batista e uma tensão entre os motoristas com cabeças para fora da janela, e fui entender o porquê quando a fila andou e ví umas figuras correndo entre os carros, e concluí que era um arrastão consumado -- ou não -- na frente da fila. Ou será que eu já estou mais paranoica do que devia e estou imaginando essas coisas. No Tunel Rebouças, carros á mil, e o que levei de fechada, cortada, dentro e fora do tunel nem conto. Na Praça da Bandeira um motorista de taxi quasi me ferrou, escapei por um triz.
Chegando na Vila, o mais grave acidente do percurso. No Boulevard 28 de Setembro, uma batida entre três ou quatro carros, ambulancia, bombeiros, uma multidão de curiosos, e um trânsito prá lá de caótico. Para completar a rua do Petisco da Vila fechada na sua entrada com o maior zêlo por duas patrulhinhas da PM garantindo a realização do show ou sei lá o quê num palco armado em plena rua na frente do famoso restaurante. E por causa disso tive que dar uma volta enorme até conseguir chegar à rua da minha casa. E estranhamente nenhum dos quatro seguranças particulares da minha rua estava no seu posto. Todos sumidos.
A partir de hoje, o carro vai ficar guardado na garagem até passar essa época das festas de final do ano. Deu para mim.
27.12.02
Liste dez celebridades que você convidaria para a Ceia de Natal
A Marina W do blowg e a Mariana Newlands do photodujour criaram um novo blog, o Multi-uso que já está no ar com a resposta à pergunta acima. Os blogueiros adoraram a idéia e correram em massa para participar. De Jesus Cristo presente em quasi todas as respostas, ao Zeca Pagodinho -- bem cotado nas preferencias femininas, às combinações mais inusitadas e engraçadas.
A minha escôlha já está postada lá no Multi-uso:
Luiz Inacio Lula da Silva
Eduardo Suplicy
Carlos Drummond de Andrade
John Lenon
Bethowen
Pina Bausch
Sarah Bernhardt
Bertolt Brecht
Frederico Fellini
Pablo Picasso
A Marina W do blowg e a Mariana Newlands do photodujour criaram um novo blog, o Multi-uso que já está no ar com a resposta à pergunta acima. Os blogueiros adoraram a idéia e correram em massa para participar. De Jesus Cristo presente em quasi todas as respostas, ao Zeca Pagodinho -- bem cotado nas preferencias femininas, às combinações mais inusitadas e engraçadas.
A minha escôlha já está postada lá no Multi-uso:
Luiz Inacio Lula da Silva
Eduardo Suplicy
Carlos Drummond de Andrade
John Lenon
Bethowen
Pina Bausch
Sarah Bernhardt
Bertolt Brecht
Frederico Fellini
Pablo Picasso
26.12.02
Afetos & Perceptos
Ontem, na Ceia de Natal na casa da minha irmã Reny lá em Osório, no interior do Rio Grande do Sul, o meu sobrinho tirou umas fotos digitais da minha Mãe e dos filhinhos dele e mandou para mim uma hora depois via e-mail. Nada demais. Isto é coisa comum em qualquer parte do mundo para quem tem uma câmara digital, um computador e um provedor na Internet, mas ainda não estou acostumada com essas novidades, e por mais que me acostume, acho que vou ficar maravilhada sempre.
Adorei a bela surprêsa, principalmente pela alegria da minha Mãe, com uma cara ótima, toda chique, e pela alegria das crianças, o Artur um gurizinho lindo que eu só conheço por fotos digitais, e que tem apenas oito mêses e a Izabella, de dois anos, toda faceira numa das fotos no colo da minha Mãe -- as duas são muito amigas. Da minha irmã Reny com o seu jeito osoriense de ser. Enfim, essas fotos trouxeram para mim um pouco da beleza da minha família, num presente de Natal bem diferente. (Hummm... será que era isso mesmo que eu queria dizer, sem resvalar na pieguice?Voilà).
Ontem, na Ceia de Natal na casa da minha irmã Reny lá em Osório, no interior do Rio Grande do Sul, o meu sobrinho tirou umas fotos digitais da minha Mãe e dos filhinhos dele e mandou para mim uma hora depois via e-mail. Nada demais. Isto é coisa comum em qualquer parte do mundo para quem tem uma câmara digital, um computador e um provedor na Internet, mas ainda não estou acostumada com essas novidades, e por mais que me acostume, acho que vou ficar maravilhada sempre.
Adorei a bela surprêsa, principalmente pela alegria da minha Mãe, com uma cara ótima, toda chique, e pela alegria das crianças, o Artur um gurizinho lindo que eu só conheço por fotos digitais, e que tem apenas oito mêses e a Izabella, de dois anos, toda faceira numa das fotos no colo da minha Mãe -- as duas são muito amigas. Da minha irmã Reny com o seu jeito osoriense de ser. Enfim, essas fotos trouxeram para mim um pouco da beleza da minha família, num presente de Natal bem diferente. (Hummm... será que era isso mesmo que eu queria dizer, sem resvalar na pieguice?Voilà).
25.12.02
Presente ou lembrancinha?
Não estou com cabeça para essas coisas de Natal e Reveillon. Essas datas perderam muito do seu significado e se transformaram na celebração máxima de rituais consumistas. Não compro presente nenhum no Natal. Ninguém me verá em shoping ou que tais para compras natalinas. Compro tudo durante o ano todo, quando vou a feiras, exposições, bazar, casas de brinquedos e presentes no Saara, etc. e vou guardando. E se acontecer de aparecer alguém para presentear á ultima hora, eu fico devendo o presente. Acho que se alguém gosta mesmo de mim, tem aprêço pela minha pessoa não vai querer me ver sofrendo, torturada em fila de shoping nessa corrida louca de fim de ano pra comprar um presente. Aliás, presente mesmo, daqueles de encher os olhos, com esta inflação sorrateira aumentando os preços todo o dia, quem não comprou com a devida antecedência, agora com esse dinheiro só vai dar para comprar uma lembrancinha, e olhe lá. Não enche os olhos, mas enche o coração. Isto é, dependendo de quem recebe e de quem dá.
Natal e Reveilon de dieta, eu?
E, ontem pra variar saí do ar, dormi a tarde toda, e pensei que a véspera de Natal era hoje. Só fui me tocar quando eu acordei com o barulho dos fogueteiros de plantão, e ouvi os recados na secretária eletronica. Como eu estou de regime e levando muito a sério, não posso comer rabanada que eu adoro e nem beber vinho por causa do remédio que eu estou tomando para a dor do trigemeo. E o reveillon não sei ainda onde vou passar. Estou pensando em ir para Tiradentes com um pessoal amigo. Só indo pro mato mesmo...sem beber e restrição à comida, não sei se vou conseguir manter esta determinação até o reveilon.
Não parece a não ser pela roupa, mas já emagrecí mais de cinco quilos. Até a semana passada quando estive na médica eram cinco quilos. Em dois mêses -- completados agora no dia 28, é muito animador, disse a médica. Para mim, nem tanto. E a dieta nesta semana tem sido mais rigorosa porque eu tive que parar de tomar o remédio para emagrecer por causa do outro para a dor da nevralgia do trigêmeo. Falando nisso, hoje eu não sentí nenhum pingo de dor.
Não estou com cabeça para essas coisas de Natal e Reveillon. Essas datas perderam muito do seu significado e se transformaram na celebração máxima de rituais consumistas. Não compro presente nenhum no Natal. Ninguém me verá em shoping ou que tais para compras natalinas. Compro tudo durante o ano todo, quando vou a feiras, exposições, bazar, casas de brinquedos e presentes no Saara, etc. e vou guardando. E se acontecer de aparecer alguém para presentear á ultima hora, eu fico devendo o presente. Acho que se alguém gosta mesmo de mim, tem aprêço pela minha pessoa não vai querer me ver sofrendo, torturada em fila de shoping nessa corrida louca de fim de ano pra comprar um presente. Aliás, presente mesmo, daqueles de encher os olhos, com esta inflação sorrateira aumentando os preços todo o dia, quem não comprou com a devida antecedência, agora com esse dinheiro só vai dar para comprar uma lembrancinha, e olhe lá. Não enche os olhos, mas enche o coração. Isto é, dependendo de quem recebe e de quem dá.
Natal e Reveilon de dieta, eu?
E, ontem pra variar saí do ar, dormi a tarde toda, e pensei que a véspera de Natal era hoje. Só fui me tocar quando eu acordei com o barulho dos fogueteiros de plantão, e ouvi os recados na secretária eletronica. Como eu estou de regime e levando muito a sério, não posso comer rabanada que eu adoro e nem beber vinho por causa do remédio que eu estou tomando para a dor do trigemeo. E o reveillon não sei ainda onde vou passar. Estou pensando em ir para Tiradentes com um pessoal amigo. Só indo pro mato mesmo...sem beber e restrição à comida, não sei se vou conseguir manter esta determinação até o reveilon.
Não parece a não ser pela roupa, mas já emagrecí mais de cinco quilos. Até a semana passada quando estive na médica eram cinco quilos. Em dois mêses -- completados agora no dia 28, é muito animador, disse a médica. Para mim, nem tanto. E a dieta nesta semana tem sido mais rigorosa porque eu tive que parar de tomar o remédio para emagrecer por causa do outro para a dor da nevralgia do trigêmeo. Falando nisso, hoje eu não sentí nenhum pingo de dor.
24.12.02
Um convite inesperado
Hoje (feriado facultativo) aproveitei para ir caminhar no Maraca. Depois da caminhada eu fico fazendo uns alongamentos. Estou concentrada no meu alongamento e vem passando um cara que resolve parar e puxar papo. Idade indefinida, fazendo o gênero bonitão e se achando, vestindo uma camisa de listras largas e cores berrantes aberta até quasi a cintura ostentava uma medalha ou coisa que o valha numa corrente dourada, calça escura e sandalias trançadas de couro cru, no mais legitimo figurino sanfoneiro da Feira de São Cristóvão. Pára do meu lado,e manda esta, na maior cara de pau:
-- Fazendo ginastica?
(Eu me alongando no mais puro estilo técnica de Alexander odiei a pergunta).
-- Silêncio.
-- Está muito em forma, ainda!
(Poxa! O "ainda" pegou mal! Mesmo assim agradecí o elogio).
-- Obrigada.
( Respondo olhando pela primeira vez para a cara do sujeito. Ah, pra que eu fui responder, o inusitado convite veio de pronto).
-- Quer almoçar comigo?
-- Não.
(Claro que essa figura deve estar convidando para o almoço a um real ali no outro portão, próximo daqui).
-- A comida ali é muito boa.
(Como eu imaginara, disse isso e apontou para o lado do restaurante popular Radialista Jorge Cury, a um real, dentro do Maracanã)
-- Silêncio.
(Continuo me alongando sem olhar para ele)
-- Não tem êrro. Tô só convidando pra almoçar. Nada demais.
-- Silêncio.
(Continúo ignorando a presença dele)
-- Tá bom não quer.
-- Silêncio.
-- Eu vou pagar.
(Esta foi para sacanear)
-- Silêncio.
-- Não vai responder. Não quer mesmo?
(Ainda insiste. Que cara de pau!)
-- Silêncio.
-- Orgulhosa, né?
-- Silêncio.
-- Tá bom. Nas voltas que o mundo dá você ainda pode cair na minha rede.
-- Silêncio.
( Continúo na minha sem dizer palavra).
-- Orgulhosa... ( disse isso e vai saindo de fininho. Ainda bem).
Eu mereço... eu mereço... Quem mandou ir caminhar no Maraca depois de dez horas da manhã. A essa hora esse povo todo que votou na Rosinha do Garotinho já está a postos na fila para pegar o rango a um real).
Hoje (feriado facultativo) aproveitei para ir caminhar no Maraca. Depois da caminhada eu fico fazendo uns alongamentos. Estou concentrada no meu alongamento e vem passando um cara que resolve parar e puxar papo. Idade indefinida, fazendo o gênero bonitão e se achando, vestindo uma camisa de listras largas e cores berrantes aberta até quasi a cintura ostentava uma medalha ou coisa que o valha numa corrente dourada, calça escura e sandalias trançadas de couro cru, no mais legitimo figurino sanfoneiro da Feira de São Cristóvão. Pára do meu lado,e manda esta, na maior cara de pau:
-- Fazendo ginastica?
(Eu me alongando no mais puro estilo técnica de Alexander odiei a pergunta).
-- Silêncio.
-- Está muito em forma, ainda!
(Poxa! O "ainda" pegou mal! Mesmo assim agradecí o elogio).
-- Obrigada.
( Respondo olhando pela primeira vez para a cara do sujeito. Ah, pra que eu fui responder, o inusitado convite veio de pronto).
-- Quer almoçar comigo?
-- Não.
(Claro que essa figura deve estar convidando para o almoço a um real ali no outro portão, próximo daqui).
-- A comida ali é muito boa.
(Como eu imaginara, disse isso e apontou para o lado do restaurante popular Radialista Jorge Cury, a um real, dentro do Maracanã)
-- Silêncio.
(Continuo me alongando sem olhar para ele)
-- Não tem êrro. Tô só convidando pra almoçar. Nada demais.
-- Silêncio.
(Continúo ignorando a presença dele)
-- Tá bom não quer.
-- Silêncio.
-- Eu vou pagar.
(Esta foi para sacanear)
-- Silêncio.
-- Não vai responder. Não quer mesmo?
(Ainda insiste. Que cara de pau!)
-- Silêncio.
-- Orgulhosa, né?
-- Silêncio.
-- Tá bom. Nas voltas que o mundo dá você ainda pode cair na minha rede.
-- Silêncio.
( Continúo na minha sem dizer palavra).
-- Orgulhosa... ( disse isso e vai saindo de fininho. Ainda bem).
Eu mereço... eu mereço... Quem mandou ir caminhar no Maraca depois de dez horas da manhã. A essa hora esse povo todo que votou na Rosinha do Garotinho já está a postos na fila para pegar o rango a um real).
22.12.02
Depois dessa, não conseguí mais dormir e como sou blogueira, nem esquentei, e vim blogar. E uma linda surprêsa aqui no blog da Cora. Considero-me presenteada. Valeu, Corinha.
Aargh...
Acordei antes das oito horas da manhã com um enorme estrondo, parecendo que o prédio ia desabar. Levei o maior susto até me tocar que era a criançada se atirando -- literalmente -- na piscina. O meu quarto fica em baixo da piscina das crianças. E isso que estamos apenas no comêço do verão. Se eu soubesse disso nunca iria morar em prédio com piscina. É nisso que dá querer ser chique. De mentirinha. E o peor de tudo é que algumas pessoas da vizinhança agem como se fossem ricos, e não passam de classe média metida a besta. Vivem inventando moda aqui para o prédio, e a gente tem que ficar muito esperta, e até muito a contragosto comparecer a reuniões de condomínio, para não dar maioria de votos para elas, e não ser surpreendido com alguma mirabolante novidade para o prédio e uma taxa extra absurda aumentando o condomínio.
Acordei antes das oito horas da manhã com um enorme estrondo, parecendo que o prédio ia desabar. Levei o maior susto até me tocar que era a criançada se atirando -- literalmente -- na piscina. O meu quarto fica em baixo da piscina das crianças. E isso que estamos apenas no comêço do verão. Se eu soubesse disso nunca iria morar em prédio com piscina. É nisso que dá querer ser chique. De mentirinha. E o peor de tudo é que algumas pessoas da vizinhança agem como se fossem ricos, e não passam de classe média metida a besta. Vivem inventando moda aqui para o prédio, e a gente tem que ficar muito esperta, e até muito a contragosto comparecer a reuniões de condomínio, para não dar maioria de votos para elas, e não ser surpreendido com alguma mirabolante novidade para o prédio e uma taxa extra absurda aumentando o condomínio.
21.12.02
19.12.02
Na minha cabeça martelando uma frase do BB (Bertolt Brecht):
Nada é impossível de mudar.
Tá bom, mas às vezes independe da nossa vontade. Era isso o que eu queria dizer prá vocês que puseram esta frase lá abrindo o blog. E por hoje chega...
Nada é impossível de mudar.
Tá bom, mas às vezes independe da nossa vontade. Era isso o que eu queria dizer prá vocês que puseram esta frase lá abrindo o blog. E por hoje chega...
16.12.02
Fora do ar
Você já sentiu dor de dente, mas que nada tem a ver com dente? Pois é, eu tô sentindo isso agora, a chamada nevralgia do trigemeos. Há dois anos que eu não
tinha, e pensei que estava livre da tal dor. Engano. Final de ano, estresse, e ela aproveita a brecha para atazanar a vida da gente. Aliás, atazanar não é bem o termo, porque é muito mais que isso. Quando melhorar eu volto aqui. Excusez-moi mes enfants...
Você já sentiu dor de dente, mas que nada tem a ver com dente? Pois é, eu tô sentindo isso agora, a chamada nevralgia do trigemeos. Há dois anos que eu não
tinha, e pensei que estava livre da tal dor. Engano. Final de ano, estresse, e ela aproveita a brecha para atazanar a vida da gente. Aliás, atazanar não é bem o termo, porque é muito mais que isso. Quando melhorar eu volto aqui. Excusez-moi mes enfants...
10.12.02
DECLARAÇÃO DO RISO DA TERRA
Quando os deuses se encontraram
E riram pela primeira vez,
Eles criaram os planetas, as águas,
o dia e a noite.
Quando riram pela segunda vez,
criaram as plantas, os bichos e os homens.
Quando gargalharam pela última vez,
eles criaram a alma.
(de um papiro egípcio)
Palhaços do mundo uni-vos!
Vivemos um momento em que a estupidez humana é nossa maior ameaça.
Palhaços não transformam o mundo, quiçá a si mesmos.
E nós, palhaços, tontos, bufões, que levamos a vida a mostrar toda essa estupidez, cansamos.
O palhaço é a expressão da alegria,
o palhaço é a expressão da vida no que ela tem de instigante, sensível, humana.
Alegria que o palhaço realiza a cada momento de sua ação,
contribuindo para estancar, por um momento que seja,
a dor no planeta Terra.
O palhaço é a única criatura no mundo que ri de sua própria derrota
e ao agir assim estanca o curso da violência.
OS PALHAÇOS AMPLIAM O RISO DA TERRA.
Por esse motivo, nós, palhaços do mundo, não podemos deixar de dizer
aos homens e mulheres do nosso tempo, de qualquer credo, de qualquer país:
CULTIVEMOS O RISO.
Cultivemos o riso contra as armas que destroem a vida.
O riso que resiste ao ódio, à fome e às injustiças do mundo.
Cultivemos o riso. Mas não um riso que discrime o outro pela sua cor,
religião, etnia, gostos e costumes.
CULTIVEMOS O RISO PARA CELEBRAR AS NOSSAS DIFERENÇAS.
Um riso que seja como a própria vida: múltiplo, diverso, generoso.
Enquanto rirmos estaremos em paz..
CARTA DA PARAÍBA - João Pessoa, 2 de dezembro de 2001
Declaração do Riso da Terra, documento gerado no Festival Mundial de Circo, realizado no ano passado em João Pessoa. O festival que reuniu palhaços de várias partes do planeta foi idealizado, produzido e dirigido pelo PALHAÇO XUXU (a sua benção, Mestre!) -- o ator e diretor Luiz Carlos Vasconcellos.
Quando os deuses se encontraram
E riram pela primeira vez,
Eles criaram os planetas, as águas,
o dia e a noite.
Quando riram pela segunda vez,
criaram as plantas, os bichos e os homens.
Quando gargalharam pela última vez,
eles criaram a alma.
(de um papiro egípcio)
Palhaços do mundo uni-vos!
Vivemos um momento em que a estupidez humana é nossa maior ameaça.
Palhaços não transformam o mundo, quiçá a si mesmos.
E nós, palhaços, tontos, bufões, que levamos a vida a mostrar toda essa estupidez, cansamos.
O palhaço é a expressão da alegria,
o palhaço é a expressão da vida no que ela tem de instigante, sensível, humana.
Alegria que o palhaço realiza a cada momento de sua ação,
contribuindo para estancar, por um momento que seja,
a dor no planeta Terra.
O palhaço é a única criatura no mundo que ri de sua própria derrota
e ao agir assim estanca o curso da violência.
OS PALHAÇOS AMPLIAM O RISO DA TERRA.
Por esse motivo, nós, palhaços do mundo, não podemos deixar de dizer
aos homens e mulheres do nosso tempo, de qualquer credo, de qualquer país:
CULTIVEMOS O RISO.
Cultivemos o riso contra as armas que destroem a vida.
O riso que resiste ao ódio, à fome e às injustiças do mundo.
Cultivemos o riso. Mas não um riso que discrime o outro pela sua cor,
religião, etnia, gostos e costumes.
CULTIVEMOS O RISO PARA CELEBRAR AS NOSSAS DIFERENÇAS.
Um riso que seja como a própria vida: múltiplo, diverso, generoso.
Enquanto rirmos estaremos em paz..
CARTA DA PARAÍBA - João Pessoa, 2 de dezembro de 2001
Declaração do Riso da Terra, documento gerado no Festival Mundial de Circo, realizado no ano passado em João Pessoa. O festival que reuniu palhaços de várias partes do planeta foi idealizado, produzido e dirigido pelo PALHAÇO XUXU (a sua benção, Mestre!) -- o ator e diretor Luiz Carlos Vasconcellos.
8.12.02
Cora, Nelson Motta, Blitz, Voador no Arpoador e o "rapa"
Hoje á tarde fiquei cuidando a programação da TVE no reprise do programa Sem Censura para ver se a Cora apareceria, e nada. Domingo retrasado fiquei postada em frente à TV, porque achava que colocariam as entrevistas da semana, e a entrevista dela iria aparecer na reprise. Não apareceu. Domingo passado, eu não estava em casa. Será que passou no domingo passado? Não acredito.
Bem, hoje só não foi mais frustrante porque teve a reprise de uma entrevista com o Nelson Motta. De óculos escuros durante a entrevista toda. Um charme. Adoro ele. Antenadíssimo, quando a Blitz surgiu no Circo Voador no Arpoador foi o primeiro crítico de música que sacou de cara a importância da linguagem do grupo, e o estilo de música que marcou os anos oitenta. A Blitz causou uma certa estranheza logo que surgiu, e alguns críticos torceram o nariz. Ele tinha uma coluna de música em O Globo, deu a maior fôrça para o Evandro e o grupo, e para nós do Circo Voador.
O Nelsinho me achava parecida com as mulheres daquela ilha da Indonésia pintadas pelo Gauguin. E ao invés de me chamar pelo meu nome, só me chamava de Modelo de Gauguin. Eu usava cabelos compridos e estava queimadíssima de praia, e depois dessa comparação, fiquei me achando...Tempinhos muito bons aqueles do Voador no Arpoador, a gente era muito feliz, sabia disso e tratou de aproveitar o máximo. Ficamos só três mêses exatos no Arpoador. Saimos expulsos de lá no dia 31 de março de 1982. Aquele caminhão da Prefeitura -- o rapa -- carregou o circo. Seis mêses depois estreavamos o Voador na Lapa. (Hmn... Momento Saudade nesse blog?)
Hoje á tarde fiquei cuidando a programação da TVE no reprise do programa Sem Censura para ver se a Cora apareceria, e nada. Domingo retrasado fiquei postada em frente à TV, porque achava que colocariam as entrevistas da semana, e a entrevista dela iria aparecer na reprise. Não apareceu. Domingo passado, eu não estava em casa. Será que passou no domingo passado? Não acredito.
Bem, hoje só não foi mais frustrante porque teve a reprise de uma entrevista com o Nelson Motta. De óculos escuros durante a entrevista toda. Um charme. Adoro ele. Antenadíssimo, quando a Blitz surgiu no Circo Voador no Arpoador foi o primeiro crítico de música que sacou de cara a importância da linguagem do grupo, e o estilo de música que marcou os anos oitenta. A Blitz causou uma certa estranheza logo que surgiu, e alguns críticos torceram o nariz. Ele tinha uma coluna de música em O Globo, deu a maior fôrça para o Evandro e o grupo, e para nós do Circo Voador.
O Nelsinho me achava parecida com as mulheres daquela ilha da Indonésia pintadas pelo Gauguin. E ao invés de me chamar pelo meu nome, só me chamava de Modelo de Gauguin. Eu usava cabelos compridos e estava queimadíssima de praia, e depois dessa comparação, fiquei me achando...Tempinhos muito bons aqueles do Voador no Arpoador, a gente era muito feliz, sabia disso e tratou de aproveitar o máximo. Ficamos só três mêses exatos no Arpoador. Saimos expulsos de lá no dia 31 de março de 1982. Aquele caminhão da Prefeitura -- o rapa -- carregou o circo. Seis mêses depois estreavamos o Voador na Lapa. (Hmn... Momento Saudade nesse blog?)
6.12.02
5.12.02
GESTO
Acabo de chegar da festa de lançamento da revista impressa e on-line do Centro Coreografico do Rio -- a Gesto, no Teatro Sergio Porto. Famosos e não tão famosos de A a Z na dança contemporânea marcaram presença. Muita gente bonita. Reví amigos que eu não encontrava há tempos. Um coquetel para ninguém botar defeito, de wiski a sucos deliciosos de manga, goiaba, abacaxi e um caldinho amarelo salpicado de cheiro verde servido num cálice pequeno (um manjar dos deuses, cujo ingrediente principal era abobora), canapés os mais deliciosos de todos que eu comi em festas do tipo. Saí um pouquinho do regime. Nas paredes, telões enormes exibiam a parte eletronica da revista e as obras da instalação do Centro Coreografico do Rio, em uma antiga fábrica de cerveja -- prédio tombado pelo Patrimonio Historico no bairro da Tijuca, que será inaugurado em julho do próximo ano.
O casaco que enganou o guarda
O espaço interno do Sergio Porto ficou pequeno para tanta gente e a galera se espalhou pela frente do Teatro. Só havia um problema. O guarda não deixava carregar os copos de wiski lá para fora. Era barrado na porta quem passasse com copos -- todos de vidro. E acabamos dando um drible nos guardas. Uma amiga da Angel que estava com um casaco de verão, o emprestava para quem quisesse ir lá dentro buscar um copo de wiski e trazê-lo disfarçadamente embrulhado no casaco jogado displicentemente sobre o braço. Os garçons, desconfiados vinham apanhar os copos vazios sem entender nada.
A Mestra e o seu dia de pop-star
A "Gesto" dedica a Mestra Angel Vianna uma matéria de quatro páginas com uma foto belíssima, de página inteira. Ao chegar à festa, foi logo cercada pelos alunos, amigos e fãs, e acabou dando autógrafos na página da revista em cima da sua foto. Um luxo.
"O Centro Coreográfico do Rio será uma linguagem em movimento, aquilo que chamamos, justamente, de coreografia." Regina Miranda
A dona da festa, diretora do Centro Coreográfico do Rio, a bailarina, coreografa, (introdutora no Brasil do Método Laban, e atual diretora do Laban Institute de Nova York) a Mestra Regina Miranda, festejadíssima, recebia os cumprimentos com a simplicidade e a classe dos grandes mestres.
Acabo de chegar da festa de lançamento da revista impressa e on-line do Centro Coreografico do Rio -- a Gesto, no Teatro Sergio Porto. Famosos e não tão famosos de A a Z na dança contemporânea marcaram presença. Muita gente bonita. Reví amigos que eu não encontrava há tempos. Um coquetel para ninguém botar defeito, de wiski a sucos deliciosos de manga, goiaba, abacaxi e um caldinho amarelo salpicado de cheiro verde servido num cálice pequeno (um manjar dos deuses, cujo ingrediente principal era abobora), canapés os mais deliciosos de todos que eu comi em festas do tipo. Saí um pouquinho do regime. Nas paredes, telões enormes exibiam a parte eletronica da revista e as obras da instalação do Centro Coreografico do Rio, em uma antiga fábrica de cerveja -- prédio tombado pelo Patrimonio Historico no bairro da Tijuca, que será inaugurado em julho do próximo ano.
O casaco que enganou o guarda
O espaço interno do Sergio Porto ficou pequeno para tanta gente e a galera se espalhou pela frente do Teatro. Só havia um problema. O guarda não deixava carregar os copos de wiski lá para fora. Era barrado na porta quem passasse com copos -- todos de vidro. E acabamos dando um drible nos guardas. Uma amiga da Angel que estava com um casaco de verão, o emprestava para quem quisesse ir lá dentro buscar um copo de wiski e trazê-lo disfarçadamente embrulhado no casaco jogado displicentemente sobre o braço. Os garçons, desconfiados vinham apanhar os copos vazios sem entender nada.
A Mestra e o seu dia de pop-star
A "Gesto" dedica a Mestra Angel Vianna uma matéria de quatro páginas com uma foto belíssima, de página inteira. Ao chegar à festa, foi logo cercada pelos alunos, amigos e fãs, e acabou dando autógrafos na página da revista em cima da sua foto. Um luxo.
"O Centro Coreográfico do Rio será uma linguagem em movimento, aquilo que chamamos, justamente, de coreografia." Regina Miranda
A dona da festa, diretora do Centro Coreográfico do Rio, a bailarina, coreografa, (introdutora no Brasil do Método Laban, e atual diretora do Laban Institute de Nova York) a Mestra Regina Miranda, festejadíssima, recebia os cumprimentos com a simplicidade e a classe dos grandes mestres.
4.12.02
Só agora tomei conhecimento das ilustres visitas recebidas no sábado. Há dias eu não consigo ver os Comentes. E não é que eu conseguí abrir os "Comentes" agora, mas em compensação não estou conseguindo postar no blog e nem nos "comentes". Esse blog tá me deixando enlouquecida. Hay que tener paciencia. Bueno, se não conseguir postar, vou dormir porque acordo cedo na quarta.
Este blog tá uma zona. Os arquivos desaparecem e aparecem quando querem. Os "comentes" não funcionam. Só dá o tal do "Request Error" ou " Web-Site not responding". A responsável por estas mal tecladas está ensandecida com tanto trabalho acumulado no final do ano, e sem tempo para blogar. Voilà. Excusez-moi mes enfants.
27.11.02
Música sacra nas igrejas tem a flautista Laura Ronai
Estava agora há pouco assistindo "Arte com Sergio Brito" na TVE para ver uma amiga que deveria aparecer no programa, mas ela não apareceu. E o programa encerrou com uma matéria sobre música nas igrejas, focalizando o interior e o exterior da centenária e belíssima igreja da Rua do Ouvidor 45 --Igreja dos Mercadores da Lapa. E sabe quem aparece no programa falando sobre o projeto "Música sacra nas igrejas do Rio", e depois toca lindamente sua flauta: Laura Rónai. Nossa! Fiquei emocionada de ver e ouvir esta artista maravilhosa. Completamente fera na flauta. E como é bonita, eu achei ela muito parecida com a fotografa Bia Ronai. Laura também é blogueira, edita o Mostly Music e é irmã de uma blogueira famosa: a nossa queridíssima Cora Rónai, do InternETC.
Estava agora há pouco assistindo "Arte com Sergio Brito" na TVE para ver uma amiga que deveria aparecer no programa, mas ela não apareceu. E o programa encerrou com uma matéria sobre música nas igrejas, focalizando o interior e o exterior da centenária e belíssima igreja da Rua do Ouvidor 45 --Igreja dos Mercadores da Lapa. E sabe quem aparece no programa falando sobre o projeto "Música sacra nas igrejas do Rio", e depois toca lindamente sua flauta: Laura Rónai. Nossa! Fiquei emocionada de ver e ouvir esta artista maravilhosa. Completamente fera na flauta. E como é bonita, eu achei ela muito parecida com a fotografa Bia Ronai. Laura também é blogueira, edita o Mostly Music e é irmã de uma blogueira famosa: a nossa queridíssima Cora Rónai, do InternETC.
26.11.02
Os médicos estão preparados para combater a dengue?
No simples diagnostico da dengue, os médicos ainda confundem com outras doenças virais como foi nesse caso aqui com a caseira do ator Stenio Garcia. A mulher do ator, Marilene Saade protesta indignada:" Com esse atendimento médico, que dia D contra a dengue é esse"?
No simples diagnostico da dengue, os médicos ainda confundem com outras doenças virais como foi nesse caso aqui com a caseira do ator Stenio Garcia. A mulher do ator, Marilene Saade protesta indignada:" Com esse atendimento médico, que dia D contra a dengue é esse"?
A dengue quase me matou
Em 1984, a jornalista Ana Lagoa foi internada com uma doença tropical dada como erradicada: a dengue hemorrágica. Ficou pele e osso. A pele descamou, envelheceu. O fígado nunca mais foi o mesmo. Leia seu relato publicado na revista eletronica No, em fevereiro deste ano.
Estávamos em 1984. Tudo começou com a dor nas costas, bem na região lombar, e uma sensação de cansaço. Eu estava trabalhando no Ibase, era dia de Corpus Cristie, mas o Betinho e Viviane, nossa secretária, resolveram ir lá para pôr umas papeladas em ordem e eu aproveitei para fazer o mesmo. No final da tarde, já sem poder me mover, fui levada para casa na certeza de que estava com pneumonia. Como não tinha recursos para ir a um médico particular, Betinho pediu que a médica que o acompanhava desse um pulo na minha casa. Susie era chefe da área de doenças infecto-contagiosas do Hospital Universitário e foi minha sorte. Ela não me deixou ficar em casa, pois teria que tirar sangue várias vezes por dia e seria muito caro. Mesmo sem saber exatamente do que se tratava, ela não hesitou em me internar. Nunca vou esquecer a minha entrada no Fundão, deixando meus pertences para trás, caminhando com dificuldade até a cadeira de rodas, o pano grosso do camisolão amarelo raspando minha pele que ardia.
Fui radiografada, tiraram sangue e me instalaram em uma das três camas da enfermaria dos infectados. Havia de tudo ali. Um rapaz surfista morreu de meningite. Uma senhora perdeu a perna por causa de uma infecção, uma menininha sobreviveu à difteria e eu tinha certeza de que não sairia mais dali.
Fui examinada por dezenas de médicos, alunos, residentes, catedráticos. Todos os dias pela manhã um grupo deles ocupava a enfermaria para aprender, com o meu caso, como se comportava um virus tropical desconhecido. Afinal, a dengue não existia mais. Estávamos em 1984 e o último aedes contaminado deveria ter morrido no governo do Pereira Passos. Mas o tamanho do meu baço, do fígado, as dores, os resultados dos exames de sangue, vômitos, febre alta, a perda de peso radical, a pele sem viço, tudo levava a crer que era uma doença tropical e ninguém sabia exatamente o que fazer com ela.
Fui medicada com dipirona – porque havia problemas de plaquetas. Eu tinha sede, mas não podia tomar água. E hoje entendo porque. Os médicos tentavam manter o tênue equilíbrio entre a hidratação e o derrame de líquido. No segundo dia as fezes ficaram negras, a urina parecia chá preto. As palmas das mãos ardiam e ficavam cada vez mais vermelhas. Era o edema palmar, que os estudantes adoravam examinar como uma raridade. Muito rapidamente, a pele toda foi ficando pintada com um sarampo, depois começou a formar manchas maiores e escuras. As famosas e apavorantes manchas vermelhas que indicam a evolução da doença.
Eu não sei a que intervalos, mas o carrinho de metal atravessava o corredor - a meu ver – a toda hora para tirar sangue e enviar para Manguinhos. Sob as axilas havia enormes gânglios. Os olhos se fecharam com uma espécie de conjuntivite, todas as mucosas descamaram e a pele desidratava rapidamente, perdendo a elasticidade para sempre.
Pior que isso tudo era ver a cara dos médicos, mais espantados do que eu com o que viam.
Pior ainda foi o preconceito. Estávamos debutando na era da AIDS e eu tive amigos que não me visitaram porque acharam que eu estava com o HIV. Detalhe: todos os meus amigos têm curso superior e atuam socialmente. Foi, é claro, um divisor de águas. Mas nem cheguei a ter raiva. Estava mais preocupada em sobreviver.
No sexto dia, já sem febre, com a pele descamando, imensamente fraca, bateu uma fome de matar. A papa de cenoura sem sal não dava conta e este foi o sinal que a médica esperava para me dar alta. Voltei para casa sem diagnóstico e só depois que a epidemia tomou conta da cidade os médicos concordaram que eu tivera dengue. Levei meses para recuperar as forças. No primeiro dia em que sai para a rua, achei que não chegaria até a esquina. Andava devagar e tinha que segurar nas grades dos edifícios. Não digeria o que comia. Ninguém sabia o que fazer com a sensação de tijolo que eu tinha no estômago. Por isso inventei uma sopa que já fez bem a muita gente. Eu tirava o sumo de um bom pedaço de carne, e nesse sumo cozinhava cereais integrais, legumes e verduras fortes. Cinco minutos de pressão e depois passava tudo no liqüidificador. Esse foi meu alimento por meses, mesmo depois de ter sido acompanhada por um gastroenterologista, que avaliou os estragos no fígado. Sendo uma doença semelhante em alguns pontos à hepatite (por isso sobem as taxas de bilirrubina e de transaminase no sangue), o rescaldo é o mesmo. Fiquei pele e osso, meu fígado nunca mais foi o mesmo e minha pele até hoje parece de alguém que tem 80 anos. A alimentação, para o resto da vida, tem que ser leve e sem gorduras.
O que aprendi:
- os hospitais públicos são os mais bem aparelhados porque eles têm setores especializados em doenças tropicais;
- lá estão os professores das universidades e eles têm mais experiência;
- o remédio básico foi dipirona e soro em doses controladas;
- o médico que vai identificar um paciente precisa examinar o fígado e o baço;
- se a pessoa tiver radiografias ou ultrasonografias desses órgãos, anteriores à doença, é bom levar para o médico comparar;
- pessoas fracas, mal alimentadas e estressadas têm mais chances de ficar doente e desenvolver a forma mais grave da doença;
- dias depois da minha dengue muitas pessoas caíram doentes, principalmente em Botafogo, onde havia um enorme depósito de pneus, na pedreira da rua Assunção.
- Toda dengue pode gerar o quadro hemorrágico;
- Eu estou imunizada apenas para aquele vírus daquele ano, se são quatro, tenho mais três roletas russas para jogar;
- Todo mosquito é suspeito.
- Só cloro mata a larva.
- Lugar de bromélia é no meio da Mata Atlântica.
- Eu me tornei uma fonte de dengue. Se um mosquito são me picar, passará o meu virus para outra pessoa.
- Não posso doar sangue.
- Tenho alterações nas hemácias, às vezes com macrocitose, outras com diminuição das células e ninguém sabe por que.
- Todos nós somos responsáveis, pois passamos por dezenas de focos ou potenciais focos e não ligamos para o serviço de limpeza. No máximo reclamamos do desleixo das autoridades sanitárias e esquecemos.
- A midia ajudou a criar o mito de que a dengue é uma febre de verão e que algumas delas eram hemorrágicas.
- Também existe o mito de que dengue é coisa de pobre.
- Os médicos muitas vezes deram entrevistas minimizando o problema.
- A cidade continuou acumulando criadouros de mosquitos.
Dezoito anos depois da minha dengue, perdi uma amiga com o mesmo mal. Com os mesmos sintomas. E ela morava na Zona Sul, numa belíssima área residencial. Tinha plano de saúde e foi atendida em hospital privado.
Mas ela não teve a sorte de encontrar um especialista como os que me examinaram no Fundão. Foi três vezes ao hospital, em um só dia, para morrer no início da noite. Os médicos - nas duas primeiras visitas, já com as manchas crescendo e as dores aumentando - a mandaram de volta para casa. Na terceira vez, ela teve a primeira parada cardíaca, ainda a caminho de outro hospital, e não sobreviveu à segunda.
O imenso despreparo dos médicos fica evidente no atestado de óbito - infarto. Não há a menor referência à dengue. A família foi informada de que a dengue mascarara o infarto e eles não perceberam que ela estava tendo um ataque de coração. Ora, é básico: se o sangue se liquefaz, há o choque sistêmico e o infarto. É só digitar um buscador qualquer da web e pedir – DENGUE. Está tudo lá. A causa mortis é dengue e não infarto.
Já pensaram em quantos atestados de óbito foram emitidos nos últimos dois meses dando como causa mortis esse tal de infarto, quando na verdade ele pode ter sido apenas o final da tragédia medieval que nos assola? Assumir que era dengue e que não a tratam com seriedade poria em risco a grande sabedoria da medicina anglo-saxã urbana industrial que cuida de nós. Quando na verdade somos semi-rurais, semi-agrários seres negros e morenos dos trópicos, à mercê de mazelas do subdesenvolvimento e doenças extintas para os povos do Hemisfério Norte.
No sábado, antes de me despedir da amiga, descobri que todos os funcionários do meu prédio tiveram ou têm a febre. E que, no meu bairro, Ipanema, dezenas de prédios abrigam bromélias, pneus (é só ver na esquina da Farme de Amoedo com Nascimento Silva), laguinhos e pratinhos, piscinas em coberturas nunca fiscalizadas, bueiros pluviais sem escoamento - os berçários do aedes.
A Comlurb foi avisada, fez o seu trabalho. Mas no dia seguinte outras latas, vasos e laguinhos voltam a estar lá, o que me faz temer por uma guerra perdida para a IGNORÂNCIA.
Na rua Barão da Torre há um síndico que já foi advertido, mas garante que não vai tirar as bromélias cercadas de nuvens de mosquitos. Ele argumenta: é tudo mentira. A medicina e a midia criaram o mito da febrinha de verão chamada dengue. Tem até o xiste – dengosa. A população não acredita que possa morrer ou ter seqüelas para sempre por causa de um mosquito.
No hospital, enquanto aguardávamos o atestado de óbito da minha amiga, vendedores de flores e adereços cercavam os parentes. No pátio que separa a portaria da sala de velório, plantas com pratos ao relento. No balcão da recepção, mais pratinhos com água.
No Crematório do Caju, depois de atravessarmos as alamedas – verdadeiros paraísos de mosquitos – outra cena medieval. Uma edificação sem refrigeração, escura, à beira de um charco, sem bebedouros ou janelas. Todas as flores do caixão murchas. Um fio de sangue escuro escapando da boca. Mosquitos por toda parte. No rosto das pessoas, dor, medo. Não pude deixar de pensar nas cenas de filmes sobre pestes medievais.
Mas as pessoas continuam sendo mandadas para casa, mesmo quando têm manchas vermelhas na pele e nem param em pé.
Não existe morte bonita. Toda morte é inevitável. Mas muitas podem ser adiadas. A morte causada pela dengue é uma das mais feias. Não deveria mais existir entre nós.
Temos que denunciar todos os prováveis focos do mosquito e abolir todos os costumes que possam gerar berçários para os aedes. E investir na educação e nos serviços urbanos básicos.
A Comlurb está fazendo um belo trabalho. Mas sozinha não vai dar conta.
25.11.02
Maracanã, concursos, containers do Rush, malucos, cambistas e tiros
Sábado de manhã fui caminhar no Maracanã que estava mais agitado do que nunca. Tinha uma prova de um concurso para sargento da Aeronautica com entrada pelo portão principal na Radial Este. Milhares de jovens disputavam as vagas e curiosamente, pouquíssimos rapazes, a grande maioria era de meninas acompanhadas de mães, pais ou parentes. No Estadio do Maracanãzinho, acontecia o segundo dia de um congresso de Educação, movimentadíssimo também. Nos guichês, filas imensas para comprar ingressos para o Rush e para o futebol de domingo. Outras filas gigantescas (teve gente que amanheceu na fila) para a abertura dos portões às duas horas da tarde para o show do Rush, á noite. E cambistas para todos os lados faziam a festa. Estava lá também aquele famigerado que me vendeu o ingresso para o Hamlet do Peter Brook.
E os tipos mais curiosos e interessantes representando as vários tribos que chegavam para assitir o show do Rush. Tinha uns malucos fantasiados de São Francisco de Assis, que vim a saber depois que não era fantasia. Eles pertenciam a uma seita de um padre franciscano. Nunca ouvi falar disso. Logo depois, uma turma de rapazes e moças, usando umas camisetas com uma estampa enorme de Nossa Senhora Aparecida. Pensei que fosse outra seita. Não era. Pelas filipetas distribuidas por eles, fiquei sabendo que era um espetáculo, "musical brasileiro de coração", em cartaz no Espaço Cultural São João da Cruz -- antigo cine Roma, na Tijuca. Outra completa novidade para mim. Os dois vendedores de camisetas e bonés do Rush eram assediadíssimos. Vendedor ambulante de tudo --de camisetas, pranchas e canetas a churrasquinho.
E o transito em volta do Maraca completamente caótico com a chegada de oito containers trasnportando os cenários e a parafernalia do show do Rush (maiores dos que os containers russos -- até agora eram os maiores do mundo para mim, transportavam os cenarios de um espetáculo russo que eu vi num Festival de Teatro de Bonecos em Charleville Mézzières, no interior da França). É claro, que eu parei boquiaberta para admirar os containers. Sou fascinada por containers. E pelo horário da chegada, o descarregamento e a montagem, o show do Rush deve ter atrasado.
Já tinha dado uma volta quasi completa no Maraca e estava passando perto da estátua do Belini, quando vejo uma pequena multidão que vinha correndo em minha direção, e á frente um cara parrudo segurado por vários PMs. Essa turma tava afim de linchar o cara seguro pelos PMS -- era um cambista que momentos antes tinha puxado o revolver e dado uns tiros para o alto ameaçando um rapaz que era um dos mais exaltados "esse fdp podia ter matado alguém". Curiosa, fiquei olhando a cena, mas tive que correr também porque de repente alguns PMs correram de arma em punho e pegaram outro rapaz que parecia estar armado. E a mesma multidão que queria linchar o cambista, volta correndo, nem sei porquê. Enfim uma baita de uma confusão, e eu ali. Tratei de sair da reta. Soube depois que a confusão era por causa da venda dos bilhetes para o jôgo. Apesar de anunciada pelos jornais a venda antecipada de ingressos para o jôgo ainda não tinha sido liberada, mas os ingressos estavam sendo vendidos pelos cambistas. E pensar que um dos principais motivos porque eu não fui ao show do Rush foi pelo medo das confusões que acontecem no Maraca nesses eventos.
24.11.02
Dessa, eu escapei...
Sexta-feira, às 11 hs da noite, parada num sinal próximo a Central do Brasil, estava na fila do canto que beirava o canteiro central da Av. Presidente Vargas, e aproveitava o sinal fechado para retirar da bolsa as minhas balas diet, quando batem com fôrça no vidro da janela do meu lado. Espantada, me virei para olhar e dei de cara com um garoto adolescente, devia ter uns 15 ou l6 anos, uma cara estranha, esmirradinha, e olhos muito arregalados, pedindo dinheiro naquele gesto de esfregar o polegar nos outros dedos, e nervoso olhava para todos os lados. Além do gesto ele falava bem alto para eu ouvir através do vidro fechado: dinheiro, dinheiro. Logo pensei, estará armado? Achei que não. Enquanto a mão direita fazia o sinal pedindo dinheiro, o braço esquerdo estava abaixado, e como eu só vislumbrava a sua figura da cintura para cima, não conseguia ver a sua mão esquerda, mas se estivesse portando alguma arma, ela estaria apontada para mim.
E sem premeditar, numa performance gestual completamente inusitada para o momento, com a latinha de balas ainda aberta nas mãos, fiz muito clara e calmamente o gesto de oferecer uma bala. E ele só repetia o gesto e a palavra: dinheiro, dinheiro, mas desta vez mais nervoso e alterado! Olhando pra ele, me virei lentamente, guardei a lata de balas na bolsa que estava aberta no banco ao lado, e fiquei remexendo dentro dela como se estivesse procurando a carteira do dinheiro. Tô assim nesse gesto dissimulado quando o sinal abriu, e eu num impulso toquei a marcha e arranquei rápido.
Com o carro em movimento, olhei para trás pelo espelho para ver a sua reação, e nesse momento, me veio o pensamento de que ele poderia ter uma arma escondida e iria atirar pelas minhas costas. A minha perna esquerda começou a tremer sem parar, e esse momento é quasi indescritível porque em menos de um segundo muita coisa passou pela minha cabeça num mixto de medo, horror panico. Estou nessa de pavor total, quando ví o garoto se afastando, passando por detrás do meu carro, atravessava correndo a Presidente Vargas no meio de carros e onibus em movimento. Passado o susto, comecei a chorar sem parar. A custo conseguí me controlar, e dirigir até chegar em casa.
Sexta-feira, às 11 hs da noite, parada num sinal próximo a Central do Brasil, estava na fila do canto que beirava o canteiro central da Av. Presidente Vargas, e aproveitava o sinal fechado para retirar da bolsa as minhas balas diet, quando batem com fôrça no vidro da janela do meu lado. Espantada, me virei para olhar e dei de cara com um garoto adolescente, devia ter uns 15 ou l6 anos, uma cara estranha, esmirradinha, e olhos muito arregalados, pedindo dinheiro naquele gesto de esfregar o polegar nos outros dedos, e nervoso olhava para todos os lados. Além do gesto ele falava bem alto para eu ouvir através do vidro fechado: dinheiro, dinheiro. Logo pensei, estará armado? Achei que não. Enquanto a mão direita fazia o sinal pedindo dinheiro, o braço esquerdo estava abaixado, e como eu só vislumbrava a sua figura da cintura para cima, não conseguia ver a sua mão esquerda, mas se estivesse portando alguma arma, ela estaria apontada para mim.
E sem premeditar, numa performance gestual completamente inusitada para o momento, com a latinha de balas ainda aberta nas mãos, fiz muito clara e calmamente o gesto de oferecer uma bala. E ele só repetia o gesto e a palavra: dinheiro, dinheiro, mas desta vez mais nervoso e alterado! Olhando pra ele, me virei lentamente, guardei a lata de balas na bolsa que estava aberta no banco ao lado, e fiquei remexendo dentro dela como se estivesse procurando a carteira do dinheiro. Tô assim nesse gesto dissimulado quando o sinal abriu, e eu num impulso toquei a marcha e arranquei rápido.
Com o carro em movimento, olhei para trás pelo espelho para ver a sua reação, e nesse momento, me veio o pensamento de que ele poderia ter uma arma escondida e iria atirar pelas minhas costas. A minha perna esquerda começou a tremer sem parar, e esse momento é quasi indescritível porque em menos de um segundo muita coisa passou pela minha cabeça num mixto de medo, horror panico. Estou nessa de pavor total, quando ví o garoto se afastando, passando por detrás do meu carro, atravessava correndo a Presidente Vargas no meio de carros e onibus em movimento. Passado o susto, comecei a chorar sem parar. A custo conseguí me controlar, e dirigir até chegar em casa.
16.11.02
Deslises de lesa-claridade, como diria o poeta Leminski, é o meu estado hoje. Ando tendo umas e outras que nem vou te contar. Mas isto passa, passa-passará. Ora, se passa.
Agora, pergunte a quem não compete cabimento, se está certo ou não está conforme. Tão tenascíssima resistencia tem parte com as essências.Isto é Leminski puro em Catatau.
Agora, pergunte a quem não compete cabimento, se está certo ou não está conforme. Tão tenascíssima resistencia tem parte com as essências.Isto é Leminski puro em Catatau.
15.11.02
Sincronicidade, Jung e B. Piropo
E o mais engraçado da história: enquanto o técnico mexia aqui no computer, eu aproveitei para arrumar os jornais e revistas empilhados aqui em baixo da mesa, (sim, embaixo da mesa para desespêro da faxineira que está proibida de encostar um dedo neles) selecionar e recortar os cadernos de informatica de O Globo. E nessa faina, encontrei numa reportagem do dia 14 de outubro, assinada pelo B.Piropo, em letrais garrafais BugBear ou Tanatos: este virus é de morte. Isto é a tal da sincronicidade que falava o Jung. Mostrei ao técnico que ficou todo satisfeito porque constava da matéria tudo o que ele havia dito desde o nome do virus. E eu também compartilhei dessa alegria, porque tive a comprovação que estava sendo atendida por um profissional competente. Valeu Mr. Ali, a indicação da Y2 Informática. Valeu, B. Piropo.
E o mais engraçado da história: enquanto o técnico mexia aqui no computer, eu aproveitei para arrumar os jornais e revistas empilhados aqui em baixo da mesa, (sim, embaixo da mesa para desespêro da faxineira que está proibida de encostar um dedo neles) selecionar e recortar os cadernos de informatica de O Globo. E nessa faina, encontrei numa reportagem do dia 14 de outubro, assinada pelo B.Piropo, em letrais garrafais BugBear ou Tanatos: este virus é de morte. Isto é a tal da sincronicidade que falava o Jung. Mostrei ao técnico que ficou todo satisfeito porque constava da matéria tudo o que ele havia dito desde o nome do virus. E eu também compartilhei dessa alegria, porque tive a comprovação que estava sendo atendida por um profissional competente. Valeu Mr. Ali, a indicação da Y2 Informática. Valeu, B. Piropo.
Bye, bye, BugBear
Só hoje conseguí resolver o problema do meu computador que estava com sérios problemas até que no domingo saiu do ar até hoje quando o técnico detectou o problema: um vírus chamado BugBear. O tal do vírus está se disseminando tão rapidamente que já mereceu a classificação de máxima periculosidade dos especialistas em segurança. O danado do vírus permite que o nosso computador seja contaminado pelo simples ato de exibir a mensagem no outlook.
Só hoje conseguí resolver o problema do meu computador que estava com sérios problemas até que no domingo saiu do ar até hoje quando o técnico detectou o problema: um vírus chamado BugBear. O tal do vírus está se disseminando tão rapidamente que já mereceu a classificação de máxima periculosidade dos especialistas em segurança. O danado do vírus permite que o nosso computador seja contaminado pelo simples ato de exibir a mensagem no outlook.
10.11.02
Virus no meu computer?
Estou com serios problemas no computador. Pelos sintomas acho que pegou um virus. A acentuaçao nao ta pegando ha um tempao, desde quando começou a dar pau. Estou tentando resolver. Entre amanha e segunda ja deve estar resolvido este problema. Peço desculpas aos amigos que estao esperando resposta dos e-mails, mas eu nao posso responder enquanto nao resolver essa situaçao.
Estou com serios problemas no computador. Pelos sintomas acho que pegou um virus. A acentuaçao nao ta pegando ha um tempao, desde quando começou a dar pau. Estou tentando resolver. Entre amanha e segunda ja deve estar resolvido este problema. Peço desculpas aos amigos que estao esperando resposta dos e-mails, mas eu nao posso responder enquanto nao resolver essa situaçao.
Subscrever:
Mensagens (Atom)